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Eu
sei que muitos de vocês vão dizer que estou louco quando
terminarem de ler esta história. Sei também que muitos vão rir,
achando que isso é algum tipo de piada de mau gosto. Eu sei de tudo
isso. No começo essas coisas me incomodavam, faziam minha alma doer
mais do que ela já dói, mas agora eu já não ligo mais para isso.
Isso não importa. Se quiserem me chamar de louco, de demente, ou de
qualquer outra coisa que inventarem, isso não me importa. A única
coisa que me importa é contar a minha história. Por que assim,
talvez, eu possa evitar que aconteça com outra criança o mesmo que
aconteceu com a minha filha. Talvez mesmo aquele pai que me chamou
de louco ou de demente vá se lembrar dessa história quando seu
filho o chamar no meio da noite, dizendo que está com medo. Talvez
naquele momento ele se lembre desse homem louco, e a minha narrativa
o faça pensar duas vezes... e talvez isso salve a vida daquela
criança. Isso é tudo o que quero. Mesmo que me chamem de louco, eu
não vou parar, por que agora eu sei com certeza que as coisas são
diferentes quando a noite cai, e sei também que mesmo aqueles que
me chamam de louco vêem as coisas diferentes quando tudo são
sombras.
Talvez eles se
lembrem da minha história na calada da noite. Talvez isso salve a
vida de seus filhos.
Eu gostaria que
alguém tivesse feito isso por mim antes do que aconteceu...
Me desculpem.
Eu sei que estou divagando, mas é difícil evitar.
Tudo aconteceu
há um ano atrás. Era uma noite fria de outono, e eu me lembro que
havia ido dormir cedo por que tinha uma reunião importante no dia
seguinte no escritório, e queria estar bem descansado. Eu já
estava dormindo pesado quando Caroline veio me acordar.
- Papai! Papai!
Acordei
vagarosamente, a voz de minha filha penetrando em minha mente, me
trazendo de volta através das camadas de sono. Me lembro que
resmunguei e virei de lado, tentando continuar dormindo, mas ela
insistiu, chacoalhando meu ombro com sua mão pequenina enquanto
continuava me chamando:
- Papai!
Papaaaaiiii!
Eu virei
novamente na cama e abri um olho, depois o outro. Helena, minha
esposa, remexeu-se na cama a meu lado, puxando as cobertas para si.
Olhei de relance para ela, e percebi que ela continuava dormindo.
O rádio-relógio
ao lado da cama estava marcando dez horas e cinquenta minutos. Não
fazia muito tempo que eu havia adormecido.
Sentei na cama
e olhei para minha filha. Ela estava de pé ao lado da cama, me
olhando, esperando eu acordar totalmente. Um linda menina de três
anos. Apenas dois meses antes, nós havíamos comemorado seu aniversário
em um McDonald’s perto de casa. Eu me lembro como ela ficou feliz
naquele dia. Há meses que ela pedia uma festa de aniversário no
McDonald’s.
Mas eu estou
divagando novamente. Imagino que isso seja um tipo de fuga, para
tentar evitar essas lembranças tão doloridas para mim. Apesar de
eu saber que devo contar tudo o que aconteceu, minha mente ainda
tenta evitar que eu me machuque ainda mais.
Mas deixe eu
voltar ao meu relato.
Caroline estava
de pé ao lado da cama, olhando para mim. Eu me lembro que ela
estava vestindo um pijama azul, com desenhos do Ursinho Puff
espalhados por todo o tecido. Nos desenhos, Puff estava sentado,
todo lambuzado de mel, e olhava para uma abelha que estava em seu
focinho. Este pijama havia sido presente de minha mãe para ela, e
ela o adorava.
É engraçado
como a mente humana funciona. Apesar de eu não ser uma pessoa com
uma memória das mais privilegiadas, aquela noite ficou gravada em
minha mente com todos os detalhes. Eu consigo lembrar de tudo com
perfeição. Cada vez que me lembro, é como se estivesse rodando um
filme em minha cabeça. Acho que é por isso que me lembro tão bem
da expressão com que ela estava me olhando naquele momento: um
misto de ansiedade e medo.
