O julgamento de Collor


Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira
* (Publicado no jornal O Di�rio de s�bado, 10.12.94)


Pelo andar  da carruagem e pela tend�ncia  dos notici�rios durante a semana que antecede  o julgamento do ex-presidente Fernando Collor, estamos  caminhando para mais um desfecho que poder�  acabar em pizza, ou n�o, a depender da justi�a  brasileira mostrar  que apesar de lenta pode ser justa.
O julgamento do ano fez renascer o debate  em  torno  do tema e envolvimento de Collor, PC e sua  trupe,  nos esc�ndalos apurados e comprovados pela  CPI da Corrup��o, em setembro de 1992,  mas que  at� agora apenas um, o bode expiat�rio PC foi  �ver  o sol nascer quadrado�, como  diria vulgarmente a g�ria policial.
Paulo C�sar j� cumpriu um ano de pris�o e todos  os pedidos  de habeas-corpus feitos pelo advogado Nabor Bulh�es, considerado um dos melhores  em  sua seara-, foram  negados pelo Supremo Tribunal  Federal.
H� que se pensar em motivos para que PC Farias  esteja assumindo  sozinho a culpa de dilapida��o do  patrim�nio p�blico e outras falcatruas como tesoureiro da campanha de Collor, apesar de ter sido  detido por  sonegar impostos.
O envolvimento do ex-presidente Fernando Collor  ficou mais  do que evidente  ap�s os depoimentos  de Eriberto Fran�a, o motorista da secret�ria Sandra Fernandes e da extensa  reportagem  publicada na revista Veja, onde  o irm�o  Pedro Collor fazia declara��es comprometedoras, detonando a bomba  que culminou com o  impeachment do Presidente.
O julgamento  de Collor ser� o primeiro e o processo deve durar alguns dias. Se for considerado  inocente� das acusa��es  que lhe s�o atribu�das, os  outros envolvidos ser�o julgados pela Justi�a  Comum, sem os privil�gios de Fernando Collor.
Segundo se comenta nas rodas sociais, se for absolvido, poder� voltar a comandar as empresas da Organiza��o Arnon de Mello, j� que Pedro Collor est� com c�ncer e segundo se sabe, sem muitas  chances  de vida.
O editorial da revista Isto�, de 05 de agosto de  1992,  anunciava que �antes e depois de Eriberto -  nem seria preciso provar que  Cl�udio Vieira mente  - at� por que, no caso, a verdade tamb�m  incriminaria Collor�. O editorial tratava  da conex�o Uruguai, um embroglio criado de �ltima hora, que foi  desmascarado a tempo pela secret�ria Sandra  Fernandes, levada pelo senador Eduardo Suplicy, do PT,  para prestar depoimento.
Sandra Fernandes  era secret�ria do diretor jur�dico Ars�nio Eduardo Corr�a, da empresa ASD Empreendimentos e Participa��es, tendo acesso a  todo tipo  de informa��es, inclusive  as que prestou  em depoimento. Esposa de um funcion�rio do Banco  do Brasil, afirmou que �abriu o jogo� para ficar com a consci�ncia tranq�ila. Contou ainda  com detalhes, � �poca do depoimento, a estrat�gia montada para a lavagem  dos d�lares da conec��o Uruguai, que foi montada para livrar a pele de Collor e outros que macularam ainda mais a imagem  do Brasil  no exterior.
Ainda bem que existem  Sandras e Eribertos para  que possa restar um pouco  de esperan�a  nesse povo  t�o sofrido e enganado. Resta ent�o, para n�s,  �brasileiros e brasileiras�, a esperan�a  de que n�o s� PC Farias seja o �nico punido, mas todos aqueles que  participaram  do maior esc�ndalo pol�tico,  ou pelo menos um do maiores deste s�culo.
� evidente que ainda h�  muito a ser descoberto, h� muito a ser esclarecido, esta � a vantagem  de se viver num regime democr�tico. Que se fa�a  a justi�a!
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