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- Ethel! Ethel! Onde está você? - perguntou o velho, aflito,
procurando falar tão alto quanto permitia sua voz. Abriu a porta do
quarto, olhou de um lado para outro, dirigiu-se à sala, à cozinha.
Tentava andar com rapidez, mas suas pernas já não eram velozes.
Parecia quase mancar.
- Ethel, onde está, meu amor?
Quando passou em frente a porta de entrada, avistou-a. Estava
sentada na soleira, parecia descansar e observar.
- Ethel, minha querida, venha, vamos embora. Temos que ir...
* * * * *
O Dr. Green mudou-se para a cidade tão logo concluiu a
faculdade. Conhecera o lugar numa visita esporádica a um conhecido
que já não morava ali, e desde então percebera que, com a ausência
de médicos na cidade, o local era propício para iniciar na profissão
e talvez até juntar algum dinheiro rapidamente.
Chegava agora à casa que escolhera, através de fotos, na
imobiliária. Tratava-se de uma casa de dois pisos, muito bonita,
com jardins floridos e árvores. Era afastada da cidade uns 20 quilômetros.
Apesar da insistência do homem da imobiliária para que procurasse
uma casa mais próxima, quisera-o assim, para ter um pouco mais de
sossego. Pintura nova, bem cuidada. Aluguel acessível para quem
começava na carreira. Depois de contemplar a fachada, resolveu
entrar. Retirou as malas do bagageiro do carro, ajeitando-as como pôde
debaixo dos braços. Segurou com dificuldade as chaves na mão
direita. Dirigindo-se a porta de entrada, avistou um gato (ou seria
gata?) de pelagem preta, muito brilhante. O felino tinha o olhar
fixo no Dr. Green, como a observá-lo com atenção.
Ao vê-lo, o Dr. Green sorriu.
- Ora, ora, providenciaram até um amiguinho para mim! Olá,
bichano!
O gato miou raivosamente e afastou-se num pulo, correndo em
disparada.
- Que pena! Ele se acostuma comigo, se é que volta! - pensou
o médico.
A casa estava em perfeito estado. A mobília estava incluída
no aluguel. Tudo do agrado do Dr. Green. Tirou o resto do dia para
se banhar, desfazer as malas e descansar. Dormiu profundamente,
aquela noite.
Passaram-se os dias. Instalou seu consultório clínico na
cidade, tornando-se em pouco tempo pessoa conhecida e querida. Sua
primeira amizade formou-se com o farmacêutico, o Sr. Altmann,
justamente quando tentavam se entender sobre remédios e drogas
disponíveis na farmácia. Altmann era um homem de media estatura,
muito espontâneo. Foi o primeiro, também, a convidar o Dr. Green a
jantar em sua casa. Aceitou o convite, dizendo que combinariam uma
data para o encontro.
Certo dia, ao levantar, reparou pela janela do quarto que a
grama do jardim já estava alta e que as flores precisavam de
cuidados. Resolveu que, indo para a cidade, se informaria a respeito
de um bom jardineiro. Arrumou-se, tomou seu desjejum e apanhando sua
maleta médica dirigiu-se para a porta. Abriu-a decididamente, como
sempre fazia ao sair, mas parou de súbito: de pé, parado em frente
ä porta, um rosto magro cadavérico, encontrou um homem que lhe
olhava fixamente. Era baixo, usava um chapéu surrado. Lentamente,
esboçou um sorriso, mostrando a boca quase desdentada.
- Dr. Green?
- Sim? - respondeu o doutor, tentando dominar o susto causado
pela aparição súbita daquele homem de aparência estranha.
O homem tirou o chapéu e segurou-o de encontro ao peito.
- Desculpe incomodá-lo. Meu nome é Arthur, e tenho sido o
jardineiro desta casa ao longo dos últimos anos. - A voz era
ritmada, parecia que arranhava a garganta em função da idade. - Não
pude deixar de ver que seu jardim precisa de cuidados...
