| Quarta-feira, Maio 26, 2004 JOS� MARCELO SIVIERO Uma tr�gica not�cia chegou � casa deste escriba recentemente: gra�as � vagabundagem da Doido Company & Animation with Embromation LTDA e dos rolos como a nossa distribuidora DreamVoyager do Brasil, os cap�tulos in�ditos de NADA PRA FAZER NO C�LICE! n�o foram encaminhados ao Guerreiro da Vida Est�dios de Som, sendo que n�s continuamos s� com os outros epis�dios at� agora na gaveta. Mas, diferentemente da Manchete e do SBT, n�s n�o vamos ficar nas reprises copiosas e mon�tonas. Por isso, agora com voc�s, um especial com um dos contos do livro "Contos Absurdos". Com voc�s... Z�, ME D� UMA CARONA? - Z�, me d� uma carona? - N�o. - Oras, por que n�o? - Porque n�o, eu j� disse. Por acaso n�o ficou claro? �N�o� quer dizer mais alguma coisa pra voc� al�m de uma negativa? - Porque n�o n�o � resposta. Vai, Z�, me d� uma carona, vai. - � resposta sim. Voc� me perguntou se eu te dava uma carona, eu neguei, voc� perguntou o porqu�, e eu reafirmei a negativa. Agora vem c�: voc� me replicou desse jeito porque quis argumentar comigo ou por puro impulso? Um impulso programado na sua cabe�a desde crian�a, por pais, professores, bab�s e coleguinhas? Que voc� vive imitando por comodidade ou...ignor�ncia? - Ai, larga m�o de ser chato, grosso! - Chato? Grosso? Eu? S� porque eu lhe respondi com um �n�o�? � menina birrenta que voc� �. Quer que todos sempre se curvem � sua vontade, balancem a cabe�a para voc�, aceitem suas vontades e seus caprichos, tolerem os seus recalques? Por acaso voc� quer que todos sejam seus fantoches? - Cala a boca! Suma, desapare�a! - N�o, eu n�o vou sumir. N�o vou dizer �sim� para voc�. Voc� precisa parar com essas suas birras! - Z�, me d� uma carona? Na boa, cara. - N�o, velho. N�o vou te dar carona. N�o adianta se ajoelhar aos meus p�s, bater com a cabe�a no ch�o, implorar e nem trazer sua puxa-saco birrenta de brinde! - N�o fala assim da Marina, cara. D� uma carona pra gente, chefe, por favor. - Ah, bom. Pelo menos voc� falou algo que a manhosa nem se dignou de lembrar. Mas vamos, me diga porque voc� n�o quer que eu continue dizendo a verdade? N�o minto, n�o distor�o, n�o aumento, s� menciono fatos evidentes. Por que a trucul�ncia? - Quem t� sendo truculento aqui � voc�, Z�. Olha s� a Marina, os olhos dela cheios de l�grimas... - Os crocodilos tamb�m t�m l�grimas, meu caro. E quem disse que eu fui truculento? Por acaso � falta de educa��o falar a verdade, ser sincero? Ah, bom, ent�o vamos todos ser falsos, mascarados, todos fingidos, um desconfiando do outro, essa inseguran�a sem fim, o risco de tomar uma punhalada nas costas a cada segundo! - N�o � assim! Voc� est� sendo muito radical! - Radical, eu? S� porque eu falei a verdade, que a Marina � uma birrenta metida � besta, voc� diz que eu sou radical? E voc�, porque faz vista-grossa pra isso? Por que fecha os seus olhos para a falta de car�ter dela, e ainda a defende e me ataca por eu ter sido sincero? - Vamos parar com essa discuss�o besta. � Z�, por favor, d� uma carona pra gente at� l� na boate, vai? - Quando apertou pro seu lado, voc� ficou com medo e quer fugir, n�? - Mas n�o � nada disso que eu queria dizer... - Como n�o? Quem come�ou fugindo do assunto foi voc�, n�o eu. Foi um ato seu, voc� n�o me deixa mentir, certo? - T� bom, t� bom. � cara