| O Pa�s sem her�is Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira * (Publicado no Jornal de Hoje, de sexta-feira, 06.05.94) Nunca mais ouviremos aquela famosa frase da F�rmula-1: Ayrton, Ayrton Senna do Brasil�, pronunciada tantas vezes pelo locutor esportivo Galv�o Bueno e que deixava os brasileiros emocionados. O Brasil � um pa�s que prescindiu e prescinde de her�is e mitos, a quem possamos depositar nossas expectativas e esperan�as. Com a morte do piloto Senna, �ltimo domingo, 1� de maio, o Pa�s perde mais uma esperan�a, a esperan�a da conquista, a esperan�a de um her�i, de um sonho. Senna se tornara famoso, entretanto precisou morrer para que suas preocupa��es com a seguran�a nos aut�dromos e com a quest�o social, fossem a p�blico, apesar dele ter sido unanimidade nacional. Serviu aos grandes cartolas da F�rmula-1, enriqueceu, mas tamb�m tornou muita gente multimilion�ria, e justamente quando estava discordando dos posicionamentos dos comandantes do esporte milion�rio, veio a falecer. Sonhos incrivelmente predestinados � orfandade, ao luto pela perda das nossas lideran�as, dos nossos her�is, mesmo que esses her�is e essas lideran�as sejam apenas parte dos nossos sonhos. Seja no esporte, seja na pol�tica, na m�sica e nas artes, temos tido muitas perdas. E, por isso mesmo, estamos sempre carecendo desses her�is e mitos em quem possamos acreditar. Se no esporte, agora, nos restam poucas esperan�as - morte de Denner e Senna -, na pol�tica a coisa � muito mais complicada e dolorosa. Num pa�s sem muitas perspectivas, onde a fome, a mis�ria e a ignor�ncia predominam, no �mbito de quem nos governa n�o � bom nem falar. � dif�cil analisar o quadro e imaginar qual ser� o pr�ximo her�i a quem depositaremos nossas poucas esperan�as e sonhos. O Brasil � ou n�o � um pa�s hil�rio? |