Irmãos até a Morte

 Fernando Barcelos dos Santos

 

 

 

 

 

 

 

 

[Conto para análise #0060]
[Autor:
Fernando Barcelos dos Santos]
[Título: Irmãos até a Morte]
[Gênero: Terror]
[Número de Palavras: 4.140

 

Nenhuma pessoa daquela pequena cidade do interior, havia visto antes uma estação de chuvas como a que os castigava há tempos. Chuvas que não paravam sequer um segundo, como se quisessem levar tudo e a todos daquela região.

O carro sobe pela pequena estrada das montanhas, lugar desabitado, devido as florestas fechadas, paredes íngremes e duras, dificultando a construção e plantio de qualquer coisa que fosse, a não ser as árvores que já existiam há várias gerações. O veículo continua sua árdua subida, quase não se tem visão do que vem pela frente, mas seu condutor conhece muito bem aquelas regiões, quase não precisando saber o que tem pela frente, pois já passara muitas vezes pela pequena subida.

A chuva continua, como se quisesse impedir que o pequeno veículo chegue ao seu destino, como se quisesse impedir mais um crime de ser cometido, o que era em vão, pois o fato já havia ocorrido.

A pequena cidade ficava como se fora incrustada no meio da cadeia de montanhas, cercada de muralhas da natureza, com pequenas ruas de saídas, que subiam as montanhas e davam liberdade para outras cidades. Nada chegava e nem saía da cidade sem passar pelas estradas das montanhas.

O veículo continua sua subida entre fortes raios e rajadas de vento e água, até que desvia da estrada em uma pequena abertura em meio as árvores, quase imperceptível, e o carro adentra entre a floresta, em velocidade considerável, como se já estivera ali antes.

Para, em meio a uma área plana, sem árvores, só a vegetação rasteira em meio ao solo úmido e fofo. Apenas os faróis acesos para iluminar a sua frente, quando a porta do condutor se abre e o mesmo sai do veículo, com muita dificuldade, com uma capa imensa sobre as costas, o homem continua andando para a frente do carro, homem alto, mais ou menos com o seus 1m90, corpo forte e com sua capa imensa, cobrindo-o por inteiro, aparentando ser uma pessoa gorda de formato estranho de corpo. Um pouco corcunda.

O homem caminha com uma certa dificuldade como se carregara algum peso consigo, em meio a chuva, dá um pisão forte na terra, em frente a luz, a terra fofa, praticamente se abre com facilidade, então ele olha ao redor para se certificar que não tem mais olhos por ali, além dos seus próprios e das corujas que pareciam vigia-lo das árvores, em silêncio.

Tudo calmo, o homem se dirige para o porta-malas de seu veículo e pega uma pequena pá e picareta, então começa a cavar em frente a luz de seu carro, cavando um buraco considerável, de formato conhecido, do formato de uma pequena cova.

A terra fofa colabora para que seja tudo rápido, o homem termina seu serviço e volta para a traseira de seu veículo e com um grande esforço retira um embrulho, de mais ou menos 1m60, era um corpo, de mulher. O lençol branco, sujo de vermelho, de sangue. O corpo é jogado dentro da pequena cova e com o tombo, o lençol se abre e revela a figura assustadora que ali se encontrava, uma mulher, aparentemente bonita, se não fosse pelo seu sangue que escorria ainda do grande corte feito no seu pescoço e que cobria parte do rosto e de seu corpo nu.

_ Nunca mais vai parir ninguém, vaca !!! esbraveja o grande homem.

Como se a mulher ainda o ouvisse. Como se fosse um castigo, por algo que a mesma havia feito em vida, quando de repente, o homem ouve um gemido entre a chuva forte que cai, mas logo ele abre um sorriso, pois conhece a voz, a voz de seu irmão, que dorme por perto. Então continua seu ritual macabro.

Com sua faca, possivelmente a mesma que havia ferido o pescoço da jovem, passa dois cortes, em formato de X, em sua barriga, como se fosse um sinal de proibido. Ele esboça um pequeno sorriso, como se conseguira atingir seu objetivo e começa a enterrar a dama em meio a água e lama. O serviço termina rápido, ele recolhe suas ferramentas e sai com seu carro por entre as árvores. E a chuva continua, forte, como se já combinara com o estranho homem, para apagar suas marcas de pneus por entre a lama.

Amanhece, e a população começa sua vida como sempre faz todos os dias, as crianças brincam dentro dos quintais de suas casas, os homens vão para seus empregos, as mulheres em casa, cuidando dos seus afazeres e a policia ainda continua sua busca.

A cidade estava assustada, pois de uns tempos atrás, mais ou menos 6 mês e meio, começaram a desaparecer mulheres, já havia somado seis desaparecidas, e todos continuando suas buscas por todos os locais e cidades vizinhas.

A coincidência entre os sumiços, era que todas eram mulheres grávidas ou mães de crianças com deformidades no corpo. Se tratava de algum maníaco, pela regularidade dos crimes e modo como encontravam os corpos, sempre escondidos em algum lugar e com o grande x em suas barrigas.

A polícia já havia encontrado os seis corpos e estavam desesperados para descobrir quem havia feito tudo aquilo. Mas parecia tudo em vão, nunca deixavam pistas ou marcas que pudessem ajudar na captura do assassino.

O mercado estava aberto, se passavam das 10hs da manhã, um sol forte, totalmente diferente do tempo chuvoso que acabara a pouco.

Um carro já conhecido do dono do mercado estaciona em frente e mais do que rápido, o garoto entregador sai lá de dentro do pequeno comércio, para levar ao motorista um pacote com alimentos e outras coisas, que certamente o homem já pedira antes por telefone.

_Olá sr. Luigi, tudo bem ? aqui estão suas compras !! diz o garoto.

O motorista, sr. Luigi, abre um pequeno sorriso, pega o pacote e dá o dinheiro correspondente ao menino, que sai em disparada para dentro do mercado, enquanto o carro desaparece rapidamente por entre as pequenas ruas da cidade.

Luigi havia se mudado a pouco tempo para a cidade, não tinha muitas amizades e vivia com dinheiro da herança de sua mãe, que morrera há alguns anos antes. Afogada, quando estava em férias. Luigi não vivia com sua mãe antes, sempre viveu solitário. Atualmente vivia numa pequena casa um pouco fora da cidade. Tinha poucas amizades e todos sabiam que ele não trabalhava porque era aposentado por invalidez, pois era deficiente físico, por isso nunca descia de seu carro, e nunca viam Luigi caminhando por aí. Nunca haviam visto ele fora de seu carro, ou além da janela de sua casa.

Ele chega em sua pequena casa e com grande dificuldade sai de seu carro e entra em seu pequeno lar com o pacote de compras. Nesse meio tempo, a polícia andando pelas colinas encontra o corpo da sétima moça, que havia desaparecido 72 horas antes. A mulher havia sido enterrada na madrugada em meio a chuva, da mesma forma das outras, com o grande X na sua barriga.

O pavor aumenta na cidade, pois a notícia corre rápido, em menos de 1 hora depois de encontrada, toda a cidade já estava sabendo do acontecido.

_E agora ? o que faremos senhor ? indaga o policial ao seu superior

_Vamos aguardar a autópsia e continuar o que estamos fazendo; investigando !! responde o delegado de polícia da pequena cidade.

Antônio era delegado há muito tempo na cidade, todos o conheciam por chefe Toni, muito respeitado e que no momento estava desacreditado pela população pela demora em resolver os crimes.

_Quero todos no meu gabinete assim que chegar o resultado da autópsia.

_Tudo bem senhor. Confirma o soldado ao querido chefe Toni.

O dia passa rápido. E o entardecer chega para refrescar um pouco o calor que havia castigado a todos durante toda a manhã.

_Gabriel !!!! Gabriel !!!!! grita o homem de meia idade, conhecido por todos como seu Guanieri, dono do mercado, nascido e criado na pequena cidade.

_Sim, seu Guanieri, o que foi ? responde o menino Gabriel, entregador do mercado.

_De manhã, você esqueceu de colocar os repelentes para pernilongos do sr. Luigi dentro do pacote, pegue a bicicleta e vá lá na casa dele, pois ele precisará disto a noite. – ordena o homem.

Mais do que rápido, o menino pega o repelente e sai em sua bicicleta em disparada na direção da casa do sr. Luigi.

Chegando lá, o menino grita do portão, pelo nome do seu cliente e aguarda, enquanto isso, a curiosidade do menino o faz ir em direção ao lixo que havia sido queimado na lateral da pequena casa, que ainda soltava uma pequena fumaça, o que despertou seu interesse, eram roupas manchadas de vermelho, roupas de mulher, que não haviam sido queimadas totalmente. Mais do que rápido, ele volta para o portão, no mesmo momento em que sr. Luigi coloca a cabeça para fora e pergunta ao menino o que ele deseja.

_Vim trazer os repelentes que acabei esquecendo de colocar no seu pacote de compras hoje pela manhã !!!

O homem faz um sinal como se quisesse que o menino trouxesse os repelentes até ele.

Enquanto pega o repelente, já devolve em troca, uma gorjeta ao menino prestativo, que agradece e mais do que rápido pega sua bicicleta e sai em disparada na direção da cidade.

Sem olhar para trás o menino some em meio a poeira, enquanto com grande dificuldade, sr. Luigi sai de dentro de casa, envolvido em sua gigantesca capa, e vai ao lado da casa para queimar o resto das roupas percebendo então o que o menino havia visto.

Sr. Luigi, entra em casa e nervoso começa a esbravejar.

_Foi você Caio ? você de novo ?? O que eu preciso fazer para você parar com isso ?

E uma voz, quase que sem força para soltar o som...

_A vaca estava grávida..., tinha que fazer isso !! por ela !! e por nós !!! ninguém merece isso !!!

_E agora ? logo a policia virá aqui, e teremos que fugir de novo, como sempre fazemos, você faz suas besteiras e eu tenho que ficar fugindo com você de todos. – fala o sr. Luigi.

_Dane-se !! dane-se você e todo mundo !!!! - tenta falar um pouco mais alto Caio.

_Não pode pensar que todas as mulheres são iguais a mamãe, não pode compara-la com todas !!!! – Luigi comenta.

_Não me interessa, para mim são vacas, e vão morrer e você não fará nada, a não ser, nos esconder !!!! preciso descansar agora !!! – explica Caio, já fechando os olhos e quase sem força.

Chegando na cidade, o menino se dirige ao mercado e continua seu trabalho como sempre faz, com a diferença que agora estava pensativo, pelo motivo que poderia ser, aquelas roupas manchadas e femininas dentro do terreno do sr. Luigi, um homem praticamente inválido e inofensivo. O menino ficou pensando toda a tarde e assim que saiu do mercado, no começo da noite, se dirigiu a delegacia, entrando direto, como se já conhecesse o local, mais do que rápido em direção a sala do chefe Toni.

_Pai !!!! - grita o menino.

O chefe Toni se virá fazendo aquela cara como se já soubesse o que iria acontecer, o menino tinha aprontado mais alguma travessura.

O garoto relata ao pai o ocorrido, e o mesmo fica com a expressão de dúvida e ordena que o menino vá para casa e fique por lá.

O resultado da autópsia chega.

A reunião entre os policiais se dá, com os mesmos resultados de sempre; como as outras mulheres, o resultado não apresenta nada além do corte no pescoço. E recomeçam as buscas no dia seguinte nos locais onde os corpos foram encontrados, em busca de alguma pista.

A equipe trabalha duro no local onde foi encontrado o último corpo, todos em busca de algo que possa ajudar a elucidar e indicar o homem ou animal sem alma que possa ter feito aquilo com a querida moça, mas tudo parece em vão. O dia passa.

Noite. Na casa do chefe Toni, ele indaga seu filho...

_Gabriel, o que você viu realmente na casa do sr. Luigi ?

_Eram roupas de mulheres, manchadas de vermelho, fiquei curioso porque nunca vi o sr. Luigi com mulheres antes...- explica o menino.

No dia seguinte, chefe Toni decide ir cedo para seu gabinete e começa a juntar tudo o que for possível sobre o caso das moças mortas.

1º- Todas eram mulheres

2º- Todas tinham em comum, serem, ou mulheres grávidas, ou mães de crianças com deformidades

Com isso em mãos, foi tentar descobrir o passado do sr. Luigi, pois naquela altura dos fatos, qualquer um poderia ser culpado, então qualquer ponto novo, seria possivelmente uma pista a mais.

Tudo o que descobre, é que sr. Luigi tinha se mudado a pouco para a cidade, todos os documentos acusavam que se tratava de deficiente físico, mas não indicava que tipo de deficiência possuía, informava também a possível existência de um irmão gêmeo, mas também não informava o paradeiro do mesmo. Informavam também que sr. Luigi, se mudou para a casa onde morava, pagando aluguel e que se mantinha com dinheiro de aposentadoria que recebia devido ser inválido.

O que intrigava chefe Toni, é que não se imaginava onde poderia ser a deformidade do possível suspeito. Tudo o que restava, era fazer uma possível vigilância sobre o modo de vida de sr. Luigi. Não teria outra forma, pois não havia motivos para interroga-lo, a não ser pelas roupas femininas que a esta altura, já não existiam mais.

Restava apenas a palavra de seu filho e pensar como faria para evitar mais um assassinato, pois o oitavo mês iniciou-se, e ele sabia, que se o maníaco mantivesse seu hábito, mais uma moça seria morta naquele mês, restaria adivinhar qual.

A cidade era pequena, as notícias correm rápido, e logo toda cidade se espanta com a possível gravidez da menina Lúcia, de apenas 17 anos, uma vergonha para os pais conservadores.

_Vaca, vaca, vaca !!!!! Ninguém merece isso !!! Ninguém pode viver assim !!! – esbraveja Caio, a noite, quando se prepara para sair.

_Caio, por favor...- Luigi murmura sem força...

_Durma seu velho imprestável, é noite, você só comanda de dia, agora sou eu que mando, e a gente vai sair para matar vacas !!! – esclarece o irmão Caio já pegando sua enorme capa e sua faca.

O carro deixa a casa em direção a cidade. Chove novamente como todas as noites, que agora em lua nova, parecem mais noites de que nunca, uma escuridão sem igual, já passam das 23hs.

Todos na pequena cidade se preocupam em voltar para casa cedo, pois sabem que assim que escurece, a morte também pode vir com a escuridão, então, a maioria das mulheres não saem de casa após anoitecer, com exceção de garotas estudantes que precisam sair mais tarde da escola, mas assim como a população estava precavida, a policia também estava. Por isso, era mantida uma viatura de prontidão na saída da escola da cidade.

As meninas saem um tanto assustadas e em grupos pelas pequenas ruas da cidade, a policia vigia o possível e tudo corre normalmente como todos os dias. E como todos os dias, vários grupos de estudantes se espalham pelas várias ruas, e como habitualmente acontece, a medida que se distanciam da escola, o grupo começa a diminuir com os estudantes entrando em suas casas.

Lúcia era uma das que moravam mais afastadas da escola, por isso era sempre uma das últimas a chegar em casa, onde seus pais, já de meia-idade, ambos com 55 anos, a esperam na janela, sempre procurando protege-la da escuridão, mas de longe.

De longe, avistam a formosa menina, caminhando com certa velocidade, sempre olhando para todos os lados para se certificar que está tudo em segurança, mas isso não basta para o maníaco que a espera no meio da escuridão um pouco mais a frente.

E com a ajuda da escuridão, é que o louco sádico salta para pegar a menina Lúcia que desesperada começa a gritar e correr, enquanto seus pais nada podem fazer a não ser gritarem e tentar telefonar para a policia enquanto sua amada filha tenta sobreviver por entre a mata. Chefe Toni recebe o aviso em sua casa e mais do que rápido, pega sua arma e sai em disparada em direção a casa da menina Lúcia.

O assassino é grande, mas apesar do seu tamanho, é desengonçado, sem muita agilidade para correr, nunca havia pego uma menina desta forma, sempre foi mais simples, em ambientes fechados, mas esta tinha que ser assim, pois já não restava muito tempo para o maníaco nesta cidade, sabia que logo teria que mudar dali e não poderia deixar uma pecadora como ela viva para envergonhar a todos.

A equipe de policia da cidade era pequena, assim como a cidade, era formada do chefe Toni e mais 4 assistentes divididos em 2 viaturas e o próprio carro do chefe, e o trio segue em disparada pelas estradas afim de evitar mais uma tragédia. Assim que chegam perto do local, já conseguem ver ambos correndo pelo mato raso, o terreno é pantanoso impedindo o tráfego das viaturas, obrigando a equipe policial a correr também atrás do assassino e da menina Lúcia.

Desesperada, a menina corre para uma grande casa em ruínas no meio do terreno pantanoso, casa esta que já serviu de palco para um dos outros assassinatos de mulheres, casa esta que Caio conhece muito bem. Ambos adentram a casa e Caio, percebendo a presença da policia que já chegaria, tenta apressar-se no seu objetivo, correndo atrás da pobre menina que não conhece o terreno em que pisa, tropeçando assim em uma escada destruída e caindo, chorando, quando seu assassino se aproxima e prepara-se para cumprir a sua missão de limpar o mundo; dos pecadores.

Com a faca em punho, Caio se aproxima com seu sorriso sinistro, como se já tivesse cumprido sua missão, a menina apavorada grita o máximo que pode, enquanto Caio levanta a afiada faca para cumprir sua corriqueira vida de limpar o mundo, pronto para cortar a veia saltada pelo desespero da indefesa Lúcia.

_Vai morrer pecadora, nunca mais vai parir ninguém !!!

Eis que chefe Toni se aproxima e já com arma em punho, grita para que o assassino se renda, mas o mesmo parece ensandecido na sua ânsia de matar e praticamente nem percebe a presença de chefe, que num movimento mais do que preciso, aponta sua arma e dispara um tiro certeiro na mão do assassino que deixa cair a faca e se vira para olhar quem o atingiu.

Virando-se lentamente percebe a presença de chefe Toni e os demais policiais olhando assustados para ele, uma figura horrenda, com o rosto meio desfigurado e desproporcional, grandes olhos, boca e nariz tortos, com a mão ensangüentada, Caio se desespera e tenta ir para fora da casa numa corrida desengonçada, enquanto os policiais se dirigem até a moça. Chefe Toni e um de seus guardas seguem em disparada atrás de Caio. A menina Lúcia estava salva, restava dar um fim no assassino.

Na escuridão, os dois policiais deparam com aquela figura correndo por entre a vegetação, meio corcunda, de pouca agilidade com a mão pingando seu sangue e ambos partem por entre a escuridão atrás do assassino. É quando este percebe que não terá como escapar, uma vez que seu carro se encontra para o lado contrário de onde está correndo, e que não tem a mesma habilidade que os policiais, percebe então que provavelmente seu fim está próximo, e continua correndo, quando chega ao fim do campo plano, um penhasco de aproximadamente 5 metros de altura, já passa das 3hs da manhã, nisso que houve um grito...

_Pare, vire com as mãos para o alto !!!

Os policiais haviam dado a ordem, que ele teimaria em seguir, pois não era um de seus objetivos ser preso, pois no seu pensamento, ele era o salvador do mundo e este jamais poderia ir preso, tinha que fugir de qualquer jeito. Foi então que virou para os policiais que pararam a uma certa distancia, com olhos fixos em todos os movimentos do monstro assassino.

_Quieto, e mãos para o alto !! – grita chefe Toni.

Imaginando-se hábil para isso, Caio tenta sacar o pequeno revólver que trazia consigo, mas antes que possa saca-lo totalmente, os dois policiais o atingem com 3 tiros certeiros, um atingindo sua mal feita cabeça e dois atingindo seu peito, o homem começa a ver tudo embaçado e percebe que seu fim chegou, num movimento desesperado ele larga o revólver e se virá para o penhasco saltando por entre as pedras para talvez o seu fim fatal.

Os policiais se aproximam da beira do penhasco e não conseguem ver o cadáver por entre a escuridão, é preciso descer e confirmar se Caio estava morto realmente. Chefe Toni pega o revólver e guarda em um saco plástico como parte das provas que incriminariam Caio desta tentativa de homicídio e talvez das outras moças.

O terreno é acidentado, os policiais demoram cerca de 40 minutos entre consolar a menina e os pais e poderem descer até onde estava o corpo, mas é com imensa surpresa que os homens chegam e nada encontram, apenas marcas de sangue e uns poucos rastros de alguém que saiu se arrastando em direção a mata fechada.

As buscas começam por entre o mato, passados em média 60 minutos depois de todo o ocorrido, o carro de Luigi sai em disparada por entre o amanhecer em direção ao seu lar.

Chegando em sua casa murmura...

_Viu o que fez ? está contente agora ? agora você morreu e acabou com minha vida, desgraçado, nunca mais poderei sair de casa, desgraçado louco !!!!

Mais rápido do que pode, Luigi arruma tudo o que pode dentro de seu carro, seus pertences, seus valores e assim que o relógio bate as 5 da manhã, o carro deixa a casa em direção as montanhas.

Os meses se passam na pequena cidade, e com a faca e a perícia, a polícia descobre que o assassino era mesmo Caio, só não entendiam como ele conseguiu fugir depois de três tiros. A arma encontrada estava em registro no nome de Luigi que havia e tornado cúmplice e também estava sendo procurado pela polícia. Várias buscas foram feitas em sua casa, e lá perceberam que Luigi fazia parte também, pois foram encontradas roupas femininas de antigas vítimas, como o pequeno Gabriel tinha avisado.

Sempre procuraram por toda a cidade e cidades próximas, mas nunca mais souberam do paradeiro de Luigi e Caio; a única coisa que encontraram, foi o carro abandonado perto de uma linha ferroviária. Com certeza, fugiram pelo trem não se sabe para onde. As contas bancárias foram extintas e todo o dinheiro retirado no dia seguinte de todo o ocorrido, todas as pistas do paradeiro de ambos, tinha se extinguido.

De tudo isso, só sobraram as estórias, como lendas que foram contadas pela pequena cidade de gerações em gerações, sobre o assassino monstro que matava mulheres indefesas.

Em uma outra cidade afastada de tudo e de todos, praticamente isolada do resto do mundo, a uns 80 quilômetros de tudo isso, moravam habitantes simples, vivendo praticamente de lavoura, vendendo para outras cidades.

Uma cidadezinha pequena com seu pequeno mercadinho, com seu garoto de entregas saindo em disparada para mais uma entrega em uma casinha um pouco afastada.

Para fazer uma entrega muito especial, de comida e mantimentos como sempre fazia uma vez por semana, na casa do misterioso sr. Lúcio que nunca saía lá de dentro. Para os garotos, ele era considerado como bruxo, por isso nunca saía de casa, mas a população adulta, preferia deixa-lo só e quieto na sua pequena casa e não se preocupavam com o que as crianças diziam.

Marquinhos, o menino entregador do mercado, chega na casa do sr. Lúcio e como de costume, dá um grito para que o seu cliente venha pegar as compras, enquanto prende a respiração e caminha em direção a janela lateral, prendendo a respiração para poder chegar perto da casa que exalava um fedor nunca antes imaginado, fedor de carne, carne em decomposição, de coisa podre.

Sr. Lúcio sai a janela, apanha as compras e paga o menino, agradecendo-o com uma pequena gorjeta e um sorriso sinistro que arrepiava o menino toda vez que fazia esta entrega. Ele sai em disparada para a cidade, enquanto o sr. Lúcio fecha a pequena cortina.

E assim viveu até o último dos seus dias, o sr. Luigi, agora simplesmente sr. Lúcio, tranqüilamente vivendo naquela pequena cidade distante de tudo, com seu irmão Caio, morto, em decomposição, apodrecendo aos poucos, preso na sua coluna, unidos, como verdadeiros irmãos, irmãos siameses, unidos, até a morte.

 

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