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Soava
duas horas no carrilhão da torre do Centro Velho. O bim-bam somente
conseguindo espantar alguns renitentes pombos selvagens da sacada
daquele prédio colonial, embora bastante conservado.
Os sussurros
embebidos em trevas, como incógnitas gargalhadas esventradas da
noite, ecoam também como sons distantes de uma batalha travada a
dois, na privacidade nunca completa de um conflito. O vento rapino,
soprando das montanhas ao norte, incendiava os becos com fugazes
lampejos de uma arrevoada de aves insólitas, em todos lugares
presentes como restos de velhos jornais avermelhados pelos reflexos
de neons e spots carmesins dos bistrôs, drapejando naquelas ensangüentadas
manchetes a espécie de destino lavrado para elas, ao se perderem
madrugada adentro. E tome vento. Uuuuuuuuuu..................
O andarilho a
tudo observa e a nada parece dar uma atenção especial. É de sua
natureza. Um projeto híbrido de homem e assombração, surgindo
alquebrado ao longe como que ejaculado do nada; uma figura ímpar,
decerto, com qualidades etéreas também, remetendo à bravatas
passadas, a deduzir-se de sua roupagem em ruína, daquelas
semi-vestes de corsário holandês do século XVII, chapéu
carcomido, alimento do espírito das traças, penacho impotente,
brocha, oriundo da bunda dalgum urubu imprevidente; tudo o mais não
tinha importância, tão deslocado ali quanto um farol sem oceano,
sem recifes, sem nada; quem seria este escombro em forma de gente
translúcida, um anti-prisma, compondo as cores num único e
desbotado borrão; lá estaria somente um parasita moribundo ou uma
outra vítima serena da praga de sua própria existência? Transitório
estereótipo humano sem de fato sê-lo, sabe-se lá contente ou
triste pois inescrutável se consolidara a muralha esculpida em seu
semblante ora – e sempre - impenetrável; naquele submundo do
incerto as coisas não aconteciam com obrigatória coerência
euclideana, e palavras como ‘beleza’ ou ‘nojo’, vomitadas ao
acaso, não divergiam tanto assim, podendo um escarro dum viciado
ser belo - se o referencial fosse aplicado a uma mosca e toda
expectoração tornando-se para ela num oásis, numa espécie de Édem
de refeição -, como a aversão, mais um espécime do quesito nojo,
sempre retendo morada nas entranhas de quem por acaso nutrisse
desamores e desafetos, mesmo momentâneos, não sendo suficiente a
visão de qualquer maravilha nesses amargos momentos pois o
deslumbre, fácil-fácil, cedia terreno ao ódio, cumpria sua missão
e a força resultante daquilo sempre uma só, com um único
referencial possível: a destruição...
Fora falha a
pressuposição dada, de que tocava o asfalto das largas e
abandonadas avenidas, seu trevo, vias suspensas, o calçamento de
pedras hexagonais, os Jardins, todo entorno que servia de palco para
aquela caminhada claudicante. ao se movimentar. Contudo, um engano
compreensível, pois flutuava a milímetros do chão, para todos
efeitos parecendo marchar através dele.
Um soldado,
enfim, cumprindo com sua inércia marcial. Não era o rufar de
tambores da banda invisível que cadenciava seus espasmos cinéticos,
mas o troar dum imenso coração que, contrário da lógica, não
deveria sequer presumir existência. Das esquinas e inúmeras
encruzilhadas ouvia ‘ois’ especulativos, saudações diferentes
e gritos nocivos, ofensivos, desafiadores, de outras tantas
entidades, mas nada fazia-o estugar sua caminhada, ao menos nada
daquele gênero prometia algo que pudesse tirar algum proveito.
