Mulher: �te organiza e vai � luta�
Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira
* ( Publicado no jornal O Di�rio, de 08.11.92)


Vencendo os preconceitos  e as barreiras impostas  pela sociedade  as mulheres v�o, aos poucos,  conquistando  seus espa�os. S�o companheiras que v�m ocupando  cargos  nos mais diversos   setores  da sociedade, mostrando que  s�o competentes e capazes de exercer  qualquer  profiss�o da mesma  forma que seus companheiros  homens.
Os avan�os conseguidos  atrav�s dos movimentos reivindicat�rios, dos sindicatos  e dos partidos pol�ticos com  a aprova��o da Constitui��o de 88 foram muitos,  no entanto, muita coisa  ainda precisa ser colocada na pr�tica, na vida. As discrimina��es  ainda se fazem presentes, bem como a  viol�ncia  e � necess�rio que os movimentos  de mulheres voltem a atuar de forma constante e incisiva, para  que consigamos  vencer  esses entraves ainda  impostos  pela sociedade machista.
A inser��o da mulher  no  mercado  de trabalho se deu  nos anos 50, desenvolvendo-se  nos anos 60 com a  implanta��o  de um modelo  econ�mico calcado  no arrocho  salarial  que exigiu dela  uma contribui��o  decisiva  para a amplia��o nominal  da renda familiar, na tentativa  de manter  o poder  aquisitivo  da fam�lia, o que  n�o quer dizer que a partir  da� o preconceito  tenha acabado, como esclarece o Conselho Nacional dos Direitos da  Mulher em seu caderno �Mulher e Trabalho�, de 1996, n� 02.
Mas a participa��o da  mulher nos movimentos  de  reivindica��o de seus direitos  n�o se inicia nessa fase,  e sim com o chamado Movimento Sufragista, importado  dos Estados Unidos, por Bertha Lutz, que nele  teve grande destaque. Por�m,  foi a professora  Leolinda Daltro quem  primeiro projetou no Brasil, de  forma  organizada, a id�ia  do sufr�gio feminino.  Ela  organizou uma passeata em  novembro de 1917, com 84  mulheres,  que surpreendeu  a popula��o do Rio de Janeiro.
No in�cio  do s�culo XX,  no Brasil,  considerava-se  a participa��o  da mulher  na vida econ�mica  como desvio do normal,  como  infra��o da ordem natural das  coisas.  A imensa  transforma��o  que sofreram as condi��o  da produ��o  no curso  das primeiras d�cadas do s�culo obrigou a mulher  a adaptar-se  �s novas circunst�ncias criadas por essa  realidade.  E � na ind�stria,  principalmente  na ind�stria  t�xtil , que ocorre o maior  crescimento da m�o-de-obra  feminina.
A inclus�o  da mulher no mercado de trabalho gerou  achatamento salarial, ficando  de todo modo em  fun��es  menos qualificadas,  impedida de ser  promovida e de ter acesso a cargos de  chefia, como constata a hist�ria.  A participa��o no mercado de trabalho transformou a mentalidade da mulher quando  foi arrancada do lar, despertando  nela a consci�ncia  de seu papel  na sociedade,  seu esp�rito  de protesto  e a luta por seus  direitos.
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