A Cidade Maravilhosa embrutecida

Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira (*)


Bons tempos aqueles em que eu ia passar minhas f�rias escolares no Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, entre a d�cada de 70 e come�o dos anos 80. O ano todo ficava planejando e sonhando com a viagem, embora  tamb�m fosse  porque minha m�e queria me ver afastada das minhas  amizades de Uni�o dos Palmares. Mas os passeios ao P�o de A��car, nossas idas � Quinta da Boa Vista, onde est�o instalados um museu e um zool�gico,  e as praias mais badaladas da cidade, como a de Ipanema, Copacabana e a do Leme, tudo nos encantava.
O Rio � lindo e sempre inspirou compositores, m�sicos, poetas e apaixonados,   mas a viol�ncia que a cada dia se multiplica  por ali est� fazendo com que a cidade fique triste e feia perante o resto do Pa�s e do mundo. Na quinta-feira, uma onda de ataques a um �nibus da empresa Itapemirim causou mortes e ferimentos aos passageiros, deixando a popula��o apavorada. Os ataques ocorreram em diferentes pontos da cidade. Os criminosos atiraram contra delegacias, carros e cabines da Pol�cia Militar. Tamb�m queimaram aproximadamente seis �nibus. Em um dos casos, 19 pessoas tinham morrido carbonizadas, at� a madrugada da sexta-feira.
O governador eleito do Rio, S�rgio Cabral (PMDB), afirmou que a onda de viol�ncia n�o vai intimidar o novo governo e admitiu que, se necess�rio, acionar� a For�a Nacional de Seguran�a P�blica. Criada em 2004 e ligada ao Minist�rio da Justi�a, a For�a Nacional � uma tropa de elite formada principalmente por policiais militares e bombeiros, de diferentes estados.
O secret�rio da Seguran�a P�blica do Rio disse, na oportunidade,  acreditar que a ordem para os atentados tenha partido de presos que temem mudan�as na administra��o penitenci�ria a partir de 2007, com a troca de comando do governo do Estado, e o endurecimento do regime disciplinar. Ele afirmou que a s�rie de ataques n�o foi organizada por uma �nica fac��o, mas por criminosos que se uniram em torno de interesses comuns para pressionar o governo a, mais tarde, negociar concess�es e privil�gios.
O Rio de Janeiro agoniza com o tr�fico de drogas e a faveliza��o desenfreada que cresce a cada dia no Estado e precisa ser melhor cuidado. Os governos que se sucederam no Rio foram abrindo guarda para a marginalidade e n�o tomaram as provid�ncias necess�rias para impedir o crescimento da viol�ncia e agora deu no que deu. A pol�cia e a c�pula de seguran�a do Estado do Rio precisam ser en�rgicos para garantir a paz na virada do ano, numa �poca em que milhares de pessoas v�o �s ruas para se confraternizar e ver o espet�culo da queima dos fogos, um dos mais belos do Pa�s.
De acordo com o que foi divulgado, para conter os criminosos, a PM do Rio contar� com o aux�lio de 92 carros da Pol�cia Civil, que ficar�o respons�veis pelas redondezas de morros controlados pelo tr�fico de drogas, de  quinta-feira  at� o dia 2 de janeiro. Vamos ver se todas essas provid�ncias poder�o conter os �nimos dessas pessoas enlouquecidas pela mis�ria, pela viol�ncia e pela falta de perspectiva numa cidade que � o s�mbolo do turismo no Brasil.

* � jornalista
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