Certos monumentos de referências navais pareciam chamar sua atenção,
invocando sua recordação, mas é só; e a coisa continuou assim,
monótona, por algum tempo. Estava chegando em seu destino e, talvez
‘cansado’, ao menos arrastando os pés como se aparentasse isso,
reduzindo seu deslocamento na inércia motriz de suas passadas, ele
pára. O entorno novamente não o comove: O de sempre. Pouco mudara
de considerável monta desde o último ano. De si, à bandoleira,
ato reflexo ou não, saca um objeto que ante o luar revela-se como
uma luneta contemporânea à Galileu, recebendo-a do próprio físico
e astrônomo natural de Pisa, assestando-a na direção ‘de sua
estrela guia’ e penetrando o céu com ele; enquanto sua vista
saltava de órbita em órbita, mergulhando na imensidão onde pouca
coisa lhe era negado pela visão das esferas, flagrou uma série de
‘milagres’ comuns àqueles tempos loucos no qual, sondas, estações
orbitais, etc., inclusive não furtou-se a lembrar que o homem também
chegara até Marte e se assanhava em direção ao cosmos como uma
legião de lagartas em direção às uvas. Que riquezas poderiam
tirar daqueles galeões espaciais tripulados por gente (mais máquinas
que gente) com fibra igual a de um molusco? Quantos tonéis de rum
uma boa tripulação depois disso não ingeriria, patrocinados pelo
produto do saque? Os tempos eram outros mas as necessidades, as
mesmas.
Enquanto isso,
ali embaixo, no mundo pelo qual o peregrino insistia (ou insistiam)
que trilhasse, a cidade não mudara de aspecto em sua essência: as
mesmas coisas que os séculos conservaram em formol, embebidas em
seu manto azulado de névoa e falsas nuvens feitas de (nesse caso,
menos atenuado que no ano anterior) poluição, anuviando a visão
de um súbito vôo de um insone pássaro ou uma das ariscas luas do
gigantesco Júpiter ou o rastro iridescente de um cadente turbilhão
varando a lousa do universo, preocupando-se com uma ou várias
adagas celestes, ou mesmo qualquer outra distração no ar carregado
de fuligem e desesperança, num grau menor de dispersão. Aquilo que
ali se tornara um agregado de grandes bairros formando uma cidade de
quase setenta mil habitantes, fora antes uma aldeia de apenas um
punhado de almas de imigrantes, um vilarejo monocultor crescido a
volta duma pequena capela de estuque, uma aldeia indígena,
queimada, abandonada de um lado, e uma colônia de velhos
mendigos-pescadores menor ainda do outro; algumas décadas antes
disso, no tempo da tenra e cálida carne que lhe envolvia os ossos,
quando por ali ancorara seu paquete, abastecia-se de água e víveres,
fazia escambo com os nativos e armeiros, ainda retinha na lembrança
a imagem daquele simples lugarejo de terras incultas onde arado
nenhum passara; perdidas plagas propriedades de ninguém, além dos
bugres, distante dos muitos Engenhos de Açúcar e, pra piorar sua
situação geográfica (embora não estratégica), bloqueada por atóis
que fechavam, para navios de calado maior ou destituídos dum exímio
arrais, sua estreita entrada pelo mar. Fora uma vida plena e
satisfatória a sua. Tirando a brevidade dela, óbvio, não havia
queixas. Difícil mesmo foi gerenciar a saudade... A
segunda-terceira-milésima-chance parecia disponível para alguns
poucos privilegiados, o que, infelizmente, não parecia ser o seu
caso.
Os portões
amarelados, descascados pela maresia e pelo desmazelo, marcavam o
limite de sua cadeia atemporal. Era o mais próximo que podia chegar
da costa, situada do outro lado da larga e remodelada pista de
rolamento litorânea, seguindo alguns morros baixos e, ó visão das
mais sublimes, a marina! Todavia o sólido ferro forjado e
amalgamado em concreto semi-derruído de seu antigo reboco, como
cela verdadeira, não permitia maior vislumbre, forçando o espichar
de seu olhar bem redondo por entre suas grades e... sonhar. Ao menos
isso ainda era permitido ou, por outro lado, talvez até
incentivado, como uma nova faceta negativa de sua maldição.
