| At� quando? Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira (Publicado em O Di�rio, de sexta-feira, 16.12.94) Talvez dona Elma Farias, falecida esposa de PC, tivesse com a raz�o quando da pris�o de Paulo C�sar e muito nervosa deixou escapar algumas declara��es � imprensa, insinuando que o marido estaria assumindo uma culpa que n�o era s� dele, mas do principal cabe�a da �organiza��o�, o ex-presidente Fernando Collor. No �ltimo dia 12.12.94, segunda-feira, Paulo C�sar, Collor e Cl�udio Vieira, foram inocentados da acusa��o de corrup��o passiva, �por insufici�ncia de provas. PC no entanto, n�o se livrou da acusa��o de falsidade ideol�gica, por ter aberto contas banc�rias em nome de fantasmas e foi condenado por 8 x 0, pelo Senado. Paulo C�sar pegar� uma pena de sete anos, em regime semi-aberto, tendo que voltar � pris�o todas as noites, bem como pagar� uma multa de 300 sal�rios m�nimos � Uni�o. Rosinete Melanias, o piloto Jorge Bandeira e Severino Nunes de Oliveira, pegaram respectivamente : dois anos e quatro meses e dois anos e um ano, em pris�o albergue. Certamente n�o dispor�o das mesmas mordomias recebidas por PC durante o ano que passou na pris�o. O primeiro voto favor�vel � absolvi��o de Fernando Collor pela acusa��o de corrup��o passiva, veio do ministro Ilmar Galv�o - que n�s nunca esque�amos deste senhor -, que alegou n�o haver provas consistentes de corrup��o passiva e ainda criticou a Procuradoria da Rep�blica por omiss�o na forma��o de provas. O vasto dossi� elaborado pela CPI de Collor e PC, em 92, deram provas suficientes da culpa do ex-presidente, no entanto, mais uma vez, a na��o acordou envergonhada na segunda-feira, 12.12, quando soube da not�cia da insufici�ncia de provas para incriminar Collor, que foi o primeiro a ser julgado. Em artigo publicado no jornal O Di�rio, de 10.12.94, afirmei que a justi�a brasileira estava com a oportunidade de mostrar que apesar de lenta, poderia ser justa. Mas a cidad� acorda indignada e perplexa com tantos fatos, que j� se tornam corriqueiros e que de tanto se repetirem j� s�o considerados como normais no nosso cotidiano. O STF - Supremo Tribunal Federal, julgou inocente o Collor e a sociedade se cala diante de tanta falta de car�ter e de justi�a. N�o sei se valeria a pena voltar �s ruas em protesto, mas pode ser novamente o caminho para que possamos mostrar a nossa indigna��o. Durante toda a manh� de ter�a-feira, 13.12, ouvindo o programa �Presta��o de Servi�o�, da R�dio Gazeta, captei algumas opini�es de ouvintes, que apesar de dizerem saber dos erros cometidos pelo ex-presidente, acharam justa a decis�o do Supremo, de inocent�-lo. Me coloquei a pensar sobre este pa�s que � o nosso Brasil: um pa�s cheio de contradi��es! E me toquei quando Valdemir Rodrigues leu um artigo do soci�logo e grande cidad�o brasileiro � o �Betinho�, que mesmo sabendo estar morrendo, presta um grande servi�o � na��o, com a sua campanha contra a fome. E ele, o Betinho, estava indignado no discurso lido por Valdemir. E com muita raz�o, pela decis�o de absolvi��o do sr. Fernando Collor de Mello. Um amigo meu, em tom de piada, disse que iria sugerir ao delegado da Roubos e Furtos, que liberasse os prisioneiros daquela delegacia, pois perto dos que est�o sendo postos em liberdade, os nossos presos s�o �anjos inocentes�, pobres coitados, v�timas de uma sociedade injusta que muitas vezes roubam uma galinha no quintal do vizinho e s�o humilhados e espancados at� perderem a dignidade. Ser� que esse amigo meu, mesmo em tom de brincadeira, n�o est� com a raz�o? Um congresso que vota pelo afastamento de um presidente corrupto, que junto com eus comparsas dilapidaram a poupan�a, saquearam os cofres p�blicos para promoverem orgias na Casa da Dinda, segundo seu pr�prio irm�o, em livro �A Trajet�ria de Um Farsante�, que gastou fortunas com reformas in�teis � custa do dinheiro do trabalhador e tantas outras que n�o caberiam na mem�ria de um computador Pentium - o mais veloz e avan�ado, tem coragem de exigir respeito? A defesa sustenta que para comprovar o envolvimento do ex-presidente e de seus auxiliares, seria necess�rio �o ato de of�cio�, que seria a �prova de que os empres�rios deram dinheiro ao esquema e recebiam favores: do governo�. A imprensa cansou de publicar farto material � �poca. Invoco os meus gurus, at� os falsos, mas mesmo assim n�o encontro explica��o. Fica mais uma vez a minha indigna��o. At� quando teremos que suportar incr�dulos e passivos ... at� quando? |