| Domingo, Setembro 26, 2004 GABRIELA ANDRADE DA SILVA Eu estou com uma id�ia de um conto faz algum tempo, mas estou sem tempo de escrever. Agora eu tenho um monte de coisa pra fazer como sempre, mas n�o estou fazendo nada! Isso � t�o legal! Ent�o vou fazer algo de �til: vou escrever o conto, diretamente no blog, e seja o que Deus quiser! O anivers�rio que n�o existiu 14 de setembro Mo�a Supersticiosa - Que legal! Ent�o sua festa � s�bado? Homem C�tico - �! Voc� vai? Mo�a Supersticiosa - Eu vou! Seu anivers�rio � no dia 18, mesmo? Homem C�tico - N�o, � no dia 20. Mo�a Supersticiosa - E porque voc� vai fazer no dia 18? Homem C�tico - Porque dia 20 � segunda. Segunda ningu�m vai... Mo�a Supersticiosa - Mas isso n�o pode! D� mau agouro! Homem C�tico - Que mau agouro! T� louca? Isso � supersti��o! Mo�a Supersticiosa - Ai, eu se fosse voc� n�o faria isso... Faz no s�bado seguinte, dia 25... Homem C�tico - N�o faz sentido! Vai ficar mais longe ainda da data... E eu n�o acredito em mau agouro! Mo�a Supersticiosa - Ai... Sei l�, e se acontecer alguma coisa? Voc� devia tomar cuidado, sen�o depois se arrepende. Comemorar anivers�rio antes n�o � bom... Homem C�tico - Ah, chega! Se n�o quer ir, n�o vai! Mas eu n�o vou mudar o dia da festa por causa de uma tolice dessas... 18 de setembro Sal�o lotado. O Homem C�tico conhece muita gente... Balada da boa! Muito chopp, muito techno... E muito agarra-agarra nos cantinhos escuros. Banheiro feminino lotado de batons, pentes e fofocas. Banheiro masculino lotado de b�bados e de urina no ch�o. Mo�as hist�ricas com muito brilho na roupa. Dan�as fren�ticas na pista. Luzes estrobosc�picas. Luz negra. Cheiro forte de cigarro no ar. Cheiro de maconha em alguns pontos. Comprimidos divertidos que levam as pessoas � loucura ("voc� sente cada toque como se fosse um orgasmo!")! Olheiras escondidas na penumbra e na maquiagem. Mulheres desengon�adas sobre saltos absurdos. V�mito no ch�o. 19 de setembro O sol come�a a dar as caras. Fila para pagar. Fila no estacionamento ("manobrista lerdo filho da puta!"). Pessoas se apinhocando em carros. Ve�culos caros v�o saindo cantando pneu ("olha a pot�ncia do meu motor!"). Acidente num retorno. Carro capotado. Pol�cia, resgate, ambul�ncia. Muito curioso parado em volta. Mo�a Supersticiosa chora desesperadamente. H� um corpo sob o jornal. O Homem C�tico est� morto. Caix�o coberto de flores. M�e chorando. Pai tentando consolar a desconsolada. Amigas com olheiras mal dissimuladas pelo resto borrado de maquiagem. Amigos bocejando e abra�ando as meninas (com ou sem segundas inten��es?). Mo�a Supersticiosa - Eu avisei... D� mau agouro... Rapaz L�gico - O que d� mau agouro? Mo�a Supersticiosa - Comemorar o anivers�rio antes da data. N�o pode. Rapaz L�gico - N�o tem nada a ver... Isso � besteira. O problema foi ele ter bebido demais... Resolveu dirigir... Deu no que deu... Mo�a Supersticiosa - Mas ele dirigia bem! Rapaz L�gico - Dirigia bem quando estava s�brio, n�... Ele abusou... Mo�a Supersticiosa - Ele tava bem quando saiu de l�... Eu falei com ele... Eu tava no carro... Ele tava falando comigo... Como isso foi acontecer? (L�grimas) Eu falei pra ele! Eu disse pra comemorar no outro s�bado, ele n�o me ouviu, ele n�o acreditou! Rapaz L�gico - N�o tem nada a ver, j� falei, a data n�o tem nada a ver! Mo�a Supersticiosa, gritando histericamente - Tem sim! Voc�s n�o acreditam em mim, ele tamb�m n�o acreditou, e olha s� como ele est�! Voc�s acham que eu sou burra porque eu acredito nessas coisas, mas olha s�, eu estava certa! Pessoas assustadas olhando para a Mo�a Supersticiosa, que fica vermelha. Percebe que gritou em um vel�rio. Rapaz L�gico, em voz baixa - Ele n�o comemorou o anivers�rio dele. Mo�a Supersticiosa, ainda gritando - Como n�o?! Rapaz L�gico - Bom, ele comemorou. Mas comemorou algo que n�o existe. Ele n�o fez anivers�rio, porque n�o viveu at� amanh�. Mo�a Supersticiosa, perplexa - Como voc� pode pensar nisso agora? Rapaz L�gico - Pensa voc� tamb�m! � verdade! Ele n�o fez anivers�rio, ele morreu antes! Ele comemorou uma data que n�o existiu pra ele... Mo�a Supersticiosa, resignada - � verdade. (Pausa) E talvez se n�o tivesse comemorado, ela tivesse existido. Rapaz L�gico - Talvez... Mo�a Supersticiosa - Mas n�o, � o destino. Deus quis que ele morresse, ele ia morrer de qualquer jeito. Rapaz L�gico - Se voc� pensa assim, ent�o tanto faz se uma pessoa comemora o anivers�rio antes ou depois da data... � Deus quem manda quando que o cara morre... � at� melhor comemorar antes, porque a� voc� garante a festa! Mo�a Supersticiosa - P�ra! Voc� me confunde! Com cara de brava, a Mo�a Supersticiosa sai de perto do Homem L�gico, que apesar do semblante carregado caracter�stico dos vel�rios, ri por dentro. Como � divertido provocar essas pessoas cr�dulas... |
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