Quarta-feira, Outubro 22, 2003

   MIGUEL NAKAJIMA

Ol� Povo,

Estou postando finalmente a segunda parte da hist�ria do meu personagem de RPG, Raimundo Severino Nonato, tamb�m conhecido como R�i. Espero que gostem.


    
2- Proibi��o

O Sol nascia na cidade de Lenhabrava(1), onde as ruas, quietas e nebulosas, aludiam a uma sala mortu�ria. Ao longe, ouviu-se o primeiro som da manh�, um galo cacarejava como a impon�ncia de quem controla a aurora.
Os primeiros raios de luz banhavam a pra�a deserta, onde se concentrava, nos hor�rios certos, a maior parte da popula��o daquela cidadezinha do interior Artoniano.
Como um trov�o ressoando nos c�us, o som de vidro se quebrando atravessou a pra�a, vindo de uma casa que ficava ao lado da prefeitura.
"PEGA LADR�O!!!!"
O grito pareceu um despertdor, enchendo o est�tico cen�rio de movimento, a medida que tr�s objetos voaram atrav�s da janela:

Uma cadeira
Um homem
Uma flecha

N�o necessariamente nessa ordem.

R�i, pondo-se de p�, ap�s rolar alguns metros no ch�o barrento, correu desajeitadamente, com os bra�os entrela�ados em um peda�o de mortadobold(2).
Com um sorriso no rosto, Raimundo Severino Nonato atravessava Cainaocai, a ponte que ligava Lenhabrava com o outro lado do rio Tenj-acar�.
Ao chegar no limite entre o campo e a floresta, Nonato embrenhou-se na densa folhagem subtropical, para, a passos agora lentos, encontrar Jerec�, o jegue e uma pequena carro�a onde dormia sua m�e.

"Trouxe o caf�, m�e." - disse R�i em voz baixa
"Ah, n�o, meu filho! Vamos ter que nos mudar de novo! De quem voc� roubou dessa vez?" -falou a m�e de R�i, com um tom desanimado ao perceber o furto do filho.
Apesar de contrariada, D. Jiocondina, a m�e de R�i, comeu dois dos dez p�es (gentilmente "cedidos" pelo padeiro da cidade na manh� anterior) que tinham sobrado.
"Vou dar uma volta, viu m�e!" - disse o rapaz cal�ando as botas.
"N�o demore muito, meu filho." - falou a m�e em voz alta - "Devemos partir com o sol na dupla sombra!(3)"
Embrenhando-se mais ainda na floresta, R�i chegou a um buraco que se abria no ch�o, com um di�metro em torno de 10 metros.Vindo de dentro da cratera ouvia-se o som de �gua corrente.
"Como era mesmo que eu tinha feito?"
Ao dizer isso R�i firmou os p�s no ch�o e come�ou a mexer as m�os, passando a palma sobre o rosto, enquanto falava:
"Zura! N�o, acho que n�o era assim! Capufiti! Tamb�m n�o era isso..... Ah! lembrei!!"
passando uma m�o sobre a outra, num gesto concentrado, Raimundo bradou:
"KARAOKOROACHOU!!!!!"
Ao dizer isso, apontou para as folhas ca�das no ch�o e como num sonho, uma lufada de vento as fez subir, deixando uma �rea circular livre das folhas.
"Ah!!! � isso mesmo!" - disse R�i para si mesmo, numa auto congratula��o.
Enquanto se deliciava com a vis�o dos resultados de seus rec�m descobertos poderes, Severino n�o percebeu os vultos passando por entre a folhagem que o cercava.
Como que em um �nico movimento dezenas de espadas foram desembainhadas e os vultos que antes espreitavam o feiticeiro agora tornavam-se homens armados, com armaduras de couro e metal, que cercavam o jovem bruxo.
"Voc� est� preso por usar magia proibida dentro do territ�rio do Grande Tih!!" - disse um dos homens, enquanto outros dois agarravam R�i pelos bra�os.
"Ei! Que hist�ria � essa? Me soltem! Eu sou inocente! Foi s� um pedacinho de mortadobold!" - esbravejou Raimundo enquanto era levantado do ch�o pelos brutamontes.
"Voc� ser� levado � presen�a do Grande Tih! e ele dir� qual seu destino."
Inutilmente tentando se libertar, R�i mordeu a m�o de um dos que o seguravam, que soltou um grito e, fechando o punho, acertou a nuca do garoto, fazendo-o desmaiar.


(1)Lenhabrava: Cidade do interiorrrrrr (com sotaque caipira) de Arton, conhecida pelos deliciosos petiscos de Kobold, os quais s�o criados pelas fam�lias locais em pequenas propriedades dom�sticas. Essa cidade faz limite com P�norrego e Hilotavivo
(2) Mortadobold: Prensado assado de carne de Kobold, assemelha-se � mortadela, mas tem um gosto mais picante. Especiaria muito apreciada no caf� da manh� t�pico das cidades interioranas de Arton
(3)Hora da Dupla Sombra: Hora do dia em que a altura da sombra de qualquer objeto equivale ao dobro da altura do objeto. Aproximadamente 4 horas da tarde.
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