| Sexta-feira, Mar�o 19, 2004 MATEUS YURI RIBEIRO DA SILVA PASSOS Vida longa e pr�spera, unidade-carbono! Finalmente pude postar a parte seis de Fus�o de Parentais. Fiquei sem computador durante a semana, por culpa de falha no Norton Antivirus e da invas�o de centenas de programas espi�es. Agora s�o apresentados os dois seres que sa�ram das �rvores no fim da parte cinco e grande parte da luta de desenrola. Espero que goste - e comente, mesmo que seja para xingar e dizer que n�o entendeu nada! Carpe Jugulum ALTERA��O Cap�tulo 1 - Fus�o de Parentais VI At� mesmo para os cidad�os desocupados, incapazes de se adequarem a um of�cio decente � optando por ganhar o p�o pilhando bel�ssimas fortalezas abandonadas, destronando d�spotas inocentes e eliminando monstros indefesos �, at� mesmo para esses, existia a consci�ncia da necessidade de executar uma fuga em determinados momentos-chave � por exemplo, quando seu maior trunfo em combate � abatido por criaturas totalmente desprovidas de qualquer senso de humor e esp�rito esportivo. Dessa forma, no instante em que um troll furioso, repleto de vexame e com a auto-estima seriamente abalada, assim como sua imagem perante os demais, abriu com as garras um belo talho no t�rax da fada Dean Glennon Krisonis � como se fossem facas a atravessar uma barra de manteiga amolecida �, Brook Brook Jardel, b�rbaro de uma tribo r�quen de Lech, e o mago William Walker � humanos os quais compartilhavam uma mesma origem �tnica, embora houvessem vindo ao mundo em localidades diferentes � decidiram estar em boa hora para uma retirada estrat�gica � afinal, os feiti�os de Walker n�o poderiam ser executados eternamente (o mana, nome arbitrariamente dado pelos arcanos � hipot�tica energia m�stica constitutora e sustentadora da magia, era finito) e tampouco a vitalidade e o vigor de Jardel durariam muito (seu confrade e semi-compatr�cio, semelhante aos outros magos iniciantes, �vidos de poder, escolhera para seu aprendizado apenas encantamentos de ataque direto ou prote��o pr�pria, desprezando os caminhos da cura) � e zarparam floresta adentro, sem se esquecerem de, altruisticamente, atrair a aten��o dos cinco trolls, para n�o que deixassem Dean ainda mais dilacerado. O mago ajudou Brook Brook, tirando-o do ch�o antes de ser alcan�ado pelos seres pouco bem-humorados, num rasante de fazer inveja �s mais bem treinadas �guias � o dom do v�o ilimitado fora uma das poucas vantagens da desfigura��o sofrida durante os estudos. Talvez esse n�o fosse o termo adequado, por�m constitu�a sem d�vida o mais aproximado ao resultado emp�rico do acidente, ocorrido durante seu terceiro semestre de gradua��o em Ci�ncias da Magia � cursada na Universidade Estadual de Lostbride, no cora��o de R�clanda, (Hawkland, sua terra natal, anteriormente chamada de Req ou Ilhas R�quens) � quando, numa tentativa de eliminar algumas disciplinas para obter o bacharelado dois anos antes do tempo padr�o de cinco, submetera-se a diversos exames de sufici�ncia, para os quais estudou por conta pr�pria � possu�a um dom para o autodidatismo e cria sem ressalvas em seu sucesso �, requerendo muitas horas de prepara��o. Parecia-lhe l�gico p�r o repouso em segundo plano � em conseq��ncia, estava a dormir apenas tr�s das vinte e sete horas di�rias, o que lhe rendeu um primoroso estado f�sico-mental para as provas: cumpriu-as descansado, desperto, ativo e animado. Inacreditavelmente, durante a execu��o de um feiti�o simples para alterar sua pr�pria apar�ncia, seu corpo tremeu, sentiu forte calor e entrou em convuls�es, como se atingido por um rel�mpago. Ao despertar, Walker notou a perda de pigmentos nos p�los � os quais tornaram-se alvos como a pele de um elfo nobre ou catedr�tico � e total aus�ncia de opacidade