Gotas de Chuva

 Miguel Angel Pérez Corrêa

 

 

 

 

 

 

 

 

[Conto para análise #0121]
[Autor:
Miguel Angel Pérez Corrêa]
[Título: Gotas de Chuva]
[Gênero: Fantasia]
[Número de Palavras: 390]


[Processo criativo: Este conto é, como alguns devem ter notado, uma
seqüência de: "Tempestade" e teve sua origem em uma lista de
escritores de que participo em que tínhamos um desafio semanal para
escrevermos um mini-conto de 300 palavras com uma pequena variação
para mais um para menos e na semana em que criei este o tema era:
Loucura.]

Levantou e saiu, caminhando, para a chuva torrencial. Pela primeira
vez em dias, abandonava o abrigo que aquela arvore lhe proporcionava,
daquela chuva sem trégua. Concentrava-se na areia molhada sob os pés e
relembrava os tempos em que tudo era diferente. Os tempos em que as
coisas não eram tão molhadas.

Seus cabelos não tardaram em ficar encharcados e aquela opressão
causada pelas gotas caindo sobre sua cabeça voltou rapidamente.
Começou a correr, primeiro trotando procurando outro lugar para ficar,
um lugar de onde pudesse chegar as montanhas em uma outra incursão, em
um outro dia, depois mais rápido com certo desespero.

***

Estava correndo, já nem sabia há quanto tempo. Seu fôlego dava sinais
de estar enfraquecendo e nada. Resolveu então, em sua loucura úmida,
correr até o topo do penhasco e com o que lhe restava de forças
começou a escalada. O poncho nego completamente ensopado e es rajadas
de vento aumentavam a sensação de frio, mas ele tinha que chegar ao
topo. Na mente tempestuosa o pensamento no encontro com Deus. Ele
tinha de chegar.

Pedras rolaram em um ponto mais íngreme e ele caiu. Não se importou
com o sangue escorrendo do joelho e continuou em sua corrida
desvairada rumo ao topo, ao céu.

***

Chegou. Caiu e ficou ali, deitado por alguns minutos, ofegante e cheio
de esperança. Ele já sonhara e agora ficaria livre. Levantou-se e
olhou a paisagem. Era como a do sonho, porém molhada. Abriu os braços
e adquiriu a aparência de um imenso pássaro negro. Ele sabia o que
estava por acontecer, já o sonhara. Respirou fundo e atirou-se para o
vôo.

Era maravilhoso, era como no sonho só que o fim chegou muito mais
rápido.

Mais um trovão se fez ouvir. Um vulto negro; morto, descansava ao pé
da montanha.
   

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