O Dr. Green sorriu. Que bela coincidência. Nem precisaria
procurar na cidade, como havia planejado. Trocou mais algumas
palavras com Arthur, acertaram um salário e uma freqüência
semanal para a manutenção do jardim e das flores. Arthur podaria
as árvores, também..
Alguns dias depois, Green aceitou o convite do farmacêutico
para um jantar. À noite, comeram com simplicidade mas com fartura.
A Sra. Altmann, sempre muito atenciosa e falante, cativou o
visitante. No final da noite, o Dr. Green não pôde deixar de
convidar o Sr. Altmann para que fosse à sua casa, a fim de
retribuir a visita.
O farmacêutico imediatamente transmudou seu semblante alegre
para uma feição preocupada.
- Sim, sim, Dr. Green, quando possível...
- Edward! - gritou a Sra. Altmann, parada na porta da cozinha,
de onde podia visualizar a ambos. - Você sabe que não iremos lá.
Por que não conta ao Dr. Green? Todos na cidade já estão
comentando...
Green, sem entender muito bem do que se tratava a conversa
entre marido e mulher, franziu o senho. Olhou para o Sr. Altmann:
- O que há? De que fala a Sra. Altmann?
O farmacêutico explicou que não era nada disso e pediu que
entrasse novamente. Explicou-lhe que a casa onde o médico morava
era considerada mal assombrada pela população, que evitava passar
por ela. Green ficou um instante em silêncio, meio aturdido. Ao
menos, isto explicava em parte a insistência do homem da imobiliária
para que Green alugasse uma casa mais próxima, e certamente
explicava o fato de que ninguém até aquela data havia ido visitá-lo,
apesar de já ter muitos amigos entre os seus pacientes.
Pediu mais detalhes ao farmacêutico, mas este disse que também
era relativamente novo na cidade e não dava muita importância para
estas histórias. Já a Sra. Altmann, que morara ali toda a vida,
baixava a vista e evitava falar no assunto.
- Desculpe, Dr. Green, é melhor deixar quieto...
Voltou para casa intrigado. O que teria acontecido ali?
Certamente indagaria outras pessoas no dia seguinte, mas foi dormir
aquela noite com dúvidas e impressionado pela história do farmacêutico,
ainda que nenhum detalhe sobre tal história fosse revelado.
Na outra manhã, no consultório, atendeu vários cliente. Uma
mulher, conhecida na cidade por ser uma espécie de clarividente,
estava com uma dor nas costas muito forte. Pareceu ao Dr. Green que
seria a pessoa apropriada para perguntar sobre aquela história.
Depois de atendê-la, pediu-lhe que esperasse um minuto mais.
Contou-lhe sobre a história do farmacêutico e perguntou-lhe se
sabia alguma coisa a respeito.
Ela empalideceu:
- Saia de lá, doutor. Saia antes que o tirem de lá. Não
sabemos que força move aquela casa, mas, por Deus, saia de lá! -
e, atrapalhadamente, retirou-se do consultório, deixando o Dr.
Green boquiaberto. Pior: assustado e ainda sem saber maiores
detalhes.
Lembrou-se de inquirir Arthur, o jardineiro, mas subitamente
percebeu que, apesar de já morar ali há uns dois meses, nunca se
encontravam. O jardim estava sempre limpo, as flores podadas, mas
Arthur nunca aparecia. Nem para receber o salário semanal. Sem
entender os motivos do velho homem, o Dr. Green deu de ombros e
procurou esquecer aquela história, se pudesse. Afinal, nada de
estranho vinha acontecendo lá.
Nada, até aquela manhã de quinta-feira.
Logo após levantar, o Dr. Green decidiu barbear-se. Ainda
meio sonolento, passou o creme de barbear por todo o rosto. Coberto
com a espuma branca, colocou a fina lâmina no aparelho de barbear,
mergulhou-o na água quente e deslizou-o suavemente pela face.
