MATEUS YURI RIBEIRO DA SILVA PASSOS

Vida longa e pr�spera, unidade-carbono!

Come�a agora Altera��o, saga medieval, meu "Work in Progress". Primeiramente, um Pr�logo.

Carpe Jugulum
Mateus, o Passos


ALTERA��O

      Pr�fase

Na et�rea arena da vida, conjugam-se as for�as que movem o mundo. Cumprimentam-se, debatem, discutem, guerreiam, aliam-se, traem-se, excluem-se.

Em evid�ncia, o Saber, campe�o de heter�nimos que se sobressai entre os grandes catalisadores do processo civilizat�rio da Humanidade. Seu desenvolvimento oferece solu��es para grandes enigmas que intrigam o mundo h� s�culos e tamb�m uma gama infinita de possibilidades a desenvolver: faz do an�nimo celebridade e garante a exist�ncia de controv�rsias e cr�ticas a suas id�ias, eleva povoados � condi��o de grandes civiliza��es e tra�a sua queda � liberta e oprime, ensina e engana, d� vida e a toma, cria e destr�i. Por essa raz�o, pode ser julgado perigoso e grandes obst�culos s�o criados em meio � estrada do saber: dogmas irremov�veis, tanto religiosos quanto cient�ficos. Isso levou � forma��o de incont�veis sociedades secretas, organizadas com o intuito de preservar, revelar, buscar, esconder e, em alguns casos, criar conhecimento, visando ao aprimoramento da esp�cie humana � e quaisquer outras que manifestassem interesse.   

Assim era a Ordem de Dubnius, fundada no ano 7831 da era orbisiana por cinco pessoas, mais tr�s elfos e um elemental do fogo. Decepcionados e enfadados com a vida tridimensional em que estavam imersos, decidiram mistific�-la, tornando-a mais interessante, por meio de intrigantes pesquisas transcendentais. Aos poucos, a Ordem seguiu recrutando indiv�duos altamente considerados pelos membros, seres de fato fascinados pela possibilidade de conhecer. Infelizmente, tal sede nem sempre era plenamente saciada, pois � grande o n�mero de sujeitos a n�o almejar simplesmente o Saber, mas o Saber Mais Do Que Outrem, o que definitivamente n�o adianta muito quando n�o abre portas a vangloria, algo improv�vel enquanto os outros n�o souberem que se sabe mais do que eles. Isso fez com que n�o poucas vezes a sociedade quase deixasse de ser secreta, obrigando os demais membros a subtra�rem do mundo os verbosos.

Heitor Irineu Vieira era dubniusiano h� quatro anos. Conheceu a Ordem ao aterrar-se com a verdadeira hist�ria da queda do Grande Imp�rio, narrada em segredo � e entusiasticamente � por Fausto Ghedini, seu s�cio na marcenaria em que trabalhava desde a adolesc�ncia � e na qual empreendera uma r�pida ascens�o de cargo. A narra��o era puramente fict�cia, o que � uma pena, pois era deveras fabulosa. De qualquer forma, Vieira nunca soube.

Imediatamente ap�s o instante em que o Supremo Dub consagrou-o integrante da confraria, Heitor enturmou-se com facilidade. Incapaz, entretanto, de contentar-se em ser um simples membro, ofereceu-se para ajudar na realiza��o de cada atividade e ritual, chegando a sugerir novos, o que era visto como uma grande inconveni�ncia por superiores mais let�rgicos. Tamanha energia e participatividade renderam-lhe, ao cabo de seu segundo ano de estudos m�sticos, o cargo de Supremo Tesoureiro, que lhe encheu de ocupa��es e por algum tempo impediu-o de amolar seus confrades, entusiasmados e aliviados ap�s a vota��o � un�nime � para tal nomea��o.

