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A nave-mãe do sistema de defesa de
Klaxon, o planeta vernacular, deslizava macio sob um céu de
brigadeiro. Dentro dela, a também aparente calma de seus
integrantes, não correspondia à gravidade dos fatos:
— Comandante…
— Pois não, operador.
— A belonave Cacofitus II cruzou o
limite de segurança.
Todos olharam em direção ao comandante
Roland — um silêncio sepulcral permeou o ambiente. Envolto em
seus pensamentos, não demonstrou o menor sinal do verdadeiro e
iminente perigo pelo qual passavam.
— Algum novo comando? — perguntou o
operador.
O comandante Martan Roland conservou-se
calado. A tripulação da Star Grog operava sob suas ordens há
longos anos, eram homens da sua mais absoluta confiança. Quando
houvesse chegado o momento, teriam a resposta mais correta e sensata
possível.
Sentado em sua poltrona de comando,
manteve-se concentrado em seus pensamentos. Uma luz azul brilhou no
diamante frontal do seu diadema — pedra esta que lhe cobria o
entrecenho. Martan Roland tornara-se uma lenda viva entre os
guerreiros de Klaxon, pois, através do místico diamante, recebia
emanações de força das mais diversas dimensões.
— Quanto tempo ainda? — perguntou ao
operador.
— Perto de meia hória, senhor. Não
mais do que isso!
— A que distância Woj se encontra do
Cruzamento das Galáxias?
Após digitar duas ou três teclas, o
operador retomou o olhar para ele:
— Dezoito paragraphus e sete frasis,
comandante Roland.
A tripulação fitou novamente o seu líder.
Silêncio. A nave de Woj estivera em regiões além do poder de
rastreamento do inimigo; ignoravam os cacofitianos, portanto, a
existência de uma nave de guerra klaxoniana ainda na ativa. Um
ataque por parte dela seria um imbatível fator surpresa. O
comandante Roland tinha nessa nave sua última esperança para
impedir o poderoso ataque da Cacofitus II. Mas uma difícil questão
se apresentava: a forma como haveriam de se comunicar com ela. Todo
o sistema de transmissão de mensagens estava bloqueado por fortes
interferências eletromagnéticas emitida pela belonave adversária.
Qualquer mensagem não seria somente bloqueada, mas também captada
e decifrada pelos inimigos, o que revelaria o segredo militar.
— Major Morphemus!
— Sim, comandante.
— Coloque na tela a última mensagem
emitida pela nave de Woj — e girou a poltrona em direção ao
monitor central.
Rapidamente, letras agruparam-se
preenchendo o comprimento da tela:
MUNIÇÃO ESCASSA. RESPONDER URGENTE:
DEVO OU NÃO ATACAR CACOFITUS II?
A comunicação havia sido enviada
momentos antes da Star Grog receber o ultimato cacofitiano e seus
oponentes caras-de-sapo-boi acionarem o bloqueio de sinais. Não
tiveram como responder. Antes disso, impossível ordenar um ataque:
tentavam ainda uma solução diplomática. O Conselho dos Anciões
sabia que uma luta franca contra os arquiinimigos seria uma
temeridade naquele momento. A maior parte da Força já havia sido
destruída. Restara apenas a Star Grog, e a perdida nave de Woj. Com
o seqüestro dos maiores estudiosos sobre fissão gramatical, os
cacofitianos haviam desenvolvido uma arma poderosíssima: a Progressão
Continuada. Através dela, os elementos gramaticais empobrecidos iam
se fissionando, em progressão geométrica, liberando uma onda de
concordância erro-magnética que desintegrava toda e qualquer matéria
elementar que compunha aquele planeta. Os klaxonianos não dispunham
de nenhuma forma eficaz de defesa contra tão devastadora força de
destruição.
— Major Morphemus, qual a última situação
recebida da nave de Woj?