Gostava de barbear-se. Subitamente, o susto: o espelho do banheiro
espatifou-se! Num só estalido dezenas ou centenas de caquinhos se
formaram e caíram sobre a pia. Todos, menos um: formando uma espécie
de triângulo, o caco de vidro projetou-se contra o rosto do Dr.
Green e cortou-lhe a carne, ficando cravado em sua fronte, muito próximo
ao olhos. Parecia ter-se projetado por vontade própria. Lentamente,
um filete de sangue começou a escorrer. Sem poder enxergar e
assustando com o acontecido, o médico levou a mão instintivamente
ao local do ferimento. Percebeu que o pedaço de vidro não era
pequeno. Correu até o quarto, onde lembrou ter outro espelho. Outra
surpresa: o espelho do quarto havia-se também espatifado, de forma
igual ao do banheiro. Não conseguia raciocinar com clareza, em função
da dor e do susto. Aquele segundo espelho quebrado confundira-lhe
ainda mais as idéias. Voltou ao banheiro com o coração batendo
aceleradamente e, apanhando uma toalha, tratou de tirar o caco de
vidro e, tão cuidadosamente quanto pôde, limpou o ferimento e
providenciou um curativo. Somente no espelho do carro, já mais
tarde, ao sair, pode examinar o local ferido. O curativo havia sido
bem feito, afinal.
Passou o dia intrigado e assustado. Pouco concentrado, até.
Fechou o consultório mais cedo e voltou para casa. Tinha que limpar
os estilhaços de espelho do banheiro e do quarto. Girou a chave da
porta principal e entrou. Subiu vagarosamente a escada que levava ao
segundo piso. Quando percebeu, estava suando, apreensivo. Abriu a
porta do quarto. Sua garganta secou e o coração disparou. O
espelho estava inteirinho sobre a penteadeira. Virou-se rapidamente
e dirigiu-se ao banheiro: o espelho também estava inteiro, como se
nada houvesse acontecido pela manhã. Não conseguia entender.
Parecia que alguém havia substituído os estilhaços por espelhos
novinhos. Sob esta forte impressão passou o resto da noite. Não
teve fome. Deitou-se já tarde, mas o sono não veio.
Deitando, procurou refletir sobre as estranhas histórias e
sobre o acidente da manhã. Sim, ele havia acontecido, o curativo em
seu rosto era a prova disso. No entanto, não achou explicação
plausível para o acontecido. Recusava-se a acreditar na assombração
de que lhe falavam. Era um homem da ciência. Após duas horas de
hipóteses rodando sua mente, resolveu tomar um calmante. Aos
poucos, dormiu. Não sabia quanto tempo se passara até que um
cheiro forte, nauseante, foi-lhe acordando aos poucos. Estava
deitado da mesma forma como adormecera: com os braços e pernas
abertos em forma de X. Abriu os olhos e, primeiro baixinho, depois
aumentando de intensidade, ouviu um barulho como de bolinhas de
vidro se chocando. A intensidade do barulho, aumentando aos poucos,
parecia uma trilha sonora de um filme de suspense. Aos poucos, notou
que o barulho aumentava de intensidade. E por apenas poucos segundos
conseguiu perceber de que se tratava do lustre, sobre a cama. Tremia
e balançava, agora loucamente, como que em convulsão. Atirou-se ao
chão no exato momento em que o lustre se desprendia do teto e caia
sobre a cama. Aquela bela peça, toda enfeitada de bolinhas de
vidro, possuía em seu centro uma ponta de ferro afiada, que caiu
exatamente onde ele estava. A ponta de ferro cravou-se no colchão.
Certamente, ele havia escapado bem a tempo. Estaria morto agora.
