Outra do Caçador

 Marco Bourguignon

 

 

 

 

 

 

 

 

[Conto para análise #0124]
[Autor:
Marco Bourguignon]
[Título: Outra do Caçador]
[Gênero: FC]
[Número de Palavras: 284]

 

[Processo criativo: Este, assim como "Gotas de Chuva" nasceu de um
desafio cujo tema era: Sangue. E é uma seqüência ao meu: "O Dia da
Caça". Tenho um projeto de escrever contos independentes, porém
interligados, que um dia possam formar uma história só. Como os contos
de robôs do mestre Asimov ou os contos da Fundação.]

A noite estava fria.

O vento cortante soprava incansavelmente desde o por do sol, mas ele
não parava. A fome o empurrava e o desejo de vingança.

O céu estava completamente limpo e ele via estrelas, naquela noite,
como em nenhuma outra. Elas brilhavam como fogueiras de tribos
distantes.

Seus olhos captarem um movimento.

- Desta vez será diferente...

Prostrou-se de quatro patas no chão e iniciou a corrida.

***

A criança mal percebeu o vulto negro que se aproximava e começou sua
fuga desesperada.

Não gritou, já sabia ser inútil. Derrubou latas de lixo, caixotes e
tudo que pode no caminho na esperança de atrasar ao máximo a fera que
tinha em seu encalço, como vira o pai fazer a um ano, mas nada parecia
poder parar a criatura.

Era um mutante forte, todo negro como a maioria era, mas este se
parecia mais a um animal do que aquele que seu pai caçara naquela
noite de festa. Se ele estivesse aqui o final da história seria outro,
pensou.

Saltou uma enorme vala sentindo a respiração do mutante a suas costas
e de uma rápida olhada percebeu que ele tinha quase a envergadura de
um touro, a cabeça quase humana e a agilidade de um tigre.

Com a visão sua confiança ficou ainda mais abalada e, numa distração,
tropeçou e caiu ficando a mercê do perseguidor.

***

A criatura olhou bem nos olhos da criança, com um ódio incomum nos
mutantes, e sem demonstrar sentimento algum dilacerou seu corpo com
movimentos rápidos e bestiais.

- Sangue se paga com sangue!!!!!! - gritou ao vento a criatura com uma
voz que parecia sair das profundezas do inferno.

- Nem todos os dias pertencem à caça!
   

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