| Quarta-feira, Mar�o 31, 2004 MATEUS YURI RIBEIRO DA SILVA PASSOS Vida longa e pr�spera, unidade-carbono! Fus�o de Parentais chega � oitava parte. Ainda tem mais duas e n�o sei quando vou come�ar o Reparti��o. Quero fazer umas coisas mais curtas, primeiro. Continuar a tradu��o do conto do Pratchett com as bruxas de Lancre... P�r aqui a tradu��o do Vitrolas da Noite, tamb�m do Pratchett. hurm. Carpe Jugulum ALTERA��O Cap�tulo 1 - Fus�o de Parentais VIII Sem tempo ou paci�ncia para firmar o acampamento em outro local e temerosos de um vexame perante o convidado, Glennon e Walker, como bons anfitri�es, combinando seus conhecimentos m�gicos � cuja utilidade pr�tica naquele dia, ap�s amplo gasto durante o combate, estava para esgotar-se �, cobriram as tendas e suas cercanias com encantamentos filtradores de odor. Kilaro estava fora com os trolls: alegara a necessidade de resolver algum assunto e prometera encontr�-los depois para jantar � a localiza��o do ponto de encontro fora minuciosamente explanada por M�ctor. Brook Brook Jardel e Efraim �damo, enquanto o ar tornava-se respir�vel novamente, bebiam u�sque e riscavam com gravetos trechos de ch�o nu, produzindo formas aleat�rias. Ningu�m compreendia, ningu�m conseguia elaborar qualquer hip�tese plaus�vel para Guillard ter impedido a execu��o dos trolls � eram, afinal, criaturas selvagens, est�pidas e hostis, sendo os esp�cimes de Meliaceae a causa primeira de perdas para boa parte dos pecuaristas do sudeste olivar�s e sudoeste segoviano (por�m n�o do norte orbisiense, mais prevenido e, conseguinte, fortemente guarnecido). N�o se poderia cogitar compaix�o pelos animais, pois tais seres, como tanto outras centenas de bestas de toda Zemlya, h� muito eram classificados e tratados de maneira distinta dos animais normais, mesmo em R�clanda. Bem, os outros nem fizeram quest�o de suas peles, mesmo � chegaram a uma conclus�o e julgaram-nas duras, extremamente inadequadas para a confec��o de agasalhos. Independentemente da motiva��o de sua atitude, convidara-se o guerreiro para a janta: isso implicava num problema, pois a presen�a do minotauro afugentava todos os bichos silvestres. Ainda assim, decidiu-se ser mais adequado arriscar uma segunda ca�ada � do contr�rio, seriam todos obrigados a devorar suas provis�es de viagem ressecadas (eram apropriadas para as jornadas, por�m n�o seria de bom tom oferec�-las num banquete). �damo espontaneamente ofereceu-se para ficar de guarda junto ao corvo que muito o apreciava � o qual fora psicologicamente condicionado pelo dono a comportar-se durante sua aus�ncia. Por via das d�vidas, argumentou tamb�m com o trovador: �Edgard � muito educado, Efraim, voc� precisava s� ver como ele era bonzinho l� na minha terra. Voc�s precisam se conhecer melhor, eu garanto que, depois disso, ser�o bons amigos.� A fada ignorou a express�o mal fingida de conformidade do bardo e voou para junto dos outros tr�s, a fim de dar in�cio � busca � logo escureceria, era melhor n�o se demorarem muito. At� levaria Edgard consigo, por�m temia por sua vida � o p�ssaro n�o fora gerado pela natureza, mas por um ritual m�gico: era um ser artificial, manipulado pelo tanfo. Havia entre os dois fortes la�os telep�ticos. Caso o construto batesse as botas, o trauma ps�quico sofrido pelo criador seria terr�vel, como se lhe abrissem o cr�nio com um estilete cego. Esvoa�ando ao largo de uns bordos, Dean estava � vanguarda � atr�s vinham Jardel e Walker e, por �ltimo, protegendo a retaguarda da equipe e ainda desejoso de encontrar algo para surrar (n�o muito grande, de prefer�ncia), vinha M�ctor. Quando nada restava do Sol no c�u, com exce��o de uma bela tonalidade laranja luminosa, manchando quase metade do firmamento, como uma aquarela composta por um artista particularmente inspirado, o b�rbaro r�quen parou. Encarado pelos demais � acostumados o suficiente ao som do caminhar conjunto para notar a sua falta �, p�s sobre os l�bios o dedo indicador erguido e apontou para a copa de uma arauc�ria � pouco idosa, pois apresentava a folhagem ainda a meio caminho da suspens�o completa peculiar da �rvore. Sobre os ramos do vegetal, entreolhavam-se duas aves de bom tamanho e relativamente bem-nutridas, a penugem da cor do entardecer, a cabe�a de uma adornada com uma crista amarelo-azulado, a qual serpenteava � semelhan�a de uma chama. Ignoravam a natureza da esp�cie, mas n�o fazia diferen�a � era comida, nada mais importava. �S�o galinha?� �Galinhas, a essa altura do ch�o? N�o, devem ser fais�es!