|
Nenhuma pessoa daquela pequena cidade do interior, havia visto
antes uma estação de chuvas como a que os castigava há tempos.
Chuvas que não paravam sequer um segundo, como se quisessem levar
tudo e a todos daquela região.
O carro sobe pela pequena estrada das montanhas, lugar
desabitado, devido as florestas fechadas, paredes íngremes e duras,
dificultando a construção e plantio de qualquer coisa que fosse, a
não ser as árvores que já existiam há várias gerações. O veículo
continua sua árdua subida, quase não se tem visão do que vem pela
frente, mas seu condutor conhece muito bem aquelas regiões, quase não
precisando saber o que tem pela frente, pois já passara muitas
vezes pela pequena subida.
A chuva continua, como se quisesse impedir que o pequeno veículo
chegue ao seu destino, como se quisesse impedir mais um crime de ser
cometido, o que era em vão, pois o fato já havia ocorrido.
A pequena cidade ficava como se fora incrustada no meio da
cadeia de montanhas, cercada de muralhas da natureza, com pequenas
ruas de saídas, que subiam as montanhas e davam liberdade para
outras cidades. Nada chegava e nem saía da cidade sem passar pelas
estradas das montanhas.
O veículo continua sua subida entre fortes raios e rajadas de
vento e água, até que desvia da estrada em uma pequena abertura em
meio as árvores, quase imperceptível, e o carro adentra entre a
floresta, em velocidade considerável, como se já estivera ali
antes.
Para, em meio a uma área plana, sem árvores, só a vegetação
rasteira em meio ao solo úmido e fofo. Apenas os faróis acesos
para iluminar a sua frente, quando a porta do condutor se abre e o
mesmo sai do veículo, com muita dificuldade, com uma capa imensa
sobre as costas, o homem continua andando para a frente do carro,
homem alto, mais ou menos com o seus 1m90, corpo forte e com sua
capa imensa, cobrindo-o por inteiro, aparentando ser uma pessoa
gorda de formato estranho de corpo. Um pouco corcunda.
O homem caminha com uma certa dificuldade como se carregara
algum peso consigo, em meio a chuva, dá um pisão forte na terra,
em frente a luz, a terra fofa, praticamente se abre com facilidade,
então ele olha ao redor para se certificar que não tem mais olhos
por ali, além dos seus próprios e das corujas que pareciam
vigia-lo das árvores, em silêncio.
Tudo calmo, o homem se dirige para o porta-malas de seu veículo
e pega uma pequena pá e picareta, então começa a cavar em frente
a luz de seu carro, cavando um buraco considerável, de formato
conhecido, do formato de uma pequena cova.
A terra fofa colabora para que seja tudo rápido, o homem
termina seu serviço e volta para a traseira de seu veículo e com
um grande esforço retira um embrulho, de mais ou menos 1m60, era um
corpo, de mulher. O lençol branco, sujo de vermelho, de sangue. O
corpo é jogado dentro da pequena cova e com o tombo, o lençol se
abre e revela a figura assustadora que ali se encontrava, uma
mulher, aparentemente bonita, se não fosse pelo seu sangue que
escorria ainda do grande corte feito no seu pescoço e que cobria
parte do rosto e de seu corpo nu.
_ Nunca mais vai parir ninguém, vaca !!! esbraveja o grande
homem.
Como se a mulher ainda o ouvisse. Como se fosse um castigo,
por algo que a mesma havia feito em vida, quando de repente, o homem
ouve um gemido entre a chuva forte que cai, mas logo ele abre um
sorriso, pois conhece a voz, a voz de seu irmão, que dorme por
perto. Então continua seu ritual macabro.
Com sua faca, possivelmente a mesma que havia ferido o pescoço
da jovem, passa dois cortes, em formato de X, em sua barriga, como
se fosse um sinal de proibido. Ele esboça um pequeno sorriso, como
se conseguira atingir seu objetivo e começa a enterrar a dama em
meio a água e lama. O serviço termina rápido, ele recolhe suas
ferramentas e sai com seu carro por entre as árvores. E a chuva
continua, forte, como se já combinara com o estranho homem, para
apagar suas marcas de pneus por entre a lama.
