| O DIA-A-DIA DE UMA REDA��O DE JORNAL Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira A rotina de uma reda��o de jornal come�a logo cedo, nem sempre muito organizada. Num jornal, o profissional que faz a pauta (o pauteiro) � o respons�vel pela sele��o dos assuntos a serem explorados pelo rep�rter. Ele chega � empresa aproximadamente �s 7h30 e faz a leitura din�mica dos jornais di�rios. Al�m disso, toma conhecimento do televisivo e verifica os despachos do Di�rio Oficial, bem como ouve o notici�rio das r�dios, tendo o cuidado de checar se as pautas do dia foram elaboradas pelo pauteiro da tarde, no dia anterior. Em alguns jornais o pauteiro � tamb�m o chefe de reda��o, em outros as duas fun��es s�o distintas. Enquanto um elabora a pauta, o outro, o chefe de reda��o, cuida para que as condi��es de deslocamento do rep�rter estejam em ordem (se h� motorista dispon�vel, qual a mat�ria vai precisar de um rep�rter fotogr�fico para acompanhar o rep�rter de texto) e outros encaminhamentos pertinentes � reda��o, para que a pauta n�o fure, como se diz no jarg�o jornal�stico. O pauteiro da manh� tamb�m faz a pauta dos jornalistas que trabalham � tarde, para que o jornal tenha seu andamento conclu�do no final da edi��o. O jornalista-rep�rter que cobre o setor de geral deve estar chegando na empresa �s 8h da manh� e, na maioria das vezes, cobre de tr�s a quatro pautas, sobre assuntos diversos. Mas nem sempre o cumprimento dessa rotina � totalmente viabilizado, o que vai interferir no fechamento do jornal, caso n�o consiga concluir suas pautas por telefone. O chefe de reportagem segue os trabalhos, encaminhando um pouco a parte burocr�tica da reda��o, mas n�o se omite se por uma eventualidade surgir alguma mat�ria que precise ser feita ali mesmo. Com o avan�o da tecnologia e a automa��o das reda��es, o material que ali chega � muito farto e � necess�rio que seja feita uma compilagem de tudo, aos poucos, separando o que poder� ser publicado, conforme o interesse da empresa, seja dando o enfoque de nota ou de texto corrido. Depois de se certificar que tudo est� encaminhado (se h� motorista dispon�vel, filme, rep�rter fotogr�fico e toda a infra-estrutura necess�ria), e de fazer uma leitura r�pida dos jornais, o rep�rter de texto sai �s ruas em busca de seu bem maior: a not�cia. Conclu�da essa etapa, ele volta � reda��o para dar in�cio a outra fase do seu trabalho, que � redigir todo o material conseguido, dando um enfoque jornal�stico a sua mat�ria. O rep�rter de texto tamb�m depende, e muito, de colegas que ocupam outras fun��es dentro de um jornal como o rep�rter fotogr�fico e o diagramador. No caso de um jornal como a Tribuna de Alagoas que usa o sistema Golden News para edi��o e pagina��o, o diagramador encaminha para rep�rter ou para o editor o leiaute da p�gina, com os c�digos (ou jobs) das mat�rias, no sentido de que, quando o jornalista acesse sua senha j� tenha a forma da mat�ria tra�ada, onde vai escrever o seu texto. Com a implanta��o de terminais de computadores e alguns programas de designer gr�fico bem elaborados, alguns setores do jornalismo brasileiro foram prejudicados, de maneira que a automa��o pode gerar tamb�m um ac�mulo de fun��o para um s� profissional. E isso � preocupante do ponto de vista trabalhista. As editorias de um jornal s�o distribu�das, na maioria das vezes, assim: editoria de geral, pol�tica, pol�cia, economia, nacional e internacional, esporte e cultura, al�m de alguns suplementos semanais e p�ginas especiais de turismo, autom�vel, munic�pio, sa�de, entre outras. O primeiro caderno de um jornal � onde ficam as editorias de pol�tica, geral, economia, cidade (geral), pol�cia e esporte. Este