Infelizmente, o sossego durara pouco: logo ele projetou um casar�o-sede (a ser inaugurado em cerca de uma d�cada, durante as comemora��es do quarto centen�rio da Ordem), estava desenvolvendo um tratado, a ser apresentado ao l�der, no qual propunha a estratifica��o dos membros em diversas classes, de acordo com a contribui��o financeira destinada � melhoria da irmandade dubniusiana e, ap�s muita insist�ncia junto ao Supremo Dub, conseguiu instituir longos mantos negros como vestimenta oficial, obrigat�ria a todos. O manto, em conjunto com seus cabelos densos e sua longa barba preta, fazia com que o homem de vinte e sete anos sentisse um enorme calor, apesar de j� estar no in�cio do inverno.

A densa vegeta��o da floresta de Meliaceae fazia com que o ar ficasse muito abafado. O fato de ser meio-dia e de a carro�a preta do frater Vieira � entusiasticamente pintada � m�o pelo pr�prio dono e impelida por um majestoso corcel negro � estar totalmente exposta � crueldade dos raios solares, parada no meio de uma pequena clareira tamb�m n�o ajudava muito. No momento, n�o havia possibilidade de deslocar-se para a sombra sufocante, por�m acolhedora: a agu�ada l�mina de um punhal sustentava-se a poucos cent�metros do pomo-de-ad�o do dubniusiano, o que o fez arrepender-se de fazer a contabilidade durante a viagem, para economizar tempo. A mulher a empunhar a arma, no momento, tinha outras preocupa��es al�m do lucro iminente.

�Vaimbora, Swiet. Esse � meu!�, disse, irritada, para o homem que chegou � clareira quase concomitantemente ao momento do assalto e sustentava firme sua balista, apontando-a ora para a ladra, ora para Heitor. A cada �r�, a l�ngua da jovem atingia o c�u da boca, bem atr�s dos dentes.

�Sem essa! Perdi muitas cargas boas essa semana. Deixa esse para mim!�

�Num tenho culpa si c� � mole.�

�Zhyra, por favor... Minha grana est� acabando... Os irm�os Gael levaram quase tudo o que eu tinha guardado. S� me restaram alguns cobres.�

��ia, � melhor c� num inrol� muito�, disse a mulher, olhando desconfiada para os lados. �� capaz di alguma caravana aproveit� i pass�.�

A regi�o da Floresta Temperada Meliaceae atravessava o territ�rio de diversas na��es pr�speras que viam com maus olhos o roubo. Al�m de ser um bom ref�gio, pois continha �rvores enormes consideravelmente pr�ximas entre si, a mata - por cuja preserva��o a Liga Zemlyense de Druidas (a pretensiosamente autoproclamada representante mundial da classe) clamava furiosamente - era uma importante �rea de fronteiras indeterminadas, rota tomada pela esmagadora maioria dos viajantes, especialmente os do setor comercial, encantada pela possibilidade de esquivar-se de grande parte dos dispendiosos ped�gios dos quais as estradas mais civilizadas estavam repletas. Isso era um belo atrativo para os salteadores das diversas na��es que circundavam a floresta.

Oliv�rio, pa�s do qual partia Vieira, era um dos maiores fornecedores de criminosos para Meliaceae. A ampla diferen�a racial, �tnica e cultural - e em boa parte a intensa gan�ncia � dos meliantes impedia sua uni�o em associa��es ou guildas (todas as tentativas geraram longas discuss�es, invariavelmente culminando em grandes derramamentos de sangue) e mantinha-os num estado de guerra de todos contra todos, algo bem-aproveitado pelas caravanas mais cuidadosas e organizadas. Batedores altamente qualificados e especializados eram pagos para espionar os gatunos, notificando seus patr�es sobre os eventuais momentos de alto conflito � em alguns casos fomentados por esses mesmos profissionais mediante pagamento de uma taxa adicional � durante os quais se aproveitava para atravessar boa parte da trilha em alta velocidade e seguran�a, o que aborrecia bastante os ladravazes. � bom acrescentar que os arautos menos cautelosos de modo geral alcan�avam a desencarna��o em procedimentos lentos e dolorosos.

