Astúcia Diabólica

 Alexsandro da Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

[Conto para análise #0097]
[Autor:
Alexsandro da Silva]
[Título:
Astúcia Diabólica]
[Gênero: Terror]
[Número de Palavras: 3.240]

 



Antônio Feola olhava com cuidado a mãe, Laura, dormir,
parecia estar dormindo bem, ao contrário de muitas
outras vezes . Laura estava de cama a aproximadamente
2 meses resultado de uma doença que os especialistas
não conseguiram identificar . Desde então Antônio, o
seu sétimo filho resignou- se a prestar- lhe cuidados
, para ele não era nenhum incômodo, apesar de perde
noites e finais de semana cuidando sozinho da mãe, não
se ressentia ou reclamava, achava que estava fazendo
seu papel de filho, o oposto dos seus irmãos que não
davam noticias há meses, alguns até mesmo há anos .
Antônio gostava mesmo de cuidar da velha mãe, desde
que era criança sempre quis ser útil para ela, apesar
de o mais novo, era o que mais ajudava nas coisas
diárias . O pai, nunca conheceu, nenhum deles
conheceu, Laura nunca falava no assunto, e não dava
explicações quando aparecia grávida sem Ter
relacionamento conhecido com nenhum homem, mas sempre dizia que os meninos eram filhos do mesmo pai .
Ninguém o conhecia.

                   Laura acordou, e com dificuldades
virou- se e encontrou o filho parado a porta lhe
observando com um sorriso singelo . Arrumou- se um
pouco na cabeceira da cama para observar melhor sua
criação da qual orgulhava- se tanto . Esfregou um
pouco os olhos e disse :

- Antônio, traga- me, por favor, o prato com goiabada
.

                 - Eu corto e já trago .

- Não - gritou Laura - Traga- me o prato que eu corto
aqui . Eu vou comer um pouco além da conta .

                - Está bem . Concordou meio surpreso
com a reação da mãe .

                Foi buscar a goiabada pensando por que
a mãe tinha agido daquela forma, acreditou ser
delírios da morte próxima .

                Antônio no alto de seus 25 anos ainda
entendia muito pouco da vida, talvez nunca fosse
entender realmente o que ela significa, mas já
começava a querer aceitar melhor a morte certa da mãe
. Era um rapaz magro, porém muito forte, com cabelos e
olhos negros e de uma beleza misteriosa, instigante
fazia- se apaixonar com facilidade, mas apesar desses
atributos não vivia cheio de mulheres, preferia ficar
em casa a sair para dançar ou ir a algum show . Era
bastante caseiro .

                Quando voltou ao quarto, viu a mãe
praticamente sentada na cama, o que lhe causou
estranheza, já que há alguns dias atrás ela mal se
mexia .

- Vejo que a senhora está mesmo com vontade de comer
goiabada, está quase sentada .

                - Hoje estou me sentindo muito melhor
.

                - Que bom !
- Vamos, filho, não fique aí parado, bote o prato aqui
no criado do meu lado e sente- se aqui do outro lado
para sua mãe lhe fazer um carinho .

                Antônio colocou o prato no criado-
mudo ao lado da mãe e foi se deitar do outro com a
cabeça arrumada entre os seios que um dia foram sua
única fonte de alimento . O quarto não era grande
coisa, mas tinha muito espaço, dentro dele os dois
criados mal pareciam existir, quase não se notava um
de cada lado da cama . A cama de casal era enorme, o
guarda- roupa igualmente grande e a penteadeira muito
antiga . A cortina suja mal deixava a luz entrar,
deixando esse cômodo, em especial, com uma atmosfera
sombria . O resto da casa ao contrário era muito bem
iluminado, com azulejos no chão e paredes pintadas de
branco, com móveis e eletrodomésticos necessários a
qualquer casa .

               O rapaz já estava quase dormindo quando
sentiu os ombros da mãe se mexerem um pouco e abriu os
olhos e viu, graças a luz do teto que estava nas
costas, a sombra de uma mão segurando uma faca logo
acima de sua cabeça . Quase não teve tempo de pular
para esquivar- se do golpe que seria certeiro no seu
peito . Ficou atônito, sua respiração estava
vacilante, o coração parecia querer arrebentar o peito
. Com os olhos arregalados, a cabeça baixa, os cabelos
arrepiados e a boca seca, perguntou :

- O que foi isso mãe ? O que a senhora ia fazer ?

               - Ia acorda- lo para saber se você quer
goiabada . Sua voz agora estava rouca, máscula, grave
e maliciosa, não era mais a voz que ele conhecia .

