Pela Conquista da Matéria

 Rogério Amaral de Vasconcellos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[Conto para análise #0019]
[Autor: Rogério Amaral de Vasconcellos]
[Título: Pela Conquista da Matéria]
[Gênero: FC]
[Número de Palavras: 2.843]

Soava duas horas no carrilhão da torre do Centro Velho. O bim-bam somente conseguindo espantar alguns renitentes pombos selvagens da sacada daquele prédio colonial, embora bastante conservado.

Os sussurros embebidos em trevas, como incógnitas gargalhadas esventradas da noite, ecoam também como sons distantes de uma batalha travada a dois, na privacidade nunca completa de um conflito. O vento rapino, soprando das montanhas ao norte, incendiava os becos com fugazes lampejos de uma arrevoada de aves insólitas, em todos lugares presentes como restos de velhos jornais avermelhados pelos reflexos de neons e spots carmesins dos bistrôs, drapejando naquelas ensangüentadas manchetes a espécie de destino lavrado para elas, ao se perderem madrugada adentro. E tome vento. Uuuuuuuuuu..................

O andarilho a tudo observa e a nada parece dar uma atenção especial. É de sua natureza. Um projeto híbrido de homem e assombração, surgindo alquebrado ao longe como que ejaculado do nada; uma figura ímpar, decerto, com qualidades etéreas também, remetendo à bravatas passadas, a deduzir-se de sua roupagem em ruína, daquelas semi-vestes de corsário holandês do século XVII, chapéu carcomido, alimento do espírito das traças, penacho impotente, brocha, oriundo da bunda dalgum urubu imprevidente; tudo o mais não tinha importância, tão deslocado ali quanto um farol sem oceano, sem recifes, sem nada; quem seria este escombro em forma de gente translúcida, um anti-prisma, compondo as cores num único e desbotado borrão; lá estaria somente um parasita moribundo ou uma outra vítima serena da praga de sua própria existência? Transitório estereótipo humano sem de fato sê-lo, sabe-se lá contente ou triste pois inescrutável se consolidara a muralha esculpida em seu semblante ora – e sempre - impenetrável; naquele submundo do incerto as coisas não aconteciam com obrigatória coerência euclideana, e palavras como ‘beleza’ ou ‘nojo’, vomitadas ao acaso, não divergiam tanto assim, podendo um escarro dum viciado ser belo - se o referencial fosse aplicado a uma mosca e toda expectoração tornando-se para ela num oásis, numa espécie de Édem de refeição -, como a aversão, mais um espécime do quesito nojo, sempre retendo morada nas entranhas de quem por acaso nutrisse desamores e desafetos, mesmo momentâneos, não sendo suficiente a visão de qualquer maravilha nesses amargos momentos pois o deslumbre, fácil-fácil, cedia terreno ao ódio, cumpria sua missão e a força resultante daquilo sempre uma só, com um único referencial possível: a destruição...

Fora falha a pressuposição dada, de que tocava o asfalto das largas e abandonadas avenidas, seu trevo, vias suspensas, o calçamento de pedras hexagonais, os Jardins, todo entorno que servia de palco para aquela caminhada claudicante. ao se movimentar. Contudo, um engano compreensível, pois flutuava a milímetros do chão, para todos efeitos parecendo marchar através dele.

Um soldado, enfim, cumprindo com sua inércia marcial. Não era o rufar de tambores da banda invisível que cadenciava seus espasmos cinéticos, mas o troar dum imenso coração que, contrário da lógica, não deveria sequer presumir existência. Das esquinas e inúmeras encruzilhadas ouvia ‘ois’ especulativos, saudações diferentes e gritos nocivos, ofensivos, desafiadores, de outras tantas entidades, mas nada fazia-o estugar sua caminhada, ao menos nada daquele gênero prometia algo que pudesse tirar algum proveito. Certos monumentos de referências navais pareciam chamar sua atenção, invocando sua recordação, mas é só; e a coisa continuou assim, monótona, por algum tempo. Estava chegando em seu destino e, talvez ‘cansado’, ao menos arrastando os pés como se aparentasse isso, reduzindo seu deslocamento na inércia motriz de suas passadas, ele pára. O entorno novamente não o comove: O de sempre. Pouco mudara de considerável monta desde o último ano. De si, à bandoleira, ato reflexo ou não, saca um objeto que ante o luar revela-se como uma luneta contemporânea à Galileu, recebendo-a do próprio físico e astrônomo natural de Pisa, assestando-a na direção ‘de sua estrela guia’ e penetrando o céu com ele; enquanto sua vista saltava de órbita em órbita, mergulhando na imensidão onde pouca coisa lhe era negado pela visão das esferas, flagrou uma série de ‘milagres’ comuns àqueles tempos loucos no qual, sondas, estações orbitais, etc., inclusive não furtou-se a lembrar que o homem também chegara até Marte e se assanhava em direção ao cosmos como uma legião de lagartas em direção às uvas. Que riquezas poderiam tirar daqueles galeões espaciais tripulados por gente (mais máquinas que gente) com fibra igual a de um molusco? Quantos tonéis de rum uma boa tripulação depois disso não ingeriria, patrocinados pelo produto do saque? Os tempos eram outros mas as necessidades, as mesmas.

