Ter�a-feira, Outubro 04, 2005

MIGUEL NAKAJIMA MARQUES

HA! mais um que fiz durante uma "interessant�ssima" palestra aqui na faculdade. Essa semana estou inspirado.
Quem sabe entende e quem entende sabe.
flow
PS: Tem mais 1 mas posto depois...
PS2: Preparem-se, daqui a pouco mais prel�dio do R�i!!!!


O Forte - parte 1

O luar poderia estar iluminando a estrada de terra naquela noite, mas a fina chuva que ca�a no breu noturno cortinava a floresta e tudo ao redor, deixando a noite mais fria e escura.

A melodia t�pica daquela regi�o, com suas corujas, cigarras e sombras, agora dava espa�o ao ritmico cavalgar solit�rio que atravessava aquelas matas subtropicais fluminenses.

A garoa daquela noite molhava tanto cavalo quanto cavaleiro, que, com uma r�pida passada de m�o no rosto, tira a �gua que lhe atrapalha a vis�o.

A noite naquela estrada parecia parar para acompanhar o r�pido passante que mais parecia uma grande sinf�nica afinando para a �pera (e que �pera seria!). A forte respira��o do cavalo, por horas correndo para seu destino, talvez o �ltimo; a espada chacoalhando dentro da bainha; os cascos ditando no ch�o �mido o tempo de toda sinfonia.

Depois de algumas horas dessa melodia repetitiva o cavaleiro parece cansar do mesmo som no mesmo breu e, puxando levemente as r�deas, diminui a frequ�ncia das batidas, at� finalmente parar, fechando o concerto com a seca descida do jovem oriental que, num salto, p�e os p�s no ch�o barrento da estrada serrana.

Sacando uma adaga da bota, o jovem cavaleiro corta as r�deas de seu cavalo e tira-lhe a indument�ria, deixando-o livre, sem marcas que indicassem a situa��o de servid�o que um dia ele esteve.

Olhando para o fiel companheiro ele passa a m�o na cabe�a do alaz�o e, despedindo-se com o olhar, ele solta o cavalo que o trouxe at� ali. (Definitivamente ele n�o estava pensando em voltar, pelo menos n�o a cavalo)

Virando-se, o jovem caminha para a ribanceira que d� para o mar. Durante o dia aquele seria um mirante de grande aprecia��o, por�m na escurid�o daquela noite, o oceano formava um grande v�u negro que se estendia at� onde se podia enxergar.

Olhando para baixo via-se o forte de pedra, cravado na serra, iluminado por pequenos pontos rubros que dan�avam ao vento praieiro.

Com os punhos cerrados o jovem de olhos rasgados fitava a constru��o abaixo. De alguma forma ele sabia que a partir dali tudo iria mudar e aquele n�o mais seria o caminho de volta.

Em um movimento r�pido, ele saca a espada � sua cintura e, apontando para a fortifica��o abaixo, ele gira rapidamente a espada e simultaneamente um gigantesco par de asas brancas surge rasgando a camisa branca vestida pelo espadachim.

"Me aguarde minha querida. Logo estaremos longe daqui."

Com um salto para a escurid�o, ele segue para onde a princesa � mantida cativa. Segurando a l�mina que j� cortou muitas gargantas e agora � usada para libertar a pessoa mais importante para se dono, a figura alada segue em queda livre, em dire��o � fortifica��o duzentos metros abaixo.

"Por voc� eu estou aqui.
Pelo seu amor recuperei essas asas.
Por seu abra�o meu vigor retornou.

Voc� acendeu em mim a chama antes apagada da esperan�a.
Agora sou eu quem irei liberta-la, leva-la ao para�so e protege-la desse mundo vil que nos mant�m ref�ns.
Espere-me pois darei tudo de mim por voc�."

Pousando sobre o p�tio do forte ele contou dez soldados de cada lado e, com um sorriso, ele aguarda os inimigos que avan�am em sua dire��o.

Ele sorri e espera pois sabe que por mais que todo o mundo o machuque, eles nunca conseguir�o tirar dele seu maior bem, a chama que queima e o impulsiona. A chama que o mant�m vivo. A chama que se chama amor.
Coment�rios:
Voltar para Miguel Nakajima

Voltar para
Hist�rias Seriadas
Hosted by www.Geocities.ws

1