O Painel de Capitu

 M. R. Callegaro

 

 

 

 

 

 

 

 

[Conto para análise #0160]
[Autor: M. R. Callegaro]
[Título: O Painel de Capitu]
[Gênero: FC]
[Número de Palavras: 2.710]

 

A nave-mãe do sistema de defesa de Klaxon, o planeta vernacular, deslizava macio sob um céu de brigadeiro. Dentro dela, a também aparente calma de seus integrantes, não correspondia à gravidade dos fatos:

— Comandante…

— Pois não, operador.

— A belonave Cacofitus II cruzou o limite de segurança.

Todos olharam em direção ao comandante Roland — um silêncio sepulcral permeou o ambiente. Envolto em seus pensamentos, não demonstrou o menor sinal do verdadeiro e iminente perigo pelo qual passavam.

— Algum novo comando? — perguntou o operador.

O comandante Martan Roland conservou-se calado. A tripulação da Star Grog operava sob suas ordens há longos anos, eram homens da sua mais absoluta confiança. Quando houvesse chegado o momento, teriam a resposta mais correta e sensata possível.

Sentado em sua poltrona de comando, manteve-se concentrado em seus pensamentos. Uma luz azul brilhou no diamante frontal do seu diadema — pedra esta que lhe cobria o entrecenho. Martan Roland tornara-se uma lenda viva entre os guerreiros de Klaxon, pois, através do místico diamante, recebia emanações de força das mais diversas dimensões.

— Quanto tempo ainda? — perguntou ao operador.

— Perto de meia hória, senhor. Não mais do que isso!

— A que distância Woj se encontra do Cruzamento das Galáxias?

Após digitar duas ou três teclas, o operador retomou o olhar para ele:

— Dezoito paragraphus e sete frasis, comandante Roland.

A tripulação fitou novamente o seu líder. Silêncio. A nave de Woj estivera em regiões além do poder de rastreamento do inimigo; ignoravam os cacofitianos, portanto, a existência de uma nave de guerra klaxoniana ainda na ativa. Um ataque por parte dela seria um imbatível fator surpresa. O comandante Roland tinha nessa nave sua última esperança para impedir o poderoso ataque da Cacofitus II. Mas uma difícil questão se apresentava: a forma como haveriam de se comunicar com ela. Todo o sistema de transmissão de mensagens estava bloqueado por fortes interferências eletromagnéticas emitida pela belonave adversária. Qualquer mensagem não seria somente bloqueada, mas também captada e decifrada pelos inimigos, o que revelaria o segredo militar.

— Major Morphemus!

— Sim, comandante.

— Coloque na tela a última mensagem emitida pela nave de Woj — e girou a poltrona em direção ao monitor central.

Rapidamente, letras agruparam-se preenchendo o comprimento da tela:

MUNIÇÃO ESCASSA. RESPONDER URGENTE: DEVO OU NÃO ATACAR CACOFITUS II?

A comunicação havia sido enviada momentos antes da Star Grog receber o ultimato cacofitiano e seus oponentes caras-de-sapo-boi acionarem o bloqueio de sinais. Não tiveram como responder. Antes disso, impossível ordenar um ataque: tentavam ainda uma solução diplomática. O Conselho dos Anciões sabia que uma luta franca contra os arquiinimigos seria uma temeridade naquele momento. A maior parte da Força já havia sido destruída. Restara apenas a Star Grog, e a perdida nave de Woj. Com o seqüestro dos maiores estudiosos sobre fissão gramatical, os cacofitianos haviam desenvolvido uma arma poderosíssima: a Progressão Continuada. Através dela, os elementos gramaticais empobrecidos iam se fissionando, em progressão geométrica, liberando uma onda de concordância erro-magnética que desintegrava toda e qualquer matéria elementar que compunha aquele planeta. Os klaxonianos não dispunham de nenhuma forma eficaz de defesa contra tão devastadora força de destruição.