Enquanto isso, ali embaixo, no mundo pelo qual o peregrino insistia (ou insistiam) que trilhasse, a cidade não mudara de aspecto em sua essência: as mesmas coisas que os séculos conservaram em formol, embebidas em seu manto azulado de névoa e falsas nuvens feitas de (nesse caso, menos atenuado que no ano anterior) poluição, anuviando a visão de um súbito vôo de um insone pássaro ou uma das ariscas luas do gigantesco Júpiter ou o rastro iridescente de um cadente turbilhão varando a lousa do universo, preocupando-se com uma ou várias adagas celestes, ou mesmo qualquer outra distração no ar carregado de fuligem e desesperança, num grau menor de dispersão. Aquilo que ali se tornara um agregado de grandes bairros formando uma cidade de quase setenta mil habitantes, fora antes uma aldeia de apenas um punhado de almas de imigrantes, um vilarejo monocultor crescido a volta duma pequena capela de estuque, uma aldeia indígena, queimada, abandonada de um lado, e uma colônia de velhos mendigos-pescadores menor ainda do outro; algumas décadas antes disso, no tempo da tenra e cálida carne que lhe envolvia os ossos, quando por ali ancorara seu paquete, abastecia-se de água e víveres, fazia escambo com os nativos e armeiros, ainda retinha na lembrança a imagem daquele simples lugarejo de terras incultas onde arado nenhum passara; perdidas plagas propriedades de ninguém, além dos bugres, distante dos muitos Engenhos de Açúcar e, pra piorar sua situação geográfica (embora não estratégica), bloqueada por atóis que fechavam, para navios de calado maior ou destituídos dum exímio arrais, sua estreita entrada pelo mar. Fora uma vida plena e satisfatória a sua. Tirando a brevidade dela, óbvio, não havia queixas. Difícil mesmo foi gerenciar a saudade... A segunda-terceira-milésima-chance parecia disponível para alguns poucos privilegiados, o que, infelizmente, não parecia ser o seu caso.

Os portões amarelados, descascados pela maresia e pelo desmazelo, marcavam o limite de sua cadeia atemporal. Era o mais próximo que podia chegar da costa, situada do outro lado da larga e remodelada pista de rolamento litorânea, seguindo alguns morros baixos e, ó visão das mais sublimes, a marina! Todavia o sólido ferro forjado e amalgamado em concreto semi-derruído de seu antigo reboco, como cela verdadeira, não permitia maior vislumbre, forçando o espichar de seu olhar bem redondo por entre suas grades e... sonhar. Ao menos isso ainda era permitido ou, por outro lado, talvez até incentivado, como uma nova faceta negativa de sua maldição. Procurou esquecer aquilo e se concentrar em seu problema. Foi o mesmo que fazer o contrário.

Julgava também a beleza – no seu padrão, em sua visão, naturalmente – de um tipo tão visceral que até magoava; não tinha a fração de matéria necessária para usufruir; carecia daquela máquina, o invólucro dos encarnados, com as quais tiravam prazeres inenarráveis em troca de alguns míseros dobrões; nem isso podia fazer. Ainda que estivesse ao seu alcance compartilhar com quem quisesse servir como encosto de sua aura, não encontrara ainda o veículo apropriado que não o usasse como meio de vida; simbiose, nem pensar! Não estava pronto pra servir de guia (caça-níquel) espiritual pra ninguém, por isso voltava, e voltaria sempre. O misticismo era, mais uma vez, uma das 3 indústrias que mais arrecadavam naquela virada de milênio. Todos pareciam tão piores que ele... Tão necessitados de ajuda...

O mal de ser seletivo em demasia.

E em vez de fazer o sinal da cruz, rogando penitência, clamando uma chance, como outro em igual situação faria, aplicou um desrespeitoso dedo em riste no ar, sem direção definida, fora o céu, é claro. Foda-se!

