Sexta-feira, Mar�o 26, 2004

MATEUS YURI RIBEIRO DA SILVA PASSOS

Vida longa e pr�spera, unidade-carbono!

A s�tima parte de Fus�o de Parentais!!!
Ali�s, terminei o Fus�o... S�o dez partes, gigantescas a partir da sexta (como viram)... A d�cima, no entanto, � tit�nica: ocupou seis p�ginas de Word!!! Espero que esteja legal, pelo menos.

Carpe Jugulum

ALTERA��O

Cap�tulo 1 - Fus�o de Parentais


        VII

Um a um os trolls, cada qual sustentando sobre as pernas troncudas setecentos quilos de for�a bruta marrom-esverdeada, ergueram-se e apanharam suas clavas, preparando-se para a saborosa revanche � com uma exce��o, ainda repousante na forma de um amontoado de pe�as carnudas espalhadas pelo solo, como os bonecos de um moleque hiper-ativo movido pela curiosidade.

Dgbrt, o chefe do bando � a quem fora, por consenso geral, concedida a honra de eliminar a fada irritante, a qual descobrira-os almo�ando um ladr�o magrelo recheado com esquilos e tivera a presen�a de esp�rito de convocar os aliados e causar-lhes todo aquele transtorno � ainda custaria a regenerar-se por completo. Estava agora reduzido a uma po�a desmembrada, como uma �rvore podada, v�tima da imprud�ncia do infeliz barbudo.

Zlmr acabaria com ele no mesmo instante, se pudesse v�-lo: os �nicos antagonistas que conseguia divisar eram o encapuzado e o esfarrapado � o qual gesticulava e gritava, chamando os companheiros. Que viessem! Ela e seus amigos poderiam dar conta deles, se aproveitassem a oportunidade para excluir da for�a de combate quase metade de seus componentes antes da chegada dos demais � o mendigo, ali�s, parecia dotado de poderes de cura (fora o culpado pela volta da miser�vel criatura alada), assim era deveras estrat�gico mat�-lo primeiro. As coisas poderiam se complicar quando aparecessem os restantes, em especial o chifrud�o, mas era poss�vel derrub�-lo, se fosse encurralado.

Suspirou, enquanto avan�ava com os outros quatro, rumo ao futuro jantar � ou n�o? A experi�ncia luminosa do quase falecimento, combinada � maior zanga sentida em toda a sua vida, �s bordoadas carniceiras do minotauro � cuja marreta conseguiu manter em seu poder por algum tempo � e a todo aquele sangue, toda aquela magia, todas as provoca��es da fada, tudo aquilo estava fazendo-a perder o gosto pela carne. Pelo Alt�ssimo, era capaz de tornar-se vegetariana! A id�ia desapareceu de sua mente como sal na �gua, deixando para tr�s um tra�o de odor canibal.

Atacaram. Dois trolls cobriram de pauladas o homem maltrapilho � uma pena, pois tocava muito bem e sua pron�ncia do arkalyn era impec�vel � e teriam feito o mesmo ao mago, se este n�o escapasse por via a�rea, com a rapidez de uma jib�ia ao dar o bote em sua presa � embora, naquele caso, a situa��o estivesse mais pr�xima do inverso. Covarde!

�Melhor assim�, refletiu Zlmr, olhando para cima, na dire��o de um cedro em cujos galhos aninhava-se o valoroso combatente. �Um a menos�.

Estranhamente, ao contr�rio da maioria dos desertores, a figura contemplava os seres abaixo. Com interesse. A criatura s� percebeu o que estava prestes a ocorrer quando foi pega de lado por dois volumes pontiagudos perfurando-lhes a carne e atirando-a na dire��o de seu compadre Hrmngld, acabando por derrub�-lo consigo para dentro de uma clareira.

O terror experimentado � chegada de M�ctor � o qual, bufando, correu com a marreta e atingiu outro dos monstros, este paralisado pela surpresa � s� n�o se equiparou ao que percorreu a espinha de cada troll presente � chegada de um clar�o ofuscante � o brilho mortal do aike, um dem�nio de fogo de baixo grau hier�rquico, por�m possante o suficiente para botar medo naquelas criaturas normalmente superconfiantes. Ao v�-lo, o quinteto come�ou a recuar. Efraim, ensang�entado, ao ver-se livre dos agressores, assobiou s�frego e conjurou magias de cura para restaurar-se.

�Ah, agora voc�s correm longe?�, esbravejou o homem barbudo, juntando-se aos aliados e brandindo o machado acusadoramente na dire��o dos inimigos, cada �r� arrastando-se com a l�ngua pelo c�u da boca. Brook Brook Jardel, ao chegar � civiliza��o, conhecia apenas a linguagem r�quen, impedindo sua comunica��o com  a maior parte das pessoas � andava a esmo e sentia-se exclu�do, como um pombo perdido em meio a uma mata povoada por papagaios. Com dificuldade conseguiu arranjar emprego junto a um pecuarista e por um longo ano cuidou da tropa eq�ina do patr�o � at� conhecer alguns dos atuais correligion�rios. Sentindo a defici�ncia do b�rbaro, Walker decidiu ministrar-lhe um de seus experimentos, o Encantamento da Tradu��o � de forma inconsciente, Jardel optou pelo olivar�s e passou a compreender praticamente toda fala nesse idioma, embora houvesse falhas na adapta��o mental de suas pr�prias ora��es, as quais por vezes soavam inintelig�veis.