Sem mais demora, Morphemus respondeu:
— Situação crítica, senhor. Atacou
as duas luas de Barbarismo, as reservas gramaticais de Preciosismo e
a artilharia de Plebeísmo. Munição escassa, senhor. Reserva
apenas para mais uma única missão.
— Alguma outra nave da nossa Força?
— Nenhuma, senhor. Todas destruídas ou
avariadas. A de Woj é a única ainda em condições de uso.
Roland sabia que, diferentemente do
restante da Força Espacial, Woj houvera se livrado da destruição
por estar em uma operação secreta além do Círculo do Permitido.
— Temos como obter reforço de Mary
Flag?
— Impossível, senhor. Mary Flag
trafegando em outra dimensão espaço-tempo.
Sem o apoio de forças auxiliares, a
situação tornava-se mais crítica a cada grão de areia que
escorria pela Ampulheta do Tempo.
— Alguma outra possibilidade de
comunicação com Woj, operador?
— Nenhuma, comandante. Se me permite, a
situação no momento se apresenta ainda mais grave: bloqueio de
comunicação em 750 ISBNs por segundio, velocidade da nave inimiga
a 85.000 caracteres por hória.
Em um comportamento raro em todos esses
anos de comando, Martan Roland ergueu-se preocupado da poltrona de
comando. Caminhou reflexivo em direção ao monitor central.
Dirigiu-se indiretamente ao Major Morphemus:
— Nossa única salvação é
comunicarmos com Woj. Mas… como fazê-lo?
Toda a tripulação introjetou a pergunta
tentando encontrar uma resposta que poderia não somente lhes salvar
a vida, mas também toda a existência do planeta Klaxon.
— Por que não a garrafa-espacial? —
sugeriu Morphemus.
— Impossível — interferiu o piloto
Lexicus — a garrafa-espacial poderia ficar dias perdida no espaço
antes de ser encontrada.
— Alguma possibilidade de comunicação
através de anagramas, operador?
— Negativo, senhor. Sistema de
anagramas seria identificado pelo bloqueador do inimigo.
— Se me permite, comandante Roland.
Atendendo ao chamado, virou-se para a
hermafrodita Éssen que pedira a palavra. Éssen era uma atraente
princesa que viera trabalhar com diagramação junto à Força, após
acordos de colaboração entre os planetas.
— Pelos meus cálculos, o capitão Woj
passará pelo Cruzamento das Galáxias em 22 minutios, portanto,
cerca de 13 ou 14 minutios antes da nave cacofitiana…
Demonstrando um mudo, mas ansioso
interesse, os olhos de Roland permitiram que ela continuasse.
— Se enviarmos uma célula de
salvamento em sua velocidade máxima, creio que ela chegará ao
Cruzamento das Galáxias antes de Woj e da belonave inimiga.
— Mas antes que ela chegue lá, será
detectada e destruída pelos cacofitianos — alegou Morphemus.
— Negativo, Major — retrucou o
operador. — Pelo seu tamanho e formato, a célula de salvamento é
considerada um objeto desprezível pelos sistemas de defesa.
A tripulação da nave agitou-se
demonstrando alguma esperança.
— E então, diagramadora Éssen,
chegando ao local, faríamos o quê?
— O Painel de Capitu, comandante, o
Painel de Capitu.
O painel fora um sistema de recados
luminosos usado para comunicação intergaláctica entre os antigos.
Ao passar por ele, deixavam pequenas mensagens nas diversas células
que compunham o monstruoso painel flutuante. Com o passar do tempo,
tornara-se obsoleto, porém, devido a certa nostalgia, vários
apaixonados deixavam seus recados para agradar sua contraparte
amorosa, principalmente amores secretos. Desta forma, os
mantenedores do Painel começaram a cobrar uma pequena quantia para
cada recado luminoso deixado e, sendo assim, decidiram mantê-lo em
funcionamento.
Um sentimento de urgência se apossou dos
músculos do comandante Roland.
— Major Morphemus, é possível lançar
uma célula de salvamento em velocidade máxima?
— Positivo, senhor.