�Ent�o�, prosseguiu Swiet, oriundo de outro lado das fronteiras, �quebra-me esse galho e vai atr�s de uma caravana maior. Tu �s famosa por aqui. Com certeza n�o ir�s contentar-se com peixe-pequeno.�

�Isquece.�

�Olha... Estou certo de ter visto um jacar� zanzando por a� um dia desses. Pr�ximo ao ribeir�o. Ainda deve estar perto daqui. Por que tu n�o o capturas e fazes uma bolsa, ou alguma roupa mais bonita para usar por cima dessa tua cota de malha? Era bem grande.�

�Num tem jacar� pur aqui, idiota.�

�Bem grande. Verde como a grama. Eu juro!� Negociar era a melhor op��o, pensava Swiet. Se o que lhe contaram sobre a Implac�vel Zhyra era verdade, nem o disparo preciso de uma balista garantia que o proj�til atingiria o alvo. Sua h�bil esquiva s� era superada por sua incr�vel furtividade. Swiet n�o desenvolvera tanto tais habilidades. A barganha era, de fato, sua �nica escolha.


O calor... Horrendo calor! Vieira suava em profus�o, enquanto aqueles ignorantes disputavam o tesouro da Sagrada Ordem. Aquela ral�...Que atrevimento! Se a faca n�o estivesse t�o perto... Entraria em conjun��o com o Grande Cosmo, a for�a vital de Zemlya, seu querido mundo - t�o maltratado, principalmente com o rompimento do Imp�rio Orbisiano, o famoso Reino Solar, com as invas�es perpetradas pelos b�rbaros r�quens... Sem d�vida, um ser esclarecido como ele conseguiria obter o apoio de t�o grandioso poder e conjurar o Fogo do Fundador sobre as cabe�as de seus inimigos. Primeiro atingiria a jovem, a causadora de tudo aquilo. Pulara do nada sobre a sua carro�a e tomara para si os arreios do cavalo. A jovem... Ele a conhecia de algum lugar.

�Ham-ham�, pigarreou, fitando aterrorizado a oscila��o da l�mina � sua frente quando a salteadora virou-se em sua dire��o. �C� num � a Alzira Marques? Filha do leitero?�

�Alzira?�, indagou Swiet.

�Calado!�, vociferou a mulher para sua presa.

�Alzira?�, insistiu o outro ladr�o, tentando conter o riso. O nome seria motivo de tro�a em sua terra natal, onde a nomenclatura dos cidad�os se dava de maneira, sem d�vida, mais chique e refinada.

�Calaboca oc� tamb�m! I vai imbora, si num quis� qui eu taque esse punhal noc�. Tenho mais um m�nti cumigo.�

�H�...�, hesitou seu colega de profiss�o. Possu�a uma carta na manga. N�o tinha como n�o funcionar. �Eu vi uma caravana passando... Bom, n�o uma caravana propriamente dita, s� uns quatro caras, eu acho. Mais umas duas aves, talvez falc�es de reconhecimento. Ou bichos de estima��o. S� os avistei de longe. Parecem ser daqueles desocupados que andam por a� batendo em monstro e roubando tesouro. Estavam bem carregados... V�rias mochilas, pacotes, at� uma arca pequena. Com entalhes prateados. Talvez possuam algum artefato interessante... N�o �
melhor do que pegar esse p�-rapado?�

A Implac�vel Zhyra julgou a informa��o por um instante e cogitou a possibilidade de seguir o conselho. � verdade, talvez o esquisit�o de preto � que nem carregava muito dinheiro, mesmo - n�o fosse grande coisa em compara��o a um grupo de aventureiros, principalmente um t�o bem provido. Mas... Se a carga era t�o boa, por que o maldito Swiet foi encher o saco dela, ao inv�s de ir atr�s de um investimento mais lucrativo? Bom, ele era realmente meio covarde... Pelo menos, se achava que n�o daria conta de quatro. Se bem que ela tinha ouvido rumores estranhos nos �ltimos dias, a respeito de um grupo pequeno que vinha subindo em dire��o a Oliv�rio. Ser� que... N�o. N�o!