Procurou esquecer aquilo e se concentrar em seu problema. Foi o
mesmo que fazer o contrário.
Julgava também
a beleza – no seu padrão, em sua visão, naturalmente – de um
tipo tão visceral que até magoava; não tinha a fração de matéria
necessária para usufruir; carecia daquela máquina, o invólucro
dos encarnados, com as quais tiravam prazeres inenarráveis em troca
de alguns míseros dobrões; nem isso podia fazer. Ainda que
estivesse ao seu alcance compartilhar com quem quisesse servir como
encosto de sua aura, não encontrara ainda o veículo apropriado que
não o usasse como meio de vida; simbiose, nem pensar! Não estava
pronto pra servir de guia (caça-níquel) espiritual pra ninguém,
por isso voltava, e voltaria sempre. O misticismo era, mais uma vez,
uma das 3 indústrias que mais arrecadavam naquela virada de milênio.
Todos pareciam tão piores que ele... Tão necessitados de ajuda...
O mal de ser
seletivo em demasia.
E em vez de
fazer o sinal da cruz, rogando penitência, clamando uma chance,
como outro em igual situação faria, aplicou um desrespeitoso dedo
em riste no ar, sem direção definida, fora o céu, é claro.
Foda-se!
Além dos muros
dos fundos, noutra vertente, uma lânguida e arqueológica ladeira
de paralelepípedos, viam-se cocheiros entretidos num jogar conversa
fora, falando de dentro de suas carroças sem cavalos, coloridas até
um nível enjoativo, paradas, vistosas, arrogantes, todas ao longo
do meio-fio, vendo também, na dissecadora luz dos potentes lampiões
sobreviventes das depredações, a abordagem levada a efeito por
damas tão inverossímeis quanto ele, no exercício, no caso delas,
da insalubre e velha profissão, expondo uma tal parcela de seus
corpos que nem mesmo a melhor imaginação, a mais fértil de todas,
embora não a mais doentia, podia se sentir insatisfeita; mulheres,
quase-mulheres, o fiofó em polvorosa, um olho a mais a piscar, não
deixaram de prescindir também daquelas meninas com excesso de
maquiagem, compensando a escassez de vestimenta, os corpos em leilão,
vendo-se ainda meninos se prostituindo por prazer ou precisão... As
putas só mudaram de endereço, pensou. Eram tão necessárias
quanto em seu tempo. Podia mudar o calendário e o apelo carnal
sempre se repetiria, e porque não seria assim? Fornicar, fazer
amor, ralar, trepar, foder – ou outro nome que usassem naquele período
regido sob a égide da moda – seria ótimo como também extraordinário
seria estar vivo... E lá vinham as lamentações e todos os vagões
que compunham o extenso Expresso da Depressão manifestando-se mais
uma vez!
Almas
deprimidas, quem diria... Como se a morte só não bastasse!
Mágoa era só
uma maneira de trazê-lo de retorno à realidade (ou o mais próximo
possível dela) e esta, como sempre, não tinha parcimônia alguma
em passar recibo e ser insensível quanto a confirmá-lo como
inquilino itinerante daquele cemitério, regurgitado uma única vez
em cada revolução solar, consciente disso, sempre sob a mesma lua,
amaldiçoado por seu apego ao passado. Pura lógica alquímica.
Poltergeist bizarro, desalojado de seu covil. Paciência. Ao menos não
trazia atreladas algumas correntes...* Morto mas não totalmente
pretérito, que se tornasse bem claro esse postulado; morto mas não
necessariamente ‘enterrado’, condenado ao pó de onde conjugara
o verbo sofrer no infinitivo: Às vezes toques roubados aqui, nucas
arrepiadas mais além; brincadeiras com possessões eram permitidas,
e a multidão de descarnados se entretinha com essas espécies de
‘folguedos’, mas aqueles que viviam daqueles desportos eram espíritos
simplistas e incultos em excesso, diga-se de passagem a grande
maioria deles. Não satisfeitos por serem condenados ao vagar
eterno, primitivos em seu egoísmo, fadavam a própria espécie –
na qual ele se incluía – a morrer n vezes... Há isso diziam
divertimento? Tinha sérias dúvidas.
