| Quarta-feira, Julho 28, 2004 MATEUS YURI RIBEIRO DA SILVA PASSOS Vida longa e pr�spera, unidades-carbono! Depois de um m�s ausente, Reparti��o segue em frente. Agora (para minha comodidade ao digitar e para a dos fruidores ao ler) vou fazer posts menores e dividir cada parte dos cap�tulos em sub-partes, tamb�m... Vai ficar o samba do crioulo doido, mas acho que ser� bem menos pesado para ler. Enquanto a parte II trouxe os bardos Efraim e Kilaro tomando a condu��o para Ahrwe, esta terceira parte tratar� da chegada de M�ctor, Delf Nyr, Brook Brook Jardel e William Walker aos confins de R�quen's Lech... Carpe Jugulum ALTERA��O Cap�tulo 2 - Reparti��o III - A A vista embaralhou-se e o mundo dissolveu-se. Sumiu. Brook Brook Jardel sentiu n�useas e come�ou a tremer ao sentir novamente o ch�o sob os p�s. O friozinho irritante de Meliaceae cedera lugar a um calor �mido, abafado e intenso - a transi��o fora, portanto, desagrad�vel ao extremo. Al�m disso, o sol desaparecera do firmamento e tudo em redor estava imerso na escurid�o do lusco-fusco. N�o fosse a m�rbida luz das estrelas, seria imposs�vel enxergar um palmo � frente do pouco t�mido nariz - ainda que mal e parcamente, conseguia divisar um bosque a algumas dezenas de p�s � esquerda de si e alguns morros gramados na dire��o oposta. Os companheiros, � exce��o de M�ctor, convalesciam tamb�m sob o efeito do teletransporte. Era incr�vel como magia prejudicava a sa�de. Para a sorte do r�quen, agora estavam todos longe dos taumocratas r�clandeses. "Mira el sur, Brook.", proferiu uma garganta debilitada. Jardel virou-se em dire��o a um descampado de relevo acidentado e nada viu que pudese justificar o alarme de Nyr. "U otro sul, Bruque!" Ao sul, raiavam os primeiros vest�gios solares, a tingir o c�u de azul e vermelho, transitando entre variados matizes, como se fosse a palheta na qual o pintor mistura seus �leos, ou a tela de um artista que decidira de uma hora para outra mudar o tema de sua cria��o. N�o fazia o menor sentido. "J� n�o tava claro quando n�s saiu?", perguntou o r�quen, cutucando William Walker, a entidade mais s�bia que conhecia. O mago parecia estar t�o intrigado quanto ele. "Em Lostbride, tive algumas experi�ncias com teletransporte, mas jamais me ocorreu algo assim..." Confuso, o homem arriou o capuz do manto e co�ou a cabe�a, ruminando com os miolos alguma id�ia enovelada, cena nada bonita de se ver. Subitamente, assumiu um ar inteligente, cobriu-se novamente, virou-se para os confrades e desatou a falar, triunfante: "Amigos, este foi, recordei-me agora, o efeito descrito por Moreon em seu c�lebre Teorema. A distor��o espacial decorrente do teletransporte entre grandes dist�ncias gera um campo t�umico de tal intensidade que o viajante atravessa tamb�m uma fenda no tempo. Por causa de nosso trajeto t�o longo, acabamos retornando algumas horas no passado." Empiricamente comprovado, da� o seu t�tulo, o Teorema de Moreon pertencia a uma ampla gama de observa��es e teorias apreciadas especialmente pelos feiticeiros de inclina��es acad�micas. Os estudiosos da magia a cada ano descobriam e teorizavam novas facetas interessant�ssimas da realidade - a maioria desprovida de meios para sua comprova��o ou aplica��es pr�ticas. O famoso e j� falecido Hagamenon Marnix Solony, por exemplo, afirmara que, ao se lan�ar repetidamente uma clava por trezentos milh�es de vezes de encontro a um muro, numa dessas ocasi�es o campo morfog�nico do obst�culo seria abalado a ponto de a armar surgir como proj�til do outro lado da barreira sem, no entanto, atravess�-la fisicamente. Infelizmente, jamais se tentou a fa�anha, pois ningu�m tivera paci�ncia para tanto. "Quem diria que ir para t�o lejos nos faria ganar