— Nessa velocidade, qual o risco da célula
não atingir o local programado?
— Grande, senhor comandante. Teriam de
ser feitos ajustes manuais pelo seu ocupante. Possível apenas para
um piloto com grande experiência.
— Tenho certeza de que eu conseguiria,
senhor — falou Lexicus que se aproximara e encontrava-se às
costas do comandante.
Martan Roland virou o corpo e fitou o
rosto sério e solidário de seu interlocutor. Sentia que no meio de
uma situação extremamente difícil como aquela, começavam a
encontrar uma saída. Ainda assim, uma dúvida assolava a sua mente:
— Mas, senhorita Éssen, como saberia o
capitão Woj haver uma mensagem para ele no meio de milhares de
recados luminosos?
A diagramadora enrubesceu. Após breves
segundos, levantou o rosto e, mantendo em sua fala o costumeiro
profissionalismo, complementou:
— A coordenada E70/W60, senhor
comandante: é nossa coordenada pessoal.
Os integrantes da sala de comando se
entreolharam furtivamente, emitiram alguns risos irônicos, porém não
ousaram tecer maiores comentários.
A adrenalina correu pelas veias de
Roland.
— Operador, sintonize contato
visual!…
Toda a tripulação começou a se agitar
retomando suas posições na sala de controle.
— Morphemus, prepare o lançamento da célula
em velocidade máxima!…
Visivelmente emocionado, o comandante
aproximou-se de Lexicus. Ergueu a mão direita, tocando-lhe de leve
o ombro:
— Lexicus…
O piloto frio e calculista de tantas missões
bem sucedidas notou os olhos marejados de seu comandante.
— … sabes que sempre tive em ti um
guerreiro.
Segurou as mãos de seu subordinado.
— Nessas mãos eu deposito não somente
a minha fé, mas a sobrevivência de todo planeta Klaxon.
— Darei o meu melhor, senhor.
— Confio em ti, Lexicus.
E, quebrando o protocolo militar, abraçou-o
em profunda emoção.
— Comandante Roland, piloto Lexicus, a
célula de salvamento está preparada para o lançamento —
comunicou Morphemus a realização da tarefa que lhe fora atribuída.
— O que devo comunicar a Woj, senhor?
— perguntou Lexicus.
Martan Roland dirigiu seu olhar para a
tela do monitor que ainda estampava a última mensagem de Woj:
MUNIÇÃO ESCASSA. RESPONDER URGENTE:
DEVO OU NÃO ATACAR CACOFITUS II?
Em seguida, o comandante olhou para Éssen:
não conseguia entender como Woj havia conseguido ocultar por tanto
tempo seu relacionamento com seres hermafroditas… Ainda mais com
Éssen, pertencente à Dinastia dos Long Dong. Isso, porém, não
era o mais importante no momento. Entregou a Lexicus um papel
escrito com a seguinte mensagem para ser estampada nas citadas
coordenadas do painel:
ATACAR, NÃO POUPE MUNIÇÃO.
— Vá, Lexicus, vá! — falou com voz
embargada de emoção, o comandante ao seu subordinado.
Lexicus desceu o visor de seu capacete,
adentrou a escotilha que dava acesso à célula. A porta circular se
fechou. Um silêncio de expectativa permeou o ambiente. Em curto
espaço de tempo, escutou-se o estampido da ignição, o ruído
característico das miniturbinas, um estrondo de arranque: a pequena
nave salva-vidas partira.
— Operador, mantenha contato visual!
Todos haviam retornado aos seus postos,
retomado suas funções. Na larga tela do monitor central, a minúscula
célula laranja cortava o azul do espaço infinito de Klaxon.
— Morphemus, foque a programação da
MR31413 para o Cruzamento das Galáxias. Peça contagem regressiva
das naves de Woj e dos cacófitos.
O major digitou algumas teclas, girou
alguns botões no painel mais acima da sua cabeça. Sabia que, a
partir do Cruzamento das Galáxias, a Star Grog entraria no raio de
ação da Cacofitus II.