Amanhece, e a população começa sua vida como sempre faz
todos os dias, as crianças brincam dentro dos quintais de suas
casas, os homens vão para seus empregos, as mulheres em casa,
cuidando dos seus afazeres e a policia ainda continua sua busca.
A cidade estava assustada, pois de uns tempos atrás, mais ou
menos 6 mês e meio, começaram a desaparecer mulheres, já havia
somado seis desaparecidas, e todos continuando suas buscas por todos
os locais e cidades vizinhas.
A coincidência entre os sumiços, era que todas eram mulheres
grávidas ou mães de crianças com deformidades no corpo. Se
tratava de algum maníaco, pela regularidade dos crimes e modo como
encontravam os corpos, sempre escondidos em algum lugar e com o
grande x em suas barrigas.
A polícia já havia encontrado os seis corpos e estavam
desesperados para descobrir quem havia feito tudo aquilo. Mas
parecia tudo em vão, nunca deixavam pistas ou marcas que pudessem
ajudar na captura do assassino.
O mercado estava aberto, se passavam das 10hs da manhã, um
sol forte, totalmente diferente do tempo chuvoso que acabara a
pouco.
Um carro já conhecido do dono do mercado estaciona em frente
e mais do que rápido, o garoto entregador sai lá de dentro do
pequeno comércio, para levar ao motorista um pacote com alimentos e
outras coisas, que certamente o homem já pedira antes por telefone.
_Olá sr. Luigi, tudo bem ? aqui estão suas compras !! diz o
garoto.
O motorista, sr. Luigi, abre um pequeno sorriso, pega o pacote
e dá o dinheiro correspondente ao menino, que sai em disparada para
dentro do mercado, enquanto o carro desaparece rapidamente por entre
as pequenas ruas da cidade.
Luigi havia se mudado a pouco tempo para a cidade, não tinha
muitas amizades e vivia com dinheiro da herança de sua mãe, que
morrera há alguns anos antes. Afogada, quando estava em férias.
Luigi não vivia com sua mãe antes, sempre viveu solitário.
Atualmente vivia numa pequena casa um pouco fora da cidade. Tinha
poucas amizades e todos sabiam que ele não trabalhava porque era
aposentado por invalidez, pois era deficiente físico, por isso
nunca descia de seu carro, e nunca viam Luigi caminhando por aí.
Nunca haviam visto ele fora de seu carro, ou além da janela de sua
casa.
Ele chega em sua pequena casa e com grande dificuldade sai de
seu carro e entra em seu pequeno lar com o pacote de compras. Nesse
meio tempo, a polícia andando pelas colinas encontra o corpo da sétima
moça, que havia desaparecido 72 horas antes. A mulher havia sido
enterrada na madrugada em meio a chuva, da mesma forma das outras,
com o grande X na sua barriga.
O pavor aumenta na cidade, pois a notícia corre rápido, em
menos de 1 hora depois de encontrada, toda a cidade já estava
sabendo do acontecido.
_E agora ? o que faremos senhor ? indaga o policial ao seu
superior
_Vamos aguardar a autópsia e continuar o que estamos fazendo;
investigando !! responde o delegado de polícia da pequena cidade.
Antônio era delegado há muito tempo na cidade, todos o
conheciam por chefe Toni, muito respeitado e que no momento estava
desacreditado pela população pela demora em resolver os crimes.
_Quero todos no meu gabinete assim que chegar o resultado da
autópsia.
_Tudo bem senhor. Confirma o soldado ao querido chefe Toni.
O dia passa rápido. E o entardecer chega para refrescar um
pouco o calor que havia castigado a todos durante toda a manhã.
_Gabriel !!!! Gabriel !!!!! grita o homem de meia idade,
conhecido por todos como seu Guanieri, dono do mercado, nascido e
criado na pequena cidade.
_Sim, seu Guanieri, o que foi ? responde o menino Gabriel,
entregador do mercado.
_De manhã, você esqueceu de colocar os repelentes para
pernilongos do sr. Luigi dentro do pacote, pegue a bicicleta e vá lá
na casa dele, pois ele precisará disto a noite. – ordena o homem.