tiempo..." "T�, t�. I cad� a prima?" "Calma, logo la encontraremos. S�lo precisamos pedir informaciones a algum nativo." M�ctor n�o retrucou. Fitou os morros, mas parecia n�o estar, de fato, a fixar os olhos em coisa alguma, a menos que fosse poss�vel enxergar com os ouvidos. Os outros notaram em seguida um crescendo sonoro n�o muito distante de onde estavam. Jardel subiu uma colina e chamou os demais ao divisar, em meio ao clangor met�lico, os urros e o odor do conflito, um choque entre dois ex�rcitos - ou, pelo menos, amontoados bem equipados e, quem sabe, instru�dos na arte da ceifa bem o bastante para merecerem a alcunha de guerreiros. De um lado, homens, elfos e an�es, pardos, negros e brancos avan�avam, com espadas e arco-e-flecha armados, por bela fl�mula azul encorajados. O estandarte n�o foi reconhecido por nenhum dos quatro - Brook Brook era pouco entendido do assunto, Delf e M�ctor admitiam certa por�m vaga lembran�a da imagem e Walker, na condi��o de r�cland�s, era genotipicamente apto para conhecer e nutrir interesses somente por R�clanda. De encontro ao batalh�o azul, vinham algumas d�zias de orcs, criaturas human�ides mamiferas, peludas, de fei��es grotescas e levemente su�nas, embora n�o desprovidas de um qu� reptiliano. Traziam como armas lan�as, espadas toscamente forjadas e dardos de arremesso - o armamento r�stico e gasto destoava bem do reluzente equipamento do inimigo. "Porrada!", exclamou o minotauro, subitamente animado. "N�o diga!", disse Walker, irritado com a afirma��o, t�o �bvia quanto a melancolia que em geral seguia ao cabo dos surtos de alegria do camarada. "V�mu bat� im quem?" "N�s n�o tem que se meter!", protestou Jardel, tencionando postar-se � frente dos confrades para lhes impedir a passagem. "A briga deles n�o interessa." "No, no. El conflito es comum entre todos los seres viventes, isto n�o se pode alterar, faz parte de los procedimentos naturais. Nuestra singela participaci�n nesta peleja nada faria de mau." "Eu acho...", come�ou Walker. "Tem mais di qual? Biquinho ou �rqui?" "Ou�am..." "Los 'biquinhos' est�n em maioria." "Dull bastards! Brutos!" "V�mu peg� eles, int�o!" Jardel, William e Enrique, embasbacados, observaram M�ctor enquanto este, bufando, raspava com os cascos o ch�o, empinava os cornos e disparava na dire��o do mais pr�ximo grupo de homens, para com eles enristar. Os tr�s hesitaram, considerando com seus bot�es se valia a pena arremeter-se contra as pr�prias esp�cies por raz�o dum mero palpite, ainda mais com aquele mal-estar que n�o os deixara por completo. "Por que esquentar a cabe�a", concluiu cada um em seu �ntimo, "se ningu�m tem essas d�vidas durante as guerras?". Como bem lembrara o segoviano, o conflito era um processo natural. O fato de n�o terem raz�es para se juntarem a ele era um mero detalhe. O druida ministrou a si e aos dois parceiros uma po��o de ervas analg�sica - adquirida numa farm�cia de manipula��o em Vanadil, embora o meio-elfo reclamasse para si a autoria do elixir - e a seguir o trio adotou a pose mais temer�ria conceb�vel para se juntar � batalha: o mago zarpou por via a�rea - algumas fagulhas de mana desprendiam-se dele, produzindo um belo efeito -, o r�quen brandiu o machado e correu urrando versos cr�-magnons e Nyr, no intuito de proteger suas posses - sobretudo os ovos de f�nix -, incorporou-as a si, tomando a forma de on�a parda. N�o foi pouco o espanto de ambos os lados � chegada do novo regimento, por�m logo o ex�rcito orc elevou-se de mera surpresa a um estado de gra�a: a ajuda fora providencial. Brook Brook Jardel criado por Jo�o Pedro Ramos Delf Nyr criado por S�vio Fran�a Rosa M�ctor criado por T�lio Vieira de Paiva |
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