O coração ainda em disparada, procurava enxergar alguma
coisa no escuro do quarto. Só uma luz tênue vinha do corredor. E
aquele cheiro nojento de podridão. Era um médico. Agora, bem
acordado, podia identificar o fedor que caracteriza os corpos em
decomposição. Levantou-se, correu para o corredor a fim de ficar
mais próximo da luz. O coração ainda em disparada, deu mais uma
olhada para a cama, o lustre imenso espetado sobre ela. Correu até
a escada e desceu até a cozinha. Tomou um copo d'água e tentou se
acalmar. Com o passar do tempo, conseguiu controlar seu ritmo cardíaco
e criou coragem para voltar ao quarto. Certamente, estava
impressionado. Queria acreditar que se tratava apenas de um
acidente. O lustre se desprendera e caíra, era só. E o cheiro fétido
certamente vinha de algum animal morto próximo a casa.
Pisou no primeiro degrau da escada, quando sua espinha
enregelou:
- SAIA!
Foi dito num grito horrível. Não conseguia identificar se a
voz era masculina ou feminina, velha ou jovem. Não parecia uma voz
fantasmagórica, daquelas que se arrastam num longo "Saaaaaiaaaaa.....".
Não. Era uma voz raivosa. Nem a direção conseguia identificar.
Pensou se não seria também sua imaginação. Uns cinco minutos se
passaram até que resolveu continuar a subir a escada. Angustiado,
esperou ouvir novamente o grito. Mas nada, desta vez. Foi até o
quarto, disposto a limpar a bagunça. Ao entrar na porta, nova
surpresa: o lustre estava no lugar! Só o colchão, perfurado
exatamente aonde a ponta de ferro havia-se cravado, provava ser
verdade o que havia acontecido.
Não quis mais passar aquela noite lá. Arrumou-se como pôde
e acelerou seu carro até um hotel na cidade. Devia ser umas 3:00
horas da manhã. Assustado e afobado, pediu um quarto ao atendente.
Meio sonolento, o balconista nem percebeu que se tratava do Dr.
Green. Entrando no quarto, atirou-se na cama e dormiu o que pôde
naquele resto de noite.
Acordou na manhã seguinte resolvido a desfazer o negócio do
aluguel com a imobiliária.
- A quem pertence aquela casa? - perguntou ao agente.
- Aos descendentes da viúva Holland. Eles não moram aqui há
anos. Deixaram a casa aos meus cuidados e mensalmente lhes repasso o
aluguel. Quando tem inquilinos, é claro...
O Dr. Green engoliu em seco, passou a mão no curativo que
trazia no rosto e perguntou:
- Dizem que há um... problema... com a casa.
O agente suspirou.
- Eu tentei avisá-lo, doutor. Sugeri-lhe que alugasse uma
casa mais próxima...
- Mas do que se trata? - perguntou, ansioso.
O homem deu a volta no balcão e parou na porta da imobiliária,
olhando para o movimento na rua.
- Há muitos anos, o casal Holland adquiriu a casa. Muito
antes de toda esta gente que vive aqui ter nascido. Dizem os mais
antigos, que ouviram esta história de seus pais, que eram um casal
feliz. Até que o Sr. Holland adoeceu e, em seu leito de morte,
pediu a esposa que jamais se desfizesse da casa, a qual haviam
reformado e cuidado com muito esforço. Reparou como tem um lindo
jardim lá, Dr. Green? - indagou o homem, voltando levemente a cabeça
para trás.
- É verdade. Tem sido muito bem cuidado.
- Pois bem. A viúva Holland não tinha filhos e cuidou da
casa sozinha. No fim da vida, acamada também pela doença, recebia
algumas visitas. Contam que ela tinha alucinações, que enxergava o
ex-marido e conversava com ele. A última pessoa que a viu com vida
disse que, em certo momento de delírio, ela estendeu os braços em
direção à porta do quarto e disse:
- Venha meu amor. Estou pronta. Tomei conta da nossa casinha.
Ninguém morou nem há de morar aqui, para destruir o que fizemos.