na derme, permitindo assim ao privilegiado observador a agrad�vel vis�o de vasos, cartilagens e m�sculos fl�cidos cor de carmim (produtos de uma vida ociosa e intelectual). Se n�o fosse o seu tio-av� ocupante da cadeira da reitoria, os diretores do curso o teriam jubilado por seu descaso com o bem-estar dos docentes e discentes presentes � ocasi�o � se n�o o fizeram, no entanto, em respeito ao estimado confrade e superior, ao menos deixaram a cargo do aprendiz encontrar a cura para seu estado, durante os tr�s meses de recesso escolar (tarefa que cumpria j� h� dois anos). Pessoalmente, n�o fazia muito caso da altera��o morfol�gica, pois todas as suas fun��es biol�gicas permaneceram estabilizadas e, sinceramente, pouco ligava para quest�es est�ticas � afinal, n�o somos todos bonitos por dentro? Contudo, as pessoas ao seu redor � mesmo os an�es, orcs e gamer�deos � sentiam-se pouco � vontade ao permanecerem em sua presen�a por muito tempo, atitude que poderia vir a lhe constituir um grande inconveniente no futuro. Felizmente, o longo manto escondia de olhos nada compreensivos suas belas fei��es. Ap�s a retirada de Jardel do alcance dos trolls, o mago pousou-o sobre um eucalipto gigante, onde o r�quen sustentou-se com firmeza e p�de saltar para outras �rvores � sem a leveza, mas com a precis�o de um sag�i �, atr�s do confrade que seguia por linhas a�reas na dire��o do rio Capivari � do qual os inquilinos de toda Meliaceae serviam-se para matar a sede. De quando em quando, Brook Brook arremessava frutas, flechas, pequenas adagas � levemente umedecidas, a exalar fragr�ncias curiosas como as de col�nias de hifas desenvolvidas no lombo dos drag�es mortos � estranhas sacolas de couro � as quais, ao serem lan�adas ao ar, produziam um tinido suavemente met�lico � e outras tranqueiras encontradas ao longo do percurso. Atirava-as sobre os perseguidores, com o intuito de provoc�-los � evitando com isso sua perda de interesse na ca�ada. A corrida pareceu durar uma eternidade � s� interrompeu-se incidentalmente � inopinada meia-volta dos monstros, atra�dos por uma bulha pr�xima ao local onde fora abandonado o corpo de Dean. Jardel e Walker demoraram alguns minutos para perceberem a aus�ncia das criaturas, por�m dispararam em seu encal�o de imediato. Assim, ao completarem o retorno, encontraram M�ctor ca�do, a pele aberta por golpes desferidos por sua pr�pria marreta, empunhada por um inimigo, e �damo observando a cena com ar aparvalhado. Dois trolls im�veis encontravam-se junto ao minotauro com mais outro, desacordado. Havia uma segunda dupla, mais afastada, na qual um dos seres encontrava-se paralisado, enquanto o outro se movia freneticamente � cata de um ente invis�vel, que disparava setas contra ambos. O panorama fez William sentir uma pontada de quase remorso � o atirador devia ser a fada, de sa�de restabelecida. Era culpa do r�cland�s a r�pida queda de Glennon durante o primeiro combate: considerava injusto o uso da invisibilidade � principalmente por suas habilidades taumat�rgicas ainda n�o serem suficientes para produzi-la tamb�m. Portanto, ap�s lan�ar alguns disparates ao amigo, este decidiu enfrentar as bestas de peito aberto � n�o durou muito. Para ajud�-lo � e assim aliviar a consci�ncia �, Walker sobrevoou o monstro imobilizado e, quando ele recuperou os movimentos, atingiu-o com uma rajada de �gua concentrada, magicamente produzida em suas m�os. Seu alvo cambaleou, resmungou algo inintelig�vel e procurou pelo ch�o algum bom proj�til em potencial, enquanto se esquivava de uma segunda salva do fluido. Ao perceber a chegada de seus companheiros, o destemido Iossef Efraim �damo disparou as pernas na dire��o de M�ctor e seus novos amigos. Parou a uma dist�ncia suficientemente