�Anos Rebeldes�

Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira

(Escrito em 10.08.92)


Assistindo  � mini-s�rie �Anos Rebeldes�, de Gilberto Braga, exibido pela TV Globo a partir das ter�as-feiras, no  m�s de  agosto de 1992, tive a oportunidade  de captar  um pouco o que se passou durante  os anos do regime militar vividos  no Brasil.
Apesar da pr�pria emissora ter compactuado  com o golpe de 64 e do  programa  n�o retratar a quest�o a fundo �devido a se tratar de uma hist�ria de amor�, como explicou  o autor em entrevista � imprensa, d� para perceber, pelo menos  a quem  nasceu  �quela �poca, as atrocidades cometidas contra os que n�o estavam  enquadrados no sistema.
� importante  que essa p�gina  da nossa hist�ria  seja mostrada ou pelo menos  parte dela,  para que os jovens  de hoje saibam  das torturas,  da falta de  vergonha, viol�ncia e sadismo com que foram tratados  os homens  e mulheres revolucion�rios que empunharam bandeiras de luta pela liberdade,  democracia e direitos humanos.
O per�odo retratado foi contagiado pela ideologia  da seguran�a nacional. Vinte anos de sil�ncio foram impostos, no impedimento da liberdade. Pessoas que discordavam do regime foram mortas e torturadas, a imprensa empstelada, tudo em nome �da ordem e do progresso�.
Passados os anos  e com a chegada da anistia vimos chegar � campanha  �das diretas-j� quando  o povo volta  �s ruas  reivindicando  o direito  de votar para presidente.  Foi um dos momentos mais bonitos que o Pa�s vivenciou.
Frustradas  as expectativas da sociedade civil organizada,  tivemos  que nos consolar  com a elei��o  de Tancredo Neves  pelo Col�gio Eleitoral Mesmo tendo  participado de governos anteriores ele chegou  a reavivar em alguns brasileiros, novamente,  a esperan�a  de dias melhores.  Mas qual n�o foi a nossa surpresa quando  veio a adoecer  e morrer. Virou her�i nacional e, novamente,  tivemos que nos �virar� com um Jos� Sarney da vida, que  em seu Estado, o Maranh�o, costumava soltar os cachorros  em cima dos estudantes, literalmente.
Com a chegada da Assembl�ia Nacional Constituinte, que aprovou elei��es diretas para Presidente da Rep�blica, outra vez fomos embalados pela febre  da esperan�a  e ela se acentuou  quando aprovada a Constitui��o de 1988, seguida em 89 da campanha presidencial.
A campanha de Lu�s In�cio Lula da Silva � Presid�ncia  da Rep�blica trouxe  o entusiasmo �queles que acreditavam no sonho de ver um trabalhador na Presid�ncia: jovens, velhos, intelectuais progressistas, quase viram seus sonhos virarem realidade. Mas a maioria  preferiu eleger Fernando Collor  e, outra vez,  estamos a vivenciar dias de caos, de indigna��o, de falta de  respeito  aos trabalhadores, de corrup��o e de desgoverno.
Quando ser�  que vamos nos livrar de tanta pobreza moral, esc�ndalos pol�ticos, mis�ria, fome e falta de dignidade por parte de quem  nos governa? Fica a reflex�o.
Hosted by www.Geocities.ws

1