| Ter�a-feira, Mar�o 02, 2004 MATEUS YURI RIBEIRO DA SILVA PASSOS Vida longa e pr�spera, unidade-carbono! Post novo! � a quarta parte de Fus�o de Parentais! Espero que esteja melhor do que a terceira (a qual reescreverei mais pra frente). Inclu� algumas coisas que n�o haviam na campanha, na intera��o entre os personagens, para tornar as coisas mais interessantes - afinal, o melhor grupo no quesito intera��o � a Liga da Justi�a, na �poca em que foi escrita por Keith Giffen e J.M. DeMatteis (se quiserem conhecer, tem a rec�m-lan�ada s�rie "J� fomos a Liga da Justi�a", pela Panini, nas bancas). Ah, cad� o resto? Doutores, onde est�o a continua��o de "Ch�cara S�o Francisco", "Nada pra Fazer no C�lice", "Um dia em nove partes", o prel�dio do R�i, os Contontos?? Agora que todos retornaram ao ciberespa�o, tentem postar mais... Carpe Jugulum ALTERA��O Cap�tulo 1 - Fus�o de Parentais IV Em meio a pl�tanos, pinheiros, arauc�rias e manac�s, Efraim �damo avan�ava correndo o mais r�pido permitido pelo corpo com seu pequeno aux�lio m�gico. M�ctor ganhava terreno, mas ainda era poss�vel v�-lo por entre as �rvores � apesar de correr com grande vontade, a criatura parecia confusa. Procurava h� uns bons dez minutos e ainda n�o vira qualquer sinal de seus colegas. Sem medo de se perder, fizera alguns desvios para cobrir v�rias possibilidades de trajeto � e quebrar a monotonia de uma trilha em linha reta. Afinal uma das vantagens da Maldi��o � da qual originou-se a esp�cie dos minotauros � era seu agu�ad�ssimo senso de dire��o, impedindo-o de se desorientar em qualquer localidade. Apesar das mudan�as no curso, tentava seguir pela mesma regi�o de onde viera o corvo. De repente, M�ctor freou, raspando os cascos no ch�o para parar e bateu com as m�os na testa, berrando: �Esqueci as marreta!� O minotauro imediatamente deu meia-volta e zarpou a toda para o acampamento, ignorando Efraim ao passar por ele. �damo observou-o desaparecer na mata e prosseguiu na busca, todavia caminhando com muito mais cautela � na aus�ncia do confrade, ningu�m hesitaria em abord�-lo. Felizmente, ostentava na face uma barba mal cuidada de j� algumas semanas e trajava suas roupas de mendigo � genu�nas, adquiridas pelo pre�o de sete caebas nos arredores de um pequeno feudo perif�rico de Lech �, evitando atrair o interesse dos ladr�es. Onde os tr�s idiotas estariam �quela hora? Pior: quem haviam incomodado para a que pequena ave, a contragosto, precisasse buscar refor�os? J� se cansava da vida itinerante, sempre correndo, lutando, sem tempo para compor boa m�sica nem audi�ncia para apreci�-la. Por mais que tentasse apresentar obras novas aos amigos, estes optavam por ouvir vers�es de grandes lendas sobre her�is do passado, can��es folcl�ricas ou composi��es simples baseadas em seu cotidiano � em geral restrito a beber, bater, comer e fugir. Efraim precisava de mais, afinal n�o fora para isso a sua sa�da pelo mundo. Contudo, as coisas estavam prestes a mudar. Se Oliv�rio pecava em muitos aspectos � como os pre�os exorbitantes cobrados pelos produtos trazidos do Novo Mundo, sobre os quais a Companhia de Sesgar, estatal, detinha monop�lio �, isso era compensado por sua riqu�ssima produ��o cultural: o pa�s era o lar da maior parte dos bardos e romancistas daquela parte do mundo. De leste a oeste, vinham emiss�rios de diversos governos em busca dos melhores m�sicos e turbas de copistas para levar a suas terras as grandes obras olivaresas. Para �damo, era surpreendente ver tamanha movimenta��o art�stica numa na��o essencialmente agr�cola. Logo poderia mostrar toda a sua habilidade trovadoresca e, com alguma sorte, ser acolhido por algum mecenas ou, melhor ainda, por uma Corte Real. Era uma pena que poucos de seus companheiros se houvessem disposto a seguir viagem com ele � e estes provavelmente s� o acompanharam por causa de Dean. Por algum motivo desconhecido, a fada viu uma grande vantagem nessa empreitada � algo de certa forma preocupante � e atazanou os outros como mosquito em noite de ver�o at� cederem � e para M�ctor ainda fora necess�rio prometer a sociedade no a�ougue, iniciativa provavelmente infrut�fera... Mas n�o fazia mal. Se fosse contratado como menestrel, poderia lev�-los consigo � n�o haveria obje��es, pois dentre eles, o menos aceit�vel socialmente era tamb�m membro da realeza. Parou e examinou os arredores. Ouvira um barulho baixo. N�o sabia mais onde estava, portanto seria bom M�ctor voltar logo. Sentia-se fatigado, os m�sculos abaixo das costelas do�am � estava um pouco acima do peso e seu preparo f�sico era p�ssimo. Felizmente, nada disso importaria quando tentasse conseguir um contrato. O famoso Salustiano, o Taludo, fora quase t�o horizontal quanto vertical, o que n�o o impedira de se tornar um dos expoentes de sua �poca � sua voz e t�cnica eram t�o apreciadas que D. Vicente VII, monarca olivar�s entre os anos de 7972 e 8007 da Era Orbisiana, fechou com ele contrato de exclusividade vital�cio. Efraim recostou-se