OLAVO  

        BILAC  

    

 

   Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro RJ em 16 de dezembro de 1865. Estudou medicina e direito, no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas não completou nenhum dos dois cursos. Dedicou-se então ao jornalismo e à literatura. Teve participação intensa na política e em campanhas cívicas de alcance nacional. Durante a revolta de 1893, foi perseguido pelo governo do marechal Floriano, o que o obrigou a esconder-se por algum tempo em Minas Gerais e lhe valeu um período de prisão na fortaleza da Laje, Rio de Janeiro.
Sua campanha mais famosa foi em favor do serviço militar obrigatório, até mesmo como instrumento de alfabetização de adultos.
 A estréia de Olavo Bilac deu-se com o volume Poesias (1888). O parnasianismo já estava firmado no Brasil desde o começo da década de 1880. A "idéia nova", que a geração de 1870 adotara como credo filosófico e estético, e que fora identificada por Machado de Assis no ensaio "A nova geração", transformara-se em opção consagrada, e seus dois maiores representantes, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, ampararam e saudaram o estreante. O livro continha o grupo de sonetos da Via-Láctea, que se tornariam dos mais famosos da poesia brasileira, e a "Profissão de fé", em que se codifica o credo parnasiano, pelo culto da pureza formal e da correção do verso.
 Ao lado do lírico, há em Bilac uma tonalidade épica, que se destaca no poema "O caçador de esmeraldas", que celebra os feitos, desilusão e morte do bandeirante Fernão Dias Pais.Poemas como "Os sinos", "As árvores", "As ondas" são alguns dos mais altos espécimes do lirismo parnasiano, de que ele foi um dos mais típicos representantes
As conferências, ensaios, contos e textos de circunstância do poeta constam de livros como Crônicas e novelas (1894), Crítica e fantasia (1904), Conferências literárias (1906-1912), Discursos (1915), Ironia e piedade (1916), Últimas conferências e discursos (1924). Olavo Bilac morreu no Rio de Janeiro RJ em 28 de dezembro de 1918. Sua posição na literatura brasileira foi asperamente contestada pelo modernismo, a partir de 1922. No entanto, sua glória é incontestável, pela alta categoria de seus poemas e a sedução que exercem..

 

 

 

 HINO A BANDEIRA
Letra:Olavo Bilac

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra
Da amada terra do Brasil.

Sobre a imensa nação brasileira
Nos momentos de festa e de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do BRASIL

 

 

 

 

 












                                                                        

 

 

 

 

 

 

 

        OUVIR  ESTRELAS

 

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


XXIX

Por tanto tempo, desvairado e aflito,
Fitei naquela noite o firmamento.
Que inda hoje mesmo, quando acaso o fito,
Tudo aquilo me vem ao pensamento.

Sai, no peito o derradeiro grito
Calcado a custo, sem chorar, violento...
E o céu fulgia plácido e infinito,
E havia um choro no rumor do vento...

Piedoso céu, que a minha dor sentiste!
A áurea esfera da lua o acaso entrava,
Rompendo as leves nuvens transparentes;

E sobre mim, silenciosa e triste,
A Via Láctea se desenrolava
Como um jorro de lágrimas ardentes

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

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