A feminina voz metálica da MR31413 começou
a anunciar:
— Nave Klaxon a 11, Cacofitus a 25.
A ansiedade tomou conta da tripulação.
— Nave Klaxon a 10, Cacofitus a 24.
Ao perceber um dos tripulantes que, um
pouco mais distante, com olhar libertino, fitava suas partes íntimas,
Éssen sentou-se e dobrou as pernas para ocultar seus maiores
volumes.
— Nave Klaxon a 8, Cacofitus a 22.
Pela primeira vez em muitos anos, o
comandante Roland mordiscava de tensão a parte inferior dos seus lábios.
Devido à longa distância, o contato visual com a célula de
salvamento começava a tornar-se difícil.
— Tente manter o contato visual,
operador.
— Somente no fonemômetro, senhor — e
apertando um botão, ergueu-se uma curta haste com a extremidade do
aparelho. O operador apoiou sua testa sobre as bordas do visor,
girou um botão lateral tentando melhorar a imagem. Apenas obtinha
algum sinal através do pequeno aparelho, pois a imagem refletida na
tela do monitor central tornava-se difusa demais. Chuviscos de
interferência cruzavam seu comprimento.
— Nave Klaxon a 5, Cacofitus a 19.
— Alguma novidade, operador?
— Um momento, senhor.
— Nave Klaxon a 4, Cacofitus a 18.
— Operador, eu perguntei se temos
alguma novidade?
Sem responder, envolto em sua tarefa, o
operador continuou fitando o visor apenas por mais algumas frações
de segundo. Foi o suficiente para que os integrantes da Star Grog
comprimissem as mãos e se entreolhassem com aflição
— Um momento, senhor… um momento!…
— o operador ergueu o rosto com um sorriso enorme estampado no
rosto — Ele conseguiu, Lexicus conseguiu! Ele aportou no Painel de
Capitu!…
Um forte burburinho de felicidade
espalhou-se pela sala de comando. Os mais próximos
confraternizaram-se. A princesa Éssen manifestou seu contentamento
dando lépidas batidinhas de palmas.
— Nave Klaxon a 2, Cacofitus a 16.
— Senhor, nave de Woj se aproxima do
Cruzamento das Galáxias.
— Major Morphemus, acione os motores
auxiliares. Vamos em direção aos acontecimentos: Woj deve se
ocultar nos anéis de asteróides e em breve atacar por trás a
Cacofitus II.
— Nave Klaxon a 1, Cacofitus a 15.
A tripulação retomou incontinenti seus
afazeres. Morphemus empurrou o manche e a Star Grog ganhou maior
velocidade. Os controladores de vôo acionaram comandos, a nave se
deslocava ligeiro em rumo ao Cruzamento das Galáxias.
— Nova direção de vôo programada,
comandante.
— Acelerar, força total!
— Nave Klaxon no ponto zero, repito,
ponto zero; Cacofitus a 14.
O horizonte do espaço infinito
rapidamente foi sendo devorado pela nave klaxoniana. Os olhos de
Martan Roland brilhavam de satisfação. Fitou a tela do monitor e
esbravejou, cerrando os dentes:
— Mostre para eles, Woj, mostre! Pegue
eles por trás! Acabe com esses malditos cacofitianos!
A Star Grog navegava nos seus limites de
velocidade em direção à belonave Cacofitus II. A metálica voz
feminina da MR31413, surpreendentemente, falou:
— Nave Klaxon a 25 do estaleiro;
Cacofitus a 14.
Todos olharam espantados.
— Morphemus, algo está errado com a
MR31413! — disse convicto o comandante.
O eficiente major conferiu a programação:
— A MR31413 está certa, comandante.
Refez automaticamente a programação. A nave de Woj cruzou o Painel
de Capitu, mas seguiu em direção ao estaleiro, diferente do que se
esperava.
— Operador — clamou atônito o
comandante —, já é possível contato visual com o Painel de
Capitu?