               Perplexo e ainda muito assustado ele
voltou- se para olhar sua mãe . O que viu fez com que
seu queixo caísse . Sua mãe babava o doce mastigado,
ao mesmo tempo que descia do nariz uma coisa branca,
um liquido pegajoso . Seus olhos continham um vermelho
ofuscante, estavam vidrados, pareciam querer saltar
para fora . Sua pele começou a definhar
assustadoramente . As veias do seu corpo começaram a
ficar em evidência . Quando ela parecia que iria secar
até sumir todo o processo parou . Então ela virou a
cabeça em direção a janela e depois em direção ao
filho fazendo cair várias mechas de cabelo deixando
ainda mais horripilante sua fisionomia .

- O que acha do meu novo visual, garoto ? Perguntou,
com aquela voz estranha e assustadora .

                Antônio sabia que aquela  não era mais
sua mãe o que fez seu corpo gelar ao ouvir de novo
aquela coisa falar.

- Quem ... quem é você ? Indagou Antônio gaguejando um
pouco .

               - Eu sou a sua mãe . Não me reconhece .

- O que você tentou fazer ? Por que tentou me matar ?

                A velha deixou que a cabeça caísse
sobre o peito . E quando levantou o rosto este já não
tinha o aspecto horrendo de alguns instantes atrás e
com a voz habitual, ela respondeu :

- Salvar sua alma . Tem algo sobre mim que você não
sabe e vai mudar toda a sua vida .

               - O que?  Do que está falando?

               - É sobre o meu passado - Fez uma pausa
para certificar- se de que o filho estava prestando
atenção - Quando eu era jovem, antes de ficar grávida
do meu primeiro filho, me envolvi com umas pessoas .
Eu era pobre e recém chegada a cidade grande . Essas
pessoas me ajudaram muito no começo, mas eles eram um
pouco estranhos . Um dia eles me levaram a um lugar.
Era horripilante . Estava tudo muito escuro até eles
começarem a acender umas tochas nas paredes, foi
quando pude ver com clareza os desenhos de demônios na
parede . Era tudo horrível . Em uma parede o chifrudo
crucificava Cristo e ao mesmo tempo ria de quase cair
no chão . Na outra ele estava fazendo sexo com uma
mulher que eu não podia definir quem era pois naquela
parede ainda faltava uma tocha para ser acesa . A
próxima parede que olhei havia um homem matando pela
Segunda vez Jesus Cristo a punhaladas por ordem do
diabo . E na última parede eu vi ele, Lucifer, sentado
no topo do mundo sendo adorado de joelhos por todos os
humanos . Quando fui perguntar aos meus amigos o que
estava acontecendo, o que era aquilo, eles não estavam
mais lá . Fiquei desesperada, comecei a gritar
chamando qualquer um. Quando parei tudo estava
rodando, cai no chão e tudo continuava a girar,
finalmente parou e ainda tonta vi algumas pessoas
vestidas com mantos negros e com os rostos encobertos,
se aproximarem e me pegarem e então apaguei . Acordei
e vi que estava amarrada numa pedra com os braços
abertos até a altura dos ombros e as pernas também bem
abertas . Estava completamente  nua, com exceção dos
sapatos que eles não tiraram . Levantei a cabeça e vi
que aquelas pessoas faziam um círculo ao meu redor,
com um espaço aberto bem em frente das minhas pernas .
Todos levantaram os braços e gritaram algo que não
entendi, estiquei o pescoço ao máximo e vi vindo
lentamente em direção a abertura no círculo a coisa
mais tenebrosa, a mais horrível, a mais sinistra coisa
que já vi . Era um ser parte humano, parte bode . Ele
tinha as pernas de bode, o tronco era de mulher, a
cabeça era de bode, mas não um bode comum, essa cabeça
era bem maior e mais feia, com grandes chifres, em sua
testa estava cicatrizada uma estrela apontando para
baixo, que só mais tarde eu vi que havia uma idêntica
desenhada um pouco abaixo dos meus seios . De repente
a criatura deu um grande berro e levantou os braços .
Aquele som maldito fez gelar o meu sangue, senti uma
grande vontade de vomitar, mas não consegui . Assim
que o seu grito de animal enjaulado se extinguiu no
ar, ele olhou para o círculo e para mim . Balançando a
cabeça para um lado e para outro, aquilo começou a
correr de quatro em minha direção e eu não contive o
choro, me sacudia tentando soltar as cordas, não
consegui . A criatura vinha correndo, balançando a
cabeça e bufando como um touro bravo, e com um salto
parou em cima de mim ainda sem me tocar . Comecei a
gritar e tentar me soltar . Olhei nos olhos do demônio
e o terror que se apoderou de mim é indescritível, ele
botou as pontas dos dedos indicador e médio na minha
boca e eu parei de gritar, meu corpo paralisou, mas eu
ainda sentia dor, muita dor, e senti muito mais dor
quando o diabo me penetrou, pensei que a qualquer hora
meu corpo iria rasgar ao meio . Ele se deliciava de
ver o sofrimento estampado nos meus olhos e empurrava
cada vez com mais força, ele maltratava meu corpo me
apertava até ficar roxo, me mordia até sangrar, de vez
em quando ele berrava de puro deleite . Quando gozou
senti algo se mexendo dentro de mim e não contive o
vomito, que era puro sangue . A última coisa que me
lembro dessa hora é ver tudo escurecer novamente.