- O que foi,
filha? – Perguntei, minha voz ainda embargada pelo sono. – O que
aconteceu?
- Eu posso
dormir com você e a mamãe?
- Por que você
quer dormir comigo e a mamãe?
Ela olhou para
o chão, envergonhada. Falou com uma voz quase inaudível:
- Eu tô com
medo.
- Medo de quê?
Ela levantou os
olhos do chão e olhou novamente para mim. Percebi, mesmo na
penumbra do quarto, que ela estava quase chorando.
- Do homem.
- Que homem?
- O homem que tá
dentro do armário do meu quarto.
Eu dei um salto
da cama ao ouvir essas palavras. Helena se remexeu na cama mais uma
vez, ainda adormecida. Agachei ao lado de minha filha e a segurei
pelos ombros, carinhosamente mas com firmeza.
- Tem um homem
no seu quarto?
Ela balançou a
cabeça afirmativamente.
- Ele está no
armário? Tem certeza?
Outra afirmação.
Lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. Eu a abracei e falei
baixinho:
- Não precisa
chorar. O papai vai mandar o homem embora. – Levantei. – Fique
aqui com a mamãe até o papai voltar, tá bom?
Ela fez que sim
mais uma vez e se enfiou debaixo das cobertas onde eu havia estado
menos de um minuto antes. Assim que ela deitou, eu saí para o
corredor, em direção ao seu quarto.
Nesse momento,
é importante que eu esclareça uma coisa: nunca fui herói. Não
sou o tipo de homem machão, daqueles que quer enfrentar tudo e
todos e não tem medo de nada. Eu sou simplesmente um homem normal,
e a primeira idéia que passou em minha mente foi a de chamar a polícia.
Mas eu precisava averiguar o que Caroline havia dito. Afinal, eu não
poderia simplesmente chamar a polícia baseado na palavra de uma
menina de três anos, que podia muito bem estar apenas sonhando. Eu
precisava verificar.
Assim, caminhei
até o final do corredor, onde ficava o quarto de Caroline. Era um
quarto relativamente grande, pois a casa em que morávamos era do
estilo antiga, em que todos os cômodos são grandes. As paredes
eram pintadas de cor-de-rosa, e as cobertas da cama também eram
desta cor. Em um canto, havia uma pequena poltrona com várias
bonecas e bichos de pelúcia amontoados. Próximo à cama, um abajur
com o formato de uma bailarina iluminava fracamente o quarto. Um
velho armário embutido, que já estava na casa quando fomos morar
ali, ocupava por completo uma das paredes.
Cheguei na
porta do quarto e olhei cuidadosamente para dentro.
Não havia
ninguém lá.
Já um pouco
aliviado, entrei no quarto. Caminhei até o armário vagarosamente,
procurando não fazer ruído, e abri as portas de sopetão. Lá
dentro só havia roupas, gavetas e brinquedos. Não havia sequer
espaço onde um homem normal pudesse se esconder.
Eu me senti
tranquilizado, e imaginei que Caroline devia ter tido apenas um
pesadelo. Mesmo assim, dei uma busca geral no restante do quarto e
da casa. Olhei até embaixo da cama.
Nada. Tudo na
mais perfeita ordem.
Então voltei
para o meu quarto. Caroline ainda estava deitada no meu lugar, as
cobertas puxadas até o queixo, os olhos arregalados. Havia parado
de chorar, mas ainda estava com a expressão assustada.
Eu sentei ao
seu lado na cama, e olhei para ela carinhosamente. Ela olhou de
volta para mim, seu rostinho pequeno demonstrando ansiedade.
- Não tinha
homem nenhum no armário, filha.
Ela levantou-se
de um salto, como se já esperasse essa resposta:
- Tinha, sim,
papai! Tinha, sim! Ele era grande e feio e verde! E tinha unhas
compridas! Ele queria que eu entrasse no armário!