— Um momento, senhor! — e girou inúmeros
botões tentando melhor focalização. — Pronto, aqui está!
Um colorido painel como uma enorme
planilha eletrônica preencheu a tela do monitor central. Luzes
coloridas piscavam e corriam alegres nas mais variadas direções.
— Nave Klaxon a 22 do estaleiro;
Cacofitus a 11.
— Focalize as coordenadas… ? —
buscou pelos números.
— E70/W60 — auxiliou Éssen.
O operador correu os dedos entre os
controles. Várias células de mensagem foram passando diante da
tela, até encontrar aquela desejada.
— Não é possível, operador! —
exclamou o comandante Roland — Focalize, focalize!
A mensagem contida dentro das coordenadas
indicadas apareceu destacada e colorida ao longo do comprimento do
monitor central:
ATACAR NÃO, POUPE MUNIÇÃO.
— A vírgula, Lexicus, a vírgula! Você
trocou a posição da vírgula! — vociferou Martan Roland,
desesperado.
— Nave Klaxon a 20 do estaleiro,
Cacofitus a 9. Perigo! Perigo! Star Grog em área de risco. Perigo!
Perigo!
Na Cacofitus II, seu comandante cara de
sapo-boi emitiu uma risada irônica — mostrando os roliços dentes
coroados com placas de tártaro. Na tela de controle da artilharia
inimiga, a nave do comandante Roland ocupava a parte central das
linhas de tiro.
— Fogo! — ordenou o comandante
cacofitiano. Em seguida, exclamou: — Escapei de uma boa hoje!
E a Star Grog explodiu violentamente,
tendo seus pedaços espalhados para todos os lados. Não muito tempo
depois, seria a vez de Klaxon. Sem maiores sistemas de defesa, o
planeta vernacular foi sendo atingido continuamente por disparos de
Progressão Continuada, até desmanchar-se no espaço: em frases
curtas, em subordinadas sem a oração principal, em toda sorte de
usos e abusos contra a regência e flexão. Espalharam-se pontos e vírgulas
por todos os rincões do Universo. Sem que dessem um só segundo de
trégua, os cacofitianos retomaram as conquistas até cair em suas mãos
toda a Galáxia de Contaurus.
Agora, sem o inimigo para ditar regras ou
padrões de norma culta, os cacofitianos festejaram. Foram mais de
trinta dias de grandes comemorações. Durante um mês inteiro,
multidões gritaram e festejaram pelas ruas de Cacofitus emitindo
seu inabalável grito de guerra: “Tá dominado, tá tudo
dominado”.
Ao saber da destruição de seu planeta,
Woj informou aos subordinados que, por falta de alto comando e de
planeta natal, passariam a habitar em Androgênia — lugar de
origem da inesquecível Éssen, princesa dos hermafrofitas Long
Dong. Tal ordem causou grande rebuliço entre a tripulação.
Temendo um motim, voltou atrás e decidiu realizar um pleito democrático
no Quarto dos Espelhos — pois, neste local, não haveria como
ocorrerem fraudes. Todos concordaram. Foram sugeridos doze planetas.
O mais estranho é que Androgênia acabou sendo escolhido como o
futuro planeta natal com a quase totalidade dos votos. Em seguida,
pouco se comentou sobre o assunto.
Quanto a Lexicus, conseguiu ser recolhido
por Woj antes da mudança deles para o exótico planeta. Convidado
para que os acompanhasse, Lexicus recusou. Um sentimento enorme de
culpa invadira a sua alma; tornara-se insuportável conviver com a
morte de seus amigos, assim como com a destruição de todo um
planeta. Não conseguindo mais suportar sua própria existência,
pediu para Woj que o levasse para o único lugar possível de se
viver com aquele eterno sentimento de culpa: para o Planeta Terra,
em um templo nos arredores de Praga — onde, em poucos anos, após
o domínio da vírgula, acabou se tornando um dos maiores líderes
entre os Monges Kafkianos de todos os tempos.
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