Sentindo a vantagem concedida pela hesita��o dos advers�rios � e satisfeito pela interrup��o de sua contenda com M�ctor antes de qualquer um dos dois se ferir �, Dean, na forma de aike, expeliu pelas m�os um jato de chamas, envolvendo um dos trolls da clareira. A besta come�ou a urrar. Dessa vez n�o era como antes � os monstros pareciam realmente apavorados, tanto que, ap�s a transforma��o de seu companheiro em fogueira ambulante, j� n�o se moviam: notava-se a forma��o de po�as de urina sob cada um deles..

William Walker, da copa da �rvore, observou com estranhamento a cena: normalmente, os jatos de fogo dispersavam-se rapidamente: por que esse se impregnara sobre o alvo? Meditou rapidamente, vasculhando sua biblioteca neural � talvez as magias demon�acas possu�ssem propriedades distintas das arcanas, ou... N�o. Agora se lembrava.


Quase se afogando em contentamento por seu s�bito brilhantismo, berrou para baixo:

�Dean, os trolls s�o inflam�veis! Eles n�o conseguem regenerar as queimaduras!�

Quase suspirando, M�ctor olhou para cima e, com toda a for�a dos avantajados pulm�es, bradou:

�Anta! Agora qui c� fala?�

Naquele instante, todos haviam se reunido na clareira: o minotauro, Jardel, Dean e �damo procuravam cercar os monstrengos aterrorizados. Antes, por�m, de a fada aproveitar-se do momento psicol�gico para incinerar outro dos bich�es, encandearam-se os olhos de todos com a entrada de um homem trajando armadura met�lica completa � a superf�cie era espelhada e refletia em �ngulos indecentes os poderosos raios solares.

�William!�, gritou o guerreiro, na dire��o das copas das �rvores circundantes, �Apague aquele troll!�, vociferou, acrescentando cautelosamente �O fogo, quero dizer�. Assim como ocorria com Walker, a pron�ncia do �r� final deveria ser subentendida pelo receptor.

O mago n�o reconheceu de imediato a voz, mas com certeza j� a ouvira em algum lugar � logo, por via das d�vidas, conjurou seu �ltimo feiti�o de �gua concentrada sobre a tocha angustiada. Os outros quatro exibiam nas faces uma express�o combinada � intrigada e inquiridora, alternando olhares para o rec�m-chegado e o r�cland�s � o qual, como se para poupar o esfor�o dos pesco�os dos confrades, desceu planando at� o gramado da mata aberta.

O homem da armadura tentava acalmar os trolls. Deu de beber ao abrasado um frasco de vidro com um l�quido amarelo-claro e entregou-lhe tamb�m um pote de barro.

�Pe�a a algu�m para passar isto em sua pele. Garanto que vai sentir-se muito melhor.�

As criaturas fitavam-no espantadas, por�m davam a impress�o de confiar nele � afinal, era sua �nica alternativa � morte certa. A sexta delas, Dgbrt, j� recuperado do desmembramento, avan�ava capengando para dentro do claro, abismado. O estranho amansou-o, igualmente:

�Fique calmo, senhor. Tenho certeza de que tudo vai estar se explicando se tivermos uma chance para conversar. S� � preciso um pouco de tempo.�

O troll assentiu e juntou-se aos demais, recostando-se em �rvores grossas, � espera de sua libera��o � o minotauro lhe dirigia um olhar atravessado.

�Amigo seu?�, a fera inquiriu enquanto Walker se aproximava.

�N�o tenho certeza. Voc� �...?�, indagou o mago ao referido. O homem pareceu admirado, por alguma raz�o. Ficou um longo tempo pensando e, por fim, respondeu:

�Que esquisito. Estava pensando que aquele era voc�, disse, apontando o aike, �mas, pelo visto, enganei-me. Ainda n�o deve estar atingindo gradua��o necess�ria para tanto. Ele � mago, tamb�m?�

�Sim�, rebateu Walker rispidamente, n�o pouco irritado. �Mas poderemos tratar de nossas apresenta��es depois que fizer a sua, n�o?�

O guerreiro deu de ombros. Retirou o elmo refletor da cabe�a. Uma onda de compreens�o invadiu seu conhecido.

�Sou Guillard. Lembra-se?�

�Meu patr�cio!�, exclamou William.

�Kiro!�, exclamou Jardel, desfazendo a pose sisuda. Avan�ou e cumprimentou Guillard calorosamente.

�Seu, tam�m?�, suspirou M�ctor, desdenhoso. As amizades do b�rbaro, em geral, eram muito malquistas pelos camaradas.

