| S�bado, Fevereiro 14, 2004 MATEUS YURI RIBEIRO DA SILVA PASSOS Vida longa e pr�spera, unidade-carbono! Aqui est� a segunda parte de Fus�o de Parentais... Mudei o nome de um certo personagem, pois o original era de um personagem coadjuvante do Tintim. Vou tentar fazer pelo menos 1 post por semana. E � uma pena que o S�vio n�o tenha apreciado seu pr�prio Contonto, pois ficou muito engra�ado... e tonto ! Carpe Jugulum ALTERA��O Cap�tulo 1 - Fus�o de Parentais II No princ�pio, havia apenas escurid�o, abafada, por�m aconchegante, inspirando tranq�ilidade e descanso. Posteriormente, surgiram imagens desconexas e il�gicas, a lampejar por toda parte, dissipando-se com rapidez compar�vel apenas � de seu aparecimento: l�minas colidindo entre si, vastas refei��es com alimentos desconhecidos e intermin�veis saraus com centenas de m�sicos de diferentes esp�cies em amig�vel competi��o. Ele nunca se lembraria delas, ao menos de forma consciente: porventura, algum dia, lhe proveriam um d�j� vu ou uma s�bita ilumina��o. Concomitantemente a esse processo, o corpo mantinha-se em um singular momento de simbiose com a superf�cie debaixo de si: esta o atra�a de modo irresist�vel, n�o havia qualquer vontade de romper esse elo. Se dependesse apenas das partes interessadas, tal situa��o manter-se-ia perpetuamente. Nem mesmo o bodum, que de forma repentina tomara conta do ambiente, abalara um mil�metro sequer dessa uni�o. Por�m, o mundo escuro e vagaroso no qual encontrava-se Iossef Efraim �damo sofreu uma s�bita reviravolta quando o solo pareceu se inclinar e em seguida uma luz forte inundou sua vis�o. O ch�o gramado o atingiu com um baque fraco. O homem de vinte e cinco anos de idade, trajando um conjunto de farrapos a lhe conferir um aspecto de mendigo, tentou se erguer e olhou para tr�s. M�ctor suspendia com a m�o esquerda sua tenda a dois metros de altura. O ar estava pesado, carregado de um odor acre. J� ia ralhar com ele, quando notou que o minotauro n�o exibia o sorriso sacana habitual. Parecia, na verdade, intrigado. N�o havia qualquer chance de fingimento, pois era um p�ssimo ator. O homem rec�m-desperto indagou, ent�o: �O que acontecerr? Parra qu� voc� me acorrdarr?�, cada �r� raspando com viol�ncia por sua garganta. M�ctor pousou a barraca no ch�o e estendeu ao confrade uma criatura escura a se debater. ��ssi � o passarinho dele, n�?�, perguntou. Efraim fitou para a massa negra cativa das imensas patas do minotauro. Era o corvo de Dean, sem sombra de d�vida. �A prr�prrio. Estrranho. O fada n�o costumarr larrgarr ela porr a�.� �damo tentou peg�-lo nas m�os, mas o animal agitou-se e lan�ou-lhe um olhar de �dio e desconfian�a. Nunca fizera quest�o de esconder sua avers�o pelo amigo de seu dono, por mais que este lhe repreendesse por tal atitude. M�ctor girou o p�ssaro, expondo suas asas e o ventre. ��li t� meio molhado. Qui qui � isso?� Um l�quido viscoso escorria pelas penas. Sangue, com toda a certeza � n�o da ave, mas de seu mestre: sangue claro, verde-fluorescente, brilhante e inodoro. Como M�ctor n�o percebera? Talvez os pesquisadores estivessem com a raz�o, afinal. A vis�o dos minotauros de fato apresentava-se em duas cores. Como o fluido n�o exalava cheiro algum, ele n�o possu�a meios de reconhec�-lo. Isso proporcionava a Efraim uma pequena vantagem: a possibilidade de averiguar qualquer que fosse o problema enfrentado pelos demais. Para aproveitar a chance, fazia-se necess�ria muita cautela, pois um s� deslize seria capaz de despertar a suspeita do outro. Se M�ctor partisse, caberia a �damo vigiar o acampamento para evitar o extravio de seus bens. �I int�o? C� s�bi u qui �?� O homem pigarreou, na inten��o de ganhar tempo para o t�rmino da conjura��o do supremo montante de cinismo poss�vel em suas entranhas. �Ah, isto non serr imporrtante, M�ctorr, apenas uma mensagem de nossa camarrada Dean, que prrovavelmente acharr algo interressante e querrerr falarr sobrre isso com Efrraim. Voc� esperrarr aqui que eu voltarr logo.� ��?