| Segunda-feira, Setembro 20, 2003 ROMULO AUGUSTO ORLANDINI Ol�s!!! Ent�o come�arei aqui com um conto de minha autoria, ele n�o � engra�ado nem nada assim, mas ser�o poucos desse tipo. Ah! n�o liguem para os erros de portugu�s! UMA CARTA DE ADEUS! "Depois de muito pensar Isso n�o costuma acontecer no Folhetim: tive vontade de escrever. Ali�s, escrever coisas boas do Brasil! Ou nem tanto. Tudo depois de ler que o Mill�r Fernandes volta a colaborar para a Veja. Nada a ver, n�o? O pensamento inicial foi mais ou menos assim: os outros pa�ses podem falar o que quiser, mas de cartunistas estamos bem servidos. Num relance fui pensando em tudo o que temos de bom para no fim chegar a conclus�o que o brasileiro � o povo inteligente do mundo, na medida do poss�vel. Nada de ufanismo como aqueles do tipo �s� n�o temos Nobel � porque nunca um j�ri quis transparecer a falta de genialidade deles face � nossa�. Nem intelig�ncia em ficar fazendo pesquisas do v�o do nada para lugar nenhum. Inteligente em n�o ter perspectiva de vida e ainda sim seguir em frente e buscar melhorar. N�o precisamos ir longe n�o. Por exemplo, dos noventa alunos de jornalismo da PUC-Campinas, dez talvez saiam com emprego garantido. O resto esta desempregado mesmo com um diploma caro nas m�os. Agora, entre na sala e veja se algu�m n�o tem aquele brilho �vido por come�ar. No �nibus que pego para vir � Andradas, quando tocam no assunto de mensalidade e digo que pago R$ 705,00, muitos ficam abismado com o custo. � mais do que a maioria dali ganha no m�s. Mas todos continuam, mesmo com a certeza que � injusto. O pior que concordo! Por qu� eu tenho que pagar por um curso que me d� em troca muito pouco enquanto aquelas velhas senhoras doentes tem que voltar � panha do caf� no outro dia? Ontem fui ao shopping para tirar fotos. Tudo muito bonito e colorido l� dentro, mas o verdadeiro shopping est� no ponto de �nibus. Est� nas duas barraquinhas de espetinho que se perfilam no cal�ad�o. Est� na escurid�o que ali � reservada. Sentado ali por mais de uma hora, vi sorrisos falsos de vendedoras se desfazerem, ouvi um senhora clamar de dor de cabe�a, vi um homem fumar cigarros ininterruptamente na espera do seu demorado �nibus, vi o motorista do meu �nibus cochilar nos 5 minutos que lhe era dado de �folga�. Depois do ponto, ca� no terminal Bar�o Geraldo. Novamente ali tive uma p�ssima sensa��o. Um homem dormia no banco de pedra. O frio j� se fazia sentir e os rostos cansados tamb�m lembravam o quadro O Grito. Hoje minha vis�o novamente se afrontou com um ultraje. Enquanto o �nibus andava por uma vila que ningu�m lembra ou quer lembrar, passou um camioneta abarrotada de trabalhadores. Nenhuma crian�as, mas muitos velhos. Um senhor de barba branca, cal�a marrom rasgada na perna e segurando uma peneira tentava alcan�ar a velha camioneta prateada. N�o alcan�aria. O coment�rio com o motorista foi: s� nesse pa�s senhores dessa idade ainda est�o trabalhando... Cheguei em casa e fui ler Veja. A capa era algo como envelhecer com prazer. Como isto � poss�vel num pa�s que senhores com sessenta anos ainda panham caf� nesse calor! S� a Veja sabe. Amanh� vou at� Aparecida do Norte. Como j� disse para amigos, a mis�ria de l� s� � menor que a f� de que algum dia algo possa melhorar. � de se pensar como que no lugar em que fica a maior bas�lica cat�lica do pa�s tenha tanta pobreza. Pobreza igual aquela que na entrada de S�o Paulo os cartazes de propaganda tentam esconder. Pobreza daquelas que Deus n�o passa ali por um bom tempo. Para finalizar e voltando ao inicio, n�o que o cartunista Mill�r tenha feito algo concreto para melhorar tal situa��o. Nem quem l� isto em frente ao seu computador vai fazer nada. Nem o pr�prio escritor deste texto. Da� o brasileiro ser o povo mais inteligente do mundo. Ele n�o se importa com o que o filosofo da Unicamp pensa. Ou que os alunos de jornalismo ou jornalistas v�o escrever sobre ele. Sabe sim que se n�o trabalhar amanh�, algu�m pode ficar com fome e esse algu�m n�o � o patr�o. Assim, o povo brasileiro � o mais inteligente na medida do poss�vel. Com instinto ou n�o ele sobrevive sem pedir ajuda. Ou melhor, sobrevive com um monte de gente tentando atrapalhar. O povo brasileiro �segue em frente sem nem ter com quem contar�. Isto na minha concep��o � bom. Muito bom. Fico feliz em saber que moro na mesma terra que este povo brasileiro. Domingo, quando voltar de Aparecida, vou ter a certeza que n�o sou brasileiro. Que vivo em um Brasil diferente e n�o me orgulho nem um pouco por isso. |
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