� �Hum... Fais�o e galinha n�o se parecem muito, Dean. Acho que estas s�o grandes demais para pertencer a qualquer uma das duas esp�cies.� A fada examinou cuidadosamente as dimens�es do local: a dist�ncia deles at� a �rvore, entre o solo e o galho e a altura dos p�ssaros, calculando a seguir o comprimento de uma reta imagin�ria entre si � a quatro metros da terra firme � e as futuras presas. Por fim, decidiu n�o fazer nada. O mais silente poss�vel para um segoviano, M�ctor rosnou: �C�is p�di dex� cumigo. Derrubo us passarinho numa paulada s�!� �Nem pensar!�, censuraram simultaneamente Walker e Dean, sussurrando nervosos. �Voc� � um desastrado, vai espant�-los antes de os atingir�, argumentou o primeiro. �E, mesmo se os alcan�asse, trituraria seus ossos com essa marreta e engasgar�amos quando estiv�ssemos comendo. J� aconteceu, voc� sabe. Acho que morri demais, por hoje�, completou o segundo. Aborrecido e ofendido � ainda desentalaria aquele �desastrado� da garganta �, o minotauro replicou: �I c�is v�o faz� u qu�, int�o? Seus fr�xo!� �Podemos, Dean e eu, derrub�-los com magia! At� adiantaria um pouco o cozimento.� �Boa sugest�o, estou de acordo! � pra j�!� �Nem ferrano!�, protestou M�ctor, erguendo a voz como se fosse uma caneca de cerveja e brandindo a enorme marreta na dire��o dos companheiros. �A carne fica uma merda. Um gosto horr�vel!� �Dois contra um: voc� � voto vencido, meu caro!�, disse Dean, flutuando at� a altura do rosto bovino do confrade e cutucando-lhe o focinho com o indicador esquerdo, enquanto na outra m�o segurava o cajado numa pose que considerava bastante imponente. �Tem mais u Bruque pra vot�! N�?�, treplicou o segoviano, sentindo um vazio na alma ao dar-se conta da aus�ncia do b�rbaro. Dean e Walker tamb�m a notaram e rapidamente perscrutaram com os olhos os arredores � como poderia ter sumido t�o rapidamente, se h� poucos segundos estava com eles? Viram ent�o, caminhando de volta a eles, uma pequena figura r�ptil de anatomia human�ide, pouco menos de um metro de altura, arrastando pelo solo, mortos, os dois p�ssaros inc�gnitos: um kobold. Jardel, durante suas andan�as por Lech ap�s perder-se de sua tribo, foi feito prisioneiro por uma caravana a servi�o do visconde de Lockey, senhor de um extenso feudo repleto de fausto � pelo menos quando comparado �s demais propriedades da regi�o: possu�a belas tape�arias e �leos originais de famosos orbisienses. Os homens do visconde acorrentaram o r�quen e puseram-no para trabalhar nos est�bulos, cuidando dos cavalos e nutrindo-se de sua comida. Os eq�inos e seus donos constitu�am os �nicos seres viventes com quem residia durante esse per�odo no c�rcere � a solid�o for�ou o b�rbaro a falar com os colegas de cela. Seus mon�logos logo foram captados, atrav�s das paredes, por ouvidos demasiado apurados � a audi��o de uma tribo de kobolds, tamb�m escrava (trabalhavam com porcos e galinhas). Os quase trinta r�pteis � racionais, mas intelectualmente limitados � travaram conversa��o com o homem e, com isso, iniciou-se sua amizade � falavam o requen�s com flu�ncia e desenvoltura. Durante o dia, interrompiam diversas vezes seu trabalho para trocar id�ias com aquele que partilhava de sua condi��o. Um deles, casualmente, teve um lampejo de curiosidade e, com a ajuda de algumas ferramentas, fendeu parte da parede de madeira do chiqueiro, vizinho da resid�ncia dos corc�is, para observar o novo amigo: logo o buraco tornou-se fonte de rico entretenimento para as criaturas e Jardel, tamb�m divertido com a apar�ncia delas. Depois de algumas semanas, um dos kobolds o viu trabalhar e percebeu o quanto era forte. Confabulou com os companheiros e todos viram no b�rbaro uma garantia de fuga. Passaram a promover excurs�es noturnas � despensa do visconde e contrabandear carne e citros para Brook, tamb�m de acordo com uma s�bita rebeli�o � n�o tinham muita dificuldade em transitar pelo castelo principal, uma vez que n�o eram levados a s�rio pelos vigias. Conseguiram tamb�m se apossar de algumas armas � inclusive de um machado de duplo gume e uma balista de repeti��o (equipada com um cartucho de dardos, possibilitando o disparo seguido de v�rios proj�teis antes de ser necess�ria a recarga), os quais couberam ao r�quen e seu confrade curioso, por ele batizado como Boga Boga Diney. N�o foi preciso haver grande espera, pois nos dias seguintes o feudo sofreu a invas�o do ex�rcito do conde de Juazeiro � aparentemente, Lockey pagava mal os tributos