| Domingo, Fevereiro 08, 2004 MATEUS YURI RIBEIRO DA SILVA PASSOS Vida longa e pr�spera, unidade-carbono! Eu j� estava enrolando demais, n�o? Apesar de n�o ter terminado o cap�tulo 1, j� tenho 3 partes prontas... Ent�o, l� vai! Carpe Jugulum ALTERA��O Cap�tulo 1 - Fus�o de Parentais I �Hrrrrrrrf!�, rugiu. Almo�ara h� pouco e o t�dio tomava conta de sua exist�ncia naquele momento, em conjunto com uma boa dose de sonol�ncia. O pequeno acampamento (formado por duas tendas tamanho adulto padr�o, uma tamanho infantil e um amontoado de gravetos queimados) fora erguido numa encosta do Planalto Setentriterrarum, portanto ele n�o se atrevia a admirar a paisagem � em sua maior parte, verde e marrom. Ainda que l� embaixo houvesse uma densa floresta, a vista lhe causava vertigem, como a todos de sua esp�cie. Isso fazia parte da maldi��o. O inverno tivera seu in�cio h� seis dias, mas a brisa gelada n�o o importunava, pois uma densa pelugem lhe servia de escudo contra o frio. Na verdade, sentia-se incomodado pelo calor que se acumulava em seus p�los pretos e sua armadura de placas met�licas. Levantou-se da pedra na qual estivera sentado por tr�s horas e andou at� a sombra acolhedora de um pl�tano, onde cumpriu suas obriga��es fisiol�gicas, cujo t�rmino foi seguido por uma curta caminhada em c�rculos para espairecer, executada com a pomposa e costumeira postura ritual: as m�os (ou garras) entrela�adas por tr�s do corpo e a cabe�a erguida em dire��o ao c�u, fitando o nada de forma contemplativa. Mantinha a, no m�ximo, cinco metros de si a tenda onde um de seus companheiros de viagem fazia a sesta. Os outros tr�s haviam sa�do para ca�ar, com o intuito de obter peles para a confec��o de agasalhos, a serem posteriormente cosidos por seu colega atualmente modorrento. Estavam todos indignados com o frio da montanha. Na opini�o dele, reclamavam demais. Tudo era motivo para frescura. Chamava-se M�ctor. Nunca sentira necessidade de um sobrenome. �Hrrrrrf�, rugiu novamente, em intensidade mais baixa. Sem d�vida adoraria participar da ca�ada. Uma vez que seus intelecto e coordena��o motora n�o passaram por grande desenvolvimento, o combate era seu of�cio, al�m de sua principal fonte de entretenimento. Por essa raz�o, sentia-se deslocado nas �reas mais civilizadas, as quais de modo geral desaprovavam a viol�ncia desnecess�ria. Mesmo a Floresta de Meliaceae, na qual se encontrava, costumava ser rigidamente fiscalizada quanto ao abatimento de indiv�duos pertencentes a esp�cies em vias de extin��o. Juntamente com a espionagem das animosidades entre os salteadores florestais, era o maior cabide de empregos das cidades pr�ximas � mata. Por falar nisso, nenhum dos famosos assaltantes de Meliaceae o amolara, o que era uma pena. O homem adormecido havia induzido o grupo a uma jornada at� um munic�pio sem-gra�a, para um evento com m�nimas chances de desordem. Uma das poucas boas raz�es para seguir viagem era a promessa de uma selva mal-freq�entada, com uma espl�ndida m� fama. Seria uma honra bater em bandidos t�o importantes. No entanto, n�o era de se admirar. Toda pessoa de bom senso mantinha uma dist�ncia segura dele, uma vis�o apavorante com seus tr�s metros e meio de altura, garras e presas afiadas, cascos grossos e pontiagudos e um gigantesco par de chifres, sua principal arma antes da aquisi��o das duas enormes marretas, agora amplamente utilizadas. Para cometer o erro de se meter com ele, o ser deveria pertencer a uma destas categorias: os essencialmente est�pidos � guerreiros audazes, feiticeiros megaloman�acos e ladr�es imprudentes, cuja exist�ncia era, em geral, interrompida de imediato � e os realmente poderosos � geralmente em n�mero maior, fator que trazia diversas complica��es, como a grande quantidade de feridos. Ainda assim, mesmo o segundo tipo fazia falta ao minotauro naquele momento. A floresta parecia deserta. Desde sua chegada a Meliaceae, h� uma semana, encontrara apenas um esquilo-entorpecente, cujo abate foi impedido por uma druida-fiscal nervosa. A outra raz�o que o levara a ingressar na expedi��o era a promessa do a�ougue. J� tinha por costume o armazenamento dos restos mortais dos inimigos para consumo pr�prio. Seu estoque era impressionante: no m�nimo vinte vezes maior que o de seus confrades, pois estes n�o costumavam se alimentar de seres considerados como civilizados � isso s� ocorria quando suas provis�es e esgotavam, sendo necess�rio servir-se da despensa de M�ctor. Tais refei��es corriam de forma mais lenta do que as demais, devido ao clima de nojo e rep�dio a um prov�vel canibalismo, uma vez que as carnes eram praticamente indistingu�veis. Ainda assim, seus maus h�bitos fizeram �damo, seu amigo adormecido, ter um vision�rio lampejo de empreendedorismo, ao propor ao minotauro sociedade em um a�ougue ambulante, o qual provavelmente lhes traria bons lucros. A proposta fora feita logo antes dessa viagem. Ainda n�o fora recolhida carne alguma. �Hrrrrrrrrrrrrrrrf.� Acostumara-se a rugir e grunhir. Achava o mugido demasiado ultrajante, assim como qualquer coment�rio que o comparasse aos ruminantes menos evolu�dos, domesticados e escravizados � principalmente pelas na��es de gest�o humana. Parou de divagar. O som de um bater de asas despertara-lhe a aten��o. O corvo estava voltando ao acampamento e, embora estivessem em per�odo de estiagem, estava ensopado. M�ctor criado por T�lio Vieira de Paiva |
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