| A crise do PcdoB Por Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira O Partido Comunista do Brasil est� em crise profunda e correndo um grande risco: o de se tornar t�o fisiol�gico e oportunista quanto os partidos aos quais sempre se contrap�s durante todos os anos de sua exist�ncia. O PCdoB, que sempre foi respeitado pela sua trajet�ria de lutas contra o imperialismo norte-americano, o capitalismo e todas suas formas de aliena��o, deu o grande passo errado da sua hist�ria, quando apoiou o sr. Fernando Collor de Mello para governador do Estado, nas elei��es de 1986, pagando at� hoje por este erro, embora posteriormente tenha feito autocr�tica. Pois bem, quando das discuss�es preparat�rias para o 8� Congresso, em que o partido iria discutir os ventos modernistas que sopravam no Leste Europeu e que caminhos deveria seguir em sua trajet�ria de lutas, cheguei a escrever um artigo intitulado "Contribui��o ao 8� Congresso do PCdoB", onde eu afirmava que o Partido n�o deveria abandonar o seu passado hist�rico de combate �s injusti�as e nem a defesa do socialismo cient�fico, tampouco seu s�mbolo e sua bandeira - eu ainda fazia parte do grupo dos sonhadores. O tempo passou, o PCdoB avan�ou quando deu o primeiro passo no movimento Fora Collor, que culminou com o impeachement do presidente, mas tem dado seus trope�os nas alian�as que est�o surgindo para as elei��es de outubro vindouro em Alagoas. N�o tenho nenhuma restri��o ao Sr. Divaldo Suruagy como pessoa, no entanto, me d�i ver estampadas manchetes na imprensa alagoana, constando que o PCdoB apoiar� a coliga��o Suruagy-Mano para governo do Estado, quando em 1986 subiu ao palanque para combater a dobradinha Suruagy-Guilherme. Me v�m as lembran�as das imagens que Fernando Collor utilizou em sua campanha estupenda para presidente, usando imagens de militantes, lideran�as do movimento estudantil, que eram respeitadas na Ufal e que depois foram aniquiladas por trem carregado o sr. Fernando Collor nos bra�os. E Collor soube usar muito bem esse fato. Hoje, pressinto que o mesmo filme est� para se repetir e sinto um forte aperto no peito, quando percebo que fui usada como massa de manobra, assim como a maioria dos estudantes e militantes o foram, quando t�nhamos como tarefa ir vender o jornal Tribuna Oper�ria no mercado da Produ��o, numa �poca em que o PCdoB era um partido clandestino, est�vamos no final do governo do sr. Jo�o Batista Figueiredo e eu era rec�m-chegada do interior (Uni�o dos Palmares) sem saber nem o que era ser comunista ou marxista-leninista, pois naquela �poca os col�gios, principalmente os do interior, n�o ensinavam a hist�ria da Revolu��o Russa de 17. E sem pieguismo nenhum, me d� uma vontade danada de chorar. De chorar de raiva e arrependimento, de chorar por aqueles que morreram lutando por esses ideais que agora est�o sendo jogados no lixo da hist�ria. Eu queria descobrir aonde foram parar os nossos ideais, os nossos sonhos, (digo nossos porque embora venha discordando de v�rias pr�ticas que alguns membros v�m adotando, ainda me considerava simpatizante, pelo menos no que diz respeito � teoria socialista). E me indago e interrogo, e quanto mais leio as explica��es dadas pelas lideran�as, pouco me conven�o. Ent�o, nesse desabafo de uma ex-quase militante, eu pe�o: por favor, se ainda restar alguma ficha minha de filia��o ao Partido, rasguem-na. N�o � estreitismo, n�o � radicalismo: � apenas uma quest�o de princ�pios! P.S. Marx, L�nin e Engels devem estar se revirando nos seus t�mulos e amaldi�oando todos os que os tra�ram! (Publicado no Jornal Gazeta de Alagoas de 1.05.94 e no Jornal de Hoje de 05.05.94) |