caderno � o mais nobre do jornal, � o �ltimo a ser fechado e a ir para a m�quina rotativa. O segundo caderno geralmente � composto pelo caderno de cultura e pelos classificados, em outros jornais a editoria de esporte tamb�m est� localizada no segundo caderno. Em alguns jornais di�rios, a editoria de geral ou de cidade � a que ocupa maior n�mero de rep�rteres, dada a variedade de assuntos. H� impressos que tamb�m utilizam dois ou tr�s jornalistas para cobrir a �rea de pol�tica, que � uma das mais importantes e mais lidas do jornal. Setores como o de economia, s�o ocupados por um profissional que redige e edita os textos, em suas maioria provenientes de ag�ncias nacionais de not�cia. Observa-se que h� pouca mat�ria local nesta �rea. As �reas de pol�cia ou esporte, em alguns jornais, funcionam tamb�m com apenas um ou dois rep�rteres e um editor. Editoria de pol�tica nacional e internacional, al�m da de cultura, tamb�m s�o editadas por poucos profissionais, sobrecarregando quem faz o fechamento das p�ginas. Da mesma forma que a maioria das outras editorias, as p�ginas de munic�pios e turismo s�o editadas por um �nico profissional, que tamb�m auxilia no fechamento do jornal. Os editores de p�gina checam todo o material das ag�ncias, que agora chegam via Internet, al�m dos malotes das assessorias de imprensa dos diversos �rg�os p�blicos e empresas diversas, que hoje em dia � volumoso, bem como todo o material que poder� ser explorado com mais profundidade e que pode render mat�ria. Mas, voltando um pouco para o rep�rter de rua, n�o raro � raro ele ter que voltar para o jornal antes do previsto, para tentar concluir suas pautas pelo telefone ou por outros meios como Internet, assessorias e ainda mais a checagem de informa��es. Checadas todas as informa��es fornecidas pelas fontes, sejam elas por interm�dio do telefone, in loco, Internet ou ag�ncias de not�cias, o jornalista inicia outra etapa de seu trabalho, que � redigir todo o material conseguido. Depois de redigir as informa��es transformando-as em material jornal�stico, ele encaminha sua mat�ria pelo computador, por meio de uma senha, para o editor de setor, para que este d� o acabamento final ao texto, titule e, no caso de haver foto, redigir a legenda. O editor checa a mat�ria, edita, corrige, faz corte ou acrescenta dados, faz o enxugamento necess�rio do texto para o fechamento da p�gina, e a mat�ria � enviada para o diagramador, no sentido de que esse profissional fa�a os ajustes de tamanho e visual, finalizando a p�gina, que ser� enviada para as devidas corre��es por outro jornalista especializado: o revisor. De posse da p�gina o revisor ler o texto, corrige ou acrescenta dados. Depois de revisada a p�gina � devolvida para o diagramador, que faz as emendas (altera��es) que foram chamadas pelo revisor. Em seguida a p�gina ser� enviada para o sistema de filme, tudo isso monitorado por computadores, que ficam agrupados em uma sala separada, acompanhados por outros profissionais especializados para a fun��o. No caso de haver qualquer problema no envio da p�gina para o filme, o diagramador ter� que reenviar a p�gina para que sejam feitos os ajustes no processo. Finalmente, depois de finalizadas todas essas etapas, a p�gina do jornal vai para o processo de chapa e depois para a m�quina rotativa. Da� para o jornal estar pronto � quest�o de minutos. Hoje em dia, os jornais j� saem das m�quinas rotativas dobrados e os funcion�rios das oficinas gr�ficas apenas encaixam os cadernos, empilhando-os para serem encaminhados para a distribui��o, que normalmente � feita �s 3h ou 4h da manh�, quando a edi��o est� sendo entregue nas bancas ou nos locais onde o jornal ser� vendido. |