| Mulher, avan�ar � preciso! Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira * (Publicado no Jornal de Hoje, de sexta-feira, 13.05. 94) Apesar de ter feito inscri��o, n�o participei do I Semin�rio Alagoano da Mulher na Literatura, mas acredito que o evento pode ser a retomada da discuss�o da tem�tica, no estado de Alagoas, n�o apenas no �mbito universit�rio. O resgate do movimento de mulheres pode come�ar por a�, e avan�ar muito mais, porque � urgente, � urgent�ssimo que as alagoanas, independente de pertencerem ou n�o a partidos pol�ticos ou entidades sindicais, elaborem discuss�es, retomem estudos e trabalhos, no sentido n�o s� de conscientizar, mas de fazerem uma reavalia��o de seus valores e pap�is na sociedade, a partir das primeiras manifesta��es nas f�bricas at� os dias de hoje. Em declara��es concedidas no caderno Mais!, do jornal Folha de S. Paulo, de 1�.05.94, a historiadora francesa Michelle Perrot diz que para que as mulheres possam mudar algo na pol�tica n�o podem ser excepcionais ou estarem s�s, � � necess�rio que sejam muitas�, enfatiza. Mas Michelle traz tamb�m um dado surpreendente quando diz que na Fran�a, 5% de mulheres s�o deputadas: considerando-se que o pa�s citado � um dos mais avan�ados do mundo, o percentual � min�sculo e insignificante. No entanto a historiadora acredita que o s�culo XXI ser� provavelmente o s�culo da conquista verdadeira do poder pol�tico para as mulheres no mundo. �H� controv�rsias�! Concordo em parte com as declara��es da escritora, entretanto se formos observar a hist�ria pelo lado brasileiro e em especial o alagoano, ainda falta muito para que as mulheres conquistem n�o o poder, mas a solidariedade e compreens�o dos companheiros homens, e a igualdade propalada pelo movimento revolucion�rio, ao longo dos s�culos. A mulher brasileira trabalhadora, sobretudo a alagoana, que tem como rotina di�ria casa, filhos, trabalho fora de casa e dentro de casa, sem muito para tempo para freq�entar suas entidades de classe ou partidos pol�ticos - e quando est�o nesses movimentos s�o poucas as que conseguem se tornar lideran�as, ainda est� longe dessa realidade prevista pela escritora francesa e por outras como Alexandra Kollontai que em seu livro �A Nova Mulher e a Moral Sexual� - Editora Global - 1980, p. 15, afirma que a transforma��o da mentalidade da mulher, da sua estrutura interior, espiritual e sentimental, realizou-se �primeiro e principalmente, nas camadas mais profundas da sociedade�. Por�m, o que observamos aqui � uma outra realidade. Apesar de pregarmos os ideais revolucion�rios feministas e de �s vezes , protestarmos contra a realidade a que estamos submetidas, de machismo e discrimina��o - inclusive nos movimentos pol�ticos e de reivindica��o -, quando chegamos em casa depois de um dia estafante de trabalho, nos deparamos com a outra jornada. Se olharmos para as mulheres trabalhadoras do campo, a empregada dom�stica e a oper�ria, a quest�o � ent�o mais sombria. As mulheres das camadas mais baixas da sociedade, muitas vezes, ainda t�m eu se submeter aos companheiros embriagados, agressivos e com a tripla jornada de trabalho, al�m da explora��o a que est� submetida, cotidianamente. |