Além dos muros dos fundos, noutra vertente, uma lânguida e arqueológica ladeira de paralelepípedos, viam-se cocheiros entretidos num jogar conversa fora, falando de dentro de suas carroças sem cavalos, coloridas até um nível enjoativo, paradas, vistosas, arrogantes, todas ao longo do meio-fio, vendo também, na dissecadora luz dos potentes lampiões sobreviventes das depredações, a abordagem levada a efeito por damas tão inverossímeis quanto ele, no exercício, no caso delas, da insalubre e velha profissão, expondo uma tal parcela de seus corpos que nem mesmo a melhor imaginação, a mais fértil de todas, embora não a mais doentia, podia se sentir insatisfeita; mulheres, quase-mulheres, o fiofó em polvorosa, um olho a mais a piscar, não deixaram de prescindir também daquelas meninas com excesso de maquiagem, compensando a escassez de vestimenta, os corpos em leilão, vendo-se ainda meninos se prostituindo por prazer ou precisão... As putas só mudaram de endereço, pensou. Eram tão necessárias quanto em seu tempo. Podia mudar o calendário e o apelo carnal sempre se repetiria, e porque não seria assim? Fornicar, fazer amor, ralar, trepar, foder – ou outro nome que usassem naquele período regido sob a égide da moda – seria ótimo como também extraordinário seria estar vivo... E lá vinham as lamentações e todos os vagões que compunham o extenso Expresso da Depressão manifestando-se mais uma vez!

Almas deprimidas, quem diria... Como se a morte só não bastasse!

Mágoa era só uma maneira de trazê-lo de retorno à realidade (ou o mais próximo possível dela) e esta, como sempre, não tinha parcimônia alguma em passar recibo e ser insensível quanto a confirmá-lo como inquilino itinerante daquele cemitério, regurgitado uma única vez em cada revolução solar, consciente disso, sempre sob a mesma lua, amaldiçoado por seu apego ao passado. Pura lógica alquímica. Poltergeist bizarro, desalojado de seu covil. Paciência. Ao menos não trazia atreladas algumas correntes...* Morto mas não totalmente pretérito, que se tornasse bem claro esse postulado; morto mas não necessariamente ‘enterrado’, condenado ao pó de onde conjugara o verbo sofrer no infinitivo: Às vezes toques roubados aqui, nucas arrepiadas mais além; brincadeiras com possessões eram permitidas, e a multidão de descarnados se entretinha com essas espécies de ‘folguedos’, mas aqueles que viviam daqueles desportos eram espíritos simplistas e incultos em excesso, diga-se de passagem a grande maioria deles. Não satisfeitos por serem condenados ao vagar eterno, primitivos em seu egoísmo, fadavam a própria espécie – na qual ele se incluía – a morrer n vezes... Há isso diziam divertimento? Tinha sérias dúvidas.

Desviando sua atenção do prostíbulo a céu aberto, saindo de trás da lápide negra-opalina dum coronel curtumeiro descido ao sepulcro, a julgar pelo obituário, nos idos de 1933, um repentino e saltitante vulto negróide, lábios repuxados num esgar tropeiro, irrompeu, derrubando molduras de gesso e vasos de ofertório, no último minuto, ao vê-lo, perdendo o equilíbrio precário, interrompendo seus pulos evasivos no fundo de uma cova duplex, arapuca da morte arreganhada pelos vivos, assustado demais para ser salvo por dedos tão absurdamente gélidos quanto os do andarilho.

Devido aquilo, sua interação com o outro forçou seu esgotamento prematuro. Não teria mais que um terço de hora pela frente pois salvá-lo da cova fizera-o mais fraco do que já estava; o miasma que insuflava-o nessa transitoriedade perdendo o contorno e se desvanecendo, ígneo, ao contato com matéria viva, ao passo que o pedaço arfante de gente observava-o de olhos saltados da testa e corpo agachado como a um sapo. Trouxera ele, aquele fujão de qualquer senzala moderna, uma caixa cheia de botões, irremediavelmente perdida, espatifada dentro da sepultura de fundo feito dum retângulo de laje ainda por retirar, com um rabicho se desprendendo dela em forma dum inútil garfo em sua extremidade. Será isso o famoso videocassete laser? Que fosse, pensou, de nada servirá para mais ninguém. Mas algo estava acontecendo com o autor da façanha atrapalhada. O entrechocar dos bonitos e reluzentes dentes daquele foragido não o impediram de gaguejar num idioma tão ruim quanto o falado pelos pretos bantos, seus prováveis ancestrais de 200 anos atrás:

- Corto ocê si mi tocá dinovo... – benzeu-se, fez alguns passes, buscando alguma arma que, ou não existia, ou nervoso demais pra tirá-la de onde estivesse, apercebendo-se do vulto recortado junto ao tronco da amoreira e seu gesto ao se curvar em sua direção: - Parreia, Tinhoso!!! Tenhu muié e fios pra criá...

Bim-Bom-Bam-Bom! Quatro horas da madrugada. O carrilhão, distante, quase musical, patrimônio da humanidade e parente do tempo, inflexível, mais uma vez fazendo-se ouvir. Cemitério algum costumava provocar eloqüência nas criaturas que não o usavam como descanso eterno, e uma inopinada crise de piedade(?) cresceu dentro dele, vendo aquela pobre criatura, habituada a uma vida de perseguições, seguindo seu destino, fugindo novamente, só que aos berros e tropeções, deixando para trás o produto do furto e algo mais....