�N�o! Nem ferrano! Num s� burra di ca� nessa! S� olivaresa, mas de orelhas curtas!�

�Digo a verdade, eu juro! Muita gente os viu, tenho certeza!�

�Pur isso memo. Ningu�m chega perto desses cara. Seu mintiroso, fal� qui era quatro pessoa...�

�E s�o, mesmo! S� quatro. Juro!�

�S�o o cacete! Mi contaram da coisa qui t� andano cum uns tr�is cara. Num quero nem v� u monstro.�

Swiet encarou sua colega, surpreso. O que havia na voz dela? Estava... tr�mula. �U�, tu vais se borrar por causa de um bichinho daqueles? Pensei que a l�pida, �gil, poderosa, furtiva, sagaz e implac�vel Zhyra n�o se deixasse intimidar por t�o pouco. Talvez teu lado Alzira esteja falando mais alto...�

A bravata do lar�pio pareceu causar o efeito desejado. A reputa��o da Implac�vel estava em jogo, ainda mais com a revela��o de seu nome, t�o comum, t�o simples, t�o... olivar�s. Mais pessoas (ou coisas do g�nero) deviam estar por perto, ouvindo. O pr�prio Swiet se encarregaria de difam�-la. Ser� que valeria a pena tentar? Deveria correr o risco de chegar perto daquele...

�Isquece. Vai oc�, qui � homem. C� num � macho, n�o?�

�Claro�, respondeu o outro, um tanto ofendido. �Mas esse tipo de trabalho est� al�m de minhas possibilidades. � outro patamar. Coisa para o pessoal mais foda... Como tu. N�o �s A Implac�vel? Deverias gostar de desafios.�

�Disafio? Atac� u cornudo num � disafio n�o, � suic�dio! Essas coisa num faiz u meu g�nero.�

As m�os de Zhyra tremiam. O punhal ficou distante o suficiente para que o Supremo Tesoureiro da Ordem de Dubnius pudesse sentir mais seguran�a. Fechou os olhos e ergueu as m�os abertas, com as palmas viradas para si. Concentrou-se. Mentalizou uma sa�da. Sim. Um grande trov�o carbonizaria quem o amea�ava, castigaria aquela esc�ria que o detinha ali, quando havia tantas tarefas importantes a realizar - e o calor abafadi�o, que horror! J� podia sentir a energia fluindo por seu corpo, sua prece ao Grande Cosmo seria atendida... Mas que calor...

�Minha nossa, o cara ficou deveras esquisito. Est� a temer o chifrudo tamb�m?�

�Calaboca! I vai imbora!�

Um clar�o ofuscou a vis�o de ambos por um instante. Viraram-se em dire��o � luz. De uma extremidade da clareira, um homem trajando uma grande armadura de placas espelhadas a lhe quase cobrir todo o corpo � refletindo, assim, os raios solares de forma irritante. 

�N�o se movam, ladravazes! Este nobre guerreiro salvar� esse pobre cidad�o indefeso de suas garras imundas!�, disse, brandindo uma espada longa na dire��o deles.

Swiet o ignorou. Afinal, estava em vantagem num�rica. E, avan�ando a fazer gestos floreados com a espada, o intruso ainda demoraria um pouco para alcan�ar o centro da clareira. Pelo menos o suficiente para que o ladr�o conseguisse dar a �ltima palavra naquela discuss�o.