�, exclamou o minotauro, encarando seu confrade com um olhar cabreiro. �I cad� a mens�gi? Num vi ele carreg� nada.� Efraim inspirou fundo. A esperan�a escapulia de suas m�os, cedendo espa�o � vis�o de um futuro que prometia uma longa e enfadonha espera naquele acampamento fedegoso. Resolveu-se por desferir uma �ltima estocada. �Esta serr uma c�digo nossa, i�? N�s usarr parra trratarr de assuntos mais estrrat�gicas, que rrequerrerr absoluta sigilo, porr isso ele pintarr a corrvo com tinta azul, i�? Azul significarr que o assunto dizerr rrespeito somente � discusson sobrre lugarres onde passarr e estabelecimentos onde comerr e dorrmirr, converrsas que M�ctor non aprreciarr, i�?� �Aaah���...�, concordou o outro. �Que bom que M�ctorr compreenderr. Eu irr pegarr meus coisas e j� irr at� l�.� Efraim entrou em sua tenda e apanhou uma armadura leve, de couro batido, uma espada longa, um arco longo, duas aljavas com flechas e seu ala�de profissional. O minotauro agora o observava com um ar pensativo, por�m mantinha uma certa dose de suspeita. Maldi��o, como estava ficando desconfiado! Provavelmente, isso se devia �s pe�as que lhe pregaram, como na ocasi�o em que lhe enfiaram uma corda com um sino pelo pesco�o, enquanto estava adormecido. Despertara furioso e levou quase uma hora na desajeitada tentativa de retirar o adorno. J� n�o parecia t�o divertido quanto o fora na ocasi�o. M�ctor estava desorientado. Sua mente, no momento, estava imersa em uma imensa profus�o de id�ias confusas e desparelhadas, embora n�o totalmente desprovidas de sentido. Dean longe. Efraim apanhando armas. Brincadeiras de mau gosto. Acampamento fedido. Floresta devia ter ladr�o. Brook Brook longe. Assunto chato. Minotauro n�o � vaca. Os primos muito longe. Corvo molhado com coisa estranha. Aperto. T�dio. Altura incomoda. Floresta devia ter monstro. Efraim pegando o ala�de. Mensagem na tinta. Walker longe. Floresta chata. Saudades de bater em algu�m. Naquilo tudo, havia algo que n�o se encaixava, por�m ele n�o conseguia reconhec�-lo. Desabituado ao racioc�nio, enfadavam-lhe os planejamentos de viagem e mesmo estrat�gias de batalhas nas quais a magia � para ele, al�m da covardia, uma grande apela��o � predominava sobre a madeira, os chifres e o metal � no qual confiava acima de tudo como ferramenta-mestra, �til para o combate, o lazer e a diplomacia. Esse fato conferia verossimilhan�a � explica��o de �damo, mas... Olhou � sua volta, na esperan�a de que a resposta para suas d�vidas lhe viesse � mente num rel�mpago de inspira��o � e, realmente, isso ocorreu ao pousar os olhos sobre a ave em suas m�os. �Pera�. Issu num t� meio cl�ru... pra s� azul? � �H�... Serr um tom bem clarro, i�? Dean gostarr desses corres de influ�ncia �lfica...� �C� qu� mi inrol�, n�?� Efraim �damo hesitou por um instante, erro que se mostrou fatal. O semblante do minotauro transformou-se de imediato. Compreendera. O labirinto de sua mente encontrara a conex�o. Havia batalha pela frente. Da raiva oriunda da suspeita de estar sendo enganado, passou � express�o calma cujas origens estavam nos sublimes sentimentos de ansiedade pelo contentamento iminente. �� sangue? Da fadinha?� O outro nada disse, tomado pelo p�nico e consciente de seu fracasso. "Atacaro os biquinho?" O homem limitou-se a encarar o amigo que, de imediato, abriu um largo sorriso e, bufando de frenesi, raspou os cascos no ch�o e arrancou-se para a floresta, na dire��o tomada pelos outros, quase duas horas antes. Efraim suspirou e procurou pensar r�pido. N�o devia deixar o acampamento abandonado � pr�pria sorte... Mas talvez fosse melhor ir, tamb�m. A floresta parecia pouco habitada e, de qualquer forma, o ar empestado a revestir o local garantiria o afastamento de todo ser vivente que possu�sse um m�nimo de sensibilidade olfativa. Assim, conjurou um feiti�o para lhe prover maior velocidade e disparou na dire��o trilhada por M�ctor. M�ctor criado por T�lio Vieira de Paiva |
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