— Major Morphemus, qual a última situação recebida da nave de Woj?

Sem mais demora, Morphemus respondeu:

— Situação crítica, senhor. Atacou as duas luas de Barbarismo, as reservas gramaticais de Preciosismo e a artilharia de Plebeísmo. Munição escassa, senhor. Reserva apenas para mais uma única missão.

— Alguma outra nave da nossa Força?

— Nenhuma, senhor. Todas destruídas ou avariadas. A de Woj é a única ainda em condições de uso.

Roland sabia que, diferentemente do restante da Força Espacial, Woj houvera se livrado da destruição por estar em uma operação secreta além do Círculo do Permitido.

— Temos como obter reforço de Mary Flag?

— Impossível, senhor. Mary Flag trafegando em outra dimensão espaço-tempo.

Sem o apoio de forças auxiliares, a situação tornava-se mais crítica a cada grão de areia que escorria pela Ampulheta do Tempo.

— Alguma outra possibilidade de comunicação com Woj, operador?

— Nenhuma, comandante. Se me permite, a situação no momento se apresenta ainda mais grave: bloqueio de comunicação em 750 ISBNs por segundio, velocidade da nave inimiga a 85.000 caracteres por hória.

Em um comportamento raro em todos esses anos de comando, Martan Roland ergueu-se preocupado da poltrona de comando. Caminhou reflexivo em direção ao monitor central. Dirigiu-se indiretamente ao Major Morphemus:

— Nossa única salvação é comunicarmos com Woj. Mas… como fazê-lo?

Toda a tripulação introjetou a pergunta tentando encontrar uma resposta que poderia não somente lhes salvar a vida, mas também toda a existência do planeta Klaxon.

— Por que não a garrafa-espacial? — sugeriu Morphemus.

— Impossível — interferiu o piloto Lexicus — a garrafa-espacial poderia ficar dias perdida no espaço antes de ser encontrada.

— Alguma possibilidade de comunicação através de anagramas, operador?

— Negativo, senhor. Sistema de anagramas seria identificado pelo bloqueador do inimigo.

— Se me permite, comandante Roland.

Atendendo ao chamado, virou-se para a hermafrodita Éssen que pedira a palavra. Éssen era uma atraente princesa que viera trabalhar com diagramação junto à Força, após acordos de colaboração entre os planetas.

— Pelos meus cálculos, o capitão Woj passará pelo Cruzamento das Galáxias em 22 minutios, portanto, cerca de 13 ou 14 minutios antes da nave cacofitiana…

Demonstrando um mudo, mas ansioso interesse, os olhos de Roland permitiram que ela continuasse.

— Se enviarmos uma célula de salvamento em sua velocidade máxima, creio que ela chegará ao Cruzamento das Galáxias antes de Woj e da belonave inimiga.

— Mas antes que ela chegue lá, será detectada e destruída pelos cacofitianos — alegou Morphemus.

— Negativo, Major — retrucou o operador. — Pelo seu tamanho e formato, a célula de salvamento é considerada um objeto desprezível pelos sistemas de defesa.

A tripulação da nave agitou-se demonstrando alguma esperança.

— E então, diagramadora Éssen, chegando ao local, faríamos o quê?

— O Painel de Capitu, comandante, o Painel de Capitu.

O painel fora um sistema de recados luminosos usado para comunicação intergaláctica entre os antigos. Ao passar por ele, deixavam pequenas mensagens nas diversas células que compunham o monstruoso painel flutuante. Com o passar do tempo, tornara-se obsoleto, porém, devido a certa nostalgia, vários apaixonados deixavam seus recados para agradar sua contraparte amorosa, principalmente amores secretos. Desta forma, os mantenedores do Painel começaram a cobrar uma pequena quantia para cada recado luminoso deixado e, sendo assim, decidiram mantê-lo em funcionamento.

Um sentimento de urgência se apossou dos músculos do comandante Roland.

