| Quarta-feira, Outubro 08, 2003 MIGUEL NAKAJIMA Ol� pessoas, Irei iniciar agora a s�rie de hist�rias que contam o passado de Raimundo Severino Nonato, meu mais novo personagem de RPG, que foi criado para substituir Dean Glennon Crisonis, assassinado na �ltima sess�o de jogo. Essas hist�rias se passam em Arton, Mundo medieval, onde magia, ra�as estranhas e aventuras infind�veis se misturam constantmente. Raimundo � um morador do Nordeste semi �rido com vegeta��o de caatinga de Arton. Sua fam�lia mora em Mari�polis, cidade pobre do sert�o Atoniano. Vamos � 1a. hist�ria desse prel�dio: 1 -Sa�da Raimundo caminhava normalmente pela rua poerenta de Mari�polis, deliciando-se com o p�o �lfico que acabava de pegar "gratuitamente" na padaria da cidade. Na verdade, ele teve que esperar por um momento em que o dono da padaria, (um meio Orc fucinhudo, cheirando a farinha) n�o estivesse olhando, para poder guardar os p�es confortavelmente dentro dos bolsos. Enquanto arrancava uma lasca da massa mal assada de farinha, �gua, sal e fermento �lfico (que era a �nica coisa pela qual valia a pena todo aquele trabalho) R�i (como era chamado pela fam�lia) sentiu algo segurando seus p�s no ch�o, o que o fez perder o equil�brio e ir de nariz (que por sinal era um tanto quanto soberbo) ao ch�o. - Au! De quem foi a id�ia?! - bradou R�i por instinto, co�ando o nariz borrachudo. Ao se virar para ver quem ou o que o tinha levado ao ch�o, estragando sua refei��o matinal, Raimundo ficou est�tico ao ver, preso �s suas duas canelas, uma criatura do tamanho de uma bola de GrifoBol(1), com oito tent�culos que se mexiam com uma voracidade incr�vel, como se buscassem atingir as nuvens. Sob o corpo arroxeado a criatura mostrava uma boca desproporcional ao pequeno corpo, rodeada por dentes em todas as dire��es. Antes que pudesse pensar em qualquer explica��o para a presen�a daquela criatura bizarra ali, Nonato encolheu os p�s, levantou-se num salto e p�s-se a correr o mais r�pido que podia. Ao ouvir um grito masculino, R�i parou, olhou em volta e pensou em voz alta: - FERROU! A cidade estava infestada por aquelas criaturas estranhas e as pessoas corriam em p�nico. Um �nico pensamento lhe passou pela mente naquele momento: "MINHA CASA!" Correu at� em casa, desviando das sali�ncias gelatinosas e dos tent�culos trai�oeiros que se espalhavam pelo caminho. Ao chegar trancou a porta e deparou-se com sua m�e, escondendo-se nas costas de seu pai, que, empunhando uma enxada que eles usavam para plantar mandioraba(2) na �poca das chuvas e tentava manter longe um daqueles bichos roxos nojentos. Ele, olhando rapidamente para o menino at�nito, gritou: -Rapaz, abra essa porta e prepare o Jerec� com a carro�a! Raimundo, procurando a fechadura da porta, n�o tirava os olhos do animal que se movia no ch�o da cozinha da pequena casa de pau a pique que seu pai tinha construido a mais de 10 anos. - Si-sim pai. - respondeu o garoto tremendo. Ao sa�rem da casa, entraram rapidamente na carro�a da fam�lia, que j� estava pronta, com suprimentos, roupas e ferramentas. R�i, sentado num monte de roupa, olhava para a vila onde tinha nascido, de onde, agora, vinham gritos de horror e de dor. Pelo menos estavam seguros. Ou era o que ele pensava. De repente Jerec� (o jegue) parou bruscamente ao comando de seu dono. O que fez R�i cair de costas no meio dos panos que cobriam da carro�a. Ao olhar para frente, Nonato viu uma dupla de homens, vestindo armaduras vermelhas, com v�rias jaulas e algumas das criaturas p�rpuras rodeando seus p�s. Um dos homens se aproximou da carro�a e o pai de Raimundo gritou desesperado: - Por favor nos ajude! Nossa vila foi infestada por um band..... ugh... R�i n�o podia acreditar no que via. Seu pai com uma espada cravada no peito, o sangue escorria e pingava no ch�o de terra da estrada. -N���O!!!! DESGRA�ADOS!!! - gritou R�i, que saiu em disparada na dire��o do homem. Virando o rosto com ar de superioridade o homem de armadura fechou um dos punhos e acertou diretamente no rosto do menino, jogando-o de lado. A m�e de R�i, desesperada, correu at� o garoto. - N�o podemos deixar testemunhas - disse o outro homem, mais a frente. Mate-os logo. R�i, ouvindo isso sentiu o sangue correr mais r�pido por suas veias. Seus olhos ficaram completamente vermelhos e sua pele adquiriu uma leve colora��o amarelada. - Voc�s n�o v�o fazer mais nada!!! - disse R�i com uma voz grave. Apontando a palma para o homem que retirava a espada do peito de seu pai, uma labareda saiu de sua m�o, que fez o homem cair no ch�o e arregalar os olhos de medo. Engatinhando para tr�s, o homem disse para seu companheiro: -Vamos sair daqui! Eles tem um Deles. Vamos antes que Ele acorde! enquanto os homens montavam em seus cavalos e saiam em dire��o � Valkaria, R�i desmaiava, lentamente indo para o ch�o. Sua m�e, segurando-o nos bra�os, chorava. - O que aconteceu? - perguntava o menino - N�s estamos bem. N�s estamos bem..... - disse a m�e em l�grimas. (1)Grifobol: Esporte a�reo praticado por pessoas montadas em grifos. Muito popular naquela regi�o, apesar do alto custo de cria��o e treinamento dos grifos, era comum acontecerem caravanas para as cidades mais ricas para assistir � batalha daquelas aves majestosas, que lutavam guiadas por seus donos num campo plano, onde 10 grifos (5 de cada time) disputavam o dom�nio da bola. Marca ponto quem consegue acertar a bola na ponta pintada de um pilar. (2)Mandioraba: Uma leguminosa avermelhada, muito comum nas �reas secas de Arton. Assemelha-se com uma Mandioca mas tem a cor e o sabor de uma beterraba. Muito comum de ser encontrada nos fundos de casas mais simples do sert�o de Arton. Muito usada para fazer farinha. |
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