| Quinta-feira, Janeiro 15, 2004 GABRIELA ANDRADE DA SILVA Ol�! Acharam que eu tinha sumido? Acertaram! Fazer o que, n�, tive que sumir por uns tempos, mas n�o foi por vontade pr�pria! Agora, acharam que eu tinha sumido pra sempre? Erraram! Estou de volta, para bem ou para mal... E a� vai outra parte de... Di�rio de Campo - Um dia em nove partes PARTE 7 - QUEM MANDA NA PRA�A Eu e Adriana voltamos para os "bastidores". Marilene falou para eu e Adriana irmos almo�ar. Eram cerca de 10 e meia da manh�, e eu ainda n�o estava com fome. Cada funcion�rio tem um hor�rio de almo�o diferente segundo a sua fun��o. Como eu e Adriana ficar�amos na pra�a de alimenta��o, t�nhamos que almo�ar cedo, para peg�-la no pico. Mostraram-nos o refeit�rio. Ele consistia de algumas mesas grandes e um local onde eram esquentadas as marmitas. Infelizmente, n�o hav�amos levado comida. Tiramos a touca e as luvas e fomos para o shopping comprar alguma coisa. Eu n�o quis comer muito. Fiquei um pouco sem jeito, pois estava uniformizada. Achei que seria estranho estar no papel de faxineira e comer alguma coisa nos caros restaurantes da pra�a de alimenta��o (mesmo eu podendo pagar, acho-os muito caros). Comi apenas um salgado e tomei um refrigerante. Adriana tamb�m. Ficamos conversando por um tempo, pois t�nhamos uma hora de almo�o. Quando deu o hor�rio, voltamos para a faxina. Colocamos as toucas e fomos acompanhar Iracy. Iracy n�o era jovem como os outros funcion�rios com os quais eu tivera contato at� ali. Ela ficava na pra�a de alimenta��o, limpando as mesinhas e recolhendo bandejas. Primeiro, tivemos que ir com ela at� o vesti�rio, colocar aventais que ela arranjou para n�s e que ficavam por cima do uniforme. Ela colocou-os em n�s, prendendo-os atr�s de nossas costas. Arrumou meu cabelo para dentro de touca, disse que n�o poderia ficar um �nico fiozinho para fora. Novamente, eu percebia a rigorosidade com rela��o aos uniformes. Fomos para a pra�a de alimenta��o. Ir�amos de elevador, mas como ele estava preso em algum andar, pois algu�m n�o fechara corretamente a porta, acabamos pegando a escada. O movimento ainda n�o estava muito intenso. Iracy aproveitou para passar conosco de restaurante em restaurante, mostrando-nos a cor e o formato das bandejas. N�o eram todas que tinham o nome da loja estampado, portanto, precis�vamos saber de cor para poder devolv�-las. Um funcion�rio de um dos restaurantes ainda brincou conosco: "Obede�am a Iracy, pois � ela que manda na pra�a!". Cada uma de n�s recebeu um pano embebido em �lcool, para que limp�ssemos as mesinhas sempre que elas fossem desocupadas. Estivessem limpas ou sujas, dever�amos passar o pano. Novamente, eu tinha a sensa��o do trabalho in�til, por mera formalidade. Ensinou-nos, ent�o, a postura que dever�amos ter, sempre com as m�os para tr�s, e tamb�m os pontos em que poder�amos ficar paradas na pra�a de alimenta��o. N�o era permitido parar em qualquer lugar, provavelmente para que n�o atrapalh�ssemos a circula��o dos freq�entadores. Pod�amos ficar paradas apenas em tr�s pontos, todos ao lado das lixeiras. No come�o, fui ficando um pouco entediada. O movimento ainda estava fraco, n�o t�nhamos muito o que fazer. Aos poucos, foram sendo desocupadas as mesas, e n�s fomos tendo a cada vez mais trabalho. Devolver bandejas, passar pano nas mesas, colocar no lugar as mesas e cadeiras (sobretudo quando as pessoas estavam em grupos numerosos e juntavam as mesas. Elas tinham lugar certo para ficar, e assim que as pessoas levantavam, t�nhamos que ir arrumar). Devolver bandejas era uma tarefa de que eu gostava mais. Ela pelo menos exigia um pouco, ainda que bem pouco, de atividade intelectual: era um desafio � minha mem�ria guardar que bandeja era de que restaurante. Orgulho-me de s� ter confundido uma vez, e mesmo assim, as bandejas dos restaurantes confundidos eram muito parecidas (ambas brancas). De tudo o que fiz no shopping naquele dia, acho que o que mais gostei foi de devolver bandejas. Chegamos ao fim da s�tima parte de Di�rio de Campo - Um Dia em Nove Partes. Assim que poss�vel, publicarei as �ltimas duas partes de minha jornada. E depois, n�o percam meu novo folhetim, que j� est� no forno: A Falta. |
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