| Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005 MIGUEL NAKAJIMA MARQUES Algo que escrevi enquanto estava em Caldas Novas - GO, passando f�rias. Gotas em Papel A chuva grossa atravessava o ar quente daquela noite sem estrelas. Nenhum animal podia ser visto ou ouvido no breu que se abatia por sobre a floresta e o �nico som que preenchia o espa�o entre a folhagem era o das milhares de gotas atingindo as folhas secas que se amontoavam no ch�o. Um vulto, por�m, era distoante da natureza ao seu redor e se embrenhava em seus pr�prios pensamentos enquanto olhava para o vazio do c�u acima de sua cabe�a. Sentado em um tronco horizontal que saia de uma velha �rvore, com as pernas cruzadas e os cabelos molhados, ele segurava em uma de suas m�os uma margarida silvestre e na outra um peda�o de papel, borrado pela chuva que ca�a torrencialmente. Sorrindo breve mas sinceramente, o jovem aproximou a flor de seu rosto e, sentindo o perfume suave que sa�a de suas p�talas, lembrou-se do rosto angelical e misterioso que permeava seus sonhos. Suas m�os tremiam ao leve pensamento acerca daquele sorriso meigo que agora fazia seu cora��o acelerar e suas pernas ficarem fracas. A �gua escorria pelo seu rosto e ca�a na folha de papel onde estava a poesia de um cora��o sorridente, que muito sofreu em tempos passados mas que agora sabia para onde seguir. Encostando a cabe�a na �rvore, ele flutua por entre suas lembran�as, o vislumbre do olhar que o atingira naquele dia ainda dan�ava em sua mente, fazendo suas id�ias flutuarem e seu cora��o acelerar. Com os olhos fixos no infinito, seus l�bios come�am a sussurrar: "Oh, olhar magn�fico Que clareia as noites e turva meu cora��o Somente um momento sob teu brilho Fez-me descobrir um mundo novo Onde o c�u � mais azul e a brisa mais suave Pois a ti pertence meu carinho E a ti dirijo essas palavras. Que um dia possamos estar juntos Olhando para o futuro infind�vel Que nos reserva muitas novidades Mas onde a maior delas j� me � conhecida Pois tua beleza meus olhos viram E teu sorriso minha alma acalentou." Abrindo um sorriso convicto, ele se ap�ia na �rvore e se p�e de p�, enquanto a chuva p�ra de cair. Ele arruma o cabelo cacheado que lhe cai no rosto e p�e a folha de papel em seu bolso. Olhando para o horizonte, onde o sol alaranjado se mistura com o colorido do arco-�ris, o rapaz salta de cima da �rvore e some por entre a folhagem logo abaixo. Imediatamente ap�s, eis que surge uma figura alada, com asas brancas saindo de suas costas, aquele mesmo garoto agora singra por entre as nuvens enquanto se dirige ao lugar para onde seu cora��o aponta. A certeza em seu olhar reflete a for�a do sentimento que preenche seu cora��o e faz seu sangue correr. Esse mesmo sentimento lhe deu asas, levando-o a centenas de lugares que ele nunca pensou existirem, mas esse mesmo sentimento agora o guia para um �nico local. Firme ele segue por entre a brisa e sabe que nada o derrubar� pois seu escudo � a f� e sua espada � o amor. |
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