Domingo, Outubro 23, 2005

MIGUEL NAKAJIMA MARQUES

Aqui est� a continua��o de "A Rocha", que ser� publicada em 3 partes. Espero que gostem.

"A Rocha" - parte 2

A porta de madeira cheirava a umidade, no sil�ncio da noite um mosquito passa, sentindo o cheiro e o calor do seu alimento. Em algum lugar havia sangue, e ele gostava disso. Voando freneticamente, o inseto colide contra a rede invis�vel na quina da parede. O desseperado mosquito se debate e tenta escapar a medida que a aranha se aproxima e come�a a embalsamar seu alimento enquanto ele ainda est� quente.

O sil�ncio volta a reinar.

O aracn�deo extasiado pelo alimento rec�m conseguido n�o percebe quando a madeira apodrecida se despeda�a e atinge a teia, esmagando aranha e mosquito, ca�a e ca�ador.

Do buraco, que antes era tampado pelas t�buas da porta, saem duas figuras bem distintas. A primeira, coberta por um grosso vestido pardo, cal�ando sapatilhas de couro rosa, corre para o p�tio de pedra, com seus cabelos negros, rosto cor de bronze, l�bios carnudos e olhos amendoados, reluzindo o brilho das tochas do forte. A segunda pessoa a passar pelo ch�o de pedra tem seus p�s cobertos por um par de coturnos ensanguentados, uma cal�a de pano cr�, normalmente usada para cavalgar e peito descoberto, com marcas de cortes circundados por manchas de sangue coagulado.

Por�m o ponto mais chamativo do cavaleiro estava em suas costas, de onde sa�am dois tocos de ossos, cobertos com sangue. Pelas marcas carbonizadas nos ossos, provavelmente o que quer que havia ligado a eles tinha sido queimado de forma subta e violenta.

Chegando ao centro do p�tio a princesa se p�e atr�s do jovem com as m�os em seus ombros. Ela olha preocupada para seu libertador, o qual j� demonstrava no rosto a dor gerada pelas feridas em seu corpo.

Segurando a espada coberta de vermelho, o guerreiro olha para a donzela e sorri, mudando o rosto, antes franzido pela dor, para um semblante calmo, que ao olhar para a bela dama, recupera as energias e o f�lego para a batalha vindoura.

"N�o se preocupe comigo, minha amada. V� para o navio que est� ancorado no cais, logo estaremos juntos, seguindo para longe de todo esse mundo malevolo. Se eu n�o for suficientemente forte para resistir � batalha, siga serena, terei cumprido minha miss�o, pois teu sorriso j� � meu porto seguro."Dizendo isso, o jovem espadachim vira-se em dire��o � porta, de onde come�am a sair homens armados. Ao primeiro passo do rapaz oriental, ele sente seu seu bra�o sendo puxado de volta e logo os l�bios do casal se unem, em um movimento harmonioso, que dura poucos instantes, mas � capaz de revigorar cada um dos amantes.

"Estarei esperando por voc�"

Ao dizer isso, a princesa segue pelo caminho de pedra que leva at� o cais, deixando seu amado sozinho diante de seus inimigos.

Contraindo os m�sculos, o guerreiro parte para cima do quinteto de homens, que entra em posi��o de guarda, preparando-se para o conflito que est� por vir. Eles presenciaram seus companheiros caindo ao som de trov�es, sentiram o calor que emanava da espada flamejante do seu inimigo. Eles sabem que se tiverem sorte, ter�o uma morte r�pida e indolor.

Numa r�pida sequ�ncia de movimentos a luta termina, com o jovem de p�, segurando com dificuldade sua espada e seus cinco advers�rios ca�dos , exibindo os cortes rec�m adquiridos, de onde manava o l�quido rubro que manchava o ch�o.

Sentindo seus novos ferimentos, o jovem solta um gemido e cai sobre um de seus joelhos, apoiando a espada, que tanto o defendeu, no ch�o.
Coment�rios:
Voltar para Miguel Nakajima

Voltar para
Hist�rias Seriadas
Hosted by www.Geocities.ws

1