�Zhyra, lembra que � a tua honra em jogo�, disse, bloqueando com uma m�o a luminosidade e com a outra sustentando firme a balista em dire��o ao rosto do rec�m-chegado � n�o protegido pelo elmo. �N�o queres mesmo realizar um assalto dos bons, confrontando o bicho com bravura?�

�Nem qui a vaca tussa!�

Swiet silenciosamente considerou a resposta por alguns instantes.

�O mesmo se aplica a ele?�

No mesmo momento, o ch�o come�ou a vibrar. Uma revoada de corvos passou zunindo sobre as cabe�as dos quatro. Acompanhando-os, veio um estrondo ensurdecedor. Diversos animais, bestas, monstros e mesmo pessoas uniram-se por um momento com um �nico prop�sito - correr, para um local o mais distante poss�vel, longe daquele barulho horr�vel, medonho e malsonante. Muitas �rvores n�o ag�entaram o caos instant�neo e foram ao ch�o. O corcel de Heitor desembestou pela floresta, derrubando Zhyra na arrancada.


O dubniusiano sabia o que ocorrera, � claro. O Grande Cosmo lhe concedera uma b�n��o. A ral� fora castigada e ele estava livre. Sua felicidade era incomensur�vel. �Eu sabia que era verdade�, pensou, em �xtase. Todas aquelas hist�rias que a Ordem contava... Era maravilhoso. Quando voltasse, iria dedicar-se como nunca! Seria o melhor afiliado que a Ordem de Dubnius j� teve. Em gratid�o ao Grande Cosmo, n�o descansaria um segundo sequer. At� comporia um hino! Seus confrades ficariam t�o contentes quando ele lhes contasse tudo... T�o orgulhosos...


Essa vis�o dos fatos n�o condizia com a de Swiet. Correndo mais r�pido do que suas pernas permitiam e mais apavorado do que em qualquer outro momento de que se recordava, pensava �N�o � poss�vel! Ser� o rugido de f�ria daquele monstro? Aquela terr�vel fera ouviu meu coment�rio? Mas como? Ele estava t�o longe..�

Continuou a correr a toda velocidade por v�rias horas, at� vislumbrar a orla da floresta. �Nunca mais retornarei a Meliaceae. Deve haver um lugar melhor para mim. E eu o encontrarei! Nem que precise caminhar at� a terra dos r�quens.�


Parado no meio da clareira, o guerreiro de armadura espelhada contemplava o caos e a destrui��o � sua volta. �rvores tombadas, a grama arruinada e uma ladra pisoteada. Caminhou at� ela e checou a pulsa��o. Apesar de estar empapada em seu pr�prio sangue, ainda vivia. O homem aplicou-lhe digital - nova po��o desenvolvida por um grupo qu�mico orbisiense - e alguns curativos. Reclinou-a ao lado do tronco de um cedro, uma das poucas �rvores ainda em p�. �Afinal, sempre � bom ser cavalheiro, ainda que a dama em quest�o seja uma fora-da-lei�, considerava em seus pensamentos.

O barulho havia se dissipado ap�s os quase cinco minutos de loucura que causara na mata. O que era aquilo? Talvez devesse andar at� a fonte para descobrir... Mas n�o agora. Acabara de ter uma ilumina��o. Uma inspira��o simplesmente divina, sublime. Extraiu de sua sacola um pergaminho novo, uma pena, um tinteiro e uma t�bua de madeira, pondo-se a trabalhar num soneto, um dos melhores que j� compusera. Ah, como a folga estava lhe fazendo bem...


O n�cleo do tem�vel estrondo localizava-se a dois quil�metros e meio dali, num dos pontos mais altos do Planalto Setentriterrarum, no qual localizava-se a Floresta Temperada de Meliaceae. A partir de cerca de cem metros desse local, era poss�vel ouvir, gradativamente, alguns rugidos curtos de triunfo, um suave ressonar, um par de vozes a emitir risadas pueris e uma voz aguda e estridente, cujo dono tentava gracejar para ocultar sua irrita��o e asco:

�Suspende a feijoada que esse t� vivo!�
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