| Sexta-feira, Setembro 26, 2003 JOS� MARCELO SIVIERO Ol�, pessoal. Meu nome � Jos� Marcelo, mais conhecido como Z� na PUCC e em Araras, minha cidade do cora��o, e tamb�m autor de Admir�vel Rio Comprido(Ed. do autor, � venda com ele mesmo por R$15,00, 337 p�ginas). O conto que eu vou postar n�o � in�dito(j� foi publicado no meu blog h� algumas semanas atr�s), mas � um dos que eu mais curto. � tamb�m meio dram�tico, em contraste com as bizarrices c�micas e exageradas que eu �s vezes cismo de escrever. Ent�o, vamos a ele: EPIT�FIO DE UM AMOR PLAT�NICO Vinha h� semanas com aquilo pulsando na cabe�a. Era uma id�ia quase fixa, parecia que tinha sido gravada em pedra. A cada segundo que passava, a agonia aumentava. A fuga do tempo do�a, do�a muito, e o dia de amanh� era sempre esperado num supl�cio. Quando ele chegava, era um al�vio, que n�o durava muito. Logo depois se tornava outro supl�cio, como um c�rculo vicioso. No in�cio, era o amor. Amor que nasceu como liberta��o, como uma forma de defesa. Tinha lido uma vez numa poesia do amigo Z� que para se ter amor, � preciso ser her�i. Amor e hero�smo s�o a mesma coisa. E n�o era qualquer her�i n�o, tinha que ser como aqueles cavaleiros das Cruzadas, como caub�is do velho oeste, como bombeiros sem medo de pr�dios em inc�ndios, como aqueles her�is japoneses que n�o tinham medo da morte e se sacrificavam em lutas contra monstros e vil�es de pl�stico e borracha. Logo depois de ter sido ferozmente desprezado por uma garota ingrata, raivosa e antip�tica, que o desdenhou para preferir um gord�o molenga que tinha carro e falava mal dela pelas costas, ele viu que merecia coisa melhor. Muito melhor. A loirinha de cabelos espiralados, olhos negros, sorridente, simp�tica, cheinha sem exageros, era aquela. Educada e doce, era uma pessoa que emanava luz. E come�ou. Gostava dela em segredo. Aproximava-se, puxava conversa, cumprimentava, sorria, trocava algumas palavras e alguns sorrisos. Os momentos de dist�ncia eram dolorosos. O tempo se esgotando, muito mais. Ent�o, aconteceu o que um amigo intitulou de �As Quatro Semanas que Abalaram o Mundo�. N�o, n�o era filme. Tinha somente esse tempo para juntar for�as, criar coragem e declarar seu amor. Os dias foram passando, os fins de semana se sucedendo. E nada. A cada segundo, a hora fatal se aproximava. E, como nos seriados japoneses de que tanto gostava, os epis�dios caminhavam para a conclus�o: - Olha, eu preciso conversar em particular com voc� uma hora dessas. Voc� poderia me lembrar? - Sim- ela respondeu. - Olha, j� estou de sa�da, amanh� a gente pode falar em particular? Ela balan�ou a cabe�a numa afirmativa. Chegou o dia. P�nico, cora��o descontrolado, sangue frio quase cristalizando-se nas veias, suor descendo testa abaixo, garganta seca como o deserto de Atacama em dias �ureos. Chamou-a: - Preciso falar agora em particular com voc�. Pode ser agora? - Pode ser sim. O que �? - � um neg�cio meio complicado...meio dif�cil...talvez fosse at� fique brava comigo... - Nossa! exclamou ela, os lindos olhos se arregalando. - Bom, ent�o eu vou falar- chamou para mais perto. Ela obedeceu, puxando a amiga, que j� percebeu do que se tratava e ia saindo pela tangente. - Mas � um neg�cio em particular mesmo... - Bom, ent�o me fala via ICQ- disse ela- Vou estar online �s nove horas. Concordou. Era onze e vinte e oito da manh� quando assinou a senten�a de seu destino. Enfim a hora temida e ansiada chegou. O nome dela em azul, a troca de mensagens eletr�nicas. E foi pelos cabos que as palavras dela chegaram. Conta-se que naquela noite as caixas de som do computador emitiram um solu�o, as placas ficaram comovidas e os el�trons chegaram at� a chorar. - Agora que me caiu a ficha, acho que voc� confundiu um pouco as coisas- escreveu ela- n�o vou te iludir, mas acho que o que rola entre a gente � s� amizade. - N�o- choramingou ele- Meu Jesus Cristo! N�o se sabe se foi uma queda na conex�o, ou uma intercepta��o de algum hacker, ou at� algum sistema de criptografia, mas sua tentativa de comunica��o com o C�u n�o deu certo. O tempo passou. L�grimas secaram, feridas reduziram-se a apagadas cicatrizes, ressentimentos e m�goas acabaram caducando. Voltaram a se encontrar. Eram amigos, conversavam bastante. Riam muito juntos. Contudo, sempre que se abra�avam para se cumprimentar, uma l�pide de m�rmore surgia do nada e ca�a bem em cima de suas cabe�as, pegando-os sempre em cheio. E quando olhavam o epit�fio gravado na pedra, abra�avam-se e choravam. At� ficaram �ntimos nessa troca de l�grimas, ranho e solu�os. E o epit�fio era, gravado em tipos mai�sculos: CTRL+ALT+DEL. |
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