Mais do que rápido, o menino pega o repelente e sai em sua
bicicleta em disparada na direção da casa do sr. Luigi.
Chegando lá, o menino grita do portão, pelo nome do seu
cliente e aguarda, enquanto isso, a curiosidade do menino o faz ir
em direção ao lixo que havia sido queimado na lateral da pequena
casa, que ainda soltava uma pequena fumaça, o que despertou seu
interesse, eram roupas manchadas de vermelho, roupas de mulher, que
não haviam sido queimadas totalmente. Mais do que rápido, ele
volta para o portão, no mesmo momento em que sr. Luigi coloca a
cabeça para fora e pergunta ao menino o que ele deseja.
_Vim trazer os repelentes que acabei esquecendo de colocar no
seu pacote de compras hoje pela manhã !!!
O homem faz um sinal como se quisesse que o menino trouxesse
os repelentes até ele.
Enquanto pega o repelente, já devolve em troca, uma gorjeta
ao menino prestativo, que agradece e mais do que rápido pega sua
bicicleta e sai em disparada na direção da cidade.
Sem olhar para trás o menino some em meio a poeira, enquanto
com grande dificuldade, sr. Luigi sai de dentro de casa, envolvido
em sua gigantesca capa, e vai ao lado da casa para queimar o resto
das roupas percebendo então o que o menino havia visto.
Sr. Luigi, entra em casa e nervoso começa a esbravejar.
_Foi você Caio ? você de novo ?? O que eu preciso fazer para
você parar com isso ?
E uma voz, quase que sem força para soltar o som...
_A vaca estava grávida..., tinha que fazer isso !! por ela !!
e por nós !!! ninguém merece isso !!!
_E agora ? logo
a policia virá aqui, e teremos que fugir de novo, como sempre
fazemos, você faz suas besteiras e eu tenho que ficar fugindo com
você de todos. – fala o sr. Luigi.
_Dane-se !! dane-se você e todo mundo !!!! - tenta falar um
pouco mais alto Caio.
_Não pode pensar que todas as mulheres são iguais a mamãe,
não pode compara-la com todas !!!! – Luigi comenta.
_Não me interessa, para mim são vacas, e vão morrer e você
não fará nada, a não ser, nos esconder !!!! preciso descansar
agora !!! – explica Caio, já fechando os olhos e quase sem força.
Chegando na cidade, o menino se dirige ao mercado e continua
seu trabalho como sempre faz, com a diferença que agora estava
pensativo, pelo motivo que poderia ser, aquelas roupas manchadas e
femininas dentro do terreno do sr. Luigi, um homem praticamente inválido
e inofensivo. O menino ficou pensando toda a tarde e assim que saiu
do mercado, no começo da noite, se dirigiu a delegacia, entrando
direto, como se já conhecesse o local, mais do que rápido em direção
a sala do chefe Toni.
_Pai !!!! - grita o menino.
O chefe Toni se virá fazendo aquela cara como se já soubesse
o que iria acontecer, o menino tinha aprontado mais alguma
travessura.
O garoto relata ao pai o ocorrido, e o mesmo fica com a
expressão de dúvida e ordena que o menino vá para casa e fique
por lá.
O resultado da autópsia chega.
A reunião entre os policiais se dá, com os mesmos resultados
de sempre; como as outras mulheres, o resultado não apresenta nada
além do corte no pescoço. E recomeçam as buscas no dia seguinte
nos locais onde os corpos foram encontrados, em busca de alguma
pista.
A equipe trabalha duro no local onde foi encontrado o último
corpo, todos em busca de algo que possa ajudar a elucidar e indicar
o homem ou animal sem alma que possa ter feito aquilo com a querida
moça, mas tudo parece em vão. O dia passa.
Noite. Na casa do chefe Toni, ele indaga seu filho...
_Gabriel, o que você viu realmente na casa do sr. Luigi ?
_Eram roupas de mulheres, manchadas de vermelho, fiquei
curioso porque nunca vi o sr. Luigi com mulheres antes...- explica o
menino.
No dia seguinte, chefe Toni decide ir cedo para seu gabinete e
começa a juntar tudo o que for possível sobre o caso das moças
mortas.