boa para atirar � e fugir, em caso de emerg�ncia. Ap�s sacar seu arco, cravou algumas setas no troll que tentava erguer-se do ch�o. Brook Brook Jardel atacou com seu machado de dois gumes outro dos monstrengos pr�ximos ao minotauro, deixando para ele a divers�o de arrancar sua pr�pria arma das m�os do advers�rio. O r�quen n�o temia um combate corpo-a-corpo com um troll � sua cria��o o ensinara a enfrentar coisas piores �, por�m n�o nutria o mesmo gosto de seus compatriotas pela morta dos inimigos, raz�o pela qual fora esquecido pela tribo durante sua passagem por Drapiera, a terra da porcelana, ao parar para admirar algumas pe�as. Nos primeiros tempos passados com os atuais camaradas, sua hesita��o em matar foi mal-interpretada como fraqueza, incapacidade � todavia, o engano se desfez quando foram atacados por uma gangue de duendes (tamb�m conhecidos como goblins, eram criaturas human�ides de apar�ncia anf�bia � assim como o cheiro). Ainda n�o haviam conhecido M�ctor ou Dean, portanto o principal exterminador era Jardel � o qual, em momentos de necessidade sabia agir com a selvageria de seus ancestrais: abria rasgos profundos, arrancava membros e cortava cabe�as como poucos de sua estirpe, habilidade esquecida na terra de seus ancestrais, as Ilhas R�quens. O Reino de R�clanda estava, a exemplo dos demais, preocupado com territ�rios e formalidades f�teis, tais como o vestir-se bem e a pontualidade � sobretudo � hora do ch�. O b�rbaro investia contra seu troll com mais do que o puro instinto de sobreviv�ncia � havia f�ria no combate, pois Brook reconhecia seu atual inimigo como o mais recente assassino da fada. Se algo o incomodava al�m da conta, sobrepondo-se � sua inusitada �ndole pac�fica, era a amea�a � vida de seus correligion�rios, mesmo quando causada por eles pr�prios. Jardel atingia violentamente a pele do monstro � uma verdadeira �gide em sua resist�ncia � e arrancava grandes lascas daquela carne maci�a e seca, derramando um sangue viscoso como mel, com alto grau de coagula��o. A criatura parecia encher-se de pavor com a vis�o do machado, um medo irracional, ancestral, como se aquilo houvesse matado seus pais, ou talvez seus av�s. Dean sentia a falta de seu corvo Edgard, por�m compreendia sua aus�ncia: mais esperta do que os confrades do dono, a ave provavelmente ficara de olho no acampamento, enquanto seus ocupantes partiam para ajudar na batalha. A fada suspirou. Sua recente morte bloqueara-lhe um pouco a criatividade � tudo o que fazia era disparar setas contra seus inimigos, n�o fazendo grande estrago. N�o se importava. Agora estavam lutando em igualdade num�rica e logo algu�m derrubaria de vez algum bich�o e destruiria tamb�m seu alvo. Brevemente seguiriam viagem e o maior de todos os seus desejos seria, enfim, realizado. Numa s�bita ilumina��o, come�ou o ritual de um bom feiti�o: ap�s dan�ar brevemente, murmurando �Rhasco od menfomarti, jamevel-on�, come�aram a cair, como granulados sobre um brigadeiro, pedras do c�u sobre o corpo do desafeto. Para M�ctor, o pasodoble havia se desvanecido � restava apenas uma mar� cinzenta de f�ria a lhe invadir e nublar a vis�o. Era grande a vergonha experimentada por cada c�lula de seus tecidos � esquecera-se da causa, �damo, dos outros trolls, de Dean e nem mesmo percebera a chegada dos outros amigos. S� lhe interessava dar cabo da vida do ladr�o de marretas, �nico ser para quem tinha olhos � e chifres. Passada a paralisia, levantou-se do ch�o com dificuldade, procurando esquivar-se de cada marretada lan�ada contra si. O advers�rio tremeu nas bases ao notar a c�lera do minotauro e por pouco n�o se arrependeu de roubar-lhe o trunfo � entretanto, a satisfa��o de atacar o rival com seu pr�prio metal, estrat�gia que lhe pareceu demasiado arguta, como matar uma cobra com o pr�prio veneno, ofuscou-lhe o bom senso. �T hchnd q h qm, hdht? V hrrncr s cbs h hsr cm hnfht d prt, vc sprcrscd!