Quando uma área relativamente homogênea, formando um (micro) ecossistema é depredada - por exemplo, ao se eliminar toda a vegetação existente, deixando a terra a descoberto (nua) - ocorre uma situação de desequilíbrio, que resulta em um empobrecimento da terra. Ao cessar(em) a(s) causa(s) desse empobrecimento, se inicia, naturalmente, um processo de recuperação no local, sendo que este poderá ter a participação humana. Em ambos os casos, ele se dará segundo alguns princípios da natureza. O ser humano poderá apenas dificultar ou facilitar esse processo, mas não modificá-lo intrinsecamente. Obviamente a maneira mais segura de se lidar com um mecanismo tão intrincado, multi-facetado e incomparavelmente complexo - quanto se mostram as inúmeras atuações de uma infinidade de seres (vivos) envolvidos nas operações aí realizadas - é procurar seguir fielmente, o que determina a lógica dos fatos (evidente); não é necessário cursar nenhuma escola para tanto, basta um nível razoável de discernimento e poder de observação, ou então, em última instância, uma relativa paciência para se ter sucesso, por meio de uma seqüência de tentativas (re)elaboradas constantemente. Um pouco de cautela (e bom senso) é o suficiente para evitar que se interrompa a evolução natural do solo - ou então, o processo de recuperação, que tende ao clímax sucessional, através duma sucessão de "reequilíbrios".
O crescimento espontâneo de um determinado vegetal, significa que ele é o mais adequado para estar ali. Na terra dura, surgem plantas espinhosas, resistentes, cujas raízes abrem "fendas" afofando a terra. Após perecerem - incorporando, à superfície, sob a forma de matéria orgânica, nutrientes extraídos do subsolo - são substituídas por outras espécies mais adaptadas à nova condição do solo. A fauna também se renova, simultaneamente. E assim se sucedem outras diversas séries de conjuntos de espécies (as populações) se aglomerando em comunidades, cada vez mais enriquecidas e enriquecedoras do sistema,.tornando-o agradável e produtivo. Se, ao cortar (capinando ou roçando) as plantas do pátio, ao menos, elas fossem deixadas aí no local, cobrindo a terra, se daria continuidade ao processo, com uma pequena influência neste - a qual é irrelevante, na prática. Haveria uma pequena aceleração do mesmo. Entretanto, usualmente, volumes enormes de plantas indesejadas - apesar de úteis - são amontoadas e queimadas; ou enttão, dispensadas na forma de lixo e transportadas para locais distantes, onde são acumuladas, junto a inúmeros outros materiais caoticamente amontoados, nos lixões. Desde então elas provavelmente se tornarão causa de problemas (ambientais, sociais, etc) em vez de fator de melhoria. No local de onde foram retiradas, a terra fica exaurida. Durante o tempo em que estiver exposta ao sol e a chuva, diretamente, vai ficando ressecada e formando uma camada grossa de terra dura, socada - condição que propicia a erosão do solo mais rico (o mais superficial). O processo retorna ao início, ou então uma nova terra fértil (comprada e transportada para aí) é acrescentada de modo a repor o que foi retirado há pouco - com bastante esforço e gasto financeiro - e que foi parar num lixão, podendo se tornar uma fonte de problemas, ao contaminar lençóis freáticos, gerar gases tóxicos e inflamáveis (metano), fomentar doenças (atraindo os seus vetores, mosquitos, ratos, baratas, etc.)...e, para as próximas gerações, deixar um presente de grego.
Em vez de desperdiçar tempo e energia, causando "novos problemas", voce pode aproveitar o seu lixo orgânico enquanto beneficia o meio ambiente.
(veja a seguir uma sugestão prática para voce fazer um composto)
COMPOSTAGEM é o processo utilizado para se obter adubo (orgânico), a partir de matéria orgânica (restos de comida, cascas, folhas, excrementos...), ou seja, de lixo orgânico depositado sob determinadas condições, de modo a constituir o COMPOSTO.
Em princípio, qualquer matéria orgânica serve para formar o composto. Basta amontoá-la, cobri-la com um pouco de terra, e manter esse aglomerado umedecido, em algum canto do seu quintal, por exemplo. De vez em quando é preciso aerar (ventilar) mexendo a massa toda. Esse é o modo mais simples de se fazer um composto, porém voce pode sofisticá-lo, obtendo mais vantagens (mais fertilidade do adubo obtido, ausência de mau cheiro, menos insetos, etc.). Para tanto, alguns detalhes são significativos. Os fatores mais relevantes são: a aeração (oxigenação), a relação carbono / nitrogênio da mistura, e o controle permanente da umidade. Há ainda outros fatores que não são acessíveis, ou são muito dispendiosos. Para um composto ter boa qualidade, se deve revolvê-lo com freqüência (uma ou duas vezes por semana é suficiente). Quanto à umidade deve ser mantida sem enxarcá-lo. Para se tentar obter o teor de umidade ideal, se deve testá-lo, pegando um punhado do material, e apertá-lo com a mão; se esta ficar ligeiramente molhada, sem escorrer água, é um sinal de que está bem; ela deve estar um pouco mais molhada do que a terra que fica sob a serrapilheira (folhas, etc.) numa mata fechada (ou seja, o húmus). Assim como se molha as plantas (em canteiros, vasos, etc.). se deve "regar" o composto, conforme as condições climáticas (com tempo quente e seco, se molha mais, obviamente, do que em época de mais chuva). Um controle razoável sobre a relação carbono / nitrogênio (C/N) se pode alcançar através da proporção adequada dos tipos de materiais agregados ao monte. Excrementos (urina, esterco e fezes em geral) são ricos em nitrogênio, enquanto folhas e restos de vegetais em geral são uma boa fonte de carbono. Procure manter uma proporção de dez partes de carbono, para uma de nitrogênio. Contudo, se voce não puder (ou não quiser) dispor de tempo em função de manter essa proporção no composto, não se preocupe: basta fazê-lo do modo simples, citado acima. A Natureza (microvida) fará o "serviço", de modo mais demorado (porém eficiente, equilibrado...). Com o adubo produzido no composto voce pode obter alimentos sadios, plantados por voce mesmo! Se voce não tem condições de fazer uma horta - por falta de espaço ou de disposição para isso - voce pode doar o seu lixo orgânico a quem tem uma horta; em troca, certamente, voce receberá algumas verduras "caseiras" (de boa qualidade). Bom proveito!
Obs.- Evite instalar um composto próximo a mananciais de água: porque ele pode carriar / infiltrar excessiva quantidade de matéria orgânica para o meio hídrico, e poluí-lo. Nesse caso, em vez de solucionar os problemas causados por poluição orgânica da água, voce se tornará um agente (causador) direto!
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