1º- Todas eram mulheres
2º- Todas tinham em comum, serem, ou mulheres grávidas, ou mães
de crianças com deformidades
Com isso em mãos, foi tentar descobrir o passado do sr.
Luigi, pois naquela altura dos fatos, qualquer um poderia ser
culpado, então qualquer ponto novo, seria possivelmente uma pista a
mais.
Tudo o que descobre, é que sr. Luigi tinha se mudado a pouco
para a cidade, todos os documentos acusavam que se tratava de
deficiente físico, mas não indicava que tipo de deficiência possuía,
informava também a possível existência de um irmão gêmeo, mas
também não informava o paradeiro do mesmo. Informavam também que
sr. Luigi, se mudou para a casa onde morava, pagando aluguel e que
se mantinha com dinheiro de aposentadoria que recebia devido ser inválido.
O que intrigava chefe Toni, é que não se imaginava onde
poderia ser a deformidade do possível suspeito. Tudo o que restava,
era fazer uma possível vigilância sobre o modo de vida de sr.
Luigi. Não teria outra forma, pois não havia motivos para
interroga-lo, a não ser pelas roupas femininas que a esta altura, já
não existiam mais.
Restava apenas a palavra de seu filho e pensar como faria para
evitar mais um assassinato, pois o oitavo mês iniciou-se, e ele
sabia, que se o maníaco mantivesse seu hábito, mais uma moça
seria morta naquele mês, restaria adivinhar qual.
A cidade era pequena, as notícias correm rápido, e logo toda
cidade se espanta com a possível gravidez da menina Lúcia, de
apenas 17 anos, uma vergonha para os pais conservadores.
_Vaca, vaca,
vaca !!!!! Ninguém merece isso !!! Ninguém pode viver assim !!! –
esbraveja Caio, a noite, quando se prepara para sair.
_Caio, por favor...- Luigi murmura sem força...
_Durma seu velho imprestável, é noite, você só comanda de
dia, agora sou eu que mando, e a gente vai sair para matar vacas !!!
– esclarece o irmão Caio já pegando sua enorme capa e sua faca.
O carro deixa a casa em direção a cidade. Chove novamente
como todas as noites, que agora em lua nova, parecem mais noites de
que nunca, uma escuridão sem igual, já passam das 23hs.
Todos na pequena cidade se preocupam em voltar para casa cedo,
pois sabem que assim que escurece, a morte também pode vir com a
escuridão, então, a maioria das mulheres não saem de casa após
anoitecer, com exceção de garotas estudantes que precisam sair
mais tarde da escola, mas assim como a população estava precavida,
a policia também estava. Por isso, era mantida uma viatura de
prontidão na saída da escola da cidade.
As meninas saem um tanto assustadas e em grupos pelas pequenas
ruas da cidade, a policia vigia o possível e tudo corre normalmente
como todos os dias. E como todos os dias, vários grupos de
estudantes se espalham pelas várias ruas, e como habitualmente
acontece, a medida que se distanciam da escola, o grupo começa a
diminuir com os estudantes entrando em suas casas.
Lúcia era uma das que moravam mais afastadas da escola, por
isso era sempre uma das últimas a chegar em casa, onde seus pais, já
de meia-idade, ambos com 55 anos, a esperam na janela, sempre
procurando protege-la da escuridão, mas de longe.
De longe, avistam a formosa menina, caminhando com certa
velocidade, sempre olhando para todos os lados para se certificar
que está tudo em segurança, mas isso não basta para o maníaco
que a espera no meio da escuridão um pouco mais a frente.
E com a ajuda da escuridão, é que o louco sádico salta para
pegar a menina Lúcia que desesperada começa a gritar e correr,
enquanto seus pais nada podem fazer a não ser gritarem e tentar
telefonar para a policia enquanto sua amada filha tenta sobreviver
por entre a mata. Chefe Toni recebe o aviso em sua casa e mais do
que rápido, pega sua arma e sai em disparada em direção a casa da
menina Lúcia.
O assassino é grande, mas apesar do seu tamanho, é desengonçado,
sem muita agilidade para correr, nunca havia pego uma menina desta
forma, sempre foi mais simples, em ambientes fechados, mas esta
tinha que ser assim, pois já não restava muito tempo para o maníaco
nesta cidade, sabia que logo teria que mudar dali e não poderia
deixar uma pecadora como ela viva para envergonhar a todos.