— Major Morphemus, é possível lançar uma célula de salvamento em velocidade máxima?

— Positivo, senhor.

— Nessa velocidade, qual o risco da célula não atingir o local programado?

— Grande, senhor comandante. Teriam de ser feitos ajustes manuais pelo seu ocupante. Possível apenas para um piloto com grande experiência.

— Tenho certeza de que eu conseguiria, senhor — falou Lexicus que se aproximara e encontrava-se às costas do comandante.

Martan Roland virou o corpo e fitou o rosto sério e solidário de seu interlocutor. Sentia que no meio de uma situação extremamente difícil como aquela, começavam a encontrar uma saída. Ainda assim, uma dúvida assolava a sua mente:

— Mas, senhorita Éssen, como saberia o capitão Woj haver uma mensagem para ele no meio de milhares de recados luminosos?

A diagramadora enrubesceu. Após breves segundos, levantou o rosto e, mantendo em sua fala o costumeiro profissionalismo, complementou:

— A coordenada E70/W60, senhor comandante: é nossa coordenada pessoal.

Os integrantes da sala de comando se entreolharam furtivamente, emitiram alguns risos irônicos, porém não ousaram tecer maiores comentários.

A adrenalina correu pelas veias de Roland.

— Operador, sintonize contato visual!…

Toda a tripulação começou a se agitar retomando suas posições na sala de controle.

— Morphemus, prepare o lançamento da célula em velocidade máxima!…

Visivelmente emocionado, o comandante aproximou-se de Lexicus. Ergueu a mão direita, tocando-lhe de leve o ombro:

— Lexicus…

O piloto frio e calculista de tantas missões bem sucedidas notou os olhos marejados de seu comandante.

— … sabes que sempre tive em ti um guerreiro.

Segurou as mãos de seu subordinado.

— Nessas mãos eu deposito não somente a minha fé, mas a sobrevivência de todo planeta Klaxon.

— Darei o meu melhor, senhor.

— Confio em ti, Lexicus.

E, quebrando o protocolo militar, abraçou-o em profunda emoção.

— Comandante Roland, piloto Lexicus, a célula de salvamento está preparada para o lançamento — comunicou Morphemus a realização da tarefa que lhe fora atribuída.

— O que devo comunicar a Woj, senhor? — perguntou Lexicus.

Martan Roland dirigiu seu olhar para a tela do monitor que ainda estampava a última mensagem de Woj:

MUNIÇÃO ESCASSA. RESPONDER URGENTE: DEVO OU NÃO ATACAR CACOFITUS II?

Em seguida, o comandante olhou para Éssen: não conseguia entender como Woj havia conseguido ocultar por tanto tempo seu relacionamento com seres hermafroditas… Ainda mais com Éssen, pertencente à Dinastia dos Long Dong. Isso, porém, não era o mais importante no momento. Entregou a Lexicus um papel escrito com a seguinte mensagem para ser estampada nas citadas coordenadas do painel:

ATACAR, NÃO POUPE MUNIÇÃO.

— Vá, Lexicus, vá! — falou com voz embargada de emoção, o comandante ao seu subordinado.

Lexicus desceu o visor de seu capacete, adentrou a escotilha que dava acesso à célula. A porta circular se fechou. Um silêncio de expectativa permeou o ambiente. Em curto espaço de tempo, escutou-se o estampido da ignição, o ruído característico das miniturbinas, um estrondo de arranque: a pequena nave salva-vidas partira.

— Operador, mantenha contato visual!

Todos haviam retornado aos seus postos, retomado suas funções. Na larga tela do monitor central, a minúscula célula laranja cortava o azul do espaço infinito de Klaxon.

— Morphemus, foque a programação da MR31413 para o Cruzamento das Galáxias. Peça contagem regressiva das naves de Woj e dos cacófitos.