Desviando sua
atenção do prostíbulo a céu aberto, saindo de trás da lápide
negra-opalina dum coronel curtumeiro descido ao sepulcro, a julgar
pelo obituário, nos idos de 1933, um repentino e saltitante vulto
negróide, lábios repuxados num esgar tropeiro, irrompeu,
derrubando molduras de gesso e vasos de ofertório, no último
minuto, ao vê-lo, perdendo o equilíbrio precário, interrompendo
seus pulos evasivos no fundo de uma cova duplex, arapuca da morte
arreganhada pelos vivos, assustado demais para ser salvo por dedos tão
absurdamente gélidos quanto os do andarilho.
Devido aquilo,
sua interação com o outro forçou seu esgotamento prematuro. Não
teria mais que um terço de hora pela frente pois salvá-lo da cova
fizera-o mais fraco do que já estava; o miasma que insuflava-o
nessa transitoriedade perdendo o contorno e se desvanecendo, ígneo,
ao contato com matéria viva, ao passo que o pedaço arfante de
gente observava-o de olhos saltados da testa e corpo agachado como a
um sapo. Trouxera ele, aquele fujão de qualquer senzala moderna,
uma caixa cheia de botões, irremediavelmente perdida, espatifada
dentro da sepultura de fundo feito dum retângulo de laje ainda por
retirar, com um rabicho se desprendendo dela em forma dum inútil
garfo em sua extremidade. Será isso o famoso videocassete laser?
Que fosse, pensou, de nada servirá para mais ninguém. Mas algo
estava acontecendo com o autor da façanha atrapalhada. O
entrechocar dos bonitos e reluzentes dentes daquele foragido não o
impediram de gaguejar num idioma tão ruim quanto o falado pelos
pretos bantos, seus prováveis ancestrais de 200 anos atrás:
- Corto ocê si
mi tocá dinovo... – benzeu-se, fez alguns passes, buscando alguma
arma que, ou não existia, ou nervoso demais pra tirá-la de onde
estivesse, apercebendo-se do vulto recortado junto ao tronco da
amoreira e seu gesto ao se curvar em sua direção: - Parreia,
Tinhoso!!! Tenhu muié e fios pra criá...
Bim-Bom-Bam-Bom!
Quatro horas da madrugada. O carrilhão, distante, quase musical,
patrimônio da humanidade e parente do tempo, inflexível, mais uma
vez fazendo-se ouvir. Cemitério algum costumava provocar eloqüência
nas criaturas que não o usavam como descanso eterno, e uma
inopinada crise de piedade(?) cresceu dentro dele, vendo aquela
pobre criatura, habituada a uma vida de perseguições, seguindo seu
destino, fugindo novamente, só que aos berros e tropeções,
deixando para trás o produto do furto e algo mais....
Amparado numa
cruz de gesso, impossível e presuntiva bengala para seu para-plasma
em vias de se esgotar, guardou a preciosa luneta até então caída
junto a cotocos ensebados de velas coloridas, castiçais destroçados
e o resto de todos aqueles objetos fúnebres, faraônicos, naquela
parte pouco nobre do cemitério, para, num último lampejo de força
telúrica arrancada do útero da Terra, içar uma flor, escapando
por pouco de ser capim, que crescia solitária medrando na própria
rocha inculta, enxertando-a num castiçal parcialmente tombado, para
sua felicidade (sendo que nenhum ser vivente saberia definir)
satisfatoriamente em condições de uso.
A claridade
irrefutável que aparecia no horizonte, o pio das gaivotas ao
encontro dos pescadores e o rumor crescente dos pássaros canoros
que ali tinha fixado seus ninhos junto aos braços cruzados de
carcomidos querubins, fizeram seus olhos tombarem de encontro ao chão.