devidos ao suserano e estava em tempo de receber uma advert�ncia. Ouvindo o estrondo da batalha, os kobolds abriram uma passagem maior nas paredes do est�bulo e correram com o r�quen � com o machado quebraram-lhe os grilh�es. Poucos guardas do visconde notaram ou se importaram com a perda dos escravos � havia outras preocupa��es no momento � por�m alguns teimaram em roubar-lhes a vida: para salvar seus pequenos camaradas, o r�quen sujeitou-se �s mais diversas e afiadas l�minas. Conseguiram escapar e uniram-se ao restante da tribo, residente nas cercanias das terras do visconde de Lockey. Preocupavam-se muito com o estado do b�rbaro: hemorragia abundante. Parecia n�o lhe restarem muitas horas de exist�ncia. Um dos r�pteis, o qual recebera treinamento xam�, lhe ofereceu uma chance de salva��o � era preciso, por�m, o sacrif�cio de um dos seus. Boga Boga foi prontamente volunt�rio para o ritual da cura. Para a transfer�ncia da vitalidade de um para o outro, o feiticeiro uniu os corpos de ambos, kobold e homem, a partir daquele momento um �nico ser � n�o houve, no entanto, hibrida��o: Brook poderia manter sua forma humana e assumir a forma de Diney quando bem quisesse. Curiosamente, isso afetou tamb�m suas armas, no momento da fus�o: quando Jardel se transformasse em kobold, seu machado se tornaria a balista. Assim, andava rumo a seus correligion�rios como Boga Boga Diney, cujo corpo era bem mais h�bil no ataque � dist�ncia � executou a metamorfose enquanto o restante discutia. Seus proj�teis precisos derrubaram logo as galinhas-fais�es desavisadas � j� pareciam, ali�s, um bocado abatidas. Retornaram ao acampamento em sil�ncio, como se comparecessem a um enterro � a interven��o do r�quen abalara sua atmosfera jovial de discuss�o amistosa, tirara a emo��o da ca�ada. M�ctor aproveitou a caminhada para depenar as estranhas aves. Com certeza renderiam um banquete � cada uma era maior e mais bem-alimentada do que Dean. O minotauro pensara em degustar a fada quando a viu pela primeira vez, por�m logo afastou a id�ia dos chifres: era um tanfo demasiado mirrado. Uma fogueira ardia alta e a noite j� ca�ra e se esparramara ao atingirem os arredores das barracas. Os dois magos suspiraram, desanimados. Normalmente, competiriam na rapidez para acender o fogo. �damo afinava seu ala�de como a mais coruja das m�es alimenta sua prole. Barbeara-se e trajava as roupas verde-musgo da Corte de Kauanerairema. �O que � isso, alteza? Parece at� que vai casar!�, comentou Walker, um pouco ressentido do luxo do tecido estrangeiro ser quase compar�vel ao utilizado pela Fam�lia Real de R�clanda. �N�s j� estarr perrto de nossa destino, i�? Ent�o, non serr bom andarr com as trrajes de viagem. Al�m disso, seu amiga non me darr muita crr�dito quando eu rrevelarr meu nobrreza. Este serr um bom prrova, eu acharr.� �Sei.� �A g�nti trouxe galinha pra janta�, comentou M�ctor, enquanto a temperava os animais com a assist�ncia de Jardel. �Fais�es!�, teimou Dean ao longe. �Galinha ou fais�o? As duas n�o se parrecerr muito.� �Qui merda! �ssu tem gosto di queimado!� O minotauro furtivamente arrancara um peda�o do peito de uma das aves para abrir o apetite � sua face contorcia-se de puro desgosto. �Talvez fique tastier depois de assar�, disse o r�quen, tentando animar a si pr�prio ap�s um coment�rio t�o enf�tico enunciado por um minotauro famoso por suas pouco exigentes prefer�ncias gastron�micas. Dean e Walker providenciaram uma grelha com gravetos, enquanto o bardo tirava uma sonata. Pouco tempo depois de os p�ssaros serem colocados sobre a fogueira, como se atra�das pela promessa de comida ou emo��es fortes, as poucas chamas avan�aram por entre a madeira � magicamente tratada para n�o se incandescer � e, ao tocar as aves, estas entraram em r�pida combust�o, espalhando suas cinzas pelo n�cleo do fogar�u. As flamas subiram at� dez metros de altura � variavam rapidamente suas cores, passando do vermelho vivaz ao anil moribundo, como se a aurora do dia se realizasse concentrada ali, num minuto. Brook Brook testemunhou a cena, desolado: �Damn! Isso seria um paladar!� M�ctor tentou anim�-lo: �B�o, a gente inda tem uma coisa... As provis�o de viage!� �Maaaaaaaaaaravilha, M�ctor. Carne vencida cheia de sal. � tudo o que eu sempre quis.� Brook Brook Jardel criado por Jo�o Pedro Amaral Ramos Augusto Dean Kilaro Guillard criados por Miguel Nakajima Marques M�ctor criado por T�lio Vieira de Paiva |
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