A equipe de policia da cidade era pequena, assim como a
cidade, era formada do chefe Toni e mais 4 assistentes divididos em
2 viaturas e o próprio carro do chefe, e o trio segue em disparada
pelas estradas afim de evitar mais uma tragédia. Assim que chegam
perto do local, já conseguem ver ambos correndo pelo mato raso, o
terreno é pantanoso impedindo o tráfego das viaturas, obrigando a
equipe policial a correr também atrás do assassino e da menina Lúcia.
Desesperada, a menina corre para uma grande casa em ruínas no
meio do terreno pantanoso, casa esta que já serviu de palco para um
dos outros assassinatos de mulheres, casa esta que Caio conhece
muito bem. Ambos adentram a casa e Caio, percebendo a presença da
policia que já chegaria, tenta apressar-se no seu objetivo,
correndo atrás da pobre menina que não conhece o terreno em que
pisa, tropeçando assim em uma escada destruída e caindo, chorando,
quando seu assassino se aproxima e prepara-se para cumprir a sua
missão de limpar o mundo; dos pecadores.
Com a faca em punho, Caio se aproxima com seu sorriso
sinistro, como se já tivesse cumprido sua missão, a menina
apavorada grita o máximo que pode, enquanto Caio levanta a afiada
faca para cumprir sua corriqueira vida de limpar o mundo, pronto
para cortar a veia saltada pelo desespero da indefesa Lúcia.
_Vai morrer pecadora, nunca mais vai parir ninguém !!!
Eis que chefe Toni se aproxima e já com arma em punho, grita
para que o assassino se renda, mas o mesmo parece ensandecido na sua
ânsia de matar e praticamente nem percebe a presença de chefe, que
num movimento mais do que preciso, aponta sua arma e dispara um tiro
certeiro na mão do assassino que deixa cair a faca e se vira para
olhar quem o atingiu.
Virando-se lentamente percebe a presença de chefe Toni e os
demais policiais olhando assustados para ele, uma figura horrenda,
com o rosto meio desfigurado e desproporcional, grandes olhos, boca
e nariz tortos, com a mão ensangüentada, Caio se desespera e tenta
ir para fora da casa numa corrida desengonçada, enquanto os
policiais se dirigem até a moça. Chefe Toni e um de seus guardas
seguem em disparada atrás de Caio. A menina Lúcia estava salva,
restava dar um fim no assassino.
Na escuridão, os dois policiais deparam com aquela figura
correndo por entre a vegetação, meio corcunda, de pouca agilidade
com a mão pingando seu sangue e ambos partem por entre a escuridão
atrás do assassino. É quando este percebe que não terá como
escapar, uma vez que seu carro se encontra para o lado contrário de
onde está correndo, e que não tem a mesma habilidade que os
policiais, percebe então que provavelmente seu fim está próximo,
e continua correndo, quando chega ao fim do campo plano, um penhasco
de aproximadamente 5 metros de altura, já passa das 3hs da manhã,
nisso que houve um grito...
_Pare, vire com as mãos para o alto !!!
Os policiais haviam dado a ordem, que ele teimaria em seguir,
pois não era um de seus objetivos ser preso, pois no seu
pensamento, ele era o salvador do mundo e este jamais poderia ir
preso, tinha que fugir de qualquer jeito. Foi então que virou para
os policiais que pararam a uma certa distancia, com olhos fixos em
todos os movimentos do monstro assassino.
_Quieto, e mãos para o alto !! – grita chefe Toni.
Imaginando-se hábil para isso, Caio tenta sacar o pequeno revólver
que trazia consigo, mas antes que possa saca-lo totalmente, os dois
policiais o atingem com 3 tiros certeiros, um atingindo sua mal
feita cabeça e dois atingindo seu peito, o homem começa a ver tudo
embaçado e percebe que seu fim chegou, num movimento desesperado
ele larga o revólver e se virá para o penhasco saltando por entre
as pedras para talvez o seu fim fatal.