                Perguntei aos "meus amigos" o que
havia acontecido, eles falaram que eu tinha sido a
escolhida a dar a luz ao anticristo, o homem que
mataria de novo Jesus Cristo na sua Segunda tentativa
de salvar o mundo e ajudaria aos exércitos do inferno
a dominar o mundo . Eles falaram ainda que o
anticristo seria o meu sétimo filho, mas eu não
precisaria ser fecundada sete vezes, bastava uma e eu
iria engravidar espontaneamente até nascer o sétimo, o
filho do demônio, aquele que destruiria o mundo junto
com o pai . Depois que disseram isso eles me mandaram
olhar novamente as paredes, foi quando reconheci a
mulher sendo que estava sendo currada pelo bode, era
eu, e o desenho do homem que matava Jesus não tinha
nada de especial, até você nascer e crescer . Era você
que assassinava o filho de Deus .

               Antônio ficou atordoado, custava a
acreditar naquela história absurda, perplexo sentou-
se na cama e comprimiu a cabeça entre as mãos para
chorar . Começou a imaginar as coisas que a mãe havia
lhe contado . Tentou achar uma explicação plausível,
não conseguiu, nunca tinha ouvido nada igual em toda
sua vida, levantou- se para olhar de novo para a mãe e
buscar a verdade no fundo dos seus olhos . Ela chorava
copiosamente, dizia estar profundamente arrependida.
Antônio começou a sentir sufocado, puxava ar, mas não
vinha . Correu para abrir a janela . Quando viu o sol,
esse estava negro, como em um eclipse, as nuvens
negras, carregadas, moviam- se para cobrir todo o céu,
em pouco tempo o dia tornou- se noite e a lua
inexplicavelmente apareceu, vermelha como se estivesse
cheia de sangue, ao lado do sol . O céu agora era de
um negro profundo, fúnebre, tudo estava muito sombrio
.

               - Antônio, ele está vindo, faça alguma
coisa .

               - O que posso fazer ? Perguntou já se
desesperando .

               - Suicídio . Você tem de se matar ou
então estará condenando todos nós ao inferno .
Liberte- nos . Mate- se . Falou entre os gemidos com
uma voz pausada e sofrível .

               - Mas, mas ...

               - Mate- se logo . Antes que ele chegue
. Gritava estridentemente agora .

               Era horrível Ter de ouvir isso da sua
mãe, mas não tinha escolha . Tentou acordar, mas
aquilo não era um sonho . Olhando para a mãe que
voltava a emagrecer, só que desta vez não parou e foi
definhando até sua pele quebrar os ossos e murchar na
cama como uma boneca de borracha furada . Do outro
lado começava a se formar uma espécie de furacão de
fumaça, e foi crescendo até ficar com uma altura bem
maior do que a de um homem normal . Antônio avançou
para a faca . Segurou- a com força e estava prestes a
se matar, quando viu uma luz brilhante, clara como o
sol mais quente de um dia de verão, invadir a janela e
fazer com que um grito medonho saísse da fumaça que se
extinguia . O que estava dentro era a criatura que a
mãe acusava de a Ter currado . Era o demônio .

               - Ande ainda há tempo se mate, vamos
logo seu imbecil . Disse com ódio na voz e no olhar o
demônio .

               Antônio não entendia mais nada .
Porque, se o diabo precisava dele, ordenaria que ele
se matasse .

                A luz invadia o quarto com mais
intensidade, com mais força, tanta força que iluminou
todo o quarto e forçava até mesmo a criatura tampar os
olhos, mas não incomodava o rapaz que foi até a janela
e bem longe avistou alguma coisa galopando sobre o
tapete de luz . Estava fascinado e quando chegaram,
cavalo e cavaleiro, notou o quão branco era o animal,
não usava cela e das patas saiam faíscas de fogo . O
cavaleiro desceu até o quarto deixando a montaria do
lado de fora.

               Era um homem moreno de cabelos negros
longos, barba longa, olhos escuros e penetrantes que
possuíam uma tranquilidade sobre humana, vestia- se
com um manto branco e tinha os pés descalços. O bode
ao ver homem tentou inultilmente se esconder . O homem
ordenou :

               - Levante- se e me olhe, sinta sua
vergonha .

               O monstruoso bode levantou .

               - Aproxime- se pérfido . Peça perdão
por atormentar esse pobre homem .

