Resumo do trabalho �Em Busca de uma Comunica��o alternativa da Mulher�, Projeto Experimental em Jornalismo ou Trabalho de Conclus�o de Curso, entregue � dire��o da R�dio AG/FM, de Uni�o do Palmares e � radialista Margarete Le�o, para a realiza��o de entrevista em programa matinal da r�dio, em  16.04.92.

O nosso trabalho �Em Busca de uma Comunica��o Alternativa da Mulher� teve como objetivo a realiza��o de um programa de r�dio para as mulheres e foi realizado na Feirinha do Tabuleiro, em Macei�,  por absoluta falta de apoio das r�dios que procuramos � �poca: R�dio Clube de Rio Largo e Macei�-FM, pertencentes ao mesmo grupo.

O Projeto  Experimental, hoje denominado TCC, faz,  ou pelo menos fazia, parte das disciplinas obrigat�rias na conclus�o do Curso de Comunica��o Social, onde deveriam constar uma parte pr�tica  e outra te�rica.
Durante um ano freq�entamos a comunidade do Tabuleiro do Martins, a fim de que pud�ssemos concluir  nosso objetivo � o programa de r�dio, com a participa��o das mulheres que freq�entavam a feira -. 

Nos reun�amos no correr da semana com as mulheres e a diretoria da Amotam � Associa��o dos Moradores do Tabuleiro, na Rua do Arame, e, no s�bado,  realizar�amos  os programas.

Embora a presen�a  de cerca de 50 mulheres nas reuni�es, sab�amos que estavam ali apenas em busca do assistencialismo prometido com a ajuda  da LBA � Legi�o Brasileira da Assist�ncia, para a distribui��o do t�quetes  do leite do programa do Governo Sarney e enxovais prometidos �s gestantes.

Os poucos programas que conseguimos realizar aconteceram na porta de um abatedor de frango, o Galeto da Quit�ria, que nos cedia a energia para que pud�ssemos instalar as cornetas (sistema de autofalante), o amplificador e os dois gravadores que us�vamos.

Nossa programa��o acontecia durante 15 minutos e era feita dentro de um outro programa de r�dio, das colegas, tamb�m concluintes do Curso de Comunica��o Social, Eunides Lins e Carla Salignac, que nos  concedia o hor�rio. Dessa forma, �s vezes, dada a extens�o do programa delas, o nosso ficava prejudicado.

Mesmo que n�o tenhamos alcan�ado o �xito desejado - as mulheres inteiradas � nossa proposta - , conseguimos  despertar a aten��o de alguns ouvintes, que todos os s�bados nos esperavam na porta do Galeto da Quit�ria. E quando fal�vamos sobre viol�ncia , a quest�o da sa�de e as agress�es e discrimina��o sofrida pela mulher,  principalmente se ela for pobre e negra,  sent�amos  receptividade por parte dos ouvintes, que participavam concedendo  depoimentos de suas viv�ncias di�rias na comunidade.

Conseguimos fazer quatro programas, levando a m�dica respons�vel pelo posto  do Tabuleiro, que discorreu sobre o aborto, viol�ncia e o Sistema �nico e Descentralizado de Sa�de, implantado � �poca pelo governo Sarney.  Embora a presen�a das autoridades em sa�de tenha deixado acanhadas aquelas pessoas,  conseguimos, tamb�m, depoimentos dos homens que falaram  principalmente sobre a viol�ncia contra suas filhas e mulheres.

Outros problemas foram abordados como: carestia, custo de vida,  Comiss�o de Sistematiza��o da Constituinte (quando explic�vamos o que era), o Centr�o (explic�vamos  tamb�m o que era e para que e quem  servia), as propostas levadas pelas mulheres para serem aprovadas na Constituinte e tantos outros assuntos que julg�vamos importantes para a comunidade.

O resultado obtido n�o chegou ao que desej�vamos, pois contaram ali a nossa inexperi�ncia, as condi��es em que eram  realizados os programas, sem nenhuma estrutura, o desinteresse de alguns membros da Associa��o pelo tema Mulher e tamb�m a falta de consci�ncia da discrimina��o, da pr�pria mulher do Tabuleiro. Como exemplo tivemos o da vice presidenta da associa��o, D. Ivanise, que deu seu depoimento num dos nossos programas dizendo que apanhou do marido, mas �se � ruim com ele, pior sem ele�, mostrando o quadro  de submiss�o em que vive a mulher, principalmente  nas camadas mais pobres da sociedade.
Mas a nossa realiza��o pessoal se completou,  quando, apesar das exig�ncias burocr�ticas impostas � �poca pelo sistema universit�rio, tivemos que aprender, na marra, tudo o que n�o  t�nhamos visto durante os quatro anos e meio do curso. 

Por conta da boa orienta��o que recebemos do professor e soci�logo Ant�nio Cerveira de Moura, formos obrigadas a ler, pesquisar, estudar e buscar um acervo de dados, que nos foi bastante enriquecedor.  Tivemos  que ler e reler,  fazendo resumos e fichamentos junto �s entrevistas, cerca de 60 volumes entre livros, revistas e jornais, que complementaram o trabalho.

Dentro desse contexto te�rico abordado, destacamos  os seguintes aspectos: a explora��o do sistema capitalista contra a mulher, abordagens te�ricas sobre a origem da opress�o da mulher, o contexto da mulher no Tabuleiro, cap�tulo sobre o movimento de mulher alagoano,  onde inserimos  uma aparte sobre as quilombolas � mulheres do quilombo -  que tiveram como l�der a m�e de Ganga Zumba, Aqualtune, l�der das mulheres negras na �poca dos quilombos. Esse cap�tulo  foi publicado  na Revista Presen�a da Mulher, ano V, n� 19 0 Abril/Junho  de 1991, cuja manchete principal foi Mulher Poder e Trabalho. Embora tenha sido publicado com defasagem de dados,  pois o trabalho foi conclu�do  e apresentado em 1988, coisa que a revista n�o destacou,  sentimos-nos muito recompensadas pelo reconhecimento do nosso projeto,  em �mbito nacional.

Foram  entrevistadas em agosto de 1988, todas as lideran�as das entidades de mulheres de Macei� e no final do trabalho tivemos que dispor dos scripts, relat�rios e entrevistas para a conclus�o  e an�lise global do trabalho.

O projeto Experimental foi um trabalho que nos deu muita satisfa��o em ser produzido,  pois o tema mulher � fascinante e ainda tem muito  o que ser discutido e aprofundado, apesar dos avan�os  conseguidos  com a promulga��o da Constitui��o  de 1988. Feito  a tr�s m�os, e cada uma tendo  que dispor de uma tarefa, o segundo passo que precis�vamos dar era tentar public�-lo, com algumas refer�ncias atualizadas,  para que n�o ficasse engavetado e fosse distribu�do nas escolas e col�gios, bem como  em bibliotecas p�blicas. 
Essa foi  a nossa proposta inicial, quando tivemos a id�ia de execut�-lo.

Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira � Jornalista.
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