Basta de viol�ncia!

Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira
* (Publicado no jornal O Di�rio de 13.11.92)


Todos os dias, nos v�rios  notici�rios policiais do Pa�s,  � estampada a viol�ncia  cometida  contra a mulher, sem que os culpados, na maioria  das vezes, sejam punidos.
Basta dar  uma ligeira  percorrida nas not�cias para  perceber  que os crimes  cometidos s�o: �em defesa  da honra� e dos costumes,  sem  que se  analise bem de que  honra  e de que costumes  se  est� falando. A cultura  machista  do brasileiro e, na  maioria das vezes, a coniv�ncia  da Lei,  deixa parte  dos casos impunes e a sociedade estarrecida.  S�o  fatos que j� se transformaram  corriqueiros onde as estat�sticas  aumentam  a cada dia,  em todo o Pa�s.
O Brasil n�o tem  estat�sticas  muito precisas, mas h�  informa��es de que os  assassinatos das esposas,  amantes ou namoradas e a viol�ncia cometida contra elas s�o crimes freq�entes.  Em 1991, pesquisa  sobre crimes  violentos  contra mulheres  ocorridos entre 87 e 89 constatou  que,  dos mais  de 6 mil casos  computados, 400 envolvem   o assassinato de mulheres  pelos pr�prios  maridos  ou  amantes. 70%  dos incidentes  registrados  de viol�ncia  contra as mulheres acontecem dentro  de casa. Em quase todos os casos,  o criminoso  � o marido  ou o amante. Mais de 40% dos abusos envolvem  les�es  corporais  graves,  como denuncia a revista Presen�a da Mulher em seu n� 23, de setembro/92.
A revista indica ainda  que: em 1991, em Belo Horizonte, o marido  de uma v�tima  a acusava de manter  rela��es sexuais com estranhos e, como prova de amor  pediu que ela fizesse sexo  com outro homem na sua  frente.  Ele a levou  a boates e mandava  que ela  escolhesse e seduzisse um estranho, para que os tr�s  fizessem  sexo juntos, demonstrando  o grau de absurdo  da viol�ncia  e da insanidade desses companheiros.
Em Alagoas n�o � diferente e todos os dias vemos mulheres  sendo assassinadas  e violentadas em seus mais  puros sentimentos, por  companheiros  embriagados e drogados,  como aconteceu  recentemente  em Uni�o dos Palmares-AL, com a coordenadora  de ensino  Maria Aparecida Carvalho Acioly Rocha, 36 anos, assassinada  brutalmente pelo ex-marido Valdir,  com seis  tiros de rev�lver, em frente  de suas tr�s filhas, culminando com a morte do pai da v�tima quando tentava  prestar socorro � filha. O criminoso ainda encontra-se  foragido.
Fatos dessa natureza t�m  sido uma constante no Pa�s e em nosso Estado e � preciso que  sejam denunciados,  punidos e execrados da sociedade.  N�o podemos aceitar  que a impunidade  se instale  da forma como vem se  instalando, sem que os culpados  sejam punidos. Precisamos dar  um basta a tudo  isso e a sociedade precisa  cobrar das autoridades resolu��es  para esses casos.  N�o podemos ficar indiferentes  a todo esse clima de viol�ncia  e inseguran�a!
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