               Ele aproximou- se com a cabeça baixa e
devagar . Chegou bem perto e subiu os olhos com
timidez .

               O homem olhou fixo nos olhos da
criatura, sem se intimidar pela sua feiura, e disse :

               - Agora peça perdão e caia de joelhos
perante o filho de Deus, senhor dos céus, terras e
infernos .

               - Não .

                Mãos saindo da terra agarraram os pés
do homem com força impedindo que ele tentasse fugir .
Ele não se abalou e continuou olhando tranquilamente
para o diabo .

              - Você caiu como um anjo sem asas .
Afirmou o demônio .

              - Caí como você mesmo caiu na sua
própria desgraça, a inveja e a vaidade .

              - É diferente eu caí para ser o Deus dos
infernos . E você para ser castigado .

              - Qual o seu plano ? Você não se
contentaria em só me torturar .

              - Exatamente, você será meu refém . Eu
te levo até minha casa, me divirto um pouco e depois
proponho a seu pai te trocar pela humanidade . Daí eu
penso se te mato ou não depois de Ter todos os homens
queimando nas hordas infernais . Falava o diabo rindo
e se vangloriando da sua astúcia .

              - E agora, como vai ser meu pai ?
Perguntou o homem olhando para o alto e abrindo os
braços como quem pede esmola .

              - E agora ? Agora vamos descer covarde .


              - Por que covarde ? Porque me recuso a
lutar ?

              - Não, porque se recusa a se sacrificar
de novo pelos homens .

              - Sua maldade o levou a ficar ingênuo, a
sua inveja o fez ficar descuidado, sua vaidade te fez
cego .

              Surpreso e altamente consternado . O
demônio recuou dois passos e sua expressão de medo
ficará evidente até mesmo na sua carranca .

             - Do que está falando ? Perguntou com um
voz vacilante .

             - Você não acha mesmo que iríamos cair em
um dos seus planos ? Meu pai e eu sabíamos de tudo,
sempre soubemos .

             - Tudo bem - Bravejou o demônio - Mas
você não tem como fugir, você morrerá agora mesmo .

             O demônio pulou em cima do filho de Deus
. Queria enforca-lo, mas passou direto se estatelando
na parede .

             Vindo da janela uma voz grave e poderosa
como um trovão soou no ar invadindo o quarto e fazendo
tremer todo o chão .

             - Lucifer, achas mesmo que enviaria meu
filho como uma presa fácil para suas iniquidades ?
Você não aprende que sua existência depende unicamente
da minha misericórdia . Você foi criado para que
houvesse equilíbrio . Para que o bem e a justiça
prevalecessem .

               - Como assim fui criado ? Gritou
revoltado o bode .

               - Seu imundo ! Nunca percebeu que sua
vaidade e sua inveja estavam sendo testadas . Você já
mais foi o melhor dos anjos, você era, e ainda é, o
mais fraco dos meus servos, o mais influenciável .
Suas fraquezas eram excitadas frequentemente e você
não teve força o suficiente para resistir as minhas
armadilhas .

               - Você é tão imundo quanto eu, tão ...

               - Não, não eu apenas o ajudei a liberar
sua verdadeira essência, a maldade . Você não queria
ser Rei, então, te dei o inferno .

               - Aquilo não é um reino é inferno.
Passo todo o meu tempo se desvencilhando dos planos
dos meus súditos para tomarem meu lugar . Eles me
traem a toda hora .

               - Mas não era isso que você fazia
quando ainda era iluminado, vivia maquinando algo para
me derrubar .

               - Ah !... E sumiu furioso, o diabo, em
meio a uma bola de fumaça .

               O céu voltava a clarear, a lua começava
a desaparecer e o sol novamente estava claro e altivo
.

               Antônio foi olhar pela janela e muitos
pássaros, de diversas cores, entraram no quarto e
voaram em seu interior durante algum tempo como que
para purificar o recinto . A última coisa da qual se
lembra é sentir como se uma mão encostasse em sua
testa fazendo- o sentir muito sono . Esperou os
pássaros saírem, fechou a janela e foi dormir .

              No outro dia quando voltou do enterro da
mãe, o sonho não lhe saia da cabeça . Foi ao quarto
dar uma espiada, antes de ir tirar um cochilo, saber
se estava tudo em ordem . Abriu a porta e sentiu uma
brisa que circulava no cômodo . Ficou olhando para
dentro daquele quarto onde tanta coisa tinha
acontecido . Alguma coisa saiu voando de debaixo da
cama . Pegou- a . Era uma pequena pena colorida .
Agachou, levantou o lençol e sentiu uma lufada de ar
no rosto que o fez cair sentado assustado e
maravilhado com as centenas de penas coloridas que
voaram em sua direção . Diante do fato, não teve
dúvidas . Deus estava em sua vida . E o Diabo também .

   

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