Amparado numa cruz de gesso, impossível e presuntiva bengala para seu para-plasma em vias de se esgotar, guardou a preciosa luneta até então caída junto a cotocos ensebados de velas coloridas, castiçais destroçados e o resto de todos aqueles objetos fúnebres, faraônicos, naquela parte pouco nobre do cemitério, para, num último lampejo de força telúrica arrancada do útero da Terra, içar uma flor, escapando por pouco de ser capim, que crescia solitária medrando na própria rocha inculta, enxertando-a num castiçal parcialmente tombado, para sua felicidade (sendo que nenhum ser vivente saberia definir) satisfatoriamente em condições de uso.

A claridade irrefutável que aparecia no horizonte, o pio das gaivotas ao encontro dos pescadores e o rumor crescente dos pássaros canoros que ali tinha fixado seus ninhos junto aos braços cruzados de carcomidos querubins, fizeram seus olhos tombarem de encontro ao chão. O mudo apelo vinha dali, sua própria sepultura perdida em algum lugar entre o mato e o tempo, sem sinais aparentes, há muito preservada intacta pelo esquecimento; o mínimo que poderia esperar, sendo um lobo-do-mar, seria um enterro molhado, no entanto fora surpreendido pela morte em terra firme, vítima de uma emboscada que flagrara-o no regaço (menos mal!) de 2 formosas índias, naquela tarefa, na verdade um subproduto do prazer de fabricar indiozinhos para povoar aquela terra de mestiços, garantindo uma miscigenação que nunca ultrapassaria a cerne de todos os preconceitos.

Deitando-se de volta ao abrigo das larvas, acomodou-se como pode. No próximo ano, quem sabe, tivesse alguma sorte.

Quando notou, o processo se repetiu como das vezes anteriores: sua visão tornou-se microscópica, ou via tudo um milhão de vezes ampliado; um colchão de névoa esverdeada começava a tomar forma a sua volta, dentro da qual sombras se movimentavam num suspeito frenesi. Até aí, tudo o mesmo. Contudo, abriu-se uma brecha e surgiu um clarão de magnitude intensa e o clarão e brecha foram ficando maiores, ao ponto dos trechos de névoa serem debelados em sua quase totalidade. Rever seu passado já acontecera de tempos em tempos, pelo que testemunhava alijado daquele contexto, vendo tudo sem que ninguém (uma voz, uma entidade orientadora, um filho da puta qualquer) esclarecesse o que esperavam dele ‘da outra vez’. Nada havia que destoasse do silêncio da onipresença...

Porém, não era aquilo definitivamente que estava ao seu alcance. Podia quase sentir, quase tátil, quase material, transmitindo até algumas outras sensações sonoras e olfativas. Impossível! E eram imagens diferentes das usuais, uma outra perspectiva, no entanto abordando seu século de nascimento. No mar, um navio vinha vindo, fazendo as águas brilharem contra seu costado. Eram respingos isso que atingiam seu rosto, ou outra impossibilidade, uma lágrima desviada de alguém há muito sepultado?

Quando preparou-se para tocar as tábuas da embarcação foi arrancado violentamente de seu deslumbre. Foi jogado contra todas direções ao mesmo tempo. Tudo que esquecera em relação à dor física foi forçado a aprender em um segundo apenas. Seria mesmo segundo? Que tempo, referencial, mediria aquele tormento? E a dor prosseguia sem a mínima trégua, sem levar qualquer de suas dúvidas na menor das considerações. E seus gritos foram ficando maiores, suas dores mais atrozes, esquecido que o impossível era algo situado além do seu alcance.

O berro se multiplicou, se eternizou, facetou-se, levou-o ao inferno e esqueceu de trazê-lo de volta. Quando achou que nada mais podia agravar seu estado lastimável, no limite de algo que, até outra palavra melhor tomar seu lugar, podia se chamar consciência, a luz se foi, barco se foi, só a dor continuou firme em seu curso tormentuoso, até um sorvedouro aparecer no caminho, diminuindo, desaparecendo, transformando-se num langor tão diametralmente oposto àquilo, que parecia dor da mesma forma. Com algo além de seu entendimento, sem cérebro sequer para pensar, sentiu-se inserido numa cavidade cálida, encolheu-se, acomodando-se quase como um organismo invertebrado. E quando já se acostumara com aquilo, um novo tormento: vozes distantes, compressas, palavras apressadas, tumulto, hemorragia, o diabo novamente, o contato com uma mão fria arrastando-o para a luz novamente.

Junto ao último berro esqueceu tudo que soubera antes. Quando abriu a boca e golfou era como se toda sua vida pregressa houvesse esvaído junto.

Para o melhor e o pior, estava de volta...

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