chato! - Depois o truculento sou eu, n�, Lucas? Eu aponto os erros de sua amiga, tudo para voc� conhecer melhor as pessoas com as quais voc� convive, eu aponto um erro seu para voc� passar a policiar suas falhas, corrigir-se e se tornar uma pessoa melhor, e voc� ainda me fala com essa falta de educa��o! - Mas porque diabos a gente come�ou essa briga rid�cula... - S� se for na sua cabe�a. Pra mim n�o estamos brigando. Voc� se sentiu intimidado? O que eu fiz que te fez se doer tanto assim? Acertei algum ponto fraco seu? Descobri alguma coisa do seu car�ter que nem voc� sabia? - Z�, vamos logo, d� carona pra gente, por Cristo! Olha s�, a Marina t� abismada com as coisas que voc� disse. - Agora que voc� fugiu e viu que eu j� te peguei, ficou com medo e apelou pros C�us, n�? Quando t� na boa, sossegado, na tranq�ilidade, todo mundo � ateu. Bastou uma dificuldade e j� vai pegando ter�o, rezando ladainhas, acendendo vela pra tudo que � santo, indo em tudo quanto � missa...simples assim, procurar s� quando precisa? C�modo, n�? - Z�, pela Marina... - N�o. Agora piorou de vez. Ela � uma pessoa sem car�ter, interesseira, arrogante, orgulhosa, que quis me usar, que s� me deu valor quando eu fui �til pra ela, e al�m de tudo � uma crian�a birrenta e recalcada num corpo de 18 anos! - Ela n�o � nada disso! - Tira o dedo da minha cara, sen�o eu meto a m�o na sua! Eu menti por acaso? Bastou eu n�o falar o que ela queria ouvir que ela j� me tratou grosseiramente e me insultou sem motivos! Lucas, que mal lhe pergunte, por que voc� esconde tanto a verdade? Por que foge dela e n�o quer enxergar o que realmente acontece? Medo? Rabo preso? Algum interesse? - Z�, larga m�o de frescura, me d� uma carona j�! - Seu nome, por favor, garota? - � Mayra, n�o sabia n�o, seu trouxa? P�ra de reclamar e d� uma carona pra mim, pra Marina e pro Lucas at� na boate, vai, n�o seja tonto, e essa sua cara de lim�o azedo me irrita! P�ra com isso! - Mayra, o que voc� acha ou deixa de achar sobre mim � problema seu! Se voc� me acha fresco, trouxa, rabugento, tonto e com cara de lim�o, dane-se voc�. Fique a� roendo as unhas de raiva no seu canto. - Voc� com esse seu jeito de lim�o azedo � horr�vel. Por isso que ningu�m gosta de voc�, todo mundo de acha um porre! - Eu n�o obrigo ningu�m a gostar de mim. - E eu te odeio! ODEIO! ODEIO! ODEIO! - Problema seu, j� disse. Se quer que o seu �dio a�, que voc� acha que � �dio, porque essa sua alma imatura nem sabe o que � viver, te destrua, � vontade. Voc� tem o direito de fazer com a sua vida o que voc� bem entende. Se quiser se suicidar, que meta logo uma bala na cabe�a de uma vez. - Ai, que coisa horr�vel! - Mas eu at� pensei em dar carona pra voc�s...mas depois que eu vi o jeito que voc� me tratou, nunca mais! - Te odeio por causa disso! - Porra, Mayra, isso � problema seu. Se voc� estiver com problemas e que desabafar, descarregar, exorcizar seus fantasmas, sei l�, ligue no CVV, v� num terreiro de umbanda, numa igreja crente, soque umas almofadas, d� cabe�adas na parede. - Por que voc� me fala isso? - Porque os problemas s�o seus, � menina! - Eu n�o tenho nenhum problema! - Se voc� realmente n�o tivesse, n�o estaria a� nervosa e alterada, fazendo esse esc�ndalo. Ningu�m em s� consci�ncia fica gritando e sapateando desse jeito. - Eu, o Lucas e a Marina