| 5. CONCLUS�O Quando iniciamos o trabalho na Amotam, a entidade parecia ser um campo f�rtil para o movimento popular, com a atua��o da entidade se mostrando promissora. Nessa �poca Eunides Lins e Carla Salignac j� estavam no bairro desenvolvendo o projeto experimental "Tabuleiro do Martins: Uma Experi�ncia de Comunica��o Popular" , quando conseguiram mobilizar a Associa��o e fizeram, com os moradores, dois boletins e um mural, "que assumiram papel muito importante no decorrer do processo de implanta��o da Comunica��o alternativa junto � Amotam". (1) Acreditamos que esse per�odo foi o mais f�rtil e ativo da Amotam, pois havia uma identifica��o entre o trabalho desenvolvido por Nide, Carla e a comunidade do Tabuleiro do Martins. Apesar disso percebemos a exist�ncia de uma rela��o de depend�ncia dos componentes da associa��o em rela��o ao presidente da entidade, Tadeu Jatob�. O regime presidencialista vivido pelas entidades de bairro, no geral, permite que as responsabilidades e decis�es se concentrem nas m�os de uma �nica pessoa, o que resulta num complicado ac�mulo de tarefas. Foi o que ocorreu com o presidente da Amotam, que por motivos pessoais afastou-se sem propiciar um processo de sucess�o, deixando um vazio na entidade, at� ent�o considerada uma das principais do Estado. � bem verdade que quando iniciamos nosso trabalho a diretoria da entidade j� demonstrava dificuldades em avan�ar e as atividades junto � comunidade estavam se voltando para o assistencialismo. Durante o trabalho de Eunides e Carla havia uma certa participa��o dos moradores nas reivindica��es da associa��o, com envolvimento no boletim, no mural e no sistema de alto-falante (corneta), instalado posteriormente. A partir da instala��o do som, quando acredit�vamos que seria o momento maior da participa��o, aconteceu o inverso. Houve uma acomoda��o generalizada, tanto por parte dos diretores da Amotam, como por parte da comunidade, em conseq�encia principalmente da desarticula��o da entidade. Nossa programa��o teve in�cio justamente quando a Associa��o j� estava quase desestruturada e nem mesmo as mulheres da diretoria compareceram aos programas. D. Ivanise Nascimento, vice-presidenta, que poderia ter sido um elo de liga��o entre n�s e a comunidade, (no caso as feirantes do Tabuleiro), especialmente por ter tido uma boa atua��o anteriormente, tamb�m quase n�o se envolveu. Com o afastamento do presidente no final de 1987, ap�s termos encerrado nossos trabalhos pr�ticos, a Amotam caiu no marasmo completo. Dois componentes da entidade - Pedro Martins e Josefa Martins (a do mutir�o de limpeza da pracinha), fundaram uma nova associa��o, sem se desligarem "oficialmente" da Amotam e sem consultar qualquer membro. O quadro geral ficou mais complicado ainda. De volta ao bairro depois de oito meses (agosto/88), n�o conseguimos observar mudan�as relevantes, exceto o estado cr�nico de abandono em que se encontrava o Tabuleiro do Martins. D. Ianise assumiu a dire��o da Amotam e disse que a entidade n�o ia morrer, no entanto, numa reuni�o com as associa��es de moradores convocada pela LBA - Legi�o Brasileira de Assist�ncia, ela afirmou que foram apresentados alguns projetos para que ela e C�cero, diretor de Comunica��o da Amotam, analisassem e dessem o parecer favor�vel ou n�o e "a gente n�o sabia o que fazer com aqueles projetos", justificou ela. Este fato evidenciou o quadro ca�tico em que se encontrava a associa��o, como tamb�m deu um perfil da linha que a Amotam iria assumir dali pra frente, que pouco ou nada se identificava com seus objetivos iniciais. A realiza��o do projeto experimental concretiza uma das etapas finais do Curso de Comunica��o Social. Durante o per�odo em que estivemos na Universidade acreditamos na seriedade e qualidade do ensino, na ajuda a trabalhos de pesquisa que contribuissem sempre para o questionamento e a relev�ncia social da comunidade. No entanto, ao contr�rio, nos deparamos com uma institui��o carente, comprometida com interesses outros que n�o o da integra��o com a sociedade e com a pesquisa e extens�o atrav�s de trabalhos populares, como se prop�s o nosso. Al�m desses problemas tivemos tamb�m que enfrentar a burocracia da Reitoria, que chega a todos os departamentos da universidade, inclusive o de Comunica��o Social. A burocracia � t�o exagerada que at� mesmo na hora em que precis�vamos de materiais como pilhas, fitas-cassete e gravador quase nunca consgu�amos. Estavam sempre nas m�os de outros alunos. No caso das pilhas ter�amos que devolver os cascos. E as fitas, ap�s gravarmos os programas, tamb�m deveriam ser devolvidas. O que se observa nas universidades brasileiras e em especial na alagoana, ao inv�s de seriedade, � um ensino "que se preocupa quase exclusivamente em outorgar diplomas para o exerc�cio de profiss�es, com predomin�ncia das liberais". (2) Com exce��o �s raras vezes de seriedade durante todo o curso, sentimos com a realiza��o do projeto experimental, cobran�as de tudo aquilo que nos deveria ter sido "dado" nas etapas inicias e nas seguintes. No final tivemos que aprender e "dar" tudo aquilo que n�o nos foi "dado"e ensinado. Acreditamos, portanto, que a Universidade brasileira necessita de uma reforma em todos os sentidos. A "inexist�ncia de uma verdadeira universidade", afirma Luis Eduardo Wanderley; j� que "ela se constitui num conglomerado de estruturas e �rg�os, e o seu colonialismo educacional est�o exigindo uma reforma que seja a express�o de toda a comunidade universit�ria do Pa�s e que se insira na necess�ria constru��o de um sistema democr�tico para toda a sociedade". (3) Para isso "se fazem necess�rias a racionaliza��o do uso de recursos financeiros, materiais e humanos, uma revolu��o de natureza mental e t�cnica, a adequa��o dos fins �s exig�ncias din�micas do desenvolvimento". (4) _____________________________________________________________________ (1) - Salignac Carla e Oliveira Eunides Lins de. Op. Cit. p.38 (2) - WANDERLEY, Lu�s Eduardo. O que � Universidade. S�o Paulo. Ed., Brasiliense. Cole��o Primeiros Passos (3) - Op. Cit. p.77 (4) - Ibdem, Idem |