Quarta-feira, Dezembro 03, 2003

JO�O PEDRO AMARAL RAMOS AUGUSTO

Sim, est� oficialmente come�ado meu folhetim. Ser� baseado na ch�cara que meu tio tinha, e conter� fatos reais e fict�cios, com personagens reais e fict�cios, tudo misturado numa coisa s�. Preparem suas malas, pois voc�s est�o prestes a chegar �...

Ch�cara S�o Francisco

A alguns quil�metros de S�o Paulo, chegavam a um restaurantezinho fuleiro de beira de estrada. Era tosco, mas n�o havia mais op��es. Os dois carros estacionaram, perto do estabelecimento.

- Desce a�, molecada, vamos encher o bucho, que saco vazio n�o p�ra em p�! - disse M�rio.
- Nossa, t� com uma fome desgra�ada, tio! - disse Beto.
- Ent�o desce logo, primo! - disse, j� empurrando, Augusto.

Beto, Augusto, V�tor e Gabriel desceram em disparada do carro do Tio para o restaurante, correndo como loucos, mortos de fome. Isabela, delicadamente, desceu do carro em que estava, junto com seus av�s e seus tios. M�rio abriu a porta para sua esposa, Sandra, e foram os dois lentamente para a mesa, finalmente descansando um pouco dos quatro capetinhas que atazanaram a vida deles durante as tr�s horas de viagem que haviam se passado. J� estavam acostumados a aguentar Augusto e Gabriel, seus filhos, mas dessa vez, tinham mais dois para aumentar a bagun�a no banco de tr�s do carro: Beto e V�tor, seus sobrinhos, filhos de M�nica e Ant�nio, que vinham no outro carro, com os av�s Maria e Pedro, e Isabela, irm� mais velha de Augusto e Gabriel.

As moscas voaram em todas as dire��es quando as crian�as sentaram � mesa. Faziam bolinhas de papel, desenhavam no papel da mesa, pulavam, cantavam, faziam bagun�a. Isabela, ao lado, se portava como uma lady. Quieta, esperava pela comida. Os adultos, cansados da viagem, conversavam.

- Ainda bem que estamos chegando, meu corpo n�o aguenta mais dirigir! - disse Ant�nio.
- Nem eu, cara. Quando chegarmos na ch�cara, vou me esparramar na cama... - gemeu M�rio.
- Ah, meu bem, mas na cama, a gente podia fazer outras coisas... - sussurou Sandra.
- Pelo amor de Deus, estamos na mesa, deixem esses assuntos para quando estiverem sozinhos, por favor!!! - brigou a v� Maria - Gra�as a Deus, est� chegando a comida! N�o aguentava mais! Minha barriga tava roncando!!!

Comeram como se n�o vissem comida h� dias. Pur�, carne, arroz, batatas, acabaram-se em instantes. Era comida para um batalh�o, e o batalh�o estava ali, e estava faminto. Nos r�dio do restaurante, tocavam sucessos dos anos 80, como "Your Love", do Outfield, e "Puttin' On The Ritz", do obscuro Taco.

- Olha l�, Beto! - apontou Augusto, para fora do restaurante.
- O qu� foi, Gugu? N�o vejo nada!!! O que �???
- Nada n�o, acho que me enganei.
- Gugu, cad� meu ovinho de codorna que tava aqui no prato?
- N�o sei... - disse Gugu, de boca cheia.
- Devolve meu ovo, Gugu.
- S� se eu vomitar, cara. C� n�o quer um pouco do meu pur�, no lugar?
- Bleargh!! Detesto pur�!!!
- Pois eu adoro!!! Bobeou, dan�ou, Bet�. Perdeu seu ovo. Conviva com isso.

Apesar dessas desaven�as pequenas, Beto e Gugu eram grandes amigos. Melhores amigos, pode-se dizer. N�o desgrudavam um do outro, sempre aprontando as maiores travessuras e deixando os adultos loucos.

Meia hora depois, estavam chegando � t�o esperada Ch�cara S�o Francisco. Uma ch�cara grande, com uma piscina em constru��o, e um pequeno riozinho. Planta��es de todo tipo, muitas �rvores frut�feras e uma casinha onde cabiam todos, e sobrava um espacinho...

- V�o ser boas f�rias, Gugu. Prepare-se para bagun�ar.
- Acertou, primo. Vamos come�ar � j�.
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