num pinho-bravo, a fim de descansar um pouco, mas afastou-se da �rvore de imediato, pois o tronco estava coberto de musgos e liquens. Essas coisas lhe davam avers�o, n�o sabia bem o porqu�. Em seu lar, pelo menos, as �rvores eram limpas, assim como n�o havia tantos seres esquisitos. Nunca minotauros, orcs, an�es ou mesmo elfos pisaram o solo de sua terra natal. Por essa raz�o, o mundo lhe parecia demasiado estranho e dif�cil de enfrentar. Mesmo dentro de seu c�rculo de amizades era um tanto desconfort�vel relacionar-se com tais seres: faziam-no enxergar os demais confrades humanos como outros monstrengos, bizarros em seus pormenores. Afinal, um deles era mago e o outro metamorfo. N�o devia pensar nisso. Deixara seu lar por vontade pr�pria, agora tinha de avan�ar sem olhar para tr�s. Talvez nem voltasse para l� com vida. Foi ent�o, quando se culpava pela s�bita saudade de casa, que avistou Dean estirado no ch�o, a menos de vinte metros. Como parecia n�o haver mais ningu�m por perto, aproximou-se da fada e notou a camisa azul-claro destru�da e o peito aparentando ter recebido reparos recentemente, pois havia muito sangue seco em volta do curativo. Estranho. O �nico curandeiro da confraria estava muito longe, n�o se disp�s a viajar a Oliv�rio. Isso n�o fazia grande diferen�a: de modo geral, o egoc�ntrico guardava todos os seus feiti�os de cura para si, deixando a cargo de Efraim a tarefa de restaurar a vitalidade dos demais � o que, ali�s, precisava ser feito naquele momento. Assobiando � em sua condi��o de bardo, era necess�rio produzir um pouco de m�sica na execu��o dos poucos encantamentos conhecidos por ele �, tocou o peito da fada e esperou. Nada. Repetiu o processo. Dean continuou im�vel. Imposs�vel! Toda a cura m�gica recebida, mais os cuidados aparentemente ministrados, j� deveriam ser o suficiente para deix�-lo em p� e em boas condi��es de sa�de. Se n�o respondia, ent�o o pior acontecera... Depois de cortejar a morte em tantas ocasi�es, � diversas vezes por imprud�ncia e seu mau costume de atrasar os outros com assuntos ordin�rios �, parecia, finalmente, estar de mudan�a para a terra dos p�s-juntos. �Rth! Tm ms hm dls pr hq!� O que fora aquilo? Parecera-se com o sussurro do vento, por�m soava como se estivesse sendo articulado. �Sc! Htr? Spr q n sj th cht qt h fd. Hss bch hftd m d h mt rhv.� �H hmn. Chm s htrs q h vh n frnt.� �damo olhou em volta e avistou um ser marrom-esverdeado, de tr�s metros de altura e quase dois de largura, vindo em sua dire��o alisando uma clava espinhosa cuja ponta era do tamanho de uma cabe�a humana m�dia. Um troll! Parecia haver outros mais longe, avan�ando tamb�m em sua dire��o � quatro, no m�nimo. Maldi��o, onde estavam os camaradas? Tocou uma corda de seu ala�de e uma carga de ondas sonoras concentradas atingiu seus algozes, o que paralisou dois deles por alguns segundos, proporcionando-lhe mais algum tempo para pensar e, talvez, indicar aos demais sua posi��o. Tomou f�lego e, quando ia come�ar a cantar para levantar o moral de qualquer aliado porventura pr�ximo, teve a impress�o de ouvir um barulho vindo do ch�o. Olhou de esguelha para Dean. Permanecia inerte. Os trolls chegavam mais perto, um deles j� estava a quase dez metros de Efraim. Alguns se entreolhavam. �Jh q shs hmgs hscprm, pdms lvr hss cm jntr.� �Dscrd! St mt grd, dv tr hm hlt thr d clstrl. Hlm dss, hmns tm m sbr pssm. Prfr h fd, dzm q hls sm m hgrh mt fn.� �Gnt n h tm rm hssm. S vc sbr tmprhr bm...� O menestrel sacou sua espada e investiu contra o troll mais pr�ximo, sem fazer grande estrago. O ser preparava-se para revidar o golpe do bardo, quando uma luz cegante como o Sol refletido num espelho atingiu os dois, al�m dos monstros mais pr�ximos. Dean produzia um brilho forte e levitava com leveza, as asas de cole�ptero batendo delicadamente, os olhos fechados. De repente, abriu-os, a luz m�gica transferiu-se de seu corpo para o cajado de macieira que carregava por todo lado � com o �nico intuito de impressionar, pois a pe�a, de sua fabrica��o, n�o possu�a quaisquer propriedades sobrenaturais. Sorriu sarcasticamente e disse � �bradou� talvez fosse o termo mais adequado �, com entusiasmo: �Senhoras e senhores, preparem-se para a segunda rodada!� �Maldito dissimulado!�, pensou �damo, �Fingindo-se de morto s� para conseguir uma entrada teatral!�. Os trolls pararam por alguns instantes e, incr�dulos, bateram com as palmas de ambas as m�os em seus rostos � pelo jeito da decep��o estampada naquilo que, por falta de um voc�bulo mais adequado, poderia ser chamado de seus rostos, a fada lhes havia aborrecido demasiado. Mal tiveram tempo para reavaliar a situa��o quando, rapidamente, carregando uma marreta maior do que Efraim, M�ctor, euf�rico, surgiu como um rel�mpago entre algumas �rvores e derrubou um deles com uma marrada, urrando: �Agora c�is t� na ro�a!� Dean criado por Miguel Nakajima Marques M�ctor criado por T�lio Vieira de Paiva |
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