| O pa�s da impunidade Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira * (Publicado no jornal O Rel�mpago, de 01 a 15.10.95) A revista Veja de 20.09, traz mat�ria informando que os matadores da chacina do Carandiru, ocorrida em S�o Paulo, que resultou em 111 v�timas, em 2 de outubro de 1992, est�o impunes at� hoje. Da mesma forma que est�o impunes os que cometeram em Alagoas a chacina do condom�nio Solaris, em Cruz das Almas, os respons�veis pelo desaparecimento do m�sico Andresson Silveira, os assassinatos de Betinho, do jornalista Jorge Ov�dio e tantos outros que n�o chegam ao conhecimento da opini�o p�blica e que s�o cometidos cotidianamente. A exist�ncia da viol�ncia decorre de v�rios fatores, segundo Maria Victoria Benevides, s�o eles: o modelo econ�mico respons�vel pelo s desequil�brios e injusti�as sociais, as viol�ncias que s�o cometidas diariamente contra o cidad�o como a de ser tratado feito boi nos coletivos, a viol�ncia do direito do consumidor como a de comer alimentos estragados por conta da falta de uma fiscaliza��o maior dos �rg�os respons�veis e h� a viol�ncia das massas nos est�dios de futebol, fen�meno que vem se alastrando por todo o pa�s. Mas h� tamb�m a viol�ncia policial, considerada uma das piores, pois esses profissionais s�o pagos pelo contribuinte para fazer a sua defesa. Ao inv�s disso, o que se tem visto � o crescimento alarmante de policiais envolvidos com todo tipo de crime, desde o mais simples, como pequenos furtos, at� tr�fico de drogas e b�rbaro assassinatos. A quest�o da viol�ncia no Brasil tem sido analisada ao longo dos anos e o que se tem tentado descobrir, segundo an�lise de Ciro Marcondes Filho, em �Viol�ncia das Massas no Brasil�, editora Global, � saber a quem interessa manter esse estado de coisa. Ele acrescenta que �a viol�ncia n�o nasce com o criminoso, ela est� espalhada por toda parte, desde os pr�prios �rg�os policiais do governo, passando por toda a popula��o civil, at� a marginalidade�. � sabido que n�o se cont�m uma sociedade violenta com atitudes mais violentas ainda. � urgente que se implante, por exemplo, projetos de reeduca��o nos c�rceres com terapias ocupacionais onde o detento seja obrigado a prestar servi�o para a sociedade, recebendo a devida orienta��o. No Brasil e em Alagoas as pris�es est�o abarrotadas de presos, em cub�culos mal cheirosos, sem higiene nenhuma, sem espa�o, onde a promiscuidade prolifera e o preso, quando consegue sair, est� mais violento do que quando entrou. � preciso que o pa�s invista em educa��o, nos programas sociais e que o cidad�o tenha, no m�nimo, um sal�rio decente que permita sua sobreviv�ncia e de sua fam�lia, pois o que se v� � que enquanto o trabalhador se mata de trabalhar para viabilizar o pa�s, sem receber um vencimento justo, uma minoria navegava no mar da impunidade, cometendo todo tipo de sacanagem e recebendo milh�es de reais com o dinheiro do contribuinte. � necess�rio que se reflita sobre a quest�o. |