Helena se
remexeu na cama mais uma vez. Eu a abracei e falei baixinho:
- Fale baixo,
senão você vai acabar acordando sua mãe. O papai já olhou no armário
e na casa toda, e não tem nenhum homem lá. Muito menos um homem
verde com unhas compridas. Você deve ter sonhado.
Ela balançou a
cabeça com força, as lágrimas já voltando a escorrer pelo seu
rosto.
- Não foi
sonho, não. Não foi.
- O papai tem
que ir dormir, que amanhã tem trabalho. Vai pro seu quarto, vai.
- Deixa eu
dormir aqui, papai. Por favor.
Foi então que
cometi o primeiro erro que custaria a vida de minha filha. Eu me
lembro claramente que hesitei por um instante antes de responder.
Ah, se eu pudesse voltar no tempo... Se eu pudesse voltar nesse único
instante, mudar minha decisão... Tudo poderia ser diferente.
- Não. –
Respondi. – Você tem que dormir no seu quarto.
Caroline desceu
da cama, ainda chorando, e começou a andar em direção à porta.
Antes de sair, ela olhou mais uma vez para mim, e pude ver, mesmo na
penumbra, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Então ela
perguntou, a voz entrecortada:
- E se ele
voltar?
- Ele não vai
voltar. – respondi, firme, embora estivesse comovido por dentro.
– O papai promete.
Então Caroline
foi para seu quarto, e eu voltei a me deitar. Antes de adormecer,
olhei novamente no rádio- relógio.
Onze e vinte e
cinco.
Pouco depois,
acordei pela segunda vez naquela noite. Caroline estava novamente ao
lado da cama, chacoalhando meu ombro, chorando. Só haviam se
passado quinze minutos.
- Papai! O
homem voltou! Você prometeu que ele não ia voltar...
Eu comecei a
perder a paciência. Estava cansado, com sono, e tinha uma reunião
importante no dia seguinte. Precisava dormir.
- Caroline, eu
já falei que não tem homem nenhum no armário. Você sonhou!
- Não sonhei,
não, papai. Ele está lá!
- Então vamos
até lá ver.
Levantei da
cama e, segurando a mão dela, comecei a caminhar até o seu quarto.
Ela chorava e soluçava o tempo todo. Estava realmente muito
nervosa.
Entramos no
quarto. Ele estava exatamente como eu havia deixado antes. A única
diferença era que a coberta cor de rosa agora estava caída no chão,
provavelmente devido a Caroline ter saído correndo para o meu
quarto.
- Viu? Não tem
nada aqui. – Fui até o armário e o abri. No momento em que fiz
isso, notei pelo canto do olho que Caroline deu um passo para trás,
como que esperando que alguém fosse saltar de dentro do armário
para pegá-la. – Não tem ninguém no armário.
Mesmo através
do choro, pude perceber a expressão de incompreensão no rosto de
minha filha. Aquilo me comoveu. Agachei ao lado de dela e falei,
suavemente:
- Foi tudo um
sonho, filha. Não existem homens verdes que ficam em armários. Foi
um pesadelo.
Ela balançou a
cabeça com força.
- Não foi, não.
Ele estava lá. E tinha unhas grandes assim, ó. – mostrou o
tamanho com as mãos.
Eu levantei.
Precisa ir dormir. Peguei Caroline no colo e a coloquei na cama.
Depois, a cobri com a coberta cor de rosa que estava caída no chão.
Dei um beijo em sua testa e disse:
- Vai dormir,
filha. Foi tudo um sonho.
Ela olhou para
mim com um olhar que expressava medo e tristeza.
- Tem certeza,
papai?
- É claro que
tenho certeza, filha. – Dei um beijo em sua testa. – Vai dormir.
O papai te ama.
Comecei a
caminhar em direção à porta.
- Papai?
- O que foi,
Caroline...
- Deixa eu
dormir com você? Só hoje...