vamos virar a cara pra voc�! - Fa�am o que quiserem. Voc�s s�o livres, e eu n�o interfiro na vida de ningu�m. - Vamos falar mal de voc� pra todo mundo! - J� disse, o que os outros acham ou deixam de achar sobre a minha pessoa n�o � problema meu. Pr�ximo ataque hist�rico, por favor! - Voc� � rid�culo com essa sua cara de lim�o azedo! - Mayra, voc� � muito BURRA! - Por qu�? - N�o sabe nem xingar direito. Da� fica a� com essas redund�ncias tolas. �Lim�o azedo�? Por acaso existe algum lim�o doce? Sabor chocolate? Sabor churrasco? - Z�, d� carona pra gente! - Nem com os Tr�s Patetas choramingando no meu ouvido eu vou ceder. Eu sou osso duro de roer, n�o vendo minha alma como voc�s. - Z�, se voc� n�o me levar, eu vou gritar! - Vai, Marina, grite, escancare aos olhos de todos a sua verdadeira face! Mostre quem voc� �, derrube a m�scara. Bastou eu dar essa alfinetada e voc� j� mostrou quem voc� realmente �! - Z�, d� uma carona, pelo menos pelas duas meninas! - Lucas, voc� me provou que as defende porque tem um interesse ou por puro medo ou ainda por comodismo. Que beleza de vida a sua, hein, s� falando o que os outros querem ouvir, sendo um verdadeiro flu�do, que toma a forma do recipiente que o cont�m! E n�o adianta acobertar os fatos e esconder as verdades! Quem faz isso, com certeza tem o rabo preso! Vai, vamos ver se voc� � homem de admitir quem voc� realmente �! - Te odeio, te odeio, e te odeio! Odeio voc� mais que tudo no mundo! - Por esse elogio, Mayra, eu at� levantaria uma est�tua sua e te daria um beijo na boca. Mas n�o estou a fim de pegar herpes, por isso eu prefiro ainda a escultura. � um m�rito ser o seu maior pesadelo, o seu inimigo, aquele que n�o te deixa dormir sossegada. Pela sua histeria e pela sua dem�ncia, voc� merece o que h� de pior, loira maluca! - Z�, d� uma carona logo pra gente! - Voc�s parecem aqueles cachorrinhos d�ceis que mal tomam um pontap� do dono e j� voltam abanando o rabo. Afinal, voc�s me querem pra qu�? Em qu� eu sou importante pra voc�s? - Eu quero ir na boate porque o cara que eu t� ficando vai l� hoje e a gente combinou de se encontrar. - Certo, birrenta. - Eu fechei um camarote com uns amigos, e um cara da coluna social vai me entrevistar daqui a pouco. - OK, medroso. - Eu vou dan�ar sem parar, agitar, chapar o coco e beijar muuuuuuuuiiiiiiiiiiiito! - Tudo bem, loira maluca. - N�s j� te damos os motivos, falamos porque vamos l�, voc� viu que � importante, agora, por favor: Z�, d� uma carona pra gente? - J� FALEI QUE N�O, PORRA! - Mas... - N�o vejo import�ncia. O mo�o a� que voc� vai se agarrar � mais um como os outros, toda semana voc� troca, ou seja, � uma coisa mec�nica e previamente programada. J� se n�o te acharem no camarote, eles arranjam outro, pois l� voc�s todos pensam e agem igual, um verdadeiro enxame. Para voc�, eu indico um caminho melhor, o cemit�rio. Porque voc� � uma morta-viva, a �nica diferen�a � que ainda n�o fede! Marina estalou um tapa em seu rosto. Lucas lhe aplicou uma joelhada na boca do est�mago e derrubou-o com uma rasteira. Mayra pisoteou-o com sua bota de cano alto. Ningu�m beijou na boca, ningu�m ficou b�bado e ningu�m concedeu entrevista naquela noite. Mas a buzina de um carro acordou toda a vizinhan�a: �LIBERDADE, AINDA QUE TARDE�. |
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