�Perdoe-me por n�o t�-lo recognizado, Kilaro.�, pediu Walker, apertando a m�o do homem e ignorando �damo � a dizer �Rreconhecerr� para corrigi-lo. Virou-se para a patota: �Este � Kilaro Guillard III, filho de nobres r�clandeses. Ele andava comigo, com o Brook e os outros, muito antes da nossa pequena secess�o.�

�Secess�o?� Kilaro espantou-se como se visse alguma assombra��o. �Houve alguma contenda com os outros?�

�N�s explicaremos depois, caro amigo. Agora � melhor conhecer nossos companheiros atuais: Dean...�, disse, meneando a cabe�a para o colega incandescente. Este retornou � forma natural, voou com leveza at� o guerreiro e estendeu o bra�o direito.

�Dean Glennon Krisonis, tanfo da Mata dos Caboclos, a seu dispor, novo confrade�

Guillard novamente surpreendeu-se: a despeito de sua cria��o nas Ilhas R�quens, sabia que a mata era um bocado distante de Meliaceae. A fada devia viajar bastante para sua esp�cie, normalmente sedent�ria. Tomou sua m�o e beijou-a:

�Encantado, senhorita.�

�Sou homem, idiota!�, guinchou Dean, limpando o membro na roupa, morto de nojo.

�H�... Perdoe-me, amigo.�

Efraim tentou limpar as m�os � sujas ainda com a terra em que M�ctor o atirara �, por�m a tentativa s� serviu para emporcalh�-las mais. De qualquer modo, apresentou-se com uma estranha sauda��o, batendo-as em frente � testa, para em seguida percuti-las rapidamente sobre os ombros de Kiro:

�Iossef Efrraim �damo, prr�ncipe de Kauanerrairrema e menestrrel.�

Pr�ncipe? Naqueles trajes esfarrapados? Era bem dif�cil de acreditar. Nunca ouvira falar num reino com aquele nome, ali�s � isso n�o significava muito, na verdade, pois em R�clanda atribu�a-se pouca import�ncia ao conhecimento de outras na��es, exceto quando se pretendia atac�-las. Parecia uma palavra silv�cola, se bem que o homem falava com um sotaque realmente muito estranho. Talvez n�o fosse bom deixar-se levar pelas apar�ncias � afinal, muitos nobres agiam de forma exc�ntrica, era poss�vel os farrapos serem moda em Kauanerairema.

Por �ltimo, o minotauro estendeu juntos os dedos m�dio e indicador, os quais Kilaro apertou com a m�o se fossem outra. O ser gigante disse, simplesmente:

�Mi chamo M�ctor. C� num vai bej� minha m�o, n�?�

�Prometo que estou tentando resistir � tenta��o�, respondeu Guillard, bonach�o.

O rec�m-chegado virou-se para Walker e Jardel novamente.

�E onde est�o os outros? O padre W�rchnen, Ohdin, Iguion, Nala?�

O b�rbaro fixou o olhar no ch�o, com tristeza. O mago ficou tenso, como se fosse discursar para centenas de pessoas, pigarreou, bateu com o punho fechado na boca e, por fim, falou:

�Bom, exceto por Nala, o resto foi-se embora com outro ex-camarada nosso...�

�Por qu�?� Guillard ficara chocado. Todos pareciam se dar t�o bem, antes.

�Foi um caso complicado, certo? Dean... Dean tentou matar esse nosso outro amigo�, disse, acrescentando rapidamente, diante da express�o horrorizada do outro: �Mas foi um engano, veja bem, ele at� tentou se explicar, mas o cara n�o quis entender... e os outros decidiram acompanh�-lo.�

Kilaro Guillard suspirou. Era triste ver os correligion�rios brigando, assim. Antes de lan�ar outra pergunta, deteve-se. Teria muito tempo para entrar nos pormenores do ocorrido posteriormente. Agora, era preciso resolver a situa��o com os trolls. Pediu licen�a aos companheiros e dirigiu-se ao sexteto, cujos integrantes ostentavam esperan�a nos olhos.

Quando o guerreiro afastou-se, Brook Brook cutucou William, magoado.

�You bastard, voc�s nunca me conta nada! Me falou que o Maximus tinha feito as pazes com Dean.�

�Brook, n�o � boa hora para falar disso...�

�Eu sempre achei que a briga foi por culpa do...�, insistiu o r�quen, interrompendo-se perante a careta de censura do mago.

�Tem raz�o, mas n�o comente mais nada sobre isso. N�o � bom que ele saiba.�, disse, apontando discretamente para Kilaro, que no momento fazia a seguinte proposi��o aos monstros:

�Senhores, tenho um contrato a oferecer e agora vou estar apresentando-o a voc�s.�

Brook Brook Jardel criado por Jo�o Pedro Amaral Ramos Augusto
Dean Kilaro Guillard criados por Miguel Nakajima Marques
M�ctor criado por T�lio Vieira de Paiva
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