O major digitou algumas teclas, girou alguns botões no painel mais acima da sua cabeça. Sabia que, a partir do Cruzamento das Galáxias, a Star Grog entraria no raio de ação da Cacofitus II.

A feminina voz metálica da MR31413 começou a anunciar:

— Nave Klaxon a 11, Cacofitus a 25.

A ansiedade tomou conta da tripulação.

— Nave Klaxon a 10, Cacofitus a 24.

Ao perceber um dos tripulantes que, um pouco mais distante, com olhar libertino, fitava suas partes íntimas, Éssen sentou-se e dobrou as pernas para ocultar seus maiores volumes.

— Nave Klaxon a 8, Cacofitus a 22.

Pela primeira vez em muitos anos, o comandante Roland mordiscava de tensão a parte inferior dos seus lábios. Devido à longa distância, o contato visual com a célula de salvamento começava a tornar-se difícil.

— Tente manter o contato visual, operador.

— Somente no fonemômetro, senhor — e apertando um botão, ergueu-se uma curta haste com a extremidade do aparelho. O operador apoiou sua testa sobre as bordas do visor, girou um botão lateral tentando melhorar a imagem. Apenas obtinha algum sinal através do pequeno aparelho, pois a imagem refletida na tela do monitor central tornava-se difusa demais. Chuviscos de interferência cruzavam seu comprimento.

— Nave Klaxon a 5, Cacofitus a 19.

— Alguma novidade, operador?

— Um momento, senhor.

— Nave Klaxon a 4, Cacofitus a 18.

— Operador, eu perguntei se temos alguma novidade?

Sem responder, envolto em sua tarefa, o operador continuou fitando o visor apenas por mais algumas frações de segundo. Foi o suficiente para que os integrantes da Star Grog comprimissem as mãos e se entreolhassem com aflição

— Um momento, senhor… um momento!… — o operador ergueu o rosto com um sorriso enorme estampado no rosto — Ele conseguiu, Lexicus conseguiu! Ele aportou no Painel de Capitu!…

Um forte burburinho de felicidade espalhou-se pela sala de comando. Os mais próximos confraternizaram-se. A princesa Éssen manifestou seu contentamento dando lépidas batidinhas de palmas.

— Nave Klaxon a 2, Cacofitus a 16.

— Senhor, nave de Woj se aproxima do Cruzamento das Galáxias.

— Major Morphemus, acione os motores auxiliares. Vamos em direção aos acontecimentos: Woj deve se ocultar nos anéis de asteróides e em breve atacar por trás a Cacofitus II.

— Nave Klaxon a 1, Cacofitus a 15.

A tripulação retomou incontinenti seus afazeres. Morphemus empurrou o manche e a Star Grog ganhou maior velocidade. Os controladores de vôo acionaram comandos, a nave se deslocava ligeiro em rumo ao Cruzamento das Galáxias.

— Nova direção de vôo programada, comandante.

— Acelerar, força total!

— Nave Klaxon no ponto zero, repito, ponto zero; Cacofitus a 14.

O horizonte do espaço infinito rapidamente foi sendo devorado pela nave klaxoniana. Os olhos de Martan Roland brilhavam de satisfação. Fitou a tela do monitor e esbravejou, cerrando os dentes:

— Mostre para eles, Woj, mostre! Pegue eles por trás! Acabe com esses malditos cacofitianos!

A Star Grog navegava nos seus limites de velocidade em direção à belonave Cacofitus II. A metálica voz feminina da MR31413, surpreendentemente, falou:

— Nave Klaxon a 25 do estaleiro; Cacofitus a 14.

Todos olharam espantados.

— Morphemus, algo está errado com a MR31413! — disse convicto o comandante.

O eficiente major conferiu a programação:

— A MR31413 está certa, comandante. Refez automaticamente a programação. A nave de Woj cruzou o Painel de Capitu, mas seguiu em direção ao estaleiro, diferente do que se esperava.