� M�ctor n�o compreendia as palavras, mas tampouco se sentira confort�vel com o tom do monstro. Concluiu, ent�o: uma vez desprovido do a�o, ainda restava-lhe o marfim. Bufou como uma panela de press�o, inclinou o corpo e jogou a cabe�a contra os bra�os do troll. N�o reconquistou a arma nessa investida, por�m foi o suficiente para abalar a confian�a do outro. Arremeteu-se loucamente numa segunda e noutra terceira chifradas, como se fosse um pombo � cata de amendoins, acabando por fincar o corno direito no antebra�o do ex-algoz � o qual, com a dor resultante, maior do que a da picada simult�nea de mil sa�vas, deixou cair das m�os o martelo superdesenvolvido, fechou os olhos e esfregou o ferimento, fraqueza fatal: o minotauro recuperou-o e passou a desferir sucessivos e pesados golpes, dos quais a v�tima n�o conseguia se recobrar � o monstrengo tombou, por fim, exausto, sangrando e com um bra�o p�nsil. Com um largo sorriso triunfante na bocarra, o segoviano brandiu a arma e olhou em volta: um troll desfalecia segurando a cabe�a como se esta fosse explodir, outro, j� morto, era investigado por uma figura num manto ocre, um terceiro era completamente despeda�ado por Jardel: restava apenas uma das criaturas, atirando pedras num �damo desconsolado, cujo arco jazia esmigalhado no solo. Feliz da vida, M�ctor atingiu o bicho nas costas � no entanto, seu sorriso se desfez quando o inimigo fulminou-se num jato de luz, ap�s o qual surgiu Dean, radiante. �Sua mula! Cort� minha gra�a!�, rugiu para a fada. �M�ctor, caro amigo, h� coisas bem mais importantes aqui do que sua satisfa��o pessoal na peleja! N�o acha melhor garantir a seguran�a de nossos companheiros, com uma a��o r�pida?� �Bobage. C� s� qu� aparec�! S� sobr� esse. Num pricisava cab� cum ele!� �Aparecer?�, disse a fada, notoriamente ofendida. �S� me interessa o nosso bem-estar! Se para isso � necess�rio abreviar a luta, para insatisfa��o de teus instintos carniceiros, que assim seja! A prop�sito, voc� � quem pensa que � o maioral! Est� sempre achando que pode acabar com a ra�a dos inimigos sozinho, mas vejam s�: n�o conseguiu lutar com um deles direito e quase foi morto pela pr�pria marreta!� �Hrrrrrrrrrrrrrf�, rugiu o outro, brandindo a arma na dire��o da fada. Odiava quando lhe pisavam os calos. �damo e Walker observaram a cena com desd�m, enquanto Jardel procurava apartar a briga � detestava as intrigas entre os amigos �, parecendo uma mosca interferindo num combate de tit�s, quando a fada usou uma magia metam�rfica para assumir a forma de um aike, um dem�nio de fogo. �Se eu fosse o Dean, n�o perdia meu tempo: sumonava uns gorilas e mandava para cima dessa vaca gorda�, comentou William, cada �r� mais insinuado que propriamente pronunciado. ��Invocarr�.� �Como?� ��Invocarr�, non �sumonarr�. Essa terrmo non existirr, i�? Estarr forra do �ltimo reforrma grramatical olivarresa, pelo que eu lerr. I�? Voc� dizerr �invocarr�, non...� Efraim interrompeu a senten�a ao fitar, horrorizado, o local onde se armara o campo de batalha. �Uma das trrolls ainda estarr viva!�, bradou, olhando a figura, a primeira a cair por obra da marreta de M�ctor, levantar-se n�o pouco irritada, olhando em sua dire��o, como um elfo pedante para um pernilongo irritante. A seu lado, outro dos monstrengos, que sofrera um ferimento mais leve, se erguia, com express�o semelhante � a f�ria assassina era not�vel. Brook Brook Jardel criado por Jo�o Pedro Amaral Ramos Augusto Dean criado por Miguel Nakajima Marques M�ctor criado por T�lio Vieira de Paiva |
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