Olhei para
minha filha novamente, e por um momento eu quase cedi. Ela estava
deitada, com a coberta cor de rosa puxada até o queixo, as mãozinhas
a segurando com força. Sua expressão era de medo e esperança e as
lágrimas escorriam por suas faces. Seus olhos estavam vermelhos de
tanto chorar.
Então tomei a
segunda decisão da qual irei me arrepender pelo resto da vida. A
Segunda decisão que custou a vida de minha filha:
- Não. Você já
é uma mocinha, e tem que dormir na sua cama. Boa noite.
Então voltei
para o meu quarto e me deitei novamente. Voltei a dormir quase
imediatamente.
Antes de fechar
os olhos notei que o relógio estava marcado onze e cinquenta.
Caroline não
estava de pé junto à cama quando acordei pela terceira vez naquela
noite. O que me acordou foi um grito. Caroline estava gritando, histérica.
Gritando como eu nunca havia ouvido ela gritar. Gritando como eu
nunca havia ouvido ninguém gritar.
Abri os olhos
de repente. A primeira coisa que vi foi o relógio. No momento é
claro que não prestei atenção a esse detalhe, mas a cada vez que
revivo a cena em minha mente, me dou conta de que isto não deve ter
sido uma simples coincidência.
O relógio
estava marcando meia-noite. Em ponto.
Helena sentou
na cama, assustada, sem saber o que estava acontecendo. Antes que
ela pudesse perguntar alguma coisa, eu já estava correndo para fora
do quarto, em direção ao quarto de Caroline, em direção aos seus
gritos.
- Papai!
Papaaaiiii!
Até hoje ainda
ouço aqueles gritos em meus pesadelos. Eu nunca vi ninguém gritar
daquele jeito, nunca vi tamanho desespero, tamanho medo, em um único
som. Sempre que penso nisso, fico arrepiado. Sempre que fecho os
olhos, sempre que estou sozinho, ouço Caroline gritando por sua
vida. Ouço Caroline gritando por mim.
E eu não fui
capaz de ajudá-la.
Eu corri pelo
corredor, como nunca havia corrido em minha vida. Quando cheguei à
porta do quarto de Caroline, percebi pelo canto do olho que Helena
acabava de aparecer na porta de nosso quarto.
O que vi quando
olhei para o quarto de Caroline me deixou petrificado. Por um
instante eu parei, sem saber o que fazer. Esse foi meu terceiro erro
naquela noite. Aquele segundo de hesitação, em que eu fiquei sem
saber o que fazer, fez a diferença. Aquele segundo custou a vida de
minha filha.
Todo o quarto
de Caroline estava banhado em uma luz verde, pulsante, que fazia
meus olhos doerem. O armário embutido ainda estava no mesmo lugar,
mas agora suas portas estavam todas abertas, escancaradas, e o que
havia dentro dele não eram mais roupas, gavetas e brinquedos. O que
havia dentro dele era apenas... nada. Apenas a luz verde.
Pulsante.
Como um coração.
Então, dentro
da luz, eu pude enxergar que havia alguma coisa mais. A princípio
pensei que fossem pessoas, mas então percebi que estava enganado.
Criaturas.
Dezenas delas.
Os braços
esticados, as garras compridas como navalhas arranhando o ar, como
se quisessem escapar de uma prisão invisível, como se quisessem
agarrar alguém.
Com se
quisessem agarrar minha filha.
Tudo isto minha
mente percebeu em um relance, como se fosse um flash, em um único
instante de compreensão. Mas não foi isso que me fez ficar
paralisado. Não foi isso que me fez perder aquele precioso segundo
que poderia ter salvado minha filha.
O que me fez
ficar paralisado foi o fato de ver que uma das criaturas estava
dentro do quarto, e que essa criatura estava caminhando em direção
ao armário, levando Caroline nas costas, como quem carrega uma
boneca de pano. Era uma criatura horrenda, com o corpo todo verde e
cheio de protuberâncias como se fossem verrugas. Estava nua, e seus
braços e pernas eram longos e finos, muito mais longos do que o
tronco. Sua cabeça era grande e arredondada. Ver minha filha de três
anos sendo levada por uma criatura como aquela me fez ficar
paralisado de medo. E isso acabou custando a vida de minha filha.