— Operador — clamou atônito o comandante —, já é possível contato visual com o Painel de Capitu?

— Um momento, senhor! — e girou inúmeros botões tentando melhor focalização. — Pronto, aqui está!

Um colorido painel como uma enorme planilha eletrônica preencheu a tela do monitor central. Luzes coloridas piscavam e corriam alegres nas mais variadas direções.

— Nave Klaxon a 22 do estaleiro; Cacofitus a 11.

— Focalize as coordenadas… ? — buscou pelos números.

— E70/W60 — auxiliou Éssen.

O operador correu os dedos entre os controles. Várias células de mensagem foram passando diante da tela, até encontrar aquela desejada.

— Não é possível, operador! — exclamou o comandante Roland — Focalize, focalize!

A mensagem contida dentro das coordenadas indicadas apareceu destacada e colorida ao longo do comprimento do monitor central:

ATACAR NÃO, POUPE MUNIÇÃO.

— A vírgula, Lexicus, a vírgula! Você trocou a posição da vírgula! — vociferou Martan Roland, desesperado.

— Nave Klaxon a 20 do estaleiro, Cacofitus a 9. Perigo! Perigo! Star Grog em área de risco. Perigo! Perigo!

Na Cacofitus II, seu comandante cara de sapo-boi emitiu uma risada irônica — mostrando os roliços dentes coroados com placas de tártaro. Na tela de controle da artilharia inimiga, a nave do comandante Roland ocupava a parte central das linhas de tiro.

— Fogo! — ordenou o comandante cacofitiano. Em seguida, exclamou: — Escapei de uma boa hoje!

E a Star Grog explodiu violentamente, tendo seus pedaços espalhados para todos os lados. Não muito tempo depois, seria a vez de Klaxon. Sem maiores sistemas de defesa, o planeta vernacular foi sendo atingido continuamente por disparos de Progressão Continuada, até desmanchar-se no espaço: em frases curtas, em subordinadas sem a oração principal, em toda sorte de usos e abusos contra a regência e flexão. Espalharam-se pontos e vírgulas por todos os rincões do Universo. Sem que dessem um só segundo de trégua, os cacofitianos retomaram as conquistas até cair em suas mãos toda a Galáxia de Contaurus.

Agora, sem o inimigo para ditar regras ou padrões de norma culta, os cacofitianos festejaram. Foram mais de trinta dias de grandes comemorações. Durante um mês inteiro, multidões gritaram e festejaram pelas ruas de Cacofitus emitindo seu inabalável grito de guerra: “Tá dominado, tá tudo dominado”.

Ao saber da destruição de seu planeta, Woj informou aos subordinados que, por falta de alto comando e de planeta natal, passariam a habitar em Androgênia — lugar de origem da inesquecível Éssen, princesa dos hermafrofitas Long Dong. Tal ordem causou grande rebuliço entre a tripulação. Temendo um motim, voltou atrás e decidiu realizar um pleito democrático no Quarto dos Espelhos — pois, neste local, não haveria como ocorrerem fraudes. Todos concordaram. Foram sugeridos doze planetas. O mais estranho é que Androgênia acabou sendo escolhido como o futuro planeta natal com a quase totalidade dos votos. Em seguida, pouco se comentou sobre o assunto.

Quanto a Lexicus, conseguiu ser recolhido por Woj antes da mudança deles para o exótico planeta. Convidado para que os acompanhasse, Lexicus recusou. Um sentimento enorme de culpa invadira a sua alma; tornara-se insuportável conviver com a morte de seus amigos, assim como com a destruição de todo um planeta. Não conseguindo mais suportar sua própria existência, pediu para Woj que o levasse para o único lugar possível de se viver com aquele eterno sentimento de culpa: para o Planeta Terra, em um templo nos arredores de Praga — onde, em poucos anos, após o domínio da vírgula, acabou se tornando um dos maiores líderes entre os Monges Kafkianos de todos os tempos.

   

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