Ter�a-feira, Setembro 23, 2003

GABRIELA ANDRADE DA SILVA


Ol�, pessoal... Vou estrear com um conto meu que j� � meio manjado... Est� publicado em dois sites e numa antlogia chamada Mosaico, levada a efeito pelo Clube Amigos das Letras. Mas ele � legal... Pelo menos eu acho. Escrevi quando tinha apenas 13 anos... �poca que, para mim, foi de grandes decep��es.

Decep��o

O garoto chorava ao olhar para o anci�o. Desde pequeno por ele fora educado. Amava-o e respeitava-o muito. E neste dia descobrira o que lhe parecia �bvio h� tanto tempo: que ele n�o era perfeito.
O anci�o olhava-o s�rio e com ternura. Talvez com um pouco de tristeza. O relacionamento entre eles com certeza n�o seria mais o mesmo, apesar de poder ser bem parecido. Seria mais dif�cil, mas mais maduro. A etapa pela qual o garoto passava era uma etapa bonita, mas tamb�m triste. De qualquer maneira, uma etapa importante: aprender a discordar.
O garoto sentou-se na relva e deitou a cabe�a sobre os joelhos encolhidos. Era estranho. Apesar das pequenas brigas, das pequenas raivas, nunca vira no anci�o algo que considerasse como um real defeito. Durante muito tempo pensara que ele era um her�i. Um semideus. E que essa perfei��o vinha com a idade. Com o tempo. E que, sendo assim, conforme fosse crescendo, tamb�m chegaria a ser como ele.
Mas naquele dia, o que vira, era diferente de tudo o que j� havia visto. Era um grande e real defeito. Algo capaz de gerar... decep��o.
Decep��o. Era o que sentia.
Levantou a cabe�a. Olhou com certa raiva para o anci�o. As l�grimas ainda escorriam.
- Assim � crescer - disse o anci�o.
Chorou mais.
- Crescer � se decepcionar? - perguntou, solu�ando.
- Mais ou menos. Para crescer � preciso descobrir que nada nem ningu�m, pelo menos em nosso mundo, � perfeito, e que, por isso, n�s tamb�m n�o seremos. E isso muitas vezes nos decepciona.
O garoto ficou em p�. Enxugou as l�grimas. Encarou o anci�o.
- Voc� ainda tem muita estrada pela frente. - disse o homem. - Mas j� deu um grande passo.
Olhou para o c�u. Para o ch�o. Tomou coragem e enfrentou novamente o olhar do anci�o. Este estendeu-lhe a m�o, que foi aceita receosamente, mas depois seguramente.
- Seja bem-vindo! - Disse o anci�o.
E puseram-se novamente a andar.
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