Terei que viver
com isso pelo resto de minha vida. Quando fecho meus olhos ainda
posso ver Caroline jogada no ombro da criatura, estendendo os braços
em minha direção, lágrimas escorrendo por suas faces. Suas mãos
pequeninas abriam e fechavam, desesperada para que eu a salvasse.
- Papaaaaiiiii!!!!
Tudo que
aconteceu em seguida, aconteceu como se eu estivesse assistindo a um
filme em câmera lenta. Acho que foi o choque, não sei. O fato é
que a criatura virou seu rosto para mim, ao mesmo tempo em que
Caroline gritava por socorro. Seu rosto era horrível, com olhos
vermelhos e orelhas pontudas. Naquele breve instante em que nossos
olhares se cruzaram, eu pude perceber toda a maldade que emanava
daquele ser.
Naquele
momento, eu percebi que ele não tinha alma.
Enquanto nos
encarávamos, a criatura sorriu para mim. Um sorriso sarcástico,
malévolo. Um sorriso que dizia tudo que iria acontecer com minha
filha.
Foi isso que
quebrou o meu torpor.
Instintivamente,
dei dois passos e me joguei para a frente.
Meus braços,
estendidos à frente, tentavam agarrar a criatura antes que ela
voltasse para o armário. Para a luz verde.
Para as outras
criaturas.
Caí no chão
com um baque surdo. A dor subiu pelo meu peito, e soltei um gemido.
A criatura
havia sido mais rápida. No mesmo instante em que saltei, ela pulou
para a frente, livrando-se do meu abraço por alguns centímetros e
ficando apenas a um passo das portas do armário.
Caroline havia
parado de gritar. Olhei para ela e notei que havia perdido a consciência.
Ela estava caída, desacordada, no ombro do monstro. Seu cabelo
loiro cobria metade do rosto.
Essa foi a última
vez que vi minha filha.
A criatura então
virou-se novamente e olhou para mim, caído no chão a poucos centímetros
de seus pés. Pareceu sorrir novamente, e dando um salto para a
frente, desapareceu no meio da luz verde. Um som de júbilo se fez
ouvir, vindo das outras criaturas.
Agradeço a
Deus por Caroline ter perdido a consciência naquele último
instante. Pelo menos, ela não deve ter sentido nada.
Ainda tentei
levantar e segui-lo para dentro do armário, mas no mesmo instante
em que ele desapareceu na luz, levando consigo minha querida
filhinha, as portas do armário se fecharam com um estrondo.
Abri as portas
do armário com força, pronto para entrar na luz verde e enfrentar
todas as criaturas para trazer minha garotinha de volta.
Mas não havia
nada dentro do armário. Somente roupas, gavetas e brinquedos.
Isso aconteceu
há um ano. É claro que ninguém acreditou em mim, nem mesmo
Helena. Quando ela entrou no quarto, a única coisa que viu foi a
mim, esmurrando o interior do armário e chorando como louco. Depois
de alguns meses ela acabou me deixando. Eu não a culpo. Ela também
pensa que eu estou louco.
Mas essa é a
verdade. Foi o que aconteceu.
E hoje, tudo o
que me resta, é viver com meu remorso, sabendo que eu poderia tê-la
salvo, se ao menos eu tivesse permitido que ela dormisse conosco
aquela maldita noite. Por três vezes, tive a chance de salvá-la, e
por três vezes, não o fiz.
Por isso, eu
repito e repito esta história, mesmo sabendo que todos me acham
louco. Eu faço isso para alertá- los que, se seu filho acordar no
meio da noite dizendo que tem um homem verde no armário, mesmo que
você não acredite, lembre-se desse louco e pense duas vezes antes
de mandá-lo de volta para o quarto...
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