O Dr. Green ouvia a história em absoluto silêncio. Estava
como que hipnotizado.
- Depois que ela morreu - prosseguiu o agente - muito pouca
gente tem ido lá, e como o Sr. mesmo comprovou não é fácil de
alugar a casa... Não colocarei empecilhos em desfazer o negócio,
Dr. Green.
O médico pagou os dias devidos ao agente e se despediu. Um
instante antes de sair, porém, voltou-se e perguntou:
- Como ela morreu?
- Não sei bem qual foi a doença - respondeu o agente. - O
mais curioso, já que tocou no assunto, foi que a velhota que a
encontrou morta sempre contava que a achara de boca aberta sobre a
cama. Já o resto deve ser invenção dela.
- Que resto? - indagou Green.
- Bem, ela contava que um gato preto, de pêlo muito
brilhante, lambia-lhe a boca aberta. E, ao avistar a velha senhora,
deu um miado de raiva, como que irritado com a interrupção, e
pulou num salto a janela do quarto que estava aberta...
O Dr. Green ouviu este último comentário meio atordoado. De
qualquer forma, já havia mesmo resolvido sair da casa. Entrou no
carro e guiou mecanicamente. Entrou em casa e nada parecia
demonstrar o que havia acontecido na noite anterior. Começou a
fazer as malas, um tanto apressado. Ao retirar os lençóis da cama,
aproximou-se do buraco que havia ficado bem no centro do colchão.
Olhou ante para cima, a fim de certificar-se de que o lustre estava
bem seguro. Ao pôr a mão sobre o buraco, percebeu que era fácil
cavocar o mesmo. Sem saber exatamente porque, introduziu a mão na
plumas que enchiam o colchão, revirando-as. Como que predestinado,
sentiu nos dedos um objeto que parecia metálico. Ansiosamente,
rasgou a abertura no colchão e removeu as penas que o preenchiam,
até que encontrou uma espécie de gargantilha. Estava enferrujada.
Parecia muito antiga. No entanto conseguiu ler a dedicatória.
"Para minha esposa Ethel, com carinho. A. Holland".
Saiu correndo, pegando apenas o que a pressa lhe permitiu. Ao
abrir a porta para sair de casa, parou de novo, subitamente,
exatamente como fizera dois meses antes.
- Arthur?!
- Dr. Green...
Não sabia porque o jardineiro aparecera ali justamente agora,
que estava com pressa. Mas repentinamente, e em voz baixa, repetiu o
nome do jardineiro: - Arthur...
- Soube que vai embora, Dr. Green. - parecia ter um ligeiro
sorriso nos lábios.
Sem pedir permissão, entro na casa e dirigiu-se à escada.
- Arthur! - gritou Green.
O jardineiro parou e virou-se para o médico.
- Sim?
- Há quanto tempo cuida desta casa?
A boca do jardineiro abriu-se num sorriso, como se parecesse
feliz.
- Há muito, muito tempo, Dr. Green. A propósito, não viu
minha gata por aqui?
A pergunta surpreendeu o Dr. Green.
- Não, não vi... - respondeu o doutor, observando o velho
subir a escada. Resolveu que não iria mais se deter. Havia deixado
um envelope com o pagamento em cima de mesa, e o velho certamente o
encontraria. Saiu da casa, entrou no carro e foi embora. Não
pretendia volta ali. Nunca mais.
* * * * *
Dentro da casa, Arthur chegou ao segundo piso. Ofegante,
chamou, em voz alta, mas sem gritar:
- Ethel, onde está você?
Não obteve resposta. Desceu novamente a escada e abriu a
porta principal da casa.
Sentada na soleira da porta, a cauda envolvendo-lhe as pernas,
a gata preta, de pêlo brilhante, olhou-o de forma suave. De um
pulo, saltou-lhe no colo.
- Vamos, querida - disse Arthur Holland -, esta casa é nossa
de novo.
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