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[Processo
criativo: Este também foi para um desafio dessa outra lista de que
participo porem o limite de palavras era mior. O tema desafio era o
I Ching. Fui eu quem sugeriu o tema e depois quase desisti por falta
de inspiração. Depois de alguma pesquisa em uma enciclopédia a
inspiração veio e eu escrevi o conto que agora submeto a vossa análise.
Espero que se divirtam.]
Merkavah.
16:30 do centésimo dia.
-
Então?
-
Espere.
-
Fale homem!
O silêncio do velho foi a resposta. Com olhar severo indicou que não
o molestassem. O imperador retirou-se engolindo seu
ressentimento diante do olhar do bruxo.
***
-
Aqui estou majestade! - apresenta-se Duk, o
velho bruxo.
-
Espero que me traga boas novas ou pelo menos uma
boa saida para as adversidades que possa encontrar nesta campanha -
comentou o imperador enfadado pela demora.
-
Majestade, o oráculo foi benevolente contigo -
falou com voz compassada friamente calculada.
-
Então?
-
Bem, as varetas me disseram que as mutações
estão ocorrendo ao teu favor meu mestre. Nas atuais circunstancias
poderias derrotar um exercito com paus e pedras de tanto que brilhas
- disse o velho sabedor do caminho mais fácil para o coração do
imperador. Bajulação! Percebia com tristeza o quanto havia se
acostumado rapidamente a ela.
-
Pensas assim? - inquiriu o governante, já em
tom mais suave, com um sorriso que não pode esconder.
Jovem estúpido, pensou o bruxo, em nada assemelha-se ao pai, velho
amigo. Uma certa amargura tomou-o diante da lembrança
de Felipe, "o arrebanhador". Nos tempos do
velho reinado tudo era guerra, até que o arrebanhador chegou ao
trono levado pelas circunstâncias que o colocaram em evidência na
batalha, exatamente no momento em que o reino ficava sem governante.
Aclamado com herói e sendo ele a única esperança dos aristocratas
de se manterem na aristocracia evitando um levante popular, chegou
ao trono aos trinta anos e governou com justiça e sabedoria até
sua misteriosa morte aos noventa e três. Primeiro seu
pai, agora você, mas seu pai foi muito mais difícil e doloroso,
pensou o velho olhando de soslaio para o jovem e arrogante
imperador.
-
Claro, majestade é evidente para qualquer um
que sois um grande estadista. - respondeu ao perceber que deixara
seu mestre esperando. O imperador pareceu compenetrado
por alguns instantes.
-
Muito bem. Vamos empreender mais esta campanha
de conquistas para nosso grandioso império. Mesmo que para alguns
pareça uma batalha perdida eu vencerei, não vencerei? - perguntou
ao bruxo precisando de mais um empurrãozinho para o abismo.
-
Vencerá, mestre. Vencerá! - o velho Duk, não
pode deixar de sentir uma certa tristeza ao fazer aquilo, mas era o
que devia ser feito.
*** 09:18 do centésimo primeiro
dia.
- Então? Desta vez Duk não falou, limitando-se a olhar
para o jovem Felipe II. Novamente o rapaz foi aguardar
as notícias na sala do trono. Alguns minutos depois o
velho chega a sala do trono e interrompe um beijo que o garoto dava
em uma das muitas criadas que lhe faziam favores.
-
Droga! Já te pedi que não entres assim. -
reclamou.
-
Perdoe-me mestre, mas tenho coisas importantes a
lhe falar. - interrompeu-se esperando que o imperador/rei/general
ficasse no ponto.
-
Desembuche! - Bem, fiz a consulta
desta vez usando cascos de tartaruga e a resposta foi contundente.
Deves empreender o ataque ainda dentro deste decênio e serás
vitorioso. Deves atacar pelo norte, pois teu inimigo tem
dificuldades nesse setor.
-
É! Eu pretendia acabar com eles pelo setor
norte. Mais alguma coisa?
-
Sim. O Livro da Mutações recomenda que o forte
use de toda sua astucia e genialidade nesse empreendimento e diz que
ao final o lago será do homem que cruzar o deserto. - tudo balela
sabia o velho. Palavras cuidadosamente escolhidas e
estava feito. O ponto do impasse era uma vasta região sem estrelas
e poderia ser comparada analogicamente a um abismo e o objeto da
cobiça do jovem era um planeta azul que poderia facilmente ser
comparado a um lago. Duk sabia que Felipe ligaria os pontos como
desejado. - Então devo liderar eu mesmo esse ataque e
garantir nossa chegada triunfal a Terra. Eles vão aprender a nos
respeitar. O Império das Pleiades chegará finalmente a sede do
governo da Confederação do Sol e instalará seu trono em plena
ilha da páscoa. - Certamente.
-
Agora deixe-me, velho. Preciso tomar muitas
providências. O velho bruxo retirou-se. Mais uma vez,
ele tivera que agir.
*** 09:48 do último dia de
campanha. Tudo aconteceu como previsto. O I
Ching estava certo, mais uma vez. O Jovem foi massacrado
pelo velho. O fraco teve sua chance e o lago está seguro além do
abismo. Duk lamentava pelo rapaz. Gostava dele apesar de
sua arrogância e falta de inteligência, mas a única forma de
evitar séculos de barbárie por toda a galáxia era salvar a
confederação e deixar o Império das Pleiades cair em desgraça.
Lágrimas correram dos olhos de Duk. O segundo Felipe morto por suas
ações, mas tinha de ser assim, pois assim estava escrito no
maasseh merkavah.
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