Sindicalismo e contradi��es
Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira
* (Publicado no jornal O Di�rio, quarta-feira, 26.05.93)


O movimento sindical em Alagoas  e no Pa�s, sofreu um abalo  com a queda do socialismo no Leste  Europeu e a propaganda  anticomunista nos meios de comunica��o de massa.  Entretanto,  h� que  se considerar os grandes avan�os e conquistas dos  trabalhadores atrav�s  de seus sindicatos e entidades  assemelhadas, ao longo dos anos, desde as primeiras  manifesta��es  de trabalhadores.
Durante  o regime de trucul�ncia que o Brasil  viveu com o regime militar, onde centenas de brasileiros careceram se exilar  e viver absurdamente no anonimato, os sindicatos  foram impedidos  de  atuar,  quando eram dirigidos por pessoas de vis�o  mais cr�tica e mais aberta, sendo que muitos  deles  foram invadidos pela repress�o, numa total  falta de democracia e respeito  � cidadania.
Feitas as constata��es necess�rias,  e nos reportando  aos dias atuais,  temos observado que os  sindicatos  e seus dirigentes, em sua maioria, amadureceram, se profissionalizaram; no entanto,  alguns  companheiros  parece que absorveram e caitalizaram  para si,  um pouco da intransig�ncia  do autoritarismo  e do mandonismo  dos patr�es  que combatem,  num emaranhado  de contradi��es, que deixa  muito a desejar  no trato  com seus funcion�rios.
No que concerne ao tratamento  dispensado �  problem�tica da mulher,  do �ndio,  do negro e dos discriminados em geral,  h� muito a se fazer, posto que o ran�o  do preconceito  e do machismo  n�o foram extirpados  do movimento.
Vale salientar que em v�rias categorias,  grande  parcela  de seus filiados s�o mulheres, e nem assim  foi trabalhada uma forma  de lidar com essas  mulheres,  no sentido  de engaj�-las  e traz�-las  �s entidades. N�o � raro associa��es e sindicatos  chefiados por homens, onde as companheiras pouco participam: seja por  falta de oportunidade, falta de interesse, seja pelo medo  que alguns homens t�m de serem liderados por mulheres.
� �bvio  que � imposs�vel  se alcan�ar  a perfei��o, principalmente onde persiste a pluralidade  de id�ias e cada defensor  do seu pensamento  acredita  ser o �nico  dono da verdade.  � urgente  que as  �cabe�as pensantes� do movimento  tomem a iniciativa  de se reciclarem e de analisarem onde est�o  as falhas,  para que se  possa  caminhar coerentemente  em busca  dos ideais de igualdade,  justi�a, sal�rios justos e condi��es dignas de vida e trabalho.
O sindicalismo moderno, combativo e atuante,  n�o vive  apenas  de quest�es econ�micas. Precisa  se voltar  para problemas  de maior profundidade, que levam  ao aprendizado e a amadurecimento cont�nuo.
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