O mudo apelo vinha dali, sua própria sepultura perdida em algum
lugar entre o mato e o tempo, sem sinais aparentes, há muito
preservada intacta pelo esquecimento; o mínimo que poderia esperar,
sendo um lobo-do-mar, seria um enterro molhado, no entanto fora
surpreendido pela morte em terra firme, vítima de uma emboscada que
flagrara-o no regaço (menos mal!) de 2 formosas índias, naquela
tarefa, na verdade um subproduto do prazer de fabricar indiozinhos
para povoar aquela terra de mestiços, garantindo uma miscigenação
que nunca ultrapassaria a cerne de todos os preconceitos.
Deitando-se de
volta ao abrigo das larvas, acomodou-se como pode. No próximo ano,
quem sabe, tivesse alguma sorte.
Quando notou, o
processo se repetiu como das vezes anteriores: sua visão tornou-se
microscópica, ou via tudo um milhão de vezes ampliado; um colchão
de névoa esverdeada começava a tomar forma a sua volta, dentro da
qual sombras se movimentavam num suspeito frenesi. Até aí, tudo o
mesmo. Contudo, abriu-se uma brecha e surgiu um clarão de magnitude
intensa e o clarão e brecha foram ficando maiores, ao ponto dos
trechos de névoa serem debelados em sua quase totalidade. Rever seu
passado já acontecera de tempos em tempos, pelo que testemunhava
alijado daquele contexto, vendo tudo sem que ninguém (uma voz, uma
entidade orientadora, um filho da puta qualquer) esclarecesse o que
esperavam dele ‘da outra vez’. Nada havia que destoasse do silêncio
da onipresença...
Porém, não
era aquilo definitivamente que estava ao seu alcance. Podia quase
sentir, quase tátil, quase material, transmitindo até algumas
outras sensações sonoras e olfativas. Impossível! E eram imagens
diferentes das usuais, uma outra perspectiva, no entanto abordando
seu século de nascimento. No mar, um navio vinha vindo, fazendo as
águas brilharem contra seu costado. Eram respingos isso que
atingiam seu rosto, ou outra impossibilidade, uma lágrima desviada
de alguém há muito sepultado?
Quando
preparou-se para tocar as tábuas da embarcação foi arrancado
violentamente de seu deslumbre. Foi jogado contra todas direções
ao mesmo tempo. Tudo que esquecera em relação à dor física foi
forçado a aprender em um segundo apenas. Seria mesmo segundo? Que
tempo, referencial, mediria aquele tormento? E a dor prosseguia sem
a mínima trégua, sem levar qualquer de suas dúvidas na menor das
considerações. E seus gritos foram ficando maiores, suas dores
mais atrozes, esquecido que o impossível era algo situado além do
seu alcance.
O berro se
multiplicou, se eternizou, facetou-se, levou-o ao inferno e esqueceu
de trazê-lo de volta. Quando achou que nada mais podia agravar seu
estado lastimável, no limite de algo que, até outra palavra melhor
tomar seu lugar, podia se chamar consciência, a luz se foi, barco
se foi, só a dor continuou firme em seu curso tormentuoso, até um
sorvedouro aparecer no caminho, diminuindo, desaparecendo,
transformando-se num langor tão diametralmente oposto àquilo, que
parecia dor da mesma forma. Com algo além de seu entendimento, sem
cérebro sequer para pensar, sentiu-se inserido numa cavidade cálida,
encolheu-se, acomodando-se quase como um organismo invertebrado. E
quando já se acostumara com aquilo, um novo tormento: vozes
distantes, compressas, palavras apressadas, tumulto, hemorragia, o
diabo novamente, o contato com uma mão fria arrastando-o para a luz
novamente.
Junto ao último
berro esqueceu tudo que soubera antes. Quando abriu a boca e golfou
era como se toda sua vida pregressa houvesse esvaído junto.
Para o melhor e
o pior, estava de volta...
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