Quarta-feira, Outubro 20, 2004

INDIRA PASSOS

Hey! H� quanto tempo eu n�o aparecia por aqui^^ Algo indefinido (seria inspira��o?!)baixou em mim e resolvi que ia escrever... e escrevi! Ent�o mostrei para o Irm�o e ele achou a maior bacanice ^_^ Ent�o, ofere�o esse continho para O Irm�o, o "Mestre do New-Com�dia-Medieval". Aqui vai^^


              
O momento da pessoa � frente da cortina castanha


-Tudo correr� bem, ser� incr�vel! Fique tranq�ila! Mas onde foi que eu deixei as chaves? Raios!

-.....(Sorriso).......

-Achei! Mas que cabe�a! Pronto, querida?

Viu o sorriso calmo e sincero que tornara para a personagem um repleto al�vio.

-Sim, podemos ir.

               FRASE SOLTA SEM NEXO L�GICO. 

Estava chegando � conclus�o de que pensamentos tinham massa.

Escrever era como conceber uma parte de si. Determinada parte com certa hist�ria, recebendo certas influ�ncias e sofrendo certos traumas. N�o era o todo de si. N�o era um clone. Eram suas sutilezas que por est�mulos revelaram-se.

E isso tinha massa. E isso materializara-se.


          
BASEADO EM HIST�RIAS DA VIDA REAL - OS DEVANEIOS DE CADA DIA

Baseado em verdadeiros devaneios da pessoa atr�s da cortina castanha.

O momento da pessoa atr�s da cortina castanha.


L�, atr�s daquela cortina, est� a pessoa atr�s da cortina castanha. Alisava a cortina... seria feita do que? Era melhor assim perguntar a se pegar pensando "queria que fosse de..."

Deu dois passos, sentia o ch�o frio e liso contrastando com o tato de suas m�os, t�o insosso, nem quente nem frio. Olhou para... virou rapidamente o rosto. N�o voltaria a se contaminar. N�o voltaria a ver o sutil reflexo dos seus olhos permitido pelo vidro. Como quisera que ele n�o estivesse ali. A mais doce melodia come�ou... Violoncelo, hm... Ah! Quanto tempo! H� quanto tempo n�o tinha o prazer de ouvi-lo e ter a suave sensa��o dos p�s sa�rem do ch�o e... Tapou os ouvidos, cantarolou outra m�sica. N�o voltaria a se contaminar. Como foram longas as duas horas longe dele. Longe da entorpecente obra de Tchaikovsky. Sabia que desde que come�ara a ouvi-lo seus devaneios acentuaram-se. Queria voltar ao tato. O paladar e o olfato lembravam a inf�ncia. A vis�o, a segunda forma de perdi��o. A audi��o, sua grande inimiga. Era a fonte de inspira��o. A vida inteira que podia ter sido e que n�o foi. No seu caso, inspirava uma subvida.

A melodia voltava, como impedir? O que ia comer no almo�o? Que tal lasanha? A lasanha que... Tra�ra-se novamente. Andava de um canto a outro da sala, tentava tocar tudo o que podia pensando naquele momento. Mas a melodia crescia e...e virou-se...e...e o vidro estava l� e n�o havia mais sa�da para aquele labirinto.

Suspirou.

Estava triste. N�o por ter perdido algo. Muitas pessoas assim ficam quando perdem. A personagem desejava ter esse privil�gio. Teria bons momentos para lembrar. Mas descobrir que... simplesmente n�o perdeu nada pois nunca possu�ra. A vida inteira que podia ter sido e que n�o foi. Era a real ilus�o. Naquela partitura disforme de pensamentos desejava apenas agarrar-se em uma clave e sumir. Poderia? Iria descobrir onde se escondem as claves de sol, o L�, o Si, os insights, as inspira��es, as coincid�ncias, as solu��es, toda a freq��ncia invis�vel aos olhos, mas t�o percept�vel aos... Seria seu mundo, seu momento e s� seu.

Piscou.

Ao seu lado papel e caneta. Ah!Que ironia! Trair-se novamente? N�o desejava escrever, pois se assim o fizesse n�o sentiria mais seus anseios. Seria seu conforto! Quisera ter a compuls�o de escrever! Mas quando? Escrever seria seu ref�gio? Ilus�rio? Hm, preferia poder manter aquele vivo mas j� era tarde demais. Queria sentir aquilo e n�o cair no comodismo. P�ssimo impacto causaria, seria o cotidiano trivial e f�til aos olhos, mas n�o aos... Impacto, ambig�idade, essa era a meta. Mas por qu�? Transformar em um jogo e... se trair? Queria poder evitar sua compuls�o. Aquela vontade de pegar o l�pis e escrever tudo o que vinha em sua mente. Seu breve ref�gio. Se escrevesse guardaria e tudo passaria. Tudo estaria morto como outrora. E novas ilus�es viriam. Assim como aquela em que insistia em manter consigo - protegida e abrigada, diga-se de passagem. Afinal, era sua... E s� sua!

Deparou-se.

A folha n�o era branca - n�o por inteiro. A cor preta era marcante. J� que assim foi, no in�cio deveria ter Tcha... Como soletrava mesmo?

-Pronto, querida?

Um sorriso calmo e sincero esbo�ou.

-Sim, podemos ir.

Olhou para tr�s. E tudo a refletia pelo avesso. Mas olhe s�, aquela cortina parece t�o castanha, assim como...
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