Ter�a-feira, Setembro 23, 2003

Hey There!!!!
Aqui vai um dos poucos textos que possuo em meu computador e que acho bom o suficiente para ser publicado aqui...

JO�O PEDRO AMARAL RAMOS AUGUSTO

Um Dia Perfeito

Ant�nio tinha planejado tudo : acordaria �s 7, tomaria seu banho de 15 minutos, comeria seu p�o com manteiga, e sairia. Iria � velha loja de discos da qual era antigo fregu�s buscar o CD que havia encomendado h� 2 meses - rar�ssimo, uma grava��o ao vivo de um show dos Ramones, com Elvis Ramone na bateria, o membro da banda que durou apenas 3 shows - e que lhe custaria os olhos da cara. Chegaria l� �s 8, como havia combinado com o dono da loja. Depois disso feito, iria para o churrasco de anivers�rio de Leandro - seu grande amigo Leandro, que n�o via h� muito tempo - com piscina, cerveja , desordem , e como em todo churrasco, a velha carne de segunda mal-passada. Depois voltaria para casa, onde receberia um telefonema de Daniel, com quem iria ao parque no domingo.
Acordou �s 10. O despertador o havia enganado. Desesperado, saiu correndo para o banho, como quem vai tirar o pai da forca. Ap�s arrancar o pijama r�pido como nunca o havia feito, entrou no boxe. O chuveiro n�o queria colaborar, ou pelava ou gelava. Depois de 40 minutos tentando entrar em um acordo com o caso do seu atraso, recebeu um xeque-mate: cansado da procura pela temperatura ideal da �gua de Ant�nio, o chuveiro resolveu estourar. Assim acabava com o impasse do rapaz : o banho seria frio e pronto. Tomou um dos piores banhos de sua vida, e , azul de frio, se vestiu e saiu tremendo para a cozinha engolir seu p�o com manteiga (n�o havia tempo para mastigar, o est�mago que se encarregasse da digest�o, pois ele n�o tinha tempo para ajudar.). Engasgou-se. A essa hora o leitor pode pensar "Bem feito", mas quem nunca saiu correndo para fazer algo que atire a primeira pedra. Em algum tempo o p�o desceu garganta abaixo, com alguma ajuda de �gua. Como um rel�mpago, correu para o carro. E o compl� que seus pertences lhe haviam feito n�o havia parado. Como em uma greve, todos recusavam-se terminantemente a funcionar. O carro tossia, tossia, escarrava, e se recusava terminantemente a andar. Estava cansado de todo dia ir e vir contra sua vontade.
- �nibus ser� a �nica sa�da - pensou Ant�nio - depois penso no que farei com todos esses aparelhos in�teis que possuo...
Saiu dando passos acelerados em dire��o ao ponto de �nibus. �s 11:36, atrasado 3 horas e 36 minutos, chegou � loja, ansioso por botar as m�os no seu precioso CD.
- Desculpe, mas o CD foi vendido. Como o senhor atrasou, vendi para um rapaz que me pagou quase o dobro do pre�o...
A lei de Murphy havia grudado nele como carrapato. E sugava seu sangue violentamente.
- Bom, - pensava ele - pelo menos economizei meu dinheiro...
- Passa a carteira, moleque , sen�o te estouro os miolos!!!
Entregou a carteira, tomando o cuidado de discretamente retirar seus documentos e o dinheiro do �nibus de dentro dela sem que o assaltante percebesse.
Depois de uma espera de 2 horas - um �nibus passou e fingiu n�o o ver e um outro passou t�o lotado que n�o valia nem a pena pegar - , finalmente pegou um �nibus.
�s 15:54 - estava tudo congestionado devido a um acidente de carro na pista, estavam retirando os destro�os do local - , finalmente chegou ao local onde haveria o churrasco. Mas, estranhamente, n�o havia ningu�m na ch�cara. Procurou por algu�m por todo o local. Encontrou o caseiro.
- U�, n�o te avisaram? - disse o caseiro, ap�s dar uma bela cuspida no ch�o, daquelas que impressionam e enojam ao mesmo tempo - O Leandro morreu enquanto vinha pra c�... Todos esperaram por ele at� umas 11, at� receberem a not�cia... Foi um acidente de carro aqui pertinho, ele tinha um Tempra que...
Nesse momento ele parou de ouvir o caseiro. O acidente de carro que havia atrasado sua chegada era o de Leandro. �, o s�bado n�o estava correndo como planejado.
- ...e est�o todos l� no vel�rio agora, o senhor quer o endere�o?
- N�o, obrigado - respondeu Ant�nio, com medo de que se fosse alguma coisa desse errado no enterro, como o defunto ser derrubado, os arranjos de flores queimarem, ou algo do tipo.
Chegou em casa exausto, tinha vindo a p�, pois o dinheiro do �nibus havia sido gasto em um cachorro-quente - que mais tarde lhe causou uma indigest�o das grandes - , afinal, a carne de segunda mal-passada j� era, e se jogou violentamente sobre o sof�. Havia dado tudo errado. Tudo mesmo. No hor�rio em que ele esperava, o telefone tocou.
- Al�? Ant�nio? Pois �, sabe o parque, amanh�? �, houve um pequeno probleminha e... Ant�nio? Ant�nio?
Havia deixado o amigo falando sozinho e ido dormir. Passaria o domingo em casa, na cama. E seu dia seria perfeito assim.
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