Os policiais se aproximam da beira do penhasco e não
conseguem ver o cadáver por entre a escuridão, é preciso descer e
confirmar se Caio estava morto realmente. Chefe Toni pega o revólver
e guarda em um saco plástico como parte das provas que
incriminariam Caio desta tentativa de homicídio e talvez das outras
moças.
O terreno é acidentado, os policiais demoram cerca de 40
minutos entre consolar a menina e os pais e poderem descer até onde
estava o corpo, mas é com imensa surpresa que os homens chegam e
nada encontram, apenas marcas de sangue e uns poucos rastros de alguém
que saiu se arrastando em direção a mata fechada.
As buscas começam por entre o mato, passados em média 60
minutos depois de todo o ocorrido, o carro de Luigi sai em disparada
por entre o amanhecer em direção ao seu lar.
Chegando em sua casa murmura...
_Viu o que fez ? está contente agora ? agora você morreu e
acabou com minha vida, desgraçado, nunca mais poderei sair de casa,
desgraçado louco !!!!
Mais rápido do que pode, Luigi arruma tudo o que pode dentro
de seu carro, seus pertences, seus valores e assim que o relógio
bate as 5 da manhã, o carro deixa a casa em direção as montanhas.
Os meses se passam na pequena cidade, e com a faca e a perícia,
a polícia descobre que o assassino era mesmo Caio, só não
entendiam como ele conseguiu fugir depois de três tiros. A arma
encontrada estava em registro no nome de Luigi que havia e tornado cúmplice
e também estava sendo procurado pela polícia. Várias buscas foram
feitas em sua casa, e lá perceberam que Luigi fazia parte também,
pois foram encontradas roupas femininas de antigas vítimas, como o
pequeno Gabriel tinha avisado.
Sempre procuraram por toda a cidade e cidades próximas, mas
nunca mais souberam do paradeiro de Luigi e Caio; a única coisa que
encontraram, foi o carro abandonado perto de uma linha ferroviária.
Com certeza, fugiram pelo trem não se sabe para onde. As contas
bancárias foram extintas e todo o dinheiro retirado no dia seguinte
de todo o ocorrido, todas as pistas do paradeiro de ambos, tinha se
extinguido.
De tudo isso, só sobraram as estórias, como lendas que foram
contadas pela pequena cidade de gerações em gerações, sobre o
assassino monstro que matava mulheres indefesas.
Em uma outra cidade afastada de tudo e de todos, praticamente
isolada do resto do mundo, a uns 80 quilômetros de tudo isso,
moravam habitantes simples, vivendo praticamente de lavoura,
vendendo para outras cidades.
Uma cidadezinha pequena com seu pequeno mercadinho, com seu
garoto de entregas saindo em disparada para mais uma entrega em uma
casinha um pouco afastada.
Para fazer uma entrega muito especial, de comida e mantimentos
como sempre fazia uma vez por semana, na casa do misterioso sr. Lúcio
que nunca saía lá de dentro. Para os garotos, ele era considerado
como bruxo, por isso nunca saía de casa, mas a população adulta,
preferia deixa-lo só e quieto na sua pequena casa e não se
preocupavam com o que as crianças diziam.
Marquinhos, o menino entregador do mercado, chega na casa do
sr. Lúcio e como de costume, dá um grito para que o seu cliente
venha pegar as compras, enquanto prende a respiração e caminha em
direção a janela lateral, prendendo a respiração para poder
chegar perto da casa que exalava um fedor nunca antes imaginado,
fedor de carne, carne em decomposição, de coisa podre.
Sr. Lúcio sai a janela, apanha as compras e paga o menino,
agradecendo-o com uma pequena gorjeta e um sorriso sinistro que
arrepiava o menino toda vez que fazia esta entrega. Ele sai em
disparada para a cidade, enquanto o sr. Lúcio fecha a pequena
cortina.
E assim viveu até o último dos seus dias, o sr. Luigi, agora
simplesmente sr. Lúcio, tranqüilamente vivendo naquela pequena
cidade distante de tudo, com seu irmão Caio, morto, em decomposição,
apodrecendo aos poucos, preso na sua coluna, unidos, como
verdadeiros irmãos, irmãos siameses, unidos, até a morte.
|