Quem � o alienado?


Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira

* (Publicado no Jornal de Hoje, de domingo, 08.05.94)

Tenho vivido ultimamente  momentos de reflex�o, excita��o e at� constrangimento, mas tamb�m  de muita produ��o liter�ria e de leituras.  Dentro desse processo, tenho  escrito alguns artigos publicados  em jornais, a despeito  de fatos que v�m ocorrendo  na pol�tica, no �processo  conjuntural� , para usar um termo  que est�  sendo muito pronunciado , ou sobre quest�es  outras como por exemplo,  a tem�tica da mulher, tema  que mais  me estimula o estudo e  a dedica��o.
Entretanto, o artigo mais  recente, veiculado  no jornal Gazeta de Alagoas, no �ltimo  dia 1� de maio, dia do  trabalhador, intitulado �A Crise do PCdoB� foi o que mais me emocionou e causou repercuss�o, visto que toquei num assunto considerado  �sagrado� para alguns  militantes  do partido, que o considera ou considerava �inviol�vel�, �incritic�vel�, um verdadeiro  dogma  da ortodoxia  pol�tica.
Para o devido esclarecimento e conhecimento de uns  poucos navegantes, insatisfeitos  com o artigo e com o  �racha� no PCdoB, informo que n�o estou sendo �manipulada� nem tampouco estou perturbada por ningu�m ou  nenhuma for�a  pol�tica, a  n�o ser a minha pr�pria  revolta e a minha emo��o, como insinuou  um grande amigo  e ilustre militante, partid�rio  da �fant�stica� alian�a  Suruagy-Manoel Gomes de Barros, que pelo que deixou  entender,  nas pr�ximas  elei��es , dependendo  da �conjuntura�, estar� com GB.
Diferente  de alguns companheiros, n�o tenho o rabo  preso,  n�o tenho  o dom da  ret�rica e dos grandes discursos  decorados e repetitivos . Minha verve � a escrita. E quanto mais me sinto  insultada e contrariada, mais  a inspira��o me chega.
N�o sou marionete  e nem fantoche de ningu�m, muito menos  hoje,  de qualquer  tend6encia pol�tico-partid�ria, a  n�o ser  da minha pr�pria  consci�ncia.
Quando  eu participava do  movimento cat�lico de Uni�o dos Palmares, rompi por discordar de dogmas  impostos  pelo Vaticano e de determina��es  preestabelecidas. Durante muitos anos briguei  muito por  discordar das posi��es familiares e durante  um certo per�odo, aceitei algumas �orienta��es partid�rias�, em nome da famosa  �unidade� e dos ideais  que  eu julgava movessem a todos n�s, militantes e simpatizantes.
Hoje, por ter aberto  os olhos  para uma outra realidade, estou sendo  vista por  um �ex-companheiro de milit�ncia�, como algu�m  que  est� sendo manipulada. Ent�o eu pergunto: aceitar imposi��es  de uma minoria que  se encastela  nas mordomias,  voltadas  apenas para seus pr�prios  interesses, � ou n�o �  aliena��o? Sou eu a alienada?
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