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O velho Pedro estava certa feita sólito no campo guardando o
gado do seu patrão, a chaleira preta no fogo de chão aquecia água
para o amargo, quando notou no céu pequenos riscos de fogo, sabia
ele que chamavam isso de estrelas cadentes mas ignorava por completo
o que fossem, achavas contudo bonitas e faziam uma boa distração
para seus olhos cansados, estava assim toldado satisfeito da vida
quando enxerga uma maior que as outras, que parecia crescer enquanto
se aproximava, a qual depois de alguns segundos, bem diante de si
atinge uma das reses do patrão, deixando muito contrafeito,
orgulhava-se porque nunca perdera uma rês sob sua guarda fosse para
gente, bicho ou assombração, esse orgulho era talvez seu único
pecado na vida.
Pedro então monta e esporeia o pingo em direção a rês morta ao
descer para examina-la nota uma cratera pouco profunda, fixando os
olhos no fundo da mesma nota uma pedra brilhando suavemente, mas o
que o realmente o surpreende a luz da lua cheia é ver o brilho
dourado nos ossos da rês, puxando o velho sabre que com tanto valor
empunhara na guerra dos farrapos trisca um dos ossos, ouve-se um som
metálico não há dúvida os ossos se transformaram em ouro por graça
de algum encantamento.
Mais surpreso ainda fica o velho Pedro ao ver surgir diante de
si vindo do nada um diabo vermelho, com chifres, cascos de bode e
ainda por cima empunhando um tridente, Pedro empunha o sabre
esperando um ataque, mas o diabo lhe fala :
- Não te assuste que não vim para brigar está pedra que
vistes é uma pedra filosofal com ela podes transformar até mesmo
os ossos das reses do teu patrão em ouro, dou te-a bem como a a está
estância e tudo o que a nela se me adorares. Ao que Pedro responde
indignado:
- Nunca nos meus 68 anos roubei o que quer que fosse, estes
ossos, está rês pertencem ao meu patrão, não tocaria neles nem
por todo a riqueza do mundo, quanto a tua pedra não a desejo, nem a
nada que venha de ti.
Dito isso sabre em riste avança sobre o diabo que é obrigado
a recuar, defendendo-se com o tridente, a peleja dura horas até que
Pedro fere o diabo na cocha e este ferido desaparece como viera, com
ele também somem a pedra, cratera no chão e a rês morta, está
bem ali perto pastando tranqüila, o próprio Pedro acharia que tudo
não passará de um sonho não fosse a lâmina do sabre manchada com
o sangue negro do diabo.
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