|
[Processo criativo: Este, assim como "Gotas de Chuva" nasceu de
um
desafio
cujo tema era: Sangue. E é uma seqüência ao meu: "O Dia da
Caça".
Tenho um projeto de escrever contos independentes, porém
interligados,
que um dia possam formar uma história só. Como os contos
de
robôs do mestre Asimov ou os contos da Fundação.]
A
noite estava fria.
O
vento cortante soprava incansavelmente desde o por do sol, mas ele
não
parava. A fome o empurrava e o desejo de vingança.
O céu
estava completamente limpo e ele via estrelas, naquela noite,
como
em nenhuma outra. Elas brilhavam como fogueiras de tribos
distantes.
Seus
olhos captarem um movimento.
-
Desta vez será diferente...
Prostrou-se
de quatro patas no chão e iniciou a corrida.
***
A
criança mal percebeu o vulto negro que se aproximava e começou sua
fuga
desesperada.
Não
gritou, já sabia ser inútil. Derrubou latas de lixo, caixotes e
tudo
que pode no caminho na esperança de atrasar ao máximo a fera que
tinha
em seu encalço, como vira o pai fazer a um ano, mas nada parecia
poder
parar a criatura.
Era
um mutante forte, todo negro como a maioria era, mas este se
parecia
mais a um animal do que aquele que seu pai caçara naquela
noite
de festa. Se ele estivesse aqui o final da história seria outro,
pensou.
Saltou
uma enorme vala sentindo a respiração do mutante a suas costas
e de
uma rápida olhada percebeu que ele tinha quase a envergadura de
um
touro, a cabeça quase humana e a agilidade de um tigre.
Com
a visão sua confiança ficou ainda mais abalada e, numa distração,
tropeçou
e caiu ficando a mercê do perseguidor.
***
A
criatura olhou bem nos olhos da criança, com um ódio incomum nos
mutantes,
e sem demonstrar sentimento algum dilacerou seu corpo com
movimentos
rápidos e bestiais.
-
Sangue se paga com sangue!!!!!! - gritou ao vento a criatura com uma
voz
que parecia sair das profundezas do inferno.
-
Nem todos os dias pertencem à caça!
|