| Quinta-feira, Outubro 23, 2003 GABRIELA ANDRADE DA SILVA Como algumas pessoas sabem, uma das mat�rias que fa�o no curso de Psicologia exigiu de n�s um trabalho interessante: precis�vamos trabalhar por um dia em uma tarefa que obedecesse a alguns requisitos: n�o exigir estudo ou especializa��o e ser subordinada a um chefe ou patr�o. Para cumprir a essas determina��es, no dia 10 de outubro de 2003, fui ao shopping Galleria trabalhar como faxineira. Adriana, uma garota que estuda comigo, acompanhou-me neste dia. Marina e Lu�s Fernando j� tinham estado l� no dia 08 de outubro. Ap�s o fatigante dia de trabalho, redigi meu di�rio de campo, que ser� entregue dia 29 de outubro aos professores da disciplina, e ent�o come�ar� todo um trabalho de discuss�o das experi�ncias vividas. Publico neste blog o Di�rio de Campo - Um dia em nove partes em primeira m�o, para quem se interessar por aquilo que vivi durante aquele dia, e que certamente foi inesquec�vel. Ser� este o meu primeiro folhetim! Di�rio de Campo - Um dia em nove partes PARTE 1 - Contraste nunca antes notado Segunda-feira, 10 de outubro de 2003. Acordei �s 6 horas da manh�, vesti-me e tomei rapidamente meu caf�. Seria meu primeiro (e, neste caso, tamb�m o �ltimo) dia de trabalho, e eu estava muito ansiosa (tanto que havia dormido mal durante a noite, e estava muito cansada). Cerca de 6:30 da manh�, acordei minha m�e, que me levaria ao Shopping Galleria. Eu tinha que estar l� �s 7 horas, e da minha casa at� o shopping s�o apenas 10 ou 15 min. Mesmo assim, eu j� queria sair. Queria chegar cedo... Minha m�e concordou comigo, disse que faxineira tem que chegar cedo no primeiro dia, para impressionar o patr�o. Chegando no shopping, minha m�e n�o quis entrar no estacionamento. Deixou-me no ponto de �nibus, pois, segundo ela, seria estranho uma faxineira que chega de carro no servi�o. Achei interessante como esse trabalho mobilizou as fantasias dela tamb�m: assim como eu, ela tentava fazer as coisas de modo que parecessem com um dia de trabalho normal, ou de modo com que os funcion�rios desconfiassem o m�nimo poss�vel de que eu n�o era uma faxineira "de verdade". Eu havia combinado com Adriana, que tamb�m trabalharia naquele dia, que n�s nos encontrar�amos 5 minutos antes do in�cio do expediente em frente a uma academia que � perto do local onde dever�amos entrar para falar com nossos contatos. Sentei-me num banco que fica em frente � academia e esperei-a. Eu havia realmente chegado cedo... Fiquei observando as pessoas ao meu redor. Havia faxineiros e faxineiras que j� estavam trabalhando, o que me deixou preocupada: ser� que eu havia entendido errado? Ser� que eu deveria ter chegado �s 6, e n�o �s 7? Muita gente j� estava chegando no shopping para freq�entar a academia. Apesar do frio que estava, pois era muito cedo, chegavam de shorts, regatas, t�nis, e sempre traziam uma mala com roupas para trocar. Alguns at� traziam ternos pendurados, via-se que depois da academia provavelmente iriam direto para seus respectivos trabalhos. O contraste entre as pessoas que passavam apressadas com suas roupas de marca e seus ternos, indo exercitar-se numa academia com alt�ssimas mensalidades, e os faxineiros que j� enceravam o ch�o, sem serem notados pelos freq�entadores do shopping e da academia, era algo marcante. E eu nunca havia notado... Adriana chegou e n�s fomos procurar a sala da faxina, conforme Marina nos dissera que dever�amos fazer. Erramos algumas vezes o caminho e eu me dei conta de que, apesar de j� ter ido diversas vezes passear naquele shopping, eu n�o conhecia (e nem teria porque conhecer) os seus "bastidores"... Corredores com ch�o cinza, repletos de portas com plaquinhas (algumas delas davam para o interior de salas ligadas � administra��o do shopping, outras eram as portas dos fundos das lojas, e tinham letreiros indicando o seu nome), sem janelas, um pouco escuros. Logo alguns funcion�rios j� notaram nossa presen�a e vieram perguntar o que est�vamos procurando. Explicamos que procur�vamos o setor de faxina, pois precis�vamos falar com